WillLukazi

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Eu sofro de Letramorfoses...e não tem cura

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Domador de Misterios

Sou domador de mistérios. Um domador dos meus mistérios. Não é a aspereza do chicote que conta e nem os dias em que deixo meus segredos passarem fome. Não é nada disso. Eu os domo por um motivo muito simples. Reconhecem em mim um pedaço da própria carne e assim me permitem ir um pouco mais fundo em águas que desconhecem o que é luz do sol, areia e superfície.

Tenho meus mistérios. Tenho planos secretos. Desejos escondidos passeiam pelas minhas veias como se estivessem num salão de festas e se misturam ao meu sangue O+ de Conan, o bárbaro. Tenho um sonho preso no canto do olho e uma palavra oculta por entre as rachaduras de minha língua geográfica. Há um impulso sedento e aceso neste meu peito de pular de asa delta e torcer pelo vento mais forte que eu encontrar pela frente. Eu quero pousar com segurança, mas sempre temendo o impacto de uma queda ou do solo seguro. Se não for assim não acho graça nenhuma.


Não há mistério que fuja. Sempre o descubro e o jogo na masmorra impiedosa do meu entendimento, onde não há espaço para enigmas ou escritas incompreensíveis. Onde meu ácido-sulfúrico-raciocínio corrói tudo. Lá tudo se torna claro e nu como a vergonha dos primeiros humanos no Jardim chamado Éden...jardim antigo. Não mato mistérios. Eu os trato, dou atenção e afago até que percebam que foram vencidos e cativados.
Eu não sabia, mas todos os mistérios são uns iguais aos outros. As pessoas são todas iguais em essência, sentem praticamente as mesmas coisas e as diferenças são mínimas.
Eu tinha 11 anos quando resolvi rebaixar os meus mistérios em meros segredos e esta foi a porta avulsa de uma dimensão alheia na qual viajo pelo intervalo do tempo sob leis de uma Física ainda não conhecida.
''Eu sei o que você fez no verão passado''.
Eu sei o que você fez um dia.
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Poemas

19

De Amar

E se te digo 'Te amo', tudo passa a ser simples e todas as outras coisas se tornam obrigatoriamente possíveis. O Amor de verdade não precisa absolutamente de nada por perto. Sua existência não depende de presenças ou lógicas ou motivos recentes. Sua vontade não obedece a ciclos, leis, Decretos de Reis ou conseqüências__ se ama sozinho, triste, afagando um travesseiro e ainda assim tendo no peito o maior amor do Mundo e pronto. Às vezes simplesmente se ama abraçando o próprio corpo como se ele fosse um pouco daquele corpo alheio que um dia se fez presente. Às vezes se ama espirrando pequenos jatos de perfume para cima e sentindo aquele aroma tão familiar pousando mansamente de volta às narinas lhe remetendo a um tempo antigo e único. Às vezes se ama parado olhando rumo ao vazio, é quando cai a lágrima e não se sente, 'morre-se de amor e continua vivo'__diria Quintana. Às vezes se ama sonhando, seja acordado ou dormindo, alcançando outras dimensões, motivos, praças e pizzas um dia conhecidas.

Se o que quer ouvir é isso, então eu te digo: Te amo!
E eu sorrio de mim mesmo, pois quem ama é o bobo mais feliz do Mundo...e eu sempre soube disso.
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Domador de Misterios

Sou domador de mistérios. Um domador dos meus mistérios. Não é a aspereza do chicote que conta e nem os dias em que deixo meus segredos passarem fome. Não é nada disso. Eu os domo por um motivo muito simples. Reconhecem em mim um pedaço da própria carne e assim me permitem ir um pouco mais fundo em águas que desconhecem o que é luz do sol, areia e superfície.

Tenho meus mistérios. Tenho planos secretos. Desejos escondidos passeiam pelas minhas veias como se estivessem num salão de festas e se misturam ao meu sangue O+ de Conan, o bárbaro. Tenho um sonho preso no canto do olho e uma palavra oculta por entre as rachaduras de minha língua geográfica. Há um impulso sedento e aceso neste meu peito de pular de asa delta e torcer pelo vento mais forte que eu encontrar pela frente. Eu quero pousar com segurança, mas sempre temendo o impacto de uma queda ou do solo seguro. Se não for assim não acho graça nenhuma.


