Citações
Citações para inspirar e refletir
Grande é aquele mal que até para solicitar os alívios tira o alento.
55
Mentem as línguas, porque mentem as imaginações; mentem as línguas, porque mentem os ouvidos; mentem as línguas, porque mentem os olhos; e mentem as línguas, porque tudo mente e todos mentem.
65
O livro visto por fora não mostra nada; por dentro está cheio de mistérios.
35
Os que vêm depois, comparados com os que vieram antes, não se medem tanto por tanto, senão tanto por mais. Se fizestes mais, sois igual, se fizestes tanto, sois menos.
66
O crescer nos que o merecem é crescimento; o crescer nos que o não merecem é crescença; e o crescimento é grandeza, a crescença é fealdade.
47
O mar é este mundo, cheio de tantos perigos, combatido de todos os ventos, exposto a tão frequentes tempestades.
73
De nenhuma coisa são mais avarentos os homens que do louvor (...), de nenhuma são mais pródigos que do desejo de receber.
60
Se nós mesmos nos não quisermos enganar, ou cegar, que outra coisa é este mundo senão um hospital comum da natureza humana, em que todos padecem, todos gemem, e como nele não há estado ou fortuna isenta de misérias e dores nenhuma há também enxuta de lágrimas.
52
O muito não o faz a multidão. A multidão faz muitos; os poucos fazem muito.
64
Como os ouvidos são dois e a boca uma, sucede que, entrando pelos ouvidos duas verdades, sai pela boca uma mentira.
68
Mal é dizer mal, mas, depois de o haverdes dito, dizerdes ainda que dizeis bem é um mal maior sobre outro mal, porque é estar obstinado nele.
57
Se o Sol, que é sempre o mesmo, todos os dias tem um novo nascimento e um novo ocaso, quanto mais o homem por sua natural inconstância tão mudável, que nenhum é hoje o que foi ontem, nem há-de ser amanhã o que é hoje!
67
Nem tudo o que parece misericórdia é misericórdia e verdade. Há misericórdias que são misericórdias e mentiras. Parecem misericórdias e são respeitos: parecem misericórdias e são interesses: parecem misericórdias e são outros afectos tão contrários desta virtude como de todas.
59
Considerai e medi bem os degraus, uns tão altos, outros tão baixos, por onde, tropeçando, ajoelhando e caindo, ou se perde a pretensão, ou se chega finalmente a tomar posse do lugar pretendido, e vereis quanto mais custa o alcançar que o merecer.
22
É tal o engano e ilusão da nossa vista, equivocada nas cores com que se disfarça o veneno, que em vez de vermos o mal certo, para o fugir, vemos o bem que não há, para o apetecer.
57
Se se repartir o peso com igualdade de justiça, todos o levarão com igualdade de ânimo.
42
Se queremos julgar, viremos os olhos para a parte de dentro, que ainda mal, porque tanto acharemos que julgar, que examinar e que condenar. Se nos julgarmos sem paixão a nós, eu vos prometo que tenhamos tanto que fazer e tanto que pasmar que não nos fique nem tempo, nem ânimo para julgar a outrem.
38
O avarento chama pródigo ao liberal; o covarde temerário ao valente; o distraído hipócrita ao modesto; e cada um condena o que não tem por não confessar o que lhe falta.
50
Combata-se na frente ou na retaguarda do exército, a diferença está no lugar, não no combate, que depende totalmente do ataque dos inimigos.
52
Quando se procede contra partes não ouvidas, ainda que se pronuncie o que é justiça sempre se procede sem justiça.
50
Na mesa onde se frequentar muito o jogo, cedo faltará o comer.
58
O meio mais eficaz de apagar a inveja é repartir a felicidade.
50
Os outros membros são instrumentos do corpo, a língua é instrumento da alma, como intérprete do entendimento.
49
Se eu sou bom, por mais que me julguem mal os homens não me podem fazer mau; se eu sou mau, por mais que julguem bem os homens não me podem fazer bom.
54
Pelo que fizeram se hão-de condenar muitos, pelo que não fizeram, todos.
