Citações
Citações para inspirar e refletir
A arrogância nos valentes sempre é maior que a valentia.
70
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera? São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco que terem durado muito.
38
A tristeza é um mal e enfermidade universal de que ninguém escapa.
44
É tal a força e virtude da união que as mesmas cousas que divididas são boas, se se ajuntam e unem entre si para compor algum todo, esse todo, sem acrescer maior bondade às partes, fica muito melhor que cada uma delas.
38
Cuida a providência política que os reinos se conservam com ferro e com bronze, e sobretudo com ouro e com prata; e é engano. O que sustenta e conserva os reinos é a união.
60
Só onde se sabem os sucessos futuros, se podem festejar com razão os nascimentos presentes.
44
Considerai que querendo mais do que podeis não só destruís o vosso poder, senão também o vosso querer. Porque se eu quero mais do que posso, claro está que hei-de perder o que posso, e não hei-de conseguir o que quero. Pois se no fim não haveis de poder conseguir o que quereis, para que é trabalhar e cansar debalde? Mas tal é a cegueira da ambição humana.
40
Quem tem asas para voar e se contenta com andar, e quando muito com correr, pode mais do que quer e quer menos do que pode; e só quem quer, e se contenta com menos do que pode, passa a carreira desta vida sem cansar, nem desfalecer.
54
A pessoa particular basta-lhe a sua verdade; à pública, algumas vezes lhe é necessária a alheia opinião, porque não há consciência mais limpa que não viva em perpétuos sobressaltos de haver de dar satisfação a todos.
48
Desconfiar por temor é covardia, mas desconfiar por cautela é prudência.
52
Se um «não» é tão duro para quem o ouve, creio eu que não é menor a sua dureza para quem o diz; e tanto mais quanto mais generoso for o coração, e mais soberano o ânimo que o houver de pronunciar.
50
A presença, para ser presença, há-de ter alguma coisa de ausência.
22
Não é razão que saiba vencer quem se não sabe convencer da razão.
58
As armas com que o mundo faz maior guerra aos homens são as riquezas.
54
Quando vires o tudo que sou, então entenderás o muito que faço.
50
De maneira que não é rico quem tem muito, ainda que seja tudo. Pois quem é o verdadeiro rico? Aquele que não quer nada, porque nenhuma coisa lhe falta.
54
Porque se chama envergonhar a face negar o que se pede? Porque dizer «não» a quem pede é dar-lhe uma bofetada com a língua. Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um «não». Para a necessidade dura, para a honra afrontosa e para o merecimento insofrível.
54
Não dar nada a ninguém e premiar a todos.
12
Considere, pois, o rico e o pobre para onde vai: Quo vadis? Para que o rico modere a sua abundância, e o pobre se componha com a sua moderação. E porque o pobre e o rico (e o rico mais apressadamente que o pobre) todos irmos parar ali, lamentem-se os ricos da sua riqueza e das suas galas e regalos: sejam os pobres os contentes e eles os tristes. E paguem com a tristeza a fraqueza dos seus corações.
46
Não creio nem crerei nunca a quem pode o que quer enquanto não quiser o que pode.
61
Tão dificultoso é aprender a ignorar até à sabedoria, que tudo sabe.
49
Necessário é logo que haja prémios, para que haja soldados.
44
Isto de pregar cantando é um vício e um abuso que se tem introduzido nos púlpitos, frouxo, fraco, e frio, e quase morto; sem força, sem eficácia, sem energia, sem alma; contra toda a retórica, contra toda a razão, contra toda a arte, contra toda a natureza.
54
Igual cegueira é o fazerem-se honras aos incapazes que tirarem-se aos beneméritos.
51
Não dizer um homem o segredo que sabe, é muito; mas não dizer que sabe o segredo é muito mais. Porquê? Porque não dizer o segredo que sabe, é guardar segredo às cousas: mas não dizer que sabe o segredo é guardar segredo ao segredo.
