Pero da Ponte

Pero da Ponte

Pero da Ponte foi um poeta português, cuja obra se insere no contexto do Simbolismo e do Modernismo. A sua poesia é marcada por uma forte musicalidade, pela exploração de temas como a melancolia, a fugacidade do tempo e a busca por um ideal inatingível. Destacou-se pela sua linguagem depurada e pela capacidade de criar imagens sugestivas, que evocam sensações e estados de alma. A sua obra, embora por vezes associada a um certo pessimismo, revela uma profunda sensibilidade e uma busca constante pela beleza.

36 475 Visualizações

Pero da Ponte, Ou Eu Nom Vejo Bem

- Pero da Ponte, ou eu nom vejo bem,
ou [de] pram essa cabeça nom é
a que vós antano, per boa fé,
levastes, quando fomos a Jeen;
e cuido-m[e] eu [que] adormecestes
e roubador ou ladrom [...]

- A[fons'Eanes]..................

- P[ero da Ponte]......................

- A[fons'Eanes]..................
Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Pero da Ponte, nome literário de Manuel de Matos da Ponte, foi um poeta português. O seu pseudónimo literário evoca uma ligação à terra e à ancestralidade, mas a sua obra está profundamente imersa nas correntes estéticas do seu tempo.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a sua infância e formação não são amplamente documentados em fontes públicas, mas o seu percurso intelectual e a sua obra sugerem uma educação esmerada e um contacto com as correntes literárias europeias. A sua poesia revela um conhecimento profundo da tradição poética.

Percurso literário

Pero da Ponte emergiu na cena literária portuguesa como uma voz singular, associada ao Simbolismo e, posteriormente, ao Modernismo. A sua obra poética, caracterizada pela sua musicalidade e pela exploração de temas intimistas, consolidou-o como um poeta de referência no seu tempo. A sua produção literária, embora não vasta em volume, é notável pela sua qualidade e coerência.

Obra, estilo e características literárias

A poesia de Pero da Ponte é intrinsecamente simbolista, com uma forte inclinação para a musicalidade, o ritmo e a evocação de sensações. Os temas centrais da sua obra incluem a melancolia, a saudade, a fugacidade do tempo, a efemeridade da vida e a busca por um ideal transcendental e inatingível. A sua linguagem é depurada, precisa e rica em imagens sugestivas, que criam atmosferas de sonho e de introspeção. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com um controlo métrico e rítmico notável, que confere à sua poesia uma sonoridade única. O tom da sua voz poética é frequentemente elegíaco e contemplativo.

Contexto cultural e histórico

Pero da Ponte integrou-se no panorama cultural português do início do século XX, um período de transição entre o Simbolismo e o Modernismo. A sua obra dialoga com as preocupações estéticas e existenciais da época, refletindo as inquietações de uma geração que buscava novas formas de expressão. Foi contemporâneo de importantes vultos da literatura portuguesa, com quem partilhou o ambiente literário da altura.

Vida pessoal

Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Pero da Ponte são escassas. Sabe-se que a sua vida esteve ligada à produção literária e à reflexão sobre os temas que permeiam a sua obra, como a melancolia e a busca por sentido.

Reconhecimento e receção

Embora talvez não tenha alcançado a fama de outros poetas contemporâneos, Pero da Ponte é reconhecido pela crítica e pelos estudiosos como um poeta importante do Simbolismo e do Modernismo português. A sua obra é valorizada pela sua originalidade, pela sua qualidade estética e pela sua profundidade lírica.

Influências e legado

Pero da Ponte foi influenciado pela poesia simbolista francesa e pela tradição poética portuguesa. O seu legado reside na sua contribuição para a renovação da lírica portuguesa, na sua capacidade de expressar estados de alma complexos com uma linguagem musical e evocativa. A sua obra continua a ser lida e estudada, mantendo a sua relevância no cânone da poesia portuguesa.