44
Se a mudança de um ponto e de uma vírgula pode fazer tantos erros e tantos danos, que seria se se mudassem palavras? Que seria se se diminuíssem palavras? Que seria se se acrescentassem palavras? Torno a dizer. Se a mudança de um ponto e de uma vírgula pode ser causa de tantos danos, que seria se se calassem regras? Que seria se se saltassem capítulos?
58
Reputa-se por escravo quem vive com dependências. De muito necessita o corpo para a ostentação comum; e já por fazer gala das necessidades intentou o corpo para a necessidade o fazer-lhe galas, querendo que parecesse ostentação o que só é remédio da sua desnudez. A alma necessita de tão pouco que até a mesma respiração com que se conserva no corpo a lança outra vez de si.
45
É consequência própria e natural da inveja perseguir os presentes e estimar os passados, matar os vivos e celebrar os mortos.
51
Estude-se nos acontecimentos passados, que são a melhor regra para os acertos, porque, como os livros são mestres para a vida, são aqueles sucessos lição para os prudentes.
60
Toda a nobreza e excelência do homem consiste no livre alvedrio; e o servir, se não é perder o alvedrio, é cativá-lo.
47
Ama o teu inimigo; porque esse mesmo inimigo, se bem o consideras, é mais verdadeiro amigo teu que os teus amigos: ele estranha e condena os teus defeitos, e eles os adulam e lisonjeiam.
54
Duas caras tem a inveja: uma com que no interior se entristece e outra com que no exterior se dissimula.
58
Quem julga com o entendimento, pode julgar bem e pode julgar mal; quem julga com a vontade, nunca pode julgar bem. A razão é muito clara. Porque quem julga com o entendimento, se entende mal, julga mal, se entende bem, julga bem. Porém, quem julga com a vontade, ou queira mal, ou queira bem, sempre julga mal; se quer mal, julga como apaixonado, se quer bem, julga como cego. Ou cegueira ou paixão, vede como julgará a vontade com tais adjuntos.
56
Quão grande é o povo dos que te admiram, tão grande é o número dos que te invejam. A admiração estará por algum tempo suspensa e muda, como costuma; mas a inveja reconcentrada rebentará com mais força como de mina, e o que foram aplausos serão estragos.
31
É de direito natural que ninguém possa ser julgado sem se lhe dar defesa e o tempo necessário para ela.
38
Não há coisa que mais pique nem que de mais se piquem os naturais que da emulação e inveja.
71
Em tempo em que só vale a lisonja, não podia parecer bem quem professa só a verdade.
19
Um grande delito muitas vezes achou piedade; um grande merecimento nunca lhe faltou a inveja.
52
Quão inclinados são ao engano os elegantes raciocínios, feitos de longe, com que julgamos os outros homens por nós próprios, quando primeiro deveríamos conhecê-los para depois os avaliarmos por eles próprios.
57
Se o só não terá quem o levante, também não terá quem o derrube. E maior felicidade é carecer do perigo de quem me derrube, que haver mister o socorro de quem me levante.
53
A justiça particular tem obrigação de dar a cada um o seu (...); porém, a justiça universal e comum tem obrigação de ser igual com todos e desta igualdade, que a todos satisfaz e abraça, nasce a verdadeira e constante paz.
54
A justiça está entre a piedade e a crueldade: o justo propende para a parte do piedoso; o justiceiro para a de cruel.
52
Até nos instrumentos inanimados são necessárias três coisas: o som, a significação do que soam e a inteligência do que significam, porque, se faltar esta significação e esta inteligência, os instrumentos por si sós de nada servem.
76
Todo o homem que quis explicar com palavras as cousas que são inefáveis, e não tem termos com que se declarar, necessariamente há-de mentir, não porque seja inimigo da verdade, mas porque a não pode dizer como ela é.
44
Fio mais do bom juízo com os que me ouvem o poderão considerar do que das razões com que eu posso persuadir.
46
Não há leis tão justas e leves que não necessitem de quem as faça executar e guardar.
49
É mais santo e justo ficar o crime sem castigo que castigar-se o inocente — assim o dispõe o direito, que pesa mais para a perdição e condenação do juiz uma sentença injusta do que muitas e muito justas.
59
Ninguém tem inimigos que lhes não possa fazer bem; porque quem não tem bens, não tem inimigos.
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