Citações
Citações para inspirar e refletir
Não é razão que saiba vencer quem se não sabe convencer da razão.
58
Desconfiar por temor é covardia, mas desconfiar por cautela é prudência.
52
Dores certas não se podem curar com remédios duvidosos.
61
Uma sogra talvez é melhor estar doente que sã, porque doente a mesma doença a tem quieta a um canto da casa, e sã rara é a que não se contente com menos que com todos os quatro cantos dela.
44
Toda a religião ou seita diversa se funda em diferente fé; toda a diferente fé funda diferente esperança; e toda a diferente esperança pede diferente oração; porque cada um pede conforme espera, e cada um espera conforme crê.
44
Quando quem pede e quem intercede procuram e solicitam a mesma coisa, posto que o façam por diferentes termos, sempre a petição é a mesma.
65
O querer e o poder, se divididos são nada, juntos e unidos são tudo. O querer sem o poder é fraco, o poder sem o querer é ocioso, e deste modo divididos são nada. Pelo contrário, o querer com o poder é eficaz, o poder com o querer é activo, e deste modo juntos e unidos são tudo.
51
Quem não tem poder não tem amigos.
21
Os inimigos que mais temo a Portugal são soberba e ingratidão, vícios tão naturais da próspera fortuna que, como filhos da víbora, juntamente nascem dela e a corrompem.
40
Quantos há hoje em Portugal que têm mais do que nunca esperaram, e no cabo estão ainda descontentes? Vinde cá: quando a vossa imaginação esteve mais desvanecida, chegou nunca a sonhar nem a esperar o que hoje tendes? Nem vós mesmo o negareis. Pois se tendes mais do que nunca esperastes, porque está ainda descontente vossa esperança? Esta pergunta não tem resposta; porque esta sem-razão não tem razão.
56
Nós (Portugueses) temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.
55
Não há mais nobre nem mais alto modo de pedir que não pedindo.
64
A quem entregam muitas vinhas não pode guardar nenhuma.
42
Não é condição de homens, e muito menos de Portugueses, haver pessoa, e mais em tamanhos lugares, de quem todos e em tudo digam bem.
46
Enquanto Portugal teve homens de «havemos de fazer» (que sempre os teve) não tivemos liberdade, não tivemos reino, não tivemos coroa. Mas tanto que tivemos homens de quid facimus (que fazemos), logo tivemos tudo.
79
Tanto prevalecem na nossa pátria os rumores contra a verdade, e as invenções ou suspeitas de poucos contra o conhecimento e experiência de todos.
51
Nas perseguições, injúrias e afrontas se porte cada um tão insensivelmente como se fora outro o perseguido, e outro o injuriado e afrontado.
34
Os maiores poderes, aqui como em toda a parte, são as apreensões do temor e do interesse.
44
O povo, no pouco que tributa, dá tudo quanto tem; e o grande, em tudo o que dá, dá muito menos que deve, porque dá o que lhe sobra, e o pequeno dá o de que necessita.
52
Ao povo se há-de sempre acudir com maior cuidado, porque os grandes se armam de sua mesma autoridade e seu mesmo poder os defende.
44
Vejo a nossa desatenção e o nosso descuido, antes o cuidado que pomos em aumentar inimigos dentro e não conservar amigos fora, nem aplicar os meios com que só se concilia o respeito de uns e a constância dos outros.
24
Porque é timbre da nossa nação, tanto que sai à luz quem pode luzir, tragá-lo logo para que não luza.
45
A maior pena que aqui padeço é ouvir falar em Portugal, porque todas as nossas acções desmerecem a nossa fortuna, quando a pudéramos por todas vias adiantar ao sumo auge da felicidade e grandeza. Mas como o que há basta para a ambição dos presentes, não querem aventurar nada com a esperança, porque possuem o que nunca esperaram.
62
As varas do poder, quando são muitas, elas mesmas se comem, como famintas sempre de maiores postos.
50
No homem o poder é pouco e limitado, e o querer, sempre insaciável e sem limite.
