Pedro Amigo de Sevilha

Pedro Amigo de Sevilha

1205–1305 · viveu 100 anos ES ES

Pedro Amigo de Sevilha foi um trovador da Idade Média, ativo em Portugal, conhecido pela sua poesia lírica. A sua obra, inserida na tradição das cantigas de amor galego-portuguesas, explora os temas do amor cortês, da vassalagem amorosa e da saudade. Caracteriza-se por uma linguagem refinada e por uma profunda expressão de sentimentos, refletindo os ideais e as convenções da poesia trovadoresca da época.

n. 1205, Betanzos · m. 1305

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Amiga, Muit'amigos Som

Amiga, muit'amigos som
muitos no mundo por filhar
amigas, polas muit'amar;
ma[i]s já Deus nunca mi perdom
       se nunca eu vi tam amigo
       d'amiga come meu amigo.

Pode voss'amigo dizer,
amiga, ca vos quer gram bem
e quer-vo-lo; mais eu por en
nunca veja do meu prazer
       se nunca eu vi tam amigo
       d'amiga come meu amigo.

Vi-m'eu com estes olhos meus
amigo d'amiga que lh'é
muit'amigo, per bõa fé;
mais nom mi valha nunca Deus
       se nunca eu vi tam amigo
       d'amiga come meu amigo.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Pedro Amigo de Sevilha foi um trovador galego-português, ativo no século XIII. A sua origem é atribuída a Sevilha, embora a sua atividade poética se tenha centrado na Península Ibérica, especialmente em Portugal. Pertence à chamada "Escola Galego-Portuguesa" de lírica medieval.

Infância e formação

As informações sobre a sua infância e formação são escassas, como é comum para muitos trovadores medievais. Sabe-se que provavelmente teve uma formação letrada, permitindo-lhe compor poesia de acordo com os cânones da época.

Percurso literário

O seu percurso literário está ligado à produção de cantigas de amor, um dos géneros mais importantes da poesia galego-portuguesa. As suas composições refletem os temas e as formas da lírica trovadoresca, sendo um testemunho da cultura poética do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Atribuem-se a Pedro Amigo de Sevilha algumas cantigas de amor, como "Ai, mia senhor, que por vós eu vivo" e "Por muitofermosa que eu vejo a dona". A sua obra caracteriza-se pelo amor cortês, pela idealização da figura feminina e pela expressão da dor e da saudade do amado, que se encontra numa posição de vassalagem amorosa. Utiliza um vocabulário cuidado e uma estrutura poética que segue as convenções do género.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu no século XIII, um período em que a poesia trovadoresca florescia na Península Ibérica, especialmente nos reinos de Galiza e Portugal. Esta poesia era praticada por uma nobreza letrada e servia como expressão de valores culturais e sociais, como o amor cortês e a honra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouco se sabe sobre a sua vida pessoal para além do seu nome e da sua origem geográfica sugerida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da sua obra advém da sua inclusão em cancioneiros medievais, que preservaram as suas composições para a posteridade. É estudado como um representante da lírica galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Como trovador, foi influenciado pela tradição lírica provençal e pela própria tradição galego-portuguesa. O seu legado reside na preservação da poesia de amor cortês em língua galego-portuguesa, contribuindo para o estudo da literatura medieval.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A sua obra é analisada no contexto da poesia de amor cortês, explorando a forma como os ideais de amor e serviço eram expressos e as suas implicações sociais e emocionais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A atribuição de algumas cantigas pode ser incerta, como acontece com muitos trovadores medievais, e a sua ligação específica com Sevilha é um ponto de interesse para a sua biografia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos específicos sobre a sua morte. A sua memória perdura através das cantigas que nos chegaram.

Poemas

37

Um Cantar Novo D'amigo

Um cantar novo d'amigo
querrei agora aprender,
que fez ora meu amigo,
e cuido log'entender,
       no cantar que diz que fez
       por mi, se o por mi fez.

Um cantar d'amig'há feito,
e, se mi o disser alguém
dereito como el é feito,
cuid'eu entender mui bem,
       no cantar que diz que fez
       por mi, se o por mi fez.

