Wildiley Barroca nasceu em São Tomé, no dia 20 de Março de 1991. Fez os seus estudos primários e liceais em São Tomé, bem como a formação média profissional em Secretariado Internacional e Licenciatura em Direito.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, é Autor da Obra Apuros da Minh ‘Alma Errante – primeira obra do autor lançada no Complexo Cultural dos Barris em Salvador – Bahia, Brasil; Autor da obra “João Paulo II ou o Santo da Juventude”; Coautor da obra “Moi Président” lançada em 15 de Março de 2017 na França e Coautor da obra “A Poesia Multicultural”, lançada em Julho de 2019 em Portugal; Coautor da obra “O Ensino do Direito nos Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP)” lançada em 27 de Março de 2021 no Brasil; e Coautor da Obra “WE HAVE A DREAM”, lançada em Maio de 2021 no Japão;
Representou São Tomé e Príncipe como jovem Escritor na II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em Luanda - Angola, na VI Bienal dos Jovens Criadores da CPLP em Salvador – Baia - Brasil e participou em Representação de São Tomé e Príncipe como jovem escritor na Bienal dos Jovens Criadores da CPLP na Vila Nova de Cerveira, Portugal.
Foi Presidente da União Literária e Artística Juvenil - ULAJE Clube UNESCO, Coordenador do Clube dos Poetas e Trovadores de São Tomé e Príncipe e Secretário-geral da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.
Lista de Poemas
São Tomé e Príncipe
Duas ilhas que se fitam, frente a frente,
como irmãs que o tempo moldou lentamente.
Beijam-se no abraço do sol — ora frio, ora ardente
—
entre risos, passos e o leve-leve da nossa gente.
Uma delas, triste, sente-se por vezes abandonada,
presa ao silêncio de uma saudade demorada.
A outra, firme na sua resistência diária,
estende-lhe a mão solidária,
e roga aos santos padroeiros, com devoção inteira,
que nenhuma lágrima permaneça verdadeira.
Porque, apesar do mar que as separa,
o coração que as une nunca se afasta.
São Tomé e Príncipe — duas almas de uma só
casa,
duas vozes que cantam a mesma esperança.
Que voltem os ventos brandos da bonança,
Que sopram união, esperança e confiança,
E que o mar, testemunha antiga desta dança,
Abrace as duas ilhas num só encanto.
Que nenhuma fique só na dor que sente,
Pois o sangue é o mesmo — quente, valente —
E no pulsar forte do nosso coração
Há espaço para juntar o que o tempo separou.
Assim, sob a bênção do céu azul profundo,
Erguem-se São Tomé e Príncipe num só mundo,
Com o verde das roças e o mar fecundo
A lembrar que juntas sempre brilharão.
E que a saudade que hoje dói devagarinho
Se transforme em luz num doce caminho,
Onde cada passo se faça vizinho
Do amor que une este pequeno-grande país.
Paixoneta
Fui apanhado,
o meu coração foi alcançado —
acho que estou apaixonado.
Apaixonado por uma beldade
nunca antes vista,
por uma beleza incomparável
que, às vezes, parece ser
a própria razão da vida.
Não consigo escapar da prisão
onde me deixaste,
mas dessa doce ilusão
fizeste o meu coração
bater mais forte,
arder de emoção.
Deve ser porque, de algum modo,
de mim nunca partirás.
Digas o que disseres,
faças o que fizeres,
eu, teimosamente,
hei de amar-te sempre.
Verdade Verdadeira
Verdade verdadeira,
juro… juro que não é besteira.
Porque, quando olho para aquela gente em fileira,
podes crer: só asneira.
De vez em quando,
ou quiçá numa sexta-feira,
madres, padres e freiras
juntam-se em festança certeira,
num riso que ninguém modera,
como se a vida inteira
fosse uma eterna brincadeira.
E o povo, que tudo espreita,
ri-se da cena inteira,
pois sabe que até alma ordeira
tem seus dias de bandoleira.
É a vida — tão passageira,
tão séria e tão galhofeira —
que nos lembra, à sua maneira,
que a verdade verdadeira
é sempre meio ligeira,
meio louca,
e muito inteira.
Taxi
Os assentos rasgados dos autocarros
Lixos convivendo connosco
impedindo a normal circulação dentro do
automóvel
Rasgavam o silêncio do meu espírito
E uma outra voz
Em paralelo dizia-me
que naquele caos havia uma ordem antiga,
um modo próprio de respirar a cidade.
O motorista, com os olhos cansados,
sabia cada buraco da estrada de cor,
como se conduzisse não apenas um táxi,
mas memórias depositadas no asfalto.
E eu, perdido entre poeira e buzinas,
via o mundo mover-se devagar,
como se Bamako me pedisse
para abrandar o passo da alma.
Ali, no aperto quente daquele lugar,
percebi que certos caminhos
não se medem em quilómetros,
mas no que nos desperta por dentro.
Adeus, Man Rica!
Partirei.
Levarei comigo a saudade —
eco de risos que nunca ecoaram,
memórias que escaparam pelos dedos
quando éramos apenas adolescentes
no Liceu dos sonhos por nascer.
Partirei.
