Citações
Citações para inspirar e refletir
O poder, e mais o modo do poder, é o que há-de examinar e reconhecer primeiro quem quer saber se pode ou não pode.
67
O poder tudo consiste em poder algumas coisas e não poder outras: consiste em poder o lícito e justo e em não poder o ilícito e injusto.
66
Os amigos e os inimigos todos por seu modo perseguem, e quem conhece que o amor de uns e o ódio de outros tudo é perseguição foge de todos.
56
Nada receia perder quem nada espera interessar. Os bens que mais nascem do ânimo que da fortuna melhor se asseguram; porque aqueles guardam-se no peito, e estes cansam os ombros. A fortuna com o que dá faz grandes; e o ânimo com o que despreza faz grandiosos.
56
Os pequenos não comem, nem podem comer, os grandes; os grandes, porque podem, são os que comem os pequenos. Por isso, os povos estão tão despovoados e tão comidos, e os comedores tão cheios e tão fartos.
67
Em nenhuma parte tanto como em Portugal se gasta tanto papel, ou se gasta tanto em papéis.
48
Para pedir com a maior cortesia, com o maior primor e com a maior perfeição não se há-de declarar em nada a própria vontade, mas sujeitar-se em tudo e por tudo a quem pede e à sua disposição e arbítrio.
44
O ofício e obrigação dos poetas não é dizerem as coisas como foram, mas pintarem-nas como haviam de ser ou como era bem que fossem.
57
A boa opinião, de que tanto depende o bom governo, não se forma do que é, senão do que se cuida; e tanto se devem observar as obras próprias, como respeitar os pensamentos e línguas alheias.
49
Pode sempre mais que a obrigação o interesse.
48
Um único remédio tem o invejado, e é saber afrouxar a ostentação.
81
Tal é o mundo que muitas vezes parecem finezas de amizade o que são ódios refinadíssimos.
53
Quantas vezes os que trabalham no descobrimento de algum tesouro cavam por muitos dias, meses e anos sem acharem o que buscam; e depois de estes, cansados e desesperados, sucede vir um mais venturoso que, descendo sem trabalho ao profundo da mesma cova, e cavando alguma coisa de novo, descobre a poucas enxadadas o tesouro e logra o fruto dos trabalhos e suores dos primeiros!
52
Os mais felizes reinos não são aqueles que têm as mais bem entendidas cabeças, senão aqueles que têm as mais bem entendidas mãos.
55
Só então é a paz segura e firme, quando para todas as partes é formosa.
52
Muito mais custa abrir a boca para pedir que fechá-la para calar.
55
Não ouvir por não ter ouvidos não é grande miséria, mas ter ouvidos para não ouvir é a maior enfermidade de todas.
54
As obras são filhas dos pensamentos; no pensamento se concebem, do pensamento nascem, com o pensamento se criam, se aumentam e se aperfeiçoam: e como os filhos recebem dos pais a natureza, o sangue e o apelido.
65
Não é novidade lograr os frutos na liberalidade do ramo quem os não achou na dureza do tronco.
39
Não é coisa nova na natureza haver terras que são fecundas para as plantas e estéreis para os frutos.
56
Assim como a obediência é o compêndio e união de todas as virtudes, assim a desobediência é o dispêndio e destruição de todas.
54
Há casos em que por pedir licença se perdem as mais gloriosas acções.
57
As palavras que somente são palavras podem-se ouvir ainda que se não entendam; as obras que são palavras, se não se entendem, não se ouvem.
58
Tudo o que se obra honesto, ainda que com trabalho, honesto fica e o trabalho passa; o que se obra torpe, ainda que com gosto, passa o gosto e fica a torpeza.
63
Cada um ouve não conforme tem os ouvidos, senão conforme tem o coração e a inclinação.
55
O melhor retrato de cada um é aquilo que escreve. O corpo retrata-se com o pincel, a alma com a pena.
59
Não há cousa mais inconstante no mundo que os reinos, nem menos durável que sua glória e felicidade.
60
Assim como o licor precioso, se a boca da redoma não está tapada, exala e evapora o cheiro, e perde a virtude; assim a paciência de nenhum modo se conserva na sua perfeição, se o silêncio constante lhe não tapa e emudece a boca, porque só padecendo e calando há verdadeira paciência.
63
Pensão muito antiga das coisas boas e grandes serem acusadas de novas.
14
Sem igualdade e igualdade com todos não há paz.
60
Quantas vezes se dizem as palavras sinceramente, com uma tenção muito sã, e vós as interpretais e corrompeis de maneira que de um louvor fazeis um agravo, de uma confiança uma injúria, de uma galanteria uma blasfémia, e de uma graça levantais uma tal labareda que se originaram dela muitas desgraças? E se isto sucede quando os homens dizem o que ouviram, e só o que ouviram; que será quando dizem o que imaginaram e o que sonharam, ou o que ninguém imaginou nem sonhou?
61
O ódio da virtude faz pecado, da verdade faz mentira; castiga a inocência e livra a culpa.
44
Não há dúvida de que o senhorio e liberdade é mais aparelhada para os vícios, e a obediência e sujeição mais disposta para as virtudes.
45
Quando os homens se acomodam a que as coisas se partam e se repartam, com o que se cobre um se podem contentar quatro.
54
Palavras sem obras são tiro sem bala: atroam, mas não ferem.
55
A palavra tem duas portas, uma por onde sai e outra por onde entra: a porta por onde sai é a boca, e no nosso caso o mistério; a porta por onde entra é o ouvido, e no nosso caso a meditação.
51
A imagem mais perfeita, a proporção mais ajustada e a medida mais igual da obra é o conhecimento de si mesmo em quem a faz.
60
As palavras ditas ouvem-se; as palavras feitas vêem-se.
60
Lugar, pessoa e tempo são aquelas três circunstâncias gerais com que todo o orador se deve medir, se não quer faltar nem exceder as leis desta nobilíssima arte, que na natureza racional é a primogénita.
51
Não há obra tão boa que por mal vista não possa ser maldita.
52
Não há coisa tão dificultosa, tão árdua, tão repugnante à natureza, a que a não obrigue, a que a não renda, a que a não sujeite, não por vontade, mas por força e violência, a duríssima e inviolável lei da necessidade.
55
Bem é que se diga a opinião comum, mas mais razão é que se diga a singular, quando essa, por razões patentes, for mais bem fundada.
55
Ostentar menos e obrar mais é prudência; ostentar mais e obrar menos é vaidade.
18
Os dois efeitos, ou consequências, que fazem a necessidade mais miserável e mais para temer são (...) que a pobreza e a fome, primeiro, desprezam a honra e, depois, destroem a virtude, perdendo-se no mesmo naufrágio a fama e a consciência, que são os maiores bens desta e da outra vida.
54
Nos olhos humanos, as boas obras, ou enquanto vistas não podem ser boas, ou enquanto boas não podem ser vistas.
63
O parto dos negócios são as resoluções; e aqueles em cujas mãos nascem estes partos (ou seja, escrevendo ao tribunal, ou seja, escrevendo ao príncipe) são ministros de pena. E é tal o poder, a ocasião e a subtileza deste ofício que com um jeito de mão e com um torcer de pena podem dar vida e tirar vida.
39
Obra-se mal não só quando se obra, nem só quando se aconselha, senão também quando se permite.
56
Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras.
62