Citações
Citações para inspirar e refletir
Com as armas se sustentam os reinos, mas sem pão não se sustentam as armas; porque melhor pelejam os soldados mantidos do que guerreiam armados; e mal pode sustentar com armas um reino quem não pode sustentar nas mãos as armas.
43
Não há votos mais perniciosos na paz e na guerra, nem mais bem aceites comummente aos que governam o leme, que os que por poupar a fazenda impossibilitam as acções, com o que o que havia de ser trabalho é ociosidade, e o que havia de importar muito se resolve em nada.
49
Só a necessidade há-de obrigar à guerra, mas a vontade sempre há-de desejar a paz.
48
Crescer a grandeza que se não pode sustentar é enfraquecer.
48
Os modos de guerrear são tantos quantos tem inventado o amor para a defesa própria, e o ódio para a ruína do inimigo.
34
A natureza fez o comer para o viver e a gula fez o comer muito para o viver pouco.
44
Mais se conquistam os reinos com a guerra civil dos próprios que com a guerra viva dos estranhos.
48
A maior gula da natureza racional é o desejo de saber.
48
O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem nem o entendimento o alcança.
44
O erro por que muitas vezes se não acertam as eleições dos ofícios é porque se buscam os homens grandes nas casas grandes, e eles estão escondidos nas casas pequenas.
51
Não basta que as coisas que se dizem sejam grandes, se quem as diz não é grande.
9
É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades em que não há mal algum que ou se não padeça, ou se não tema; nem bem que seja próprio e seguro.
13
As feridas são a gala e glória dos soldados como dos mártires: quanto mais feridos, mais retalhados e mais espedaçados, tanto mais valentes, mais honrados, mais famosos.
40
Os homens são mais feras que as feras e mais demónios que os mesmos demónios. Os demónios não têm carne nem sangue, porque são espíritos; as feras não têm entendimento nem vontade, porque se governam por instinto: e os homens são piores demónios que os demónios, porque são demónios com carne e sangue; e são piores feras que as feras, porque são feras com entendimento e vontade.
82
Quem quiser ver claramente a falsidade das histórias humanas leia a mesma história por diferentes escritores, e verá como se encontram, se contradizem e se implicam no mesmo sucesso, sendo infalível que um só pode dizer a verdade e certo que nenhum a diz.
39
Somos pouco maiores que ervas, e fingimo-nos tão grandes como as árvores; somos a coisa mais inconstante do mundo, e cuidamos que temos raízes; se o Inverno nos tirou as folhas, imaginamos que no-las há-de tornar a dar o Verão; que sempre havemos de florescer, que havemos de durar para sempre. Isto somos e isto cuidamos.
37
Quem pode mostrar na sua mão os despojos sempre tem por si a presunção da vitória.
50
Não há grande empenho sem mistura de doidice. E a razão é porque para qualquer homem obrar heroicamente, e se exceder, e levantar sobre si, é necessário sair de si.
14
Mais para temer é um homem desarmado, com entendimento, que todas as feras armadas, sem ele.
48
A enfermidade mais geral de que adoecem as cortes, e a dor ou o achaque de que todos comummente se queixam, é de mal despachados. Em alguns se queixa o merecimento, em outros a necessidade, em muitos a própria estimação e em todos o costume. O benemérito chama-lhe sem-razão, o necessitado diz que é crueldade, o presumido toma-o por agravo e o mais modesto dá-lhe o nome de desgraça e pouca ventura.
31
A natureza a todos os homens fez iguais; a fortuna é que fez os altos, os baixos e os baixíssimos.
50
A esperança é um afecto que, suspirando sempre por ver, vive de não ver e morre com a vista.
43
Bem fora que pudera mais com os homens, a memória, que a esperança.
52
Por onde começa a natureza, há-de começar a graça, a qual não é segura na idade varonil, se não trouxe as disposições desde a infância. Naquela idade tenra e branda se imprime fácil e solidamente o que na robusta e dura mais fortemente se resiste do que se recebe.
57
Nenhuma coisa se pode prometer à natureza humana mais conforme a seu maior apetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros.
46
Não há maior tormento no mundo que o esperar: nem pode haver maior empenho no mundo que o ser esperado. Quem se sujeitou a esperar sacrificou-se à maior pena; quem se sujeitou a ser esperado arriscou-se à maior empresa.
55
É a esperança um composto de desejo e confiança: com a vontade, deseja e com o entendimento, confia.
51
Os homens costumam conhecer nos outros, não a pessoa, senão a fortuna.
59
A fortuna nunca iguala os desejos dos homens.
38
Para a esperança estar inteiramente satisfeita, parte da satisfação há-de pertencer ao desejo e parte à confiança: ao desejo para o alívio; à confiança para o seguro.
48
Se o fundamento dos erros humanos é o efeito natural de serem os homens, bem se segue que nenhum homem se pode livrar desta pensão da humanidade, por douto e sapientíssimo que seja.
42
Não pode ser um estado bem governado, cujos ministros são interesseiros. Como procurará a abundância o que tem seu lucro na carestia? Como amará a república quem idolatra os seus tesouros? Onde reina esta cobiça falta a quietação e