Mas a vida gravará nas páginas invisíveis
que nada é impossível enquanto o coração bater,
que somos poeira e título,
que honras se desfazem num instante de luz,
num sopro de eternidade.
Partirei.
E no futuro, que nos observa
com olhos de tempo,
ajustaremos contas,
não em silêncio,
mas em risos, lágrimas e lembranças
que recusam ser esquecidas.
Partirei.
E ainda assim estarei aqui —
nos gestos, nas sombras,
no impossível que insistimos em viver.
Partirei,
Mas não levarei comigo tudo —
deixarei pequenas lembranças
presas às paredes,
às conversas soltas,
às músicas que não acabaram
e ao cheiro de café das manhãs preguiçosas.
Partirei,
Mas saberás, na primeira ausência,
que a vida é feita de encontros e partidas,
que nenhum abraço é eterno,
mas todos deixam marcas
que nem o tempo consegue apagar.
Partirei,
E ao seguir o meu caminho,
levo-te comigo dobrado no peito,
como se fosses um capítulo
que não se fecha,
apenas vira a página.
E se o futuro nos chamar —
e ele sempre chama —
voltaremos ao mesmo riso,
à mesma ironia,
ao mesmo pacto silencioso
de irmãos que o tempo separa,
mas nunca rompe.
Adeus, Man Rica!
Não um adeus de fim,
mas um adeus de quem parte sabendo
que há despedidas que são apenas
o prelúdio dos regressos.
Delírio da Mente
Você me mata,
ata meu coração
com um nó que não se desata.
Você é bonita,
e no meu peito
encontra morada.
Temos cargas diferentes,
valores que se equilibram,
provocando pressão:
1 + 1 = 2,
não sobra nada para depois.
Você mexe com meu coração,
faz ferver minha mente,
entra em ebulição
sempre que cruzo o teu olhar.
Paulo
Paulo,
preguiçoso e petulante,
partiu para Portugal
à procura de aventura pulsante
que satisfizesse a sua
eterna petulância.
Posto à ribalta,
sem noção da distância,
e volvido da resistência,
Paulo meteu-se em encrenca
tão rápida quanto a arrogância.
Entrou de peito feito,
certo da sua esperteza,
mas acabou no meio da porrada,
um golpe na sorte,
outro na cabeça…
E o pobre, levado à esquadra,
sem honra e sem elegância,
via a “gaja”, descomposta,
fazer queixa com confiança.
Paulo, cabisbaixo,
só pensava na errância:
“Eu quis ser o rei da dança
e virei nota de mudança…”
Assim aprendeu o rapaz,
entre risos da vizinhança,
que quem parte com petulância
acaba sempre…
com pouca importância.
Sum Teixeira
Sum Teixeira
entrou em azáfama,
num ritmo irreconhecível, abismal.
Trazia sua companheira em fileira,
ofuscando, sem querer,
o brilho do nosso conselho nacional.
Não que fosse mal,
mas ao menos que anunciasse
essa entrada magistral,
para que pudéssemos acompanhar,
em corro atento,
o gingar cadenciado das ancas,
o olhar tímido de uma águia,
e todo esse espetáculo paralelo
que se desenrolava diante de nós.
E seguimos ali, imóveis, atentos,
como se a entrada fosse rito sagrado,
como se cada passo ecoasse
nos corredores do poder,
nos salões do conselho.
Sum Teixeira avançava,
e a companheira, alinhada,
era estrela de um balé que ninguém ensaiara.
E nós, pobres espectadores,
aplaudíamos com os olhos,
guardando na memória o desfile
de confiança, vaidade e graça,
que se perdeu tão rápido quanto chegou.
Então, em silêncio,
retornamos às nossas cadeiras,
sabendo que o conselho nunca mais
seria exatamente o mesmo.
A Magia do Teu Corpo
A tua voz, doce melodia,
floresce em mim como musas tímidas,
despertando sonhos e encantos
com o teu jeito singelo de amar.
A tua beleza, refúgio sereno,
acaricia minha alma e afasta qualquer pranto;
pois a música mais pura aos meus ouvidos
é o som suave da tua voz.
No jardim tranquilo do meu coração
nasceu uma flor de luz serena…
és tu, minha rosa delicada,
perfume que embala meus dias
e colore minhas manhãs.
No silêncio terno das nossas horas,
teu riso ilumina cada sombra minha.
E mesmo que o tempo se perca em memórias,
és tu, minha rosa,
quem floresce eternamente no meu coração
Saudades da terra
Saudades da terra e da minha infância,
Saudades daquele tempo perdido
Na conjuntura dos tempos e de todos os tempos,
Saudades da minha infância.
Saudades da minha infância
E dos tempos eternizados
Nos remotos silêncios já não vividos,
Lembrados em terras de Camões,
Juntando amigos e corações,
Perdendo-nos nestas canções
Que nos fazem reviver, em emoções,
As nossas raízes… a nossa infância.
Saudades da terra e da minha infância,
Saudades tenho eu
Daqueles tempos em que o tempo ainda era tempo…
Saudades de matu jaca,
Matu safu, trote e gualálá.
Nada escapa,
Nossa alma é quem fala…
Saudades da terra e da minha infância.
Comentários (1)
Olá, irmão africano!