O cantar éste mui dito,
pero que o eu nom sei,
mais, pois mi o houverem dito,
cuid'eu que entend[er]ei,
       no cantar que diz que fez
       por mi, se o por mi fez.
562

O Meu Amigo, Que Mi Gram Bem Quer

O meu amigo, que mi gram bem quer,
punha sempr', amiga, de me veer,
e punh'eu logo de lhi bem fazer,
mais vedes que ventura de molher:
       quando lh'eu poderia fazer bem,
       el nom vem i, e u nom poss'eu, vem.

E nom fica per mi, per bõa fé,
d'haver meu bem e de lho guisar eu;
nom sei se x'é meu pecado, se seu,
mais mia ventura tal foi e tal é:
       quando lh'eu poderia fazer bem,
       el nom vem i, e u nom poss'eu, vem.

E, per bõa fé, nom fica per mi,
quant'eu poss', amiga, de lho guisar
nem per el sempre de mi o demandar,
mais a ventura no-lo part'assi;
       quando lh'eu poderia fazer bem,
       el nom vem i, e u nom poss'eu, vem.

E tal ventura era pera quem
nom quer amig'e nem dá por el rem.
633

Por Meu Amig', Amiga, Preguntar

- Por meu amig', amiga, preguntar-
-vos quer'eu ora, ca se foi daqui
mui meu sanhud'e nunca o ar vi,
se sabe já ca mi quer outro bem.
- Par Deus, amiga, sab', [e] o pesar
que hoj'el há nom é per outra rem.

- Amiga, pesa-mi de coraçom
porque o sabe, ca de o perder
hei mui gram med', e ide-lhi dizer
que lhi nom pês, ca nunca lh'en verrá
mal; e pois el souber esta razom,
sei eu que log'aqui migo será.

E dizede-lhi ca poder nom hei
de me partir, se me gram bem quiser,
que mi o nom queira, ca nom sei molher
que se del[e] possa partir per al,
senom per esto que m'end'eu farei:
nom fazer rem que mi tenham por mal.

E pois veer meu amigo, bem sei
que nunca pode per mi saber al.
696

Pedr'amigo, Quero de Vós Saber

- Pedr'Amigo, quero de vós saber
ũa cousa que vos ora direi;
e venho-vos preguntar, porque sei
que saberedes recado dizer:
de Balteira, que vej'aqui andar,
e vejo-lhi muitos escomungar,
dizede: quem lhi deu end'o poder?

- Vaasco Pérez, quant'eu aprender
púdi desto, bem vo-lo contarei:
este poder ante tempo d'el-rei
Dom Fernando já lhi virom haver;
mais nom havia poder de soltar;
mais foi pois um patriarca buscar,
fi'd'Escalhola, que lhi fez fazer.

- Pedr'Amigo, sei-m'eu esto mui bem:
que Balteira nunca home soltou;
e vi-lh'eu muitos que escomungou,
que lhe peitarom grand'algo por en,
que os soltass', e direi-vos eu al:
fi'd'Escalhola nom há poder tal
per que solt', ergo seus presos que tem.

- Vaasco Pérez, bem de Meca vem
este poder; e poilo outorgou
o patriarca, des i mal levou
sobre si quanto se fez em Jaen
e em Eixarês, u se fez muito mal;
e por en met'em escomunhom qual
xi quer meter e qual quer saca en.

- Pedr'Amigo, esto vos nom creo eu:
que o poder que Deus em Roma deu,
que o Balteira tal de Meca tem.

- Vaasco Pérez, há x'em Meca seu
poder, e o que Deus em Roma deu
diz Balteira que todo nom é rem.
765

Dom Foão, Em Gram Cordura

Dom Foão, em gram cordura,
moveu a mim preitesia
de partiçom, noutro dia;
mas fui de malaventura
       porque com el nom parti:
       que penas veiras perdi!

Podera seer cobrado
por um mui gram tempo fero
se dissesse: - Partir quero!
Mais enganou-m'o pecado
       porque com el nom parti:
        que penas veiras perdi!

Que panos perdi de peso
e outros bem bastoados
que m'haviam já mandados!
Mais foi homem mal apreso
       porque com el nom parti:
       que penas veiras perdi!
688

Sei Eu, Donas, Que Nom Quer Tam Gram Bem

Sei eu, donas, que nom quer tam gram bem
hom'outra dona com'a mi o meu
amigo quer; ca, porque lhi dix'eu
"Nom me veredes já mais des aqui",
desmaiou logo bem ali por en,
e houve log'i a morrer por mim.

