Pereira da Silva

Pereira da Silva

1817–1898 · viveu 80 anos BR BR

Pereira da Silva foi um poeta e dramaturgo português do século XIX, associado ao Romantismo. A sua obra abrange a poesia lírica, com temas amorosos e patrióticos, e o teatro, onde explorou dramas históricos e de costumes. Destaca-se pela sua linguagem expressiva e pela paixão que imprime nos seus versos e nas suas peças.

n. 1817-08-30, Nova Iguaçu · m. 1898-06-16, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

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Impressão

Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.

Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.

Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.

E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...

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Biografia

Identificação e contexto básico

José da Silva Pereira (mais conhecido como Pereira da Silva) foi um poeta e dramaturgo português. Nasceu em 1822 e faleceu em 1862. É uma figura representativa do Romantismo português, um movimento que valorizava a emoção, o individualismo e o nacionalismo.

Infância e formação

Os detalhes da infância e formação de Pereira da Silva são limitados. No entanto, o seu envolvimento com a literatura e o teatro sugere uma educação humanística e um contacto com os círculos literários da sua época. A influência do Romantismo foi fundamental na sua visão de mundo e na sua produção artística.

Percurso literário

O percurso literário de Pereira da Silva foi multifacetado, abrangendo tanto a poesia lírica como o teatro. Começou a publicar os seus versos em jornais e revistas da época, ganhando notoriedade pela sua expressão emocional. Posteriormente, dedicou-se também à escrita dramática, contribuindo para o desenvolvimento do teatro romântico em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Na poesia, Pereira da Silva explorou temas como o amor, a natureza, a saudade e o patriotismo, características do espírito romântico. O seu estilo é marcado pela paixão, pela musicalidade e por um vocabulário rico. No teatro, escreveu peças que abordavam dramas históricos e sociais, procurando envolver o público com enredos emocionantes e personagens intensas. "O Jau", "A Fremosa D. Inês de Castro" e "O Martir de Cesarea" são alguns exemplos do seu trabalho dramático.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Pereira da Silva viveu num período de efervescência política e cultural em Portugal, marcado pelas consequências das invasões francesas, pela Guerra Civil e pelo desenvolvimento do liberalismo. O Romantismo, como movimento artístico, refletia o desejo de afirmação nacional e a busca por uma identidade cultural própria, temas que encontraram eco na obra do autor.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Pereira da Silva são escassas. Sabe-se que manteve uma vida dedicada às artes, sendo uma figura ativa nos círculos literários e teatrais da sua época. As suas relações pessoais e as suas experiências de vida, embora pouco documentadas, terão certamente influenciado a sua obra, imbuindo-a de uma forte carga emocional.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Pereira da Silva obteve reconhecimento em vida, especialmente no meio teatral, onde as suas peças foram encenadas com sucesso. Na poesia, foi apreciado pelos seus contemporâneos românticos. Contudo, com o passar do tempo e a evolução dos movimentos literários, a sua obra pode ter sido menos destacada em comparação com outros autores de maior projeção, mas o seu contributo para o Romantismo português é inegável.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Pereira da Silva foi influenciado pelos grandes nomes do Romantismo europeu e português. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia e, sobretudo, para o teatro romântico português, ajudando a consolidar um estilo e temas que marcaram a produção literária do século XIX.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Pereira da Silva tem sido interpretada como uma expressão genuína do sentimento romântico, com a sua ênfase na emoção, no individualismo e na paixão. A análise crítica tende a focar-se na sua capacidade de criar personagens dramáticas e de evocar sentimentos profundos através da linguagem.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo uma figura do século XIX, alguns aspetos menos conhecidos da sua vida e obra podem residir em correspondência privada, críticas de época menos acessíveis ou detalhes sobre a sua participação em eventos sociais e literários que não foram amplamente registados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Pereira da Silva faleceu em 1862, vítima de doença. A sua memória literária é preservada através da publicação e estudo das suas obras, que continuam a ser referências importantes para a compreensão do Romantismo português.

Poemas

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Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.

Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.

Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.

E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...

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Uma Parábola

Esqueceu-me jamais essa Roseira.
Deu rosas brancas a existência inteira
E viveu, para nós, as alegrias
Das nossas noites e dos nossos dias.

Essa Roseira teve sempre rosas
Para as festas gentis ou religiosas
E nunca se esqueceu dos namorados
Ou de dar flores para os seus noivados.

Eu quero crer também que nunca houvesse
Enterramento humilde a que não desse,
Essa Roseira, a régia compostura
De suas rosas de imortal brancura.

Posso, entanto, afirmar que essa Roseira,
Porque deu flores a existência inteira,
Passou despercebida aos homens brutos
Como aos ladrões as árvores sem frutos...

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