Citações
Citações para inspirar e refletir
Os sábios em qualquer faculdade mais sabem ouvindo que discorrendo, e mais acompanhados que sós.
37
Dores certas não se podem curar com remédios duvidosos.
50
Pouco conhece a riqueza da saúde quem cuida que por algum preço pode ser cara, quanto mais caríssima.
50
É terrível género de perplexidade temer sem saber a quem e, bastando um só inimigo para o temor, não haver algum entre tantos para a cautela.
47
A dor não tem juízo e nenhuma é maior que a do amor ofendido.
59
De maneira que não é rico quem tem muito, ainda que seja tudo. Pois quem é o verdadeiro rico? Aquele que não quer nada, porque nenhuma coisa lhe falta.
43
O ponto mais alto, o mais fino e o mais difícil da sabedoria não é o saber; é o saber e poder encobrir o que sabe.
50
O tempo umas coisas melhora e outras corrompe.
39
O homem é animal sociável, nisso nos distinguimos dos brutos; e parece cousa dura que, havendo necessariamente um homem de tratar com os homens, se haja de guardar de todos os homens. Não haverá um homem com quem outro homem possa tratar sem temor, sem cautela e sem se guardar dele?
64
A água que recebe a terra é salgada; a que torna ao mar é doce. O que recebe em ondas amarguradas restitui-o em doces tributos.
50
Aquilo em que cada um cuida e lhe dá maior cuidado, quando vigia, isso é o em que sonha, quando dorme.
54
Quem teme os perigos possíveis estará acautelado; mas quem teme os impossíveis está seguro. O melhor meio de conservar a segurança é temê-la.
61
O homem, filho do tempo, reparte com o mesmo tempo ou o seu saber ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada.
18
Os cuidados são exercício de homens acordados, os sonhos são atenções de homens dormindo: os cuidados são os desvelos da atenção; os sonhos são as desatenções do descuido.
48
Para as acções humanas escandalizarem não é necessário que sejam injustas; basta que humana e moralmente possam ser reputadas por tais.
28
Não há cousa que mais alargue o tempo na ausência e na saudade que a dilação: as horas se fazem anos e os dias, séculos.
53
Não há riqueza no mundo que se iguale à saúde do corpo. (...) Donde se segue que, se o médico der ao enfermo a saúde e o enfermo ao médico todas as riquezas, menos recebe o médico que o enfermo.
52
Há-se o amor no temer, como no desejar; e assim como não há maior sinal de amor que impossíveis desejados, assim não há maior sinal de amor que impossíveis temidos.
41
Quem chegou a temer impossíveis chegou a amar quanto é possível.
41
Para a saúde ser segura e firme não basta sobressair a enfermidade, se não se arrancam as raízes e se cortam as causas dela.
19
Uma sogra talvez é melhor estar doente que sã, porque doente a mesma doença a tem quieta a um canto da casa, e sã rara é a que não se contente com menos que com todos os quatro cantos dela.
39
Seguirem-se aos anos os desenganos é fazer o tempo o que faz o tempo; mas anteciparem-se os desenganos aos anos é fazer a razão o que o tempo havia de fazer.
55
Nem o receio é descrédito do amor, nem a cautela é descrédito do poder.
53
Toda a religião ou seita diversa se funda em diferente fé; toda a diferente fé funda diferente esperança; e toda a diferente esperança pede diferente oração; porque cada um pede conforme espera, e cada um espera conforme crê.
37
Tão dificultoso é aprender a ignorar até à sabedoria, que tudo sabe.
44
Quando vires o tudo que sou, então entenderás o muito que faço.
44
A abundância e gula dos ricos é o seu veneno (...) a estreiteza e abstinência dos pobres, o seu medicamento.
49
Nunca as máquinas vivas igualam a medida das sonhadas.
51
Nenhum segredo é segredo perfeito, senão o que passa a ser ignorância, porque o segredo que se sabe pode-se dizer, o que se ignora não se pode manifestar.
51
O tempo, como o mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa.
59
Não pode tratar do bem comum quem vive para a ostentação particular. O arado, quando abre a terra para benefício comum de todos, de caminho leva a flor que encontra, como desviando uma flor que nasceu mais para ostentação própria da sua beleza que para proveito comum dos viventes.
47
Não há poder maior no mundo que o do tempo: tudo sujeita, tudo muda, tudo acaba.
62
As armas com que o mundo faz maior guerra aos homens são as riquezas.
43
Não dizer um homem o segredo que sabe, é muito; mas não dizer que sabe o segredo é muito mais. Porquê? Porque não dizer o segredo que sabe, é guardar segredo às cousas: mas não dizer que sabe o segredo é guardar segredo ao segredo.
51
Considere, pois, o rico e o pobre para onde vai: Quo vadis? Para que o rico modere a sua abundância, e o pobre se componha com a sua moderação. E porque o pobre e o rico (e o rico mais apressadamente que o pobre) todos irmos parar ali, lamentem-se os ricos da sua riqueza e das suas galas e regalos: sejam os pobres os contentes e eles os tristes. E paguem com a tristeza a fraqueza dos seus corações.
41
Quem serve tem por prémio a vossa mesa; quem ama tem por prémio o seu cuidado. E quem tem os olhos em vossa mesa claro está que há-de esperar; quem tem o coração no seu cuidado claro está que há-de temer.
54
O tempo define-se: mensura primi mobilis : a medida do primeiro móvel: e o primeiro móvel neste mundo pequeno que chamamos homem é o coração. Daqui vem que, segundo os movimentos do mesmo coração, pode o mesmo tempo, com diferentes respeitos, ser longo e breve.
12
Todo o talento é arriscado a o perder, ou não dar boa conta dele, a presunção humana.
24
Não há coisa tão preciosa, e tão útil, que continuada não enfade.
46
Os sonhos são a relíquia dos cuidados.
51
Se a duração se mede pela realidade, é sempre igual e a mesma; porém, se se mede pela apreensão, nela se varia e desiguala de tal sorte que, se é de gosto, o gosto a estreita e faz breve; e, se de pena, a pena a dilata e faz larga.
51
Não há Sol, por mais luzido, que não necessite de aurora.
31
Onde as cousas são tão grandes que não têm medida e tantas que não têm número, como nunca pode faltar a matéria, assim é força que falte o tempo.
53
Grandes males não se curam senão com grandes remédios, e estes não se aplicam sem grande resolução.
60
Entre todas as paixões humanas, a que mais aflige e tem mais modos de afligir é o temor. As outras atormentam com o que é; o temor com tudo o que pode ser, e não só com os males, senão com os mesmos bens.
60
Os sonhos são uma pintura muda em que a imaginação, a portas fechadas e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um com as cores das suas acções, dos seus propósitos e dos seus desejos.
41
A pessoa particular basta-lhe a sua verdade; à pública, algumas vezes lhe é necessária a alheia opinião, porque não há consciência mais limpa que não viva em perpétuos sobressaltos de haver de dar satisfação a todos.
35
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera? São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco que terem durado muito.
19