Citações
Citações para inspirar e refletir
Não há dúvida de que o senhorio e liberdade é mais aparelhada para os vícios, e a obediência e sujeição mais disposta para as virtudes.
40
Não há coisa tão dificultosa, tão árdua, tão repugnante à natureza, a que a não obrigue, a que a não renda, a que a não sujeite, não por vontade, mas por força e violência, a duríssima e inviolável lei da necessidade.
49
Não é coisa nova na natureza haver terras que são fecundas para as plantas e estéreis para os frutos.
47
O comer e o vestir são duas coisas sem as quais não se pode viver, em que têm grande batalha no homem a moderação do necessário e a intemperança do supérfluo.
38
Não pode haver nem mais bem governada, nem mais bem servida república que onde os ofícios forem os pretendentes e os homens os pretendidos.
47
Não há cousa mais inconstante no mundo que os reinos, nem menos durável que sua glória e felicidade.
50
O muito não o faz a multidão. A multidão faz muitos; os poucos fazem muito.
56
A república é o espelho dos que a governam.
53
Nenhuma cousa se faz bem da primeira vez, quanto mais a maior de todas, que é morrer bem. Reparo é digno de toda a admiração que, sendo tantas as meditações da morte, e tantos os despertadores deste desengano, sejam tão poucos os que sabem morrer.
44
O primeiro efeito, ou consequência, da necessidade é o desprezo da honra; o segundo, a destruição da virtude.
40
Em um mundo onde se vêem tantas cousas que se não podem ver, e se ouvem as que se não podem ouvir, e se falam, e são faladas, as que se não podem dizer; como pode viver um homem que não for cego, surdo, nem mudo, senão fugindo dos homens?
44
A melhoria não está no lugar, senão na pessoa que o ocupa.
41
O livro visto por fora não mostra nada; por dentro está cheio de mistérios.
29
Pelo que fizeram se hão-de condenar muitos, pelo que não fizeram, todos.
36
Grande é aquele mal que até para solicitar os alívios tira o alento.
52
Toda a nobreza e excelência do homem consiste no livre alvedrio; e o servir, se não é perder o alvedrio, é cativá-lo.
40
Se queremos julgar, viremos os olhos para a parte de dentro, que ainda mal, porque tanto acharemos que julgar, que examinar e que condenar. Se nos julgarmos sem paixão a nós, eu vos prometo que tenhamos tanto que fazer e tanto que pasmar que não nos fique nem tempo, nem ânimo para julgar a outrem.
33
O crescer nos que o merecem é crescimento; o crescer nos que o não merecem é crescença; e o crescimento é grandeza, a crescença é fealdade.
41
O avarento chama pródigo ao liberal; o covarde temerário ao valente; o distraído hipócrita ao modesto; e cada um condena o que não tem por não confessar o que lhe falta.
42
Para haver verdadeira irmandade, há-de ser recíproca.
41
Oh!, se os livros falaram, quantas ignorâncias haviam de dizer que consultam com eles de noite os que de dia se publicam grandes letrados.
69
O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.
42
Os martírios vistos de perto são muito mais feios que de longe.
44
Os outros membros são instrumentos do corpo, a língua é instrumento da alma, como intérprete do entendimento.
43
Não há leis tão justas e leves que não necessitem de quem as faça executar e guardar.
44
A justiça está entre a piedade e a crueldade: o justo propende para a parte do piedoso; o justiceiro para a de cruel.
43
Mal é dizer mal, mas, depois de o haverdes dito, dizerdes ainda que dizeis bem é um mal maior sobre outro mal, porque é estar obstinado nele.
50
Tanto que o proibido se dispensa, logo a lei não é lei, não só porque o que se concede a um não se pode negar aos outros, senão também, e muito mais, porque o que se concede a um, que o pede, também se há-de conceder aos outros, ainda que o não peçam.
67
Das obras grandes ou pequenas, das acções generosas ou vis, cada um traz na própria cabeça a verdadeira medida.
10
Fio mais do bom juízo com os que me ouvem o poderão considerar do que das razões com que eu posso persuadir.
38
Estude-se nos acontecimentos passados, que são a melhor regra para os acertos, porque, como os livros são mestres para a vida, são aqueles sucessos lição para os prudentes.
53
Não há mentira tão falsa que, se a querem fazer aparente ou verosímil, se não funde em alguma suposição verdadeira.
47
Na mesa onde se frequentar muito o jogo, cedo faltará o comer.
52
Para não mentir, não é necessário ser santo, basta ser honrado, porque não há coisa mais afrontosa, nem que maior horror faça a quem tem honra, que o mentir.
48
Oh!, malditas utilidades! Este é o engano que perde aos príncipes. Dispensam-se as leis por utilidade (que ordinariamente são dos particulares e não suas) e abre-se a porta à ruína universal, que só se pode evitar com a observância inviolável das leis.
45
Mentem as línguas, porque mentem as imaginações; mentem as línguas, porque mentem os ouvidos; mentem as línguas, porque mentem os olhos; e mentem as línguas, porque tudo mente e todos mentem.
55
De nenhuma coisa são mais avarentos os homens que do louvor (...), de nenhuma são mais pródigos que do desejo de receber.
54
O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e não tendo acção em si mesmo move os ânimos e causa grandes efeitos.
45
A justiça particular tem obrigação de dar a cada um o seu (...); porém, a justiça universal e comum tem obrigação de ser igual com todos e desta igualdade, que a todos satisfaz e abraça, nasce a verdadeira e constante paz.
47
Julgar mal uma obra boa, grande maldade é, mas julgar, ou bem ou mal, um pensamento que não pode ser conhecido ainda é maior a tirania.
44
O livro, sendo o mesmo para todos, uns percebem dele muito, outros pouco, outros nada.
43
Não saibam os maus que são precitos, para que não se despenhem como desesperados; não saibam os bons que são predestinados, para que não se descuidem como seguros.
49
Porque a todas as outras ciências ou ofícios pode faltar o pão, mas ninguém o tem sempre mais seguro que o médico. Como todos somos mortais, só o médico vive do que nós morremos: e tão certo é na medicina o pão, como na mortalidade a doença.
36
É mais santo e justo ficar o crime sem castigo que castigar-se o inocente — assim o dispõe o direito, que pesa mais para a perdição e condenação do juiz uma sentença injusta do que muitas e muito justas.
47
Muitos não têm o coração dentro em si, senão fora de si e muito longe. Fora de si porque não cuidam em si, e muito longe de si porque todos os seus cuidados andam só atentos e aplicados às coisas temporais e mundanas que amam.
50
Se a mudança de um ponto e de uma vírgula pode fazer tantos erros e tantos danos, que seria se se mudassem palavras? Que seria se se diminuíssem palavras? Que seria se se acrescentassem palavras? Torno a dizer. Se a mudança de um ponto e de uma vírgula pode ser causa de tantos danos, que seria se se calassem regras? Que seria se se saltassem capítulos?
48
Muitas vezes a mentira hoje no mundo é mais poderosa que a verdade.
52
Se eu sou bom, por mais que me julguem mal os homens não me podem fazer mau; se eu sou mau, por mais que julguem bem os homens não me podem fazer bom.
47