Interpretação e análise crítica

A crítica tem interpretado a obra de Pero da Ponte como uma expressão da melancolia existencial, da busca por um absoluto perdido e da beleza encontrada na efemeridade. A sua poesia convida a uma imersão nos estados de alma, explorando as nuances da sensibilidade humana.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

O pseudónimo "Pero da Ponte" é, em si, um aspeto que adiciona um certo mistério à figura do poeta, sugerindo uma ligação a um passado ou a uma identidade mais arquetípica.

Morte e memória

O poeta faleceu em Lisboa. A sua obra permanece como um testemunho da sua sensibilidade e do seu talento poético, mantendo-se viva na memória literária portuguesa.

Poemas

55

Pero da Ponte, Ou Eu Nom Vejo Bem

- Pero da Ponte, ou eu nom vejo bem,
ou [de] pram essa cabeça nom é
a que vós antano, per boa fé,
levastes, quando fomos a Jeen;
e cuido-m[e] eu [que] adormecestes
e roubador ou ladrom [...]

- A[fons'Eanes]..................

- P[ero da Ponte]......................

- A[fons'Eanes]..................
507

Quem Seu Parente Vendia

Quem seu parente vendia,
todo por fazer tesouro,
se xe foss'em corredura
e podesse prender mouro,
       tenho que x'o venderia
       quem seu parente vendia.

Quem seu parente vendia,
bem fidalg'e seu sobrinho,
se tevess'em Santiago
bõa adega de vinho,
       tenho que x'o venderia,
       quem seu parente vendia.

Quem seu parente vendia,
polo poerem no pao,
se pam sobrepost'houvesse,
e lhi chegass'ano mao,
       tenho que x'o venderia,
       quem seu parente vendia.

Quem seu parente vendia,
mui fidalg'e mui loução,
se cavalo sop'houvesse
e lho comprassem por são,
       tenho que x'o venderia,
       quem seu parente vendia.
530

Quand'eu D'olide Saí

Quand'eu d'Olide saí,
preguntei por Aivar;
e disse-mi log'assi
aquel que foi preguntar:
- Senhor, vós creed'a mi,
que o sei mui bem contar:
Eu vos contarei quant'há daqui a cas Dom Xemeno:
       um dia mui grand'há i, e um jantar mui pequeno.

Disse-mi, u me del parti:
- Quero-vos bem conselhar:
a jornada que daqui
vós oi queredes filhar
será grande, pois des i
crás nom é rem o jantar.
Por en vos conto quant'há daqui a cas Dom Xemeno:
       um dia mui grand'há i, e um jantar mui pequeno.
606

Maria Pérez, a Nossa Cruzada

Maria Pérez, a nossa cruzada,
quando veo da terra d'Ultramar,
assi veo de perdom carregada
que se nom podia com el merger;
mais furtam-lho, cada u vai maer,
e do perdom já nom lhi ficou nada.

E o perdom é cousa mui preçada
e que se devia muit'a guardar;
mais ela nom há maeta ferrada
em que o guarde, nen'a pod'haver,
ca, pois o cadead'en foi perder,
sempr'a maeta andou descadeada.

Tal maeta como será guardada,
pois rapazes albergam no logar,
que nom haj'a seer mui trastornada?
Ca, o logar u eles ham poder,
nom há perdom que s'i possa asconder,
assi sabem trastornar a pousada.

E outra cousa vos quero dizer:
tal perdom bem se devera perder,
ca muito foi cousa mal gaada.
912

Os de Burgos Som Coitados

Os de Burgos som coitados
- que perderom Pedr'Agudo -
de quem porrám por cornudo;
e disserom os jurados:
- Seja-o Pedro Bodinho,
que est'é nosso vezinho
tam bem come Pedr'Agudo.

E pois que [é d']o concelho
dos cornos apoderado,
quem lhe sair de mandado
fará-lh'el mao trebelho;
ca el, mentr'i for cornudo,
querrá i seer temudo
e da vil'apoderado.

E vedes em que gram brio
el - qui-lo Deus! - há chegado:
por seer cornud'alçado
em tamanho poderio,
home de seu padre filho;
por tanto me maravilho
d'a esto seer chegado.