Não há mistério que fuja. Sempre o descubro e o jogo na masmorra impiedosa do meu entendimento, onde não há espaço para enigmas ou escritas incompreensíveis. Onde meu ácido-sulfúrico-raciocínio corrói tudo. Lá tudo se torna claro e nu como a vergonha dos primeiros humanos no Jardim chamado Éden...jardim antigo. Não mato mistérios. Eu os trato, dou atenção e afago até que percebam que foram vencidos e cativados.
Eu não sabia, mas todos os mistérios são uns iguais aos outros. As pessoas são todas iguais em essência, sentem praticamente as mesmas coisas e as diferenças são mínimas.
Eu tinha 11 anos quando resolvi rebaixar os meus mistérios em meros segredos e esta foi a porta avulsa de uma dimensão alheia na qual viajo pelo intervalo do tempo sob leis de uma Física ainda não conhecida.
''Eu sei o que você fez no verão passado''.
Eu sei o que você fez um dia.
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Sabores

Nada como uma Segunda-Feira após a outra. São elas que nos possibilitam confirmar ou abalar nossas convicções. Às vezes deixo de acreditar em coisas que eu defendia na semana passada. Outras vezes acabo acreditando em coisas que eu duvidava.

E a Vida segue assim...sempre.

Podemos num dia querer o mel mais doce ao qual já estamos acostumados e num outro desejarmos com toda nossa força o sabor que mais arde e que ainda não experimentamos.

E tudo é questão de sermos humanos...e somos!
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Liquidez

Não importa por onde ela ande e o quão ela se torna experiente e madura. Nossa vida sempre nos conduzirá a algum momento onde teremos que esfriar a cabeça, manter a calma, respirar fundo, contar até dez e seguir em frente. É só questão de tempo. Simples assim. Haverá dias em que o caminhar pela calçada não será uma boa idéia. Assistir TV também não nos convencerá em nada e nem as coisas rotineiras que mais gostamos conseguirão nos entreter. Eu também sou assim. Por que raios eu não seria?

Nestes dias eu me lembro de que meu corpo é constituído por sangue, suor, lágrimas e outras coisas navegáveis e frágeis que formam mais de 70% de minha estrutura humana que uso de disfarce no dia-a-dia. Talvez seja por causa dessa composição líquida é que meu corpo, como um ímã, me puxa para o banheiro. É quando eu tranco a porta e abro a água do chuveiro e minha carne se mistura à liquidez do alívio e à ilusão dócil dos dias melhores que imagino. A água alcança minha cabeça, se precipia pelo meu corpo, pela minha pele por onde instantes atrás trafegava larva de vulcão bem lenta e impiedosamente quente e viva. De olhos fechados meus olhos são outros e invento soluções de aço. Soluções que carregarei comigo quando eu sair deste banheiro que virou sauna e ter o Mundo novamente em meu encalço.

A empresa de Energia nunca lucrou comigo, meus amigos...estes meus banhos eloquentes e reflexivos são feitos de água bem fria.

__Alguém já ouviu falar sobre 'lavar a alma' um dia ?
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Adélia

Eu sei que ela leria um livro em qualquer lugar. Afinal ela sempre ouvia uma doce música vinda das páginas quando as abria. Um toque sublime e imaginário de piano e nostalgia...delícia. Aliás nunca se soube ao certo quem abria quem ou o quê. Às vezes se tinha a nítida impressão de que os livros é que abriam Adélia e a viravam do avesso.
A-DÉ-LIA: que linda menina perfeitamente disfarçada de mulher!!! Parecia salva de tudo quando lia uma boa estória. Sua vida seguia. Letra por letra, fonemas por fonemas. Idéias e Mundos invisíveis só aos cegos por opção ou pela tristeza do analfabetismo.

__Ei Adélia, desça dessa árvore, menina!
Não havia como descer. Adélia não descia. Ela lia um livro lá em cima. Respirava fundo quando algum trecho lhe lembrava coisas que vinham à tona de vez em quando.
__Adélia, os carros vão te atropelar! Pelo amor de Deus, Adélia!
Mas ela não tinha medo de morrer atropelada. Ela tinha medo de morrer sem poder ler um bom livro, um olhar..um conto de fadas.

