Lista de Poemas
Poemas publicados
Terça feira nobre
A tv anuncia o filme : terça feira nobre
filme tão glacial , não muda a minha face inanimada !
fantasmagórica, é a atenção do amor
filme tolo, não detém a minha d…
Eu e outreu
Um dia acordo e quero ganhar o mundo. No outro, só quero tomar meu café.
Em qual destes estou mais certo?
Não sei.
Só conheço por experi…
VOAR
O mar também é sertão
Imensidão deserta cujo andejo é pescador
Marujo navegante prático capitão
Meu barco a deriva procura por um cais
Aduaneiro cobro-…
Dos todos de mim em larga cena
tudo de mim são todos
espalhados em atos
como desculpa única
dos limites dos braços
a inexatidão do gesto
em que me desabraço
é quase uma reb…
Hoje lembrei ...
Hoje lembrei a adolescente que conservo na lembrança com comovido afecto, e recordei-a feliz e descontraída, no seu sapato alto e saia reduzida. Orgulhosa da sua aldeia e da sua…
LEMBRA-ME
Lembra-me
Por favor, de hoje e sempre
Das coisas que tu me falas
Tão mansinho e verdadeiro
Teus olhos me falam
Afagando a minha face
Solfejo (Bernardo Almeida)
Tomba a foice meteórica sobre o balneário em chamas
O mar recua, enquanto o continente a bailar avança
Sob o céu de cobre, que se adensa na manhã magenta
O estron…
Os pendores autistas do universo
o universo opera em si
o costume de ser sujeito
de todos os meandros
da energia e seus efeitos
fluindo assim em atos
explodido e contrito
dei…
INVIÁVEL
Nesta manhã ao fim do arrasto na enseada
Doze homens puxavam a rede por longas barbas
Nada tiraram das aguas doces exceto folhas emaranhadas
Os cento e cinquenta …
Fachada dos silêncios
Na fachada dos silêncios pintou-se uma negrura tão assustadora
Excretora a escuridão esbarra com uma hora fútil, senil e aterradora
Soberana a solidão esven…
JÁ OS CHOUPOS SE VERGAM...
Já o trigo se dobra
ao amor p'lo vento
Também a vida me cobra
A plenitude do momento.
Já os choupos se vergam
sobre as águas do rio
Também me…
HAICAI 9
vozes no brejão
o cururu dos sapos
ecoando noite adentro
LEMBRANÇAS
Somente teu hálito quente
Aquece o frio dessa laje
Como lápide ao sol
Quando o dia morno morre
Sempre e repetidamente
Habitam em mim sensações div…
da fome em escaninho avaro
a fome rasura
a gesta humana
e a insana burla
de enraizar lucros
nos decúbitos capitais
das culpas
faminto
o ser nem sente
a parcim…
HAICAI 6
uma borboleta
banhando-se na fragrância
de um botão de rosa
Entre ondas
Lá vai uma onda entre ondas elegantes expressivas tão massivas
Amortecem o silêncio navegando a bordo de tantas brisas intuitivas
Sulcam os oceanos implodin…
Outono...
Vi, cheirei e senti
O Outono mergulhou em mim
Com as suas cores vibrantes
Amarelas, castanhas, risonhas
Secas e morrendo felizes
Atingindo toda sua gran…
ESCRITAS
Depois de passeios densos por palavras
Encantado em meio aos versos
Divertindo-me com estrofes
E nutrir parcerias a tanta rima explícita
Descansar entre idei…
POEMAR
são aves
são cores
são risos
são feixes
de versos
precisos…
são linhas
são curvas
são retas
são rumos
e traços
inc…
Remoto (Bernardo Almeida)
O som do mar
a ricochetear
nas fronteiras
invisíveis
da inóspita imensidão
Chão em desintegração
queda, apupo, alien…
Autópsia (Bernardo Almeida)
Caminhamos com os mortos, enquanto expiramos
Esperamos a eternidade e perecemos nos torvelinhos dos anos
Que fogem ao que vivemos, como se eternos fôssemos
Falham…
AGORA
Eu me divertia andando sobre linhas desconexas
Como se passeasse os pés sobre molengas cordas
Equilibrasse e destemido avante fosse e as avessas
E até pulasse co…
Para ela
Não conhecer quem teu coração pertence
É não viver as madrugadas dos poetas loucos
É não se atirar na vida
E viver enquanto ainda morto.
Pobre é aquele…
HAICAI - 5
no vidro da noite
uma lágrima escorre
e desaparece