Citações
Citações para inspirar e refletir
Os corpos dos ricos, cheios e anafados, são o banquete dos bichos; os dos pobres, secos e postos nos ossos, são o seu jejum.
38
Os trabalhos são grandes ou pequenos pela medida e proporção do desejo ou do temor.
40
Os homens quando mandam (e mais se têm o mando supremo), ou seja, ingratidão natural ou soberania, nem estimam nem pagam os serviços que lhes fazem, como deveram, porque cuidam que tudo se lhes deve.
46
Os bons anos não os dá quem os deseja, senão quem os assegura.
48
Em nenhuma parte tanto como em Portugal se gasta tanto papel, ou se gasta tanto em papéis.
43
Deixarem-se vencer da razão os muitos anos não é muito, mas deixarem-se vencer e convencer os poucos, grande poder da razão!
45
Os inimigos que mais temo a Portugal são soberba e ingratidão, vícios tão naturais da próspera fortuna que, como filhos da víbora, juntamente nascem dela e a corrompem.
34
Enquanto Portugal teve homens de «havemos de fazer» (que sempre os teve) não tivemos liberdade, não tivemos reino, não tivemos coroa. Mas tanto que tivemos homens de quid facimus (que fazemos), logo tivemos tudo.
75
Tanto prevalecem na nossa pátria os rumores contra a verdade, e as invenções ou suspeitas de poucos contra o conhecimento e experiência de todos.
39
Eu sempre creio que as línguas estrangeiras saberão melhor avaliar as circunstâncias de tamanho sucesso, porque as nossas sempre são curtas em louvar, podendo mais a inveja dos particulares que o amor comum da pátria.
39
Mais temo eu a Portugal os perigos da opulência que os danos da necessidade.
37
Só onde se sabem os sucessos futuros, se podem festejar com razão os nascimentos presentes.
41
Uma velhice enganada é a maior sem-razão do tempo: uma mocidade desenganada é a maior vitória da razão.
57
Quem tem asas para voar e se contenta com andar, e quando muito com correr, pode mais do que quer e quer menos do que pode; e só quem quer, e se contenta com menos do que pode, passa a carreira desta vida sem cansar, nem desfalecer.
50
Igual cegueira é o fazerem-se honras aos incapazes que tirarem-se aos beneméritos.
45
Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente, mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos, com satisfação deles, foi impossível.
46
Os Portugueses não se contentam com se lhes dar o pão partido; há-se-lhes de dar todo o pão, sob pena de não ficarem contentes. Daqui se segue que nunca é possível que o estejam.
50
Quando os prémios se dão aos que merecem, os mesmos que os murmuram com a boca, os aprovam com o coração.
43
Porque se chama envergonhar a face negar o que se pede? Porque dizer «não» a quem pede é dar-lhe uma bofetada com a língua. Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um «não». Para a necessidade dura, para a honra afrontosa e para o merecimento insofrível.
45
Luzir português entre portugueses, e muito menos luzir com a sua luz, é coisa muito dificultosa na nossa terra.
43
Se se premeia ao incapaz, é força que estranhe o lugar que lhe não convém, e se se ofende ao benemérito, é ocasião que se queixe da justiça.
44
Considerai que querendo mais do que podeis não só destruís o vosso poder, senão também o vosso querer. Porque se eu quero mais do que posso, claro está que hei-de perder o que posso, e não hei-de conseguir o que quero. Pois se no fim não haveis de poder conseguir o que quereis, para que é trabalhar e cansar debalde? Mas tal é a cegueira da ambição humana.
35
Não é razão que saiba vencer quem se não sabe convencer da razão.
42
Porque é timbre da nossa nação, tanto que sai à luz quem pode luzir, tragá-lo logo para que não luza.
39
Vejo a nossa desatenção e o nosso descuido, antes o cuidado que pomos em aumentar inimigos dentro e não conservar amigos fora, nem aplicar os meios com que só se concilia o respeito de uns e a constância dos outros.
17
Não se fazerem mercês é faltar com o prémio à virtude; fazerem-se é semear benefícios para colher queixas.