59
Se uns e outros se conformam e contentam com o que podem, nem o muito de uns é mais, nem o pouco de outros é menos; porque todos, dentro da medida do seu poder, têm tudo quanto querem. Oh!, que ditoso e bem ordenado viveria universalmente o mundo, se todos penetrassem o interior deste segredo e não trespassassem o seu querer além das raias do seu poder.
53
Os homens quando mandam (e mais se têm o mando supremo), ou seja, ingratidão natural ou soberania, nem estimam nem pagam os serviços que lhes fazem, como deveram, porque cuidam que tudo se lhes deve.
52
O ponto mais alto, o mais fino e o mais difícil da sabedoria não é o saber; é o saber e poder encobrir o que sabe.
61
Toda a religião ou seita diversa se funda em diferente fé; toda a diferente fé funda diferente esperança; e toda a diferente esperança pede diferente oração; porque cada um pede conforme espera, e cada um espera conforme crê.
44
Nenhum segredo é segredo perfeito, senão o que passa a ser ignorância, porque o segredo que se sabe pode-se dizer, o que se ignora não se pode manifestar.
59
Se se premeia ao incapaz, é força que estranhe o lugar que lhe não convém, e se se ofende ao benemérito, é ocasião que se queixe da justiça.
49
Os sábios em qualquer faculdade mais sabem ouvindo que discorrendo, e mais acompanhados que sós.
53
Uma velhice enganada é a maior sem-razão do tempo: uma mocidade desenganada é a maior vitória da razão.
64
Tão longe de valente está o tímido como o temerário, e se em alguma parte está mais perigosa a conservação é na presunção de segura.
60
Não se fazerem mercês é faltar com o prémio à virtude; fazerem-se é semear benefícios para colher queixas.
49
A água que recebe a terra é salgada; a que torna ao mar é doce. O que recebe em ondas amarguradas restitui-o em doces tributos.
60
Que se diga aos pretendentes se podem esperar ou não, para que no fim não desesperem. Quem diz que é arte de não desgostar não diz nem cuida bem. Melhor é dar um desgosto que muitos. Queixem-se de que os não satisfizeram; mas não possam dizer justamente que os enganaram. Se é dura palavra um «não», mais duras são as boas palavras que suspendem e encobrem o mesmo «não» até que o descobre o efeito. Quem fez o «não» tão breve não quis que se dilatasse.
60
Descobrimos hoje mais, porque olhamos de mais alto; (...) distinguimos melhor, porque vemos de mais perto; (...) trabalhamos menos, porque achamos os impedimentos tirados.
58
Para a saúde ser segura e firme não basta sobressair a enfermidade, se não se arrancam as raízes e se cortam as causas dela.
29
Deixarem-se vencer da razão os muitos anos não é muito, mas deixarem-se vencer e convencer os poucos, grande poder da razão!
53
É mais fácil o desejar que o fazer, e menos difícil o resolver que o executar.
51
A abundância e gula dos ricos é o seu veneno (...) a estreiteza e abstinência dos pobres, o seu medicamento.
60
Não há riqueza no mundo que se iguale à saúde do corpo. (...) Donde se segue que, se o médico der ao enfermo a saúde e o enfermo ao médico todas as riquezas, menos recebe o médico que o enfermo.
64
Não há coisa tão preciosa, e tão útil, que continuada não enfade.
54
Pregar cantando é muito bom para adormentar os ouvidos e conciliar sono, por onde ainda os que mais cabeceiam dormem ao tom do sermão. As vozes do pregador hão-de ser como as caixas e trombetas de guerra, que espertam, animam, e tocam à arma.
58
Para as acções humanas escandalizarem não é necessário que sejam injustas; basta que humana e moralmente possam ser reputadas por tais.
32
Pouco conhece a riqueza da saúde quem cuida que por algum preço pode ser cara, quanto mais caríssima.
59
Os corpos dos ricos, cheios e anafados, são o banquete dos bichos; os dos pobres, secos e postos nos ossos, são o seu jejum.
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