48
Tão certo e tão natural é o homem dar maior valor às cousas na perda que na posse; e estimá-las mais incomparavelmente depois de perdidas que antes de perder-se.
44
Só onde se sabem os sucessos futuros, se podem festejar com razão os nascimentos presentes.
44
Todo o relógio perfeito não só dá horas, mas tem um braço mostrador com que as aponta.
51
Bem ensinava Alexandre Magno aos seus soldados que a pobreza era a única mestra da milícia, e por isso os Macedónios venciam tudo, porque nada tinham.
41
Isto de pregar cantando é um vício e um abuso que se tem introduzido nos púlpitos, frouxo, fraco, e frio, e quase morto; sem força, sem eficácia, sem energia, sem alma; contra toda a retórica, contra toda a razão, contra toda a arte, contra toda a natureza.
54
Pregar cantando é muito bom para adormentar os ouvidos e conciliar sono, por onde ainda os que mais cabeceiam dormem ao tom do sermão. As vozes do pregador hão-de ser como as caixas e trombetas de guerra, que espertam, animam, e tocam à arma.
58
Nos outros reinos, com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal, com uma mercê perdem-se muitos.
49
Todos os que na matéria de Portugal se governaram pelo discurso, erraram e se perderam.
66
Dizem que temos valor, mas que nos falta dinheiro e união; e todos nos prognosticam os fados que naturalmente se seguem destas infelizes premissas.
35
A herdade do pobre, porque não tem muro que a cerque, sempre estão seus frutos expostos ao comum apetite de todos. As dos ricos, como têm cercas que as defendem, ninguém se atreve a seus frutos, por não lastimar suas mãos com os espinhos.
49
Eu sempre creio que as línguas estrangeiras saberão melhor avaliar as circunstâncias de tamanho sucesso, porque as nossas sempre são curtas em louvar, podendo mais a inveja dos particulares que o amor comum da pátria.
45
Só quem quer menos do que pode é sempre poderoso, porque quem quis quanto podia encheu a medida do seu poder, e não pode passar daí; porém, quem quer menos do que pode sempre pode mais do que quer.
63
E assim como o mundo se chama mundo, porque é imundo, e a morte se chama Parca, porque a ninguém perdoa, assim a nossa terra se pode chamar Lusitânia, porque a ninguém deixa luzir.
51
Luzir português entre portugueses, e muito menos luzir com a sua luz, é coisa muito dificultosa na nossa terra.
53
Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente, mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos, com satisfação deles, foi impossível.
56
Quem devera fiar-se de poucos de ninguém se fia. Não há verdade que se creia, nem razão que se não tenha por suspeita, nem zelo tão sincero e desinteressado a que se não dêem outros fins; com que tudo é confusão e irresolução.
54
Quem não pergunta por ignorância, pergunta por gosto.
70
Mais temo eu a Portugal os perigos da opulência que os danos da necessidade.
44
Tanto mais de admirar e estimar é o valor e ânimo destes soldados portugueses, quanto maiores foram as incomodidades que, no necessário para a vida e para a guerra, igualmente padeceram.
40
Os Portugueses não se contentam com se lhes dar o pão partido; há-se-lhes de dar todo o pão, sob pena de não ficarem contentes. Daqui se segue que nunca é possível que o estejam.
59
Homens que em todos os seus conselhos não dizem «faremos», nem «havemos de fazer», senão «façamos» (...), estes homens, ainda que intentem o maior impossível, hão-de levá-lo a cabo.
66
Fazer tudo com conta, peso e medida é propriedade do poder, que sempre há-de sobejar; e, pelo contrário, fazer as coisas sem conta, peso nem medida é propriedade assim mesmo do poder, que nem há-de sobejar nem bastar.
49
Quem chora o bem perdido que se pode remediar com a dor ama o seu alívio; quem chora o bem perdido que com nenhuma dor se pode remediar ama a sua dor, e esta é a dor verdadeira e fina.
67