38
Se uns e outros se conformam e contentam com o que podem, nem o muito de uns é mais, nem o pouco de outros é menos; porque todos, dentro da medida do seu poder, têm tudo quanto querem. Oh!, que ditoso e bem ordenado viveria universalmente o mundo, se todos penetrassem o interior deste segredo e não trespassassem o seu querer além das raias do seu poder.
46
Quem não pergunta não quer saber; quem não quer saber quer errar. Há, porém, ignorantes tão altivos que se desprezam de perguntar, ou porque presumem que tudo sabem, ou porque se não presuma que lhes falte alguma coisa por saber.
42
Pregar cantando é muito bom para adormentar os ouvidos e conciliar sono, por onde ainda os que mais cabeceiam dormem ao tom do sermão. As vozes do pregador hão-de ser como as caixas e trombetas de guerra, que espertam, animam, e tocam à arma.
48
Os pequenos não comem, nem podem comer, os grandes; os grandes, porque podem, são os que comem os pequenos. Por isso, os povos estão tão despovoados e tão comidos, e os comedores tão cheios e tão fartos.
53
Não dar nada a ninguém e premiar a todos.
7
Dizem que temos valor, mas que nos falta dinheiro e união; e todos nos prognosticam os fados que naturalmente se seguem destas infelizes premissas.
30
Quantos há hoje em Portugal que têm mais do que nunca esperaram, e no cabo estão ainda descontentes? Vinde cá: quando a vossa imaginação esteve mais desvanecida, chegou nunca a sonhar nem a esperar o que hoje tendes? Nem vós mesmo o negareis. Pois se tendes mais do que nunca esperastes, porque está ainda descontente vossa esperança? Esta pergunta não tem resposta; porque esta sem-razão não tem razão.
50
O povo, no pouco que tributa, dá tudo quanto tem; e o grande, em tudo o que dá, dá muito menos que deve, porque dá o que lhe sobra, e o pequeno dá o de que necessita.
44
Isto de pregar cantando é um vício e um abuso que se tem introduzido nos púlpitos, frouxo, fraco, e frio, e quase morto; sem força, sem eficácia, sem energia, sem alma; contra toda a retórica, contra toda a razão, contra toda a arte, contra toda a natureza.
49
Tão longe de valente está o tímido como o temerário, e se em alguma parte está mais perigosa a conservação é na presunção de segura.
50
Necessário é logo que haja prémios, para que haja soldados.
41
Nos outros reinos, com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal, com uma mercê perdem-se muitos.
38
Descobrimos hoje mais, porque olhamos de mais alto; (...) distinguimos melhor, porque vemos de mais perto; (...) trabalhamos menos, porque achamos os impedimentos tirados.
47
Nós (Portugueses) temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.
51
E assim como o mundo se chama mundo, porque é imundo, e a morte se chama Parca, porque a ninguém perdoa, assim a nossa terra se pode chamar Lusitânia, porque a ninguém deixa luzir.
45
A presença, para ser presença, há-de ter alguma coisa de ausência.
16
Todos os que na matéria de Portugal se governaram pelo discurso, erraram e se perderam.
58
Homens que em todos os seus conselhos não dizem «faremos», nem «havemos de fazer», senão «façamos» (...), estes homens, ainda que intentem o maior impossível, hão-de levá-lo a cabo.
51
Não creio nem crerei nunca a quem pode o que quer enquanto não quiser o que pode.
50
A herdade do pobre, porque não tem muro que a cerque, sempre estão seus frutos expostos ao comum apetite de todos. As dos ricos, como têm cercas que as defendem, ninguém se atreve a seus frutos, por não lastimar suas mãos com os espinhos.
46
Se um «não» é tão duro para quem o ouve, creio eu que não é menor a sua dureza para quem o diz; e tanto mais quanto mais generoso for o coração, e mais soberano o ânimo que o houver de pronunciar.
44
Ao povo se há-de sempre acudir com maior cuidado, porque os grandes se armam de sua mesma autoridade e seu mesmo poder os defende.
36