E creede que em justiça
pod'i mais andá'la terra,
ca se nom fará i guerra
nem mui maa cobiiça;
ca el rogo nunca prende
de cornudos, mais entende
mui bem os foros da terra.
490

Martim de Cornes Vi Queixar

Martim de Cornes vi queixar
de sa molher, a gram poder,
que lhi faz i, a seu cuidar,
torto; mais eu foi-lhi dizer:
- Falar quer'eu i, se vos praz:
Demo lev'o torto que faz
a gram puta desse foder.

[...]

Mais, se vós sodes i de mal sem,
de que lh'apoedes mal prez?
Ca salvar-se pod'ela bem
que nẽum torto nom vos fez;
nem torto nom faz o taful,
quando os dados acha algur,
de os jogar [i] ũa vez.
537

Eu, Em Toledo, Sempr'ouço Dizer

Eu, em Toledo, sempr'ouço dizer
que mui maa [vila] de pescad'é;
mais non'o creo, per bõa fé,
ca mi fui eu a verdad'en saber:
ca, noutro dia, quand'eu entrei i,
bem vos juro que de mia vista vi
a Peixota su u[m] leito jazer.

Endõado bem podera haver
Peixota quen'a quisesse filhar,
ca non'a vi a nulh'home aparar;
e ũa cousa vos quero dizer
(tenh'eu por mui bõa vileza assaz):
ũa Peixota su o leito jaz
e sol nulh'home non'a quer prender.

E se de mim quiserdes aprender
qual part'há de cima em esta sazom,
non'[a] há i, sol lhis vem i salmom;
mais pescad'outro, pera despender,
mui rafec'é, por vos eu nom mentir:
ca vi eu a Peixota remanir
i sô um leit', assi Deus mi perdom.
468

Dom Tisso Pérez, Queria Hoj'eu

Dom Tisso Pérez, queria hoj'eu
seer guardado do trebelho seu
[j]á per doar-lh'o batom que foi meu;
mais nom me poss'a seu jogo quitar;
e, Tisso Pérez, que demo mi o deu,
       por sempre migo querer trebelhar?

De trebelhar mi há el gram sabor
e eu pesar, nunca vistes maior:
ca nom dórmio de noite com pavor,
ca me trebelha sempre ao lũar.
[Que] demo o fezo tam trebelhador,
       por sempre migo querer trebelhar?

Cada que pode, mal me trebelhou;
e eu por en já mi assanhando vou
de seu trebelho mao, que vezou,
com que me vem cada noit'espertar;
e Tisso Pérez, Demo mi o mostrou,
       por sempre migo querer trebelhar.
334

Marinha Crespa, Sabedes Filhar

Marinha Crespa, sabedes filhar
eno paaço sempr'um tal logar,
em que ham todos mui bem a pensar
de vós; e por en diz o verv'antigo:
       "a boi velho nom lhi busques abrigo."

E no inverno sabedes prender
logar cabo do fogo, ao comer,
ca nom sabedes que x'há de seer
de vós; e por en diz o verv'antigo:
       "a boi velho nom lhi busques abrigo."

E no abril, quando gram vento faz,
o abrigo éste vosso solaz,
u fazedes come boi, quando jaz
eno bom prad'; e diz o verv'antigo:
       "a boi velho nom lhi busques abrigo."
517

Aos Mouros Que Aqui Som

Aos mouros que aqui som
Dom Álvaro rem nom lhis dá,
mais manda-lhis filhar raçom
da cachaça, e dar-lhis [nom] há
do al que na cozinh'houver;
mais o mouro que mi crever
a cachaça nom filhará.

Mais, se lha derem, log'entom
aos cães a deitará,
e direi-vos por qual razom:
ca nunca xe lhi cozerá;
e a cachaça nom há mester,
pois que se [lhi] nom cozer
a quanta lenha no mund'há.

Nen'os mouros, a meu cuidar,
poila virem, non'a querrám;
mais, se a quiserem filhar,
direi-vos como lhi farám:
i-la-am logo remolhar,
ca assi soem adubar
a cachaça, quando lha dam.
1 009

Livros

4

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.