Lista de Poemas
CORO DOS ÓRFÃOS
Queixamo-nos do mundo:
Deceparam nosso ramo
E lançaram-no ao fogo –
Transformaram em lenha quem nos protegia –
Nós, órfãos, jazemos nos campos da solidão.
Nós, órfãos,
Queixamo-nos do mundo:
Na noite nossos pais brincam conosco de esconde-esconde –
Por detrás das negras dobras da noite
Fitam-nos seus rostos,
Falam suas bocas:
Fomos lenha seca na mão de um lenhador –
Mas nossos olhos tornaram-se olhos de anjos
E olham para vós,
Por entre as negras dobras da noite
Eles olham –
Nós, órfãos,
Queixamo-nos do mundo:
Pedras tornaram-se nosso brinquedo,
Pedras têm rostos, rostos de pai e mãe,
Não murcham como flores, não mordem como bichos –
E não ardem como lenha seca quando lançadas no forno –
Nós, órfãos, queixamo-nos do mundo:
Mundo por que nos tiraste as ternas mães
E os pais que dizem: Tu te pareces comigo!
Nós, órfãos, não nos parecemos com ninguém mais no mundo!
Ó Mundo,
Nós te acusamos!
Em vão
na noite das noites
na fogueira da fuga
porque o amor se liberta de seu arbusto de espinhos
flagelado em martírio
e começa já com línguas de fogo
a beijar seu céu invisível
quando a vigília lança sombras sobre o muro
e o vento
trêmulo de presságios
com o nó de forca do perseguidor soprado ao vento
reza:
Espera
até que as letras retornem para casa
do deserto chamejante
e sejam alimento de santas bocas
Espera
até que a geologia espiritual do amor
se rache
e que seu tempo arda
e que incandescendo de bem-aventurados sinais
torne a encontrar seu verbo de criação:
lá sobre o papel
que canta a morrer:
Era
no princípio
Era
Amado
Era –
CINGIDA JÁ PELO BRAÇO DO CONSOLO CELESTE
Com os farrapos de sua razão estraçalhada,
Com o rastilho de sua razão incinerada,
Deitando no caixão sua criança morta,
Deitando no caixão sua luz perdida,
Curvando as mãos em cântaros,
Enchendo-os de ar com o corpo de sua criança,
Enchendo-os de ar com seus olhos, seus cabelos,
E seu coração esvoaçante –
Depois, beija o que nasceu do ar
E morre!
Os Desaparecidos
como a areia eles são numerosos, mas não em areia
se tornaram, sim em nada, em bandos
estão esquecidos. aos montes e de mãos dadas,
como os minutos, mais do que nós,
mas sem lembrança. não inventariados,
impossíveis de ler no pó, sim desaparecidos
estão os seus nomes, colheres e solas.
não nos dão pena. ninguém se pode
lembrar deles: nasceram,
fugiram, morreram? ninguém os achou
menos. sem falha
é o mundo, mas unido
por aquilo que ele não abriga,
pelos desaparecidos. estão por toda a parte.
sem os ausentes nada existiria.
sem os fugitivos nada era firme.
sem os imensuráveis nada mensurável.
sem os esquecidos nada seguro.
os desaparecidos são justos.
assim nos desvanecemos também.
OH, NOITE DAS CRIANÇAS QUE CHORAM!
Noite das crianças marcadas para a morte!
O sono já não consegue entrar.
Vigias medonhas
Ocuparam o lugar das mães,
Premeram a morte errada nos músculos de suas mãos,
semeiam-na pelas paredes e pelas vigas –
Por toda parte chocam os ovos nos ninhos do terror.
Medo amamenta os pequeninos em lugar do leite da mãe.
Ainda ontem a mãe chamava
O sono, como uma lua branca,
A boneca, com o carmim das faces lavado de beijos,
Vinha num dos braços,
O bicho de pelúcia, tornado
Já vivo por força do amor,
Vinha no outro, –
Sopra agora o vento do morrer,
Arrebata as camisas por sobre os cabelos
que ninguém mais penteará.
Comentários (0)
NoComments
New Poetic Visions - Nelly Sachs
Dichten nach Auschwitz - Zum 50. Todestag der Literatur-Nobelpreisträgerin von 1966, Nelly Sachs
Jewish women in the arts: Nobel Prize winner Nelly Sachs
Radio Bremen Retro - Filme aus dem Archiv: Interview mit Nelly Sachs 1965
Nelly Sachs liest Gedichte (Originalaufnahme)
Meet the Editor: Andrew Shanks Discusses Revelation Freshly Erupting by Nelly Sachs
Nelly Sachs „Chor der Geretteten“ I
WDR 10. Dezember 1891 - Nelly Sachs wird geboren
Nelly Sachs IGS Worms Imagefilm
Holocaust-Dichterin:Schau ehrt Nobelpreisträgerin Nelly Sachs
Nelly Sachs: Linie wie lebendiges Haar
Nelly Sachs Google Doodle | Know about Nelly Sachs, a Jewish Poet
NELLY SACHS - VIELLEICHT ABER BRAUCHT GOTT DIE SEHNSUCHT
Nelly Sachs, 1966 Nobel Laureate in Literature (A Meditation)
Nelly Sachs -- Einer wird den Ball
En las moradas de la muerte y otros poemas - Nelly Sachs
NELLY SACHS - W E L T
Nelly Sachs
C. Bernd Sucher: Nelly Sachs
Fjarill: Hier nehme ich euch gefangen/ihr Worte (Nelly Sachs)
Nelly Sachs: Völker der Erde
Anna Maria Carpi e Stefano Raimondi "Nelly Sachs"
Nelly Sachs „Dein Leib im Rauch durch die Luft“ (neue Version)
Nelly SACHS – Brasier d’énigmes : lecture continue (France Culture, 1995)
Nelly Sachs „Wenn die Propheten einbrächen“
Impuls zu Nelly Sachs Zitat "Einwilligend in Wandel"
Nelly Sachs Google Doodle
Nelly Sachs „Abgewandt“ II
NELLY SACHS - DEIN LEIB IM RAUCH DURCH DIE LUFT
In der Flucht - Nelly Sachs (www.germnforspalding.org)
Todays Google Is Nelly Sachs' 127th Birthday...know about Her...
NELLY SACHS MEMORIAL
Ulrich Maiwald spricht: "Zwischen deinen Augenbrauen", ein Gedicht von Nelly Sachs
Six Songs on Poems of Nelly Sachs: Geschirmt sind die Liebenden
Nelly Sachs Park by David Josephson (Official Music Video)
4 Lieder nach Gedichten von Nelly Sachs: No. 4. Chassidim tanzen
Till Nelly Sachs
Nelly Sachs -- In der Flucht
Nelly Sachs - Pueblos de la tierra
Revelation Freshly Erupting by Nelly Sachs: Online Book Launch
Nelly Sachs and Paul Celan התכתבות - קונצרט בגוון ספרותי
Six Songs on Poems of Nelly Sachs: Du gedenkst der Fusspur
Nelly Sachs „Gebete für den toten Bräutigam"
Famous Quotes |Nelly Sachs|
Six Songs on Poems of Nelly Sachs: Die Kerze, die ich für dich entzündet habe
Vier Lieder in Memoriam Nelly Sachs III. Chassidim tanzen
Vier Lieder in Memoriam Nelly Sachs IV. Glühende Rätsel
Six Songs on Poems of Nelly Sachs: Wir sind so wund
Selma erklärt: Nelly Sachs, Chor der Geretteten
Los nervios me provocaron una crisis | Nelly Sachs "Mariposa"