Citações
Citações para inspirar e refletir
Só quem tem por natureza o mais tem confiança para se chamar o menos.
43
Os brutos distinguem-se dos homens em que os homens governam-se pelo entendimento, e os brutos pelos sentidos.
42
Ama o teu inimigo; porque esse mesmo inimigo, se bem o consideras, é mais verdadeiro amigo teu que os teus amigos: ele estranha e condena os teus defeitos, e eles os adulam e lisonjeiam.
47
É consequência própria e natural da inveja perseguir os presentes e estimar os passados, matar os vivos e celebrar os mortos.
39
Ingratidão que desama, grande ingratidão é, mas a ingratidão que chega a desconhecer é a maior de todas.
27
Quem se confessa por réu não lhe fazem agravo as testemunhas.
50
Contra si mesmo esgrime o castigo quem honra ao incapaz de honras.
44
O dar a quem não serviu é liberalidade, mas o pagar a quem não serviu é injustiça, porque a paga supõe serviço, assim como o prémio supõe merecimento.
39
Se o só não terá quem o levante, também não terá quem o derrube. E maior felicidade é carecer do perigo de quem me derrube, que haver mister o socorro de quem me levante.
40
Saudar com os iguais é acto de amizade, com os maiores de urbanidade e com todos de humanidade.
35
Para haver verdadeira irmandade, há-de ser recíproca.
41
Que coisa é a fama, senão uma inveja comprada?
41
Quão grande é o povo dos que te admiram, tão grande é o número dos que te invejam. A admiração estará por algum tempo suspensa e muda, como costuma; mas a inveja reconcentrada rebentará com mais força como de mina, e o que foram aplausos serão estragos.
21
Duas caras tem a inveja: uma com que no interior se entristece e outra com que no exterior se dissimula.
50
Reputa-se por escravo quem vive com dependências. De muito necessita o corpo para a ostentação comum; e já por fazer gala das necessidades intentou o corpo para a necessidade o fazer-lhe galas, querendo que parecesse ostentação o que só é remédio da sua desnudez. A alma necessita de tão pouco que até a mesma respiração com que se conserva no corpo a lança outra vez de si.
35
Todo o homem que quis explicar com palavras as cousas que são inefáveis, e não tem termos com que se declarar, necessariamente há-de mentir, não porque seja inimigo da verdade, mas porque a não pode dizer como ela é.
35
Pois o que é ignorar invencivelmente senão ignorar e não conseguir saber? E o que é a ignorância invencível senão a ignorância acompanhada da incapacidade de saber aquilo que se ignora?
47
Quantos grandes há neste mundo que não sabem ser o que são? Depois de lhe dar o que deu, parece que se arrependeu a fortuna do que lhe tinha dado. O rico é avarento e não sabe usar da riqueza: o sábio é imprudente e não sabe usar da sabedoria: o valente é temerário e não sabe usar do valor.
48
Cuidam os ministros que feitos os conselhos, feitas as consultas, feitos os decretos, está feito tudo; e ainda não se começou a fazer nada. O princípio dos negócios é a execução: enquanto se não dão à execução não se lhes tem dado princípio.
49
Lembra-te, homem, que és pó levantado e hás-de ser pó caído.
55
A mim não me faz medo o pó que hei-de ser; faz-me medo o que há-de ser o pó.
49
Dizem que os que governam são espelho da república: não é assim, senão ao contrário. A república é o espelho dos que a governam. Porque assim como o espelho não tem acção própria, e não é mais que uma indiferença de vidro, que está sempre exposta a retratar em si os movimentos de quem tem diante, assim o povo, ou república sujeita, se se move, ou não se move, é pelo movimento ou sossego de quem a governa.
34
Como pode ser lícito nos grandes o que nos pequenos é delito? Bem mais depressa se mancha o puro do cristal que o grosseiro do barro.
58
Bons exteriores com mau interior são hipocrisias.
29
O morrer na guerra pode ser e comummente é honra, mas o fugir sempre é afronta.
48
As coisas grandes não se acabam de repente; hão mister de tempo e todas têm seu tempo.
35
A peste do governo é a irresolução. Está parado o que havia de correr, está suspenso o que havia de voar, porque não atamos nem desatamos.
44
Os governos são para fazer bem com o pão próprio, e não para acrescentar os bens com o pão alheio.
28
O maior prémio das acções heróicas é fazê-las.
14
A geografia do mundo melhor se aprende vista no mesmo mundo que pintada no mapa.
54
Tanto são maiores finezas quanto mais ocultas, porque fazer o benefício e esconder a mão, assim como é maior generosidade, assim é maior fineza.
40
Se é miséria grande o pouco que fazemos por alcançar e ver a glória, muito maior miséria é o muito que fazemos pela perder e não ver.
47
Coisa dificultosa é que homens tão derramados nas coisas exteriores cheguem a se ver interiormente, como convém. Sermões (8)
26
Nos pecados de ministros, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana nem divina que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há incapacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.
49
O que nasce grande diminui a grandeza em querer ser mais.
47
A gente pior, e mais vil, e mais mofina do mundo, são os hipócritas, e também as hipócritas: porquê? Porque padecem o trabalhoso da virtude e perdem o meritório.
49
A diligência na guerra é tudo para com efeito se alcançar vitória.
47
Os dois nervos da guerra são gente e dinheiro.
43
Aquele cego quando não tinha olhos não via, depois que teve olhos, viu; nós temos olhos e não vemos. Naquele cego houve cegueira e vista, mas em diversos tempos; em nós no mesmo tempo está junta a vista com a cegueira, porque somos cegos com os olhos abertos e, por isso, mais cegos que todos.
44
Em poucos, há ordem, há união, há conselho; na multidão, nem ordem, porque será perturbação; nem união, porque será discórdia; nem conselho, porque será tumulto. Os ministros hão-de ser como as leis: as leis hão-de ser poucas e bem guardadas; e os ministros poucos e escolhidos.
39
Nenhuma coisa trazemos os homens mais esquecida e desconhecida, nenhuma trazemos mais detrás de nós, que a nós mesmos.
49
O melhor modo de pedir é agradecer. Assim como o ingrato só pela ingratidão perde o benefício passado, assim o agraciado só pelo agradecimento solicita e alcança o futuro.
53
Os que nasceram grandes, se se vêem abatidos, rebentam; e os que nasceram humildes, se se vêem levantados, estouram.
43
Nesta matéria de «vós quem sois», todo o homem mente duas vezes, uma vez mente-se a si e outra vez mente-nos a nós: mente-se a si, porque sempre cuida mais do que é; e mente-nos a nós, porque sempre diz mais do que cuida.
45
Os homens não amam o que cuidam que amam.
66
Os homens, quando testemunham de si mesmos, uma coisa é o que são e outra coisa é o que dizem.
58
Nenhum homem há que falando de glória diga o que ela é, senão o que não é; enfim, que falando de glória todo o homem mente.
40
A inclinação mais natural, mais viva e que mais fortes e profundas raízes tem lançado na natureza humana é o desejo ou apetite da glória.
44