Um dia num papel letras e mais letras se encarregaram de lhe dar uma notícia, a mais triste de sua vida. Um exame de saúde nada rotineiro deu positivo. E ela já sabia que aquilo era o fim de sua jornada humana. Se encheu de tristeza quando pensou nos livros que não mais leria, naqueles que estavam ainda sendo publicados e em todos os outros que já existiam.

Um trecho de um livro foi lido em seu enterro__ o Livro Sagrado. Não, não chovia forte. Aquilo não era um filme. Adélia havia mesmo ido.
Adélia nunca quis ser uma estrela no céu. Bastava a ela ser página de livro.
Por que diabos, pessoas assim morrem__se perguntavam em silêncio os mais achegados e amigos. A resposta não viria.

Gustavo, namorado de Adélia, voltou mais tarde naquele jazigo. Retirou do bolso uma página de um livro lido por ela e jogou por sobre a terra que a cobria, que cobria Adélia. Era um epílogo e tinha esses dizeres que um dia foram sublinhados por ela:

''...já fui Caminho, já fui Paisagem e hoje sou Destino''.

Gustavo chorou. Para ele não havia ninguém como Adélia no Mundo.
359

Ir Alem

Silenciei minhas explicações lógicas só por hoje. Só por hoje eu não irei contaminá-los com minha racionalidade condutora de respostas prontas, quadradas e brandas. Definitivamente,só por hoje, ela não nos atrapalhará. Hoje acordei assim, sendo um corpo estranho dentro de mim e de meus próprios pensamentos que voaram e, mesmo não me dizendo por onde estiveram, sei que voltaram de longe.
Hoje acordei sozinho e sorrindo para tudo que é vago, solto e por isso livre. Acreditem: consciência tem mesmo voz, eu a ouvi, mas não tem timbre__ Sorri em um só canto da boca.

Vontade imensa de viver, mas só depois de me permitir ir além dos sonhos perdidos, dos choros invisíveis e das coisas palpáveis. Vontade de caminhar em direção ao Mar imenso, qualquer que fosse, segurando balões vermelhos inundados de hélio e perguntas recentes e remotas. Soltá-los-iam a mercê do vento, mas só depois de algum tempo tendo a água salgada batendo em meu peito, neste meu peito que serviria de bússola para a confusa corrente marítima__ seriam dois perdidos. Tsunami à vista.

Não, não seria um auto-extermínio. Eu voltaria à praia e contaria a todos da areia como é bonito preencher a imensidão de cor, leveza e um pouquinho só de falta de juízo.
350

A Lenda da Cidade das Maos Dadas

Venho aqui contar a Lenda da Cidade das Mãos Dadas. Na Cidade das Mãos Dadas existe a mão que se cola a tua e que não se pergunta até quando, até onde, nem se diz adeus e nem mesmo até breve. Lá não existe o desespero, visto que a palavra é feia e não transmite nada além daquilo que origina o choro. Lá se permite apenas o desejo de que o afago e o abraço sejam o mais demorado possível. Lá se permite sim, que o beijo revele o que ainda as bocas distantes não sabem. Há o beijo inflamável que queima o pessimismo e a pele até o final da tarde; que se incendeia numa reação em cadeia de amor , saliva e respeito. Na Cidade das Mãos Dadas, as mãos viram asas e as nuvens viram calçadas em Domingos de alento, sombra e brandura cor escarlate. As frases são ditas murmuradas e recheadas de pausas já que certas coisas não se falam rápido e nem alto. Exigem uma vagarosidade planejada, exigem naturalidade e mínimos detalhes, exigem não se pensar em tudo e nem em nada, permitindo-se assim que o instinto torne-se o mais novo e importante convidado nesta festa de sensações em demasia. Nesta cidade cujas catedrais entoam os cantos mais bonitos eu encontrei uma mão e um mindinho__ e ambos me acolheram e disseram 'Seja bem-vindo' !

Na Cidade das Mãos Dadas não se preocupem com quem vem lá__ é quase certo de que seja sua alma gêmea__ com um mindinho à solta, flutuando pela atmosfera.
309

Dias Cinzentos

E nesses dias em que a inspiração me falha e se acovarda, eu percebo que a única idéia brilhante que tenho é viver. Viver e exigir tudo que me é plausível, que me é formidável, que me é prazeroso. E exigirei sim, para que depois não digam que eu quis e desejei muito pouco as coisas que me eram verdadeiramente boas; para que não digam que eu mereci a sarjeta e um espírito torpe a me perseguir. Querer é descobrir em si uma ânsia funda, onde cabe um nome, onde cabe um grito ou até uma planta. Querer é remover o vírus de quem se acomoda por cima de uma cama estando em plena saúde; querer é ter nascido; querer é pôr fogo na água do íntimo; é sonhar mesmo que não faça nenhum sentido... Querer é direito adquirido__ sonhemos!!!

