Citações
Citações para inspirar e refletir
O primeiro efeito, ou consequência, da necessidade é o desprezo da honra; o segundo, a destruição da virtude.
51
Luzimentos no obrar logo pedem armas para defender.
49
Fazei obras boas e estai moralmente seguros que sois predestinados.
48
A necessidade, a pobreza, a fome, a falta do necessário para o sustento da vida é o mais forte, o mais poderoso, o mais absoluto império que despoticamente domina sobre todos os que vivem.
53
O ouvir é mais próprio de quem aprende, e o perguntar de quem duvida ou ignora.
21
Se no juiz há ódio, por mais justificada que seja a inocência do réu, nunca a sentença do juiz há-de ser justa.
63
Quando gastamos o tempo em obras boas, compramos o mesmo tempo e tornamos a fazer nosso o que tínhamos vendido.
18
A primeira regra ou o á-bê-cê da mercancia é passar as cousas da terra onde as há e valem pouco, para onde as não há e valem muito.
58
Em havendo olhos maus, não há obras boas.
55
As obras são filhas dos pensamentos.
46
Que ninguém duvide de que para persuadir e convencer maior é a força da paciência que a dos milagres.
63
Muitas vezes a mentira hoje no mundo é mais poderosa que a verdade.
57
Os lugares que dependem da vontade e poder alheio ou os distribui a justiça, ou são indulgências da graça. Para a justiça é necessário o merecimento, para a graça é necessário o favor.
56
Um homem com a morte e sepultura diante dos olhos não é muito que nem a pedir, nem a desejar se atrevesse mais que o necessário e preciso para viver, ou para não morrer.
60
Não saibam os maus que são precitos, para que não se despenhem como desesperados; não saibam os bons que são predestinados, para que não se descuidem como seguros.
63
Os muros, como o cinto, não são muros enquanto se não fecham.
55
Para o que vive em paz e descanso, (a morte) é amarga; para o que vive em trabalho e miséria, (a morte) é doce.
65
Não é o tempo, senão a razão, a que dá o crédito e autoridade aos escritos; nem se deve perguntar «quando», se escreveram, senão «quam bem».
50
O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.
52
Assim como o mundo hoje ainda não é para os que hão-de nascer, porque eles ainda não são, assim o mesmo mundo já não é para nós quando morremos, porque já não somos.
68
Nenhuma cousa se faz bem da primeira vez, quanto mais a maior de todas, que é morrer bem. Reparo é digno de toda a admiração que, sendo tantas as meditações da morte, e tantos os despertadores deste desengano, sejam tão poucos os que sabem morrer.
58
Não pode haver nem mais bem governada, nem mais bem servida república que onde os ofícios forem os pretendentes e os homens os pretendidos.
55
A maldade é comerem-se os homens uns aos outros, e os que a cometem são os maiores, que comem os pequenos.
53
Os médicos devem ser como as enfermidades. Assim como as enfermidades não respeitam qualidades nem dignidades, assim o devem eles fazer.
57
Que errado anda o mundo, e mais o nosso, em julgar e introduzir que os passos vagarosos sejam os mais autorizados! Se por vagares se perde o mundo todo, como pode consistir a autoridade dele nos mesmos meios de sua perdição?
77
O livro, sendo o mesmo para todos, uns percebem dele muito, outros pouco, outros nada.
48
Nenhum outro meio podemos tomar mais seguro em uma passagem forçosa, e tão incerta, como desta para a outra vida.
57
Das obras grandes ou pequenas, das acções generosas ou vis, cada um traz na própria cabeça a verdadeira medida.
20
Quem diz o que entende tão fora está de mentir que antes mentiria se fizesse o contrário.
56
A melhoria não está no lugar, senão na pessoa que o ocupa.
45
O comer e o vestir são duas coisas sem as quais não se pode viver, em que têm grande batalha no homem a moderação do necessário e a intemperança do supérfluo.
46
E que dê eu as costas ao mundo, quando o mundo me vira as costas, não é muito: mas que quando o mundo me mostra bom rosto dê eu de rosto ao mundo, esta é a valentia maior. Que quando o mundo se ri de vós, vós choreis por ele, oh!, fraqueza! Mas que quando o mundo se ri para vós, vós vos riais dele, oh!, valentia!
52
O efeito da memória é levar-nos aos ausentes, para que estejamos com eles, e trazê-los a eles a nós, para que estejam connosco.
57
Nada no mundo se conserva sem alguma mescla.
38
Os martírios vistos de perto são muito mais feios que de longe.
48
Oh!, se os livros falaram, quantas ignorâncias haviam de dizer que consultam com eles de noite os que de dia se publicam grandes letrados.
74
Uns nascem, outros morrem, uns vêm a este mundo, outros saem dele, e o mundo, como teatro destas representações, sempre está no mesmo lugar e não se move.
74
Em um mundo onde se vêem tantas cousas que se não podem ver, e se ouvem as que se não podem ouvir, e se falam, e são faladas, as que se não podem dizer; como pode viver um homem que não for cego, surdo, nem mudo, senão fugindo dos homens?
58
A república é o espelho dos que a governam.
62
Muitos não têm o coração dentro em si, senão fora de si e muito longe. Fora de si porque não cuidam em si, e muito longe de si porque todos os seus cuidados andam só atentos e aplicados às coisas temporais e mundanas que amam.
59
Porque a todas as outras ciências ou ofícios pode faltar o pão, mas ninguém o tem sempre mais seguro que o médico. Como todos somos mortais, só o médico vive do que nós morremos: e tão certo é na medicina o pão, como na mortalidade a doença.
46
Nunca a moeda falsa passa melhor que quando corre entre o mais dinheiro (porque de outra sorte só correra risco), como entre uma verdade passa melhor a mentira.
51
As coisas (...) não são de quem as logra, senão de quem as merece.
60
O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e não tendo acção em si mesmo move os ânimos e causa grandes efeitos.
52
É necessário ter respeito aos merecimentos de cada um, porque se não levem os favores por respeitos. Desgraçada foi sempre a república onde alcança mais a protecção e não o merecimento; porque os mesmos méritos hão-de ser o tribunal onde se há-de pretender.
41
Meditar não é outra coisa que cuidar um homem no que lhe importa ou deseja e nenhum há que não medite.
45
Não há mentira tão falsa que, se a querem fazer aparente ou verosímil, se não funde em alguma suposição verdadeira.
58
Para não mentir, não é necessário ser santo, basta ser honrado, porque não há coisa mais afrontosa, nem que maior horror faça a quem tem honra, que o mentir.
56