Porque lhi dixi que nunca veer-
-me poderia, quis por en morrer;
e fui alá e achei-o jazer
sem fala já, e houv'en gram pesar
e falei-lh'[e] houve-mi a conhocer
e diss': "Oí ũa dona falar?"

Dix'eu: "Oístes", já polo guarir,
e guareceu; maila que vos disser
que ama tant[o] hom'outra molher
mentir-vos-á, ca já x'o el provou
com quantas viu e achou: as partir
todas d'amor, e assi as leixou.

E bem vos poss'eu em salvo jurar
que outr'home vivo nom sab'amar
dereitamente; ca, por me provar,
veerom outros em mim entender
se poderiam de mim guaanhar,
mais nom poderom de mim rem haver.

Mais aquel que [mi] tam de coraçom
quer bem, par Deus, mal seria se nom
o guarisse, pois por mi quis morrer.
426

Disserom-Vos, Meu Amigo

Disserom-vos, meu amigo,
que, por vos fazer pesar,
fui eu com outrem falar;
mais nom faledes vós migo
       se o poderdes saber
       por alguen'o entender.

E bem vos per vingaredes
de mi, se eu com alguém
falei por vos pesar en;
mais vós nunca mi faledes
       se o poderdes saber
       por alguen'o entender.

Se vós por verdad'achardes,
meu amigo, que é assi,
confonda Deus log'i mi
muit', e vós, se mi falardes,
       se o poderdes saber
       por alguen'o entender.
756

Moitos S'enfingem Que Ham Gaanhado

Moitos s'enfingem que ham gaanhado
doas das donas a que amor ham,
e tragem cintas que lhis elas dam;
mais a mim vai moi peor, mal pecado,
com Sancha Díaz, que sempre quix bem:
ca jur'a Deus que nunca mi deu rem
senom um peid', o qual foi sem seu grado.

Ca, se per seu grado foss', al seria;
mais daquesto nunca m'enfingirei,
ca hoje verdadeiramente o sei
que per seu grado nunca mi o daria;
mais, u estava coidando em al,
deu-mi um gram peid'e foi-lhi depois mal,
u s'acordou que mi o dado havia.

Coidando eu que melhor se nembrasse
ela de mim, por quanto a servi,
por aquesto nunca lhi rem pedi
des i, em tal que se mim nom queixasse;
e falando-lh'eu em outra razom,
deu-mi um gram peid', e deu-mi-o em tal som,
como quem s'ende moi mal log'achasse.

E, pois ela de tam rafece dom
se [re]peendeu, bem tenho eu que nom
mi dess'outro, de que m'eu mais pagasse.
521

Coitado Vivo Mais de Quantos Som

Coitado vivo mais de quantos som
no mund', amigos, e perço meu sem
por ũa dona que quero gram bem;
mais pero sei eno meu coraçom
       que nom haveria coita d'amor,
       se esta dona fosse mia senhor.

Mais esta dona nunca quis que seu
fosse; mais dizem aquestes que ham
senhores, que logo xi morrerám
por elas; mais de mim já bem sei [eu]
       que nom haveria coita d'amor,
       se esta dona fosse mia senhor.

Mais non'o est; e pois quis Deus assi,
que por seu nunca me quis receber,
se, meus amigos, podess'eu põer
que fosse seu, sei já mui bem per mim
       que nom haveria coita d'amor,
       se esta dona fosse mia senhor.
633

Meu Senhor Deus, Pois Me Tam Muit'amar

Meu Senhor Deus, pois me tam muit'amar
fezestes, quam muit'amo, ũa molher,
rogue-vos outrem quanto xi quiser,
ca vos nom quer'eu mais desto rogar:
       meu Senhor Deus, se vos em prazer for,
       que mi a façades haver por senhor.

Esta dona, que mi faz muito mal,
porque nom quis nem quer que seja seu,
nom m'é senhor, mais gram coita mi deu;
e por esto vos rog'e nom por al:
       meu Senhor Deus, se vos em prazer for,
       que mi a façades haver por senhor.

Tal bem lhi quero no meu coraçom
que vos nom rogarei por outro bem
que mi façades, nem por outra rem;
mais por tanto vos rog'e por al nom:
       meu Senhor Deus, se vos em prazer for
       que mi a façades haver por senhor.

Ca sei que nom é tam forços'Amor
que me mate, se m'achar com senhor.
387

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