E eu vou continuar querendo, pois como eu já disse, a grande idéia que tive é continuar vivendo. Às vezes se perde um grande amigo ou simplesmente ele parte na nossa frente e descobrimos que nossa dor não é ferrugem para cessar as engrenagens da vida e por isso todo o seu movimento continua. Nossa dor não falará em todas as línguas e conseqüentemente não será entendida por todos.

Os dias podem até vir sem inspiração alguma, mas nossa respiração continua, meus amigos!

Quero terminar como comecei e ser propositalmente repetitivo ao dizer que a única idéia brilhante que tenho e tive é viver. Quero ver essa chuva de Novembro e sentir de algum modo que tudo vale a pena, até mesmo este meu descontentamento com não sei o quê.
405

A Despedida

Talvez ele quisesse sair mais fortalecido com a última conversa que tivemos, talvez ele quisesse me dizer algo, talvez ele estivesse com aquele receio que antecede as premonições nunca bem-vindas__ dúvidas que carregarei comigo. O momento era caricato: tudo não passava de uma mera sombra do que havíamos sido. E embora ficamos felizes quando nos vimos, não houve aquela alegria de nossos saudosos tempos antigos, tão presente em outros reencontros. De certo, apenas que ainda éramos amigos... e muito e como e tanto!!!

A conversa foi breve, sem muito riso. Falávamos sobre coisas supérfluas, sem nos aprofundarmos em nenhum assunto específico. Depois que o instante passa, e só depois que ele passa, a gente tem essa mania de ficar analisando tudo, os detalhes mais mínimos, os gestos mais imperceptíveis e todos os miúdos. Hoje eu sei que, na verdade, estávamos era tristes, sem brilho, nos despedindo tímida e silenciosamente um do outro, mesmo que não tivéssemos plena consciência disso naquele minuto. Eu não tenho dúvida alguma quanto a isso__ estávamos, sem saber, já carregando conosco, em nosso corpo, o vírus da saudade que se seguiria.

Como sempre fazia, me acompanhou até ao portão, mas dessa vez, e só dessa vez, não me perguntou quando eu voltaria. Um abraço e um aperto de mão selou meu último encontro com meu grande amigo naquela rua chamada Rua Do Vaga-Lume.

Sessenta dias depois novamente eu o vi... apenas para me despedir__ ele havia partido para sempre. Me deixou uma estranha saudade que caminha comigo. Uma saudade que copia sua voz, veste suas mesmas roupas e ainda por cima também me chama de melhor amigo.
340

Texto(Sterona)

Eu estava denso e exótico dentro daquelas roupas. Cada um de meus movimentos eram códigos e pistas perfeitos às mulheres que ao meu redor seduziam-me com gestos muitas vezes até inconscientes e quase invisíveis, quase imperceptíveis. Gestos estes denunciados pelos meus elevados níveis de testosterona nascidos de meu lado animal de puro instinto e selvageria__ vem comigo ?
Eu sentia no ar toda aquela alquimia, cujo cheiro feminino e afrodisíaco daquelas bocas dotadas de línguas úmidas me lembravam de que material também fui feito, além de espírito. Meu coração oferecia imagens impressionantes de amor em coretos de praças e de encontros ardentes e inesquecíveis. Dinâmico e incessante eu caminhava por aquela calçada como se estivesse ouvindo a trilha sonora de minha vida ou fosse receber o Oscar das mãos de um ícone. Eu rasgaria uma peça íntima com os dentes naquele momento ou queimaria o Título 'Civilidade' que tenho e trocaria pela Alcunha 'Desejo'.
Esplêndido! Aquilo era mais um raiar de um novo dia. Um dia depois do fim. Era mais uma chance d'eu escrever uma estória arrebatadora. Ao cair da noite, eu sentado em meu sofá ou talvez num bar, poderia ler mais um capítulo de minha própria vida, onde nada é fictício e os gêneros se misturam.
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