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AurelioAquino
AurelioAquino

Poemeto de razões e tanto

Mais não tenha a razão humana
que o invólucro inteiro de um fato
e que sobrepasse o mero espelhar
de tudo que o olho lhe retrata
 
e não se diga inteira…

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AurelioAquino
AurelioAquino

No amanhecer em tardes

E quando o sol amanhece
nas costas da terra dormida
o mundo acorda a preguiça
e a gente lembra da vida
 
E quando o sol se esconde
querendo brinca…

92
AurelioAquino
AurelioAquino

Ao povo

o povo
não contém a lua
mas há vários sóis
no meio da rua
 
o povo
não se individua
apenas se divide
entre o que está posto
e o que …

156
AurelioAquino
AurelioAquino

Do povo em fluviais aportes

o mundo parece um rio
na foz de cada vivente
é assim como uma passeata
de tudo que a gente sente
 
ninguém possui a metragem
das réguas do que é no…

101
AurelioAquino
AurelioAquino

Das militares reservas da continência

O soldado
em posição de sentido
nem se apercebe
das continências da vida
 
atiça-lhe o patriotismo
o sistema em descanso
e uma falsa impressão…

145
AurelioAquino
AurelioAquino

Palavras ao Camarada Gagárin

A terra não é azul
Camarada Gagárin
tú é que esquecestes a tinta
para pintar de rubro
esses teus óculos de astronauta.
Onde estará gravada
a cor in…

106
AurelioAquino
AurelioAquino

De amores em circunlóquio

meu amor é público
como as ruas de leningrado
e nem é tão pouco
que não se diga largo
por cabe-lo tanto
en tudo que eu ajo
 
meu amor é geomét…

106
AurelioAquino
AurelioAquino

Verbo intimorato

Palavras – quem as digam?
Com a certeza do sempre e a inconstância da vida.
Quem as oprimam, para que assim,
constrangidas, possam chegar aos homens
com a fo…

139
AurelioAquino
AurelioAquino

Do verso em razões

antigo
meu verso não diz mais
do que eu consigo
é que dizê-lo tanto
é mais indício
de que a palavra é sempre
um precipício
onde descambam verb…

98
AurelioAquino
AurelioAquino

Palavras à Camarada Selma Bandeira

A Camarada Selma
mantinha incólumes
a sua alma de paz
e o seu revólver
 
a Camarada Selma
pelas tardes
inventava palavras
e saudades
 
a Camarada S…

141
AurelioAquino
AurelioAquino

Do pincel e do artista em resumida prosa

O pincel nem sabe
que a cor é um verbo
em que desaba
e inventa desenhos e discursos
no colo das palavras
não as das letras
mas as da alma
 

125
AurelioAquino
AurelioAquino

Arquitetura e drama

Desarquiteto o voo
na vontade
de consumir em vão
todos os meus ares
 
e, pássaro,
nem me sinto
nos sonhos
que não me consinto
 

189
AurelioAquino
AurelioAquino

Da passeata no vão da crise

A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
 
a luta consome
as légua…

158
AurelioAquino
AurelioAquino

Do sono em marinha lógica

O mar assim espalhado
como uma rua de tudo
espelha no meio da gente
as maravilhas do mundo
 
e dormir em suas areias
é um sentir tão profundo
…

115
AurelioAquino
AurelioAquino

Paisagem

A estrela
pousada no ombro da tarde
tinha a mesma textura do tempo
descontrolada em vão na sua idade
e tanto mais brilhasse
era mais singela
afagan…

103
AurelioAquino
AurelioAquino

Da ética fração da vida

Princípios
são a correnteza
dos rios que permito
melhor cabe-los impunes
no meio do meu riso
 
princípios
há que tê-los
tão a prumo
…

133
AurelioAquino
AurelioAquino

Do ofício e das horas

cabe ao poeta
engolir as madrugadas
e amanhecer o verbo
no peito das palavras
cabe ao poeta
a estranha lida
de construir andaimes
nos sonhos q…

103
AurelioAquino
AurelioAquino

Passeata

e no meio da luta
que o povo leva nos braços
caminha adrede o futuro
alinhavando nossos passos.

79
AurelioAquino
AurelioAquino

A cada um de tudo

Cada um
é um sol inadimplente
que tenta brilhar o tudo
na parcimônia de gente
 
cada tudo
é um um inconcluso
que teima em brilhar os sóis

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AurelioAquino
AurelioAquino

Das ânsias militantes pelo futuro

a ânsia estratégica
de punir a tática
é quase uma lembrança
de uma distância imaginária
é que o final da luta
é um caminho largo
nada do que lhe ta…

118
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema à Pátria Grande

cidadão! companheiro!
irmão! camarada!
quem gritará o futuro
nos ombros da madrugada?
por certo, amontoados,
nos braços urgentes do povo
o tempo se…

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AurelioAquino
AurelioAquino

Oratória empedernida

É que no curso da fala
o tempo se espreguiça
e tange os rumos do verbo
pelos descampados da vida.

118
AurelioAquino
AurelioAquino

De critérios e formas

dê-se ao tempo
a contradição
de parecer-se um sim, mesmo não
 
dê-se à vida
a compreensão
de parecer avante, mesmo em vão
 
dê-se ao home…

93
AurelioAquino
AurelioAquino

Rondó dos Orixás

I – de onde é possível Exu e sua encruzilhada
 
a energia
incide
naquilo que é possível
em cada lide
arma e desarma
o simples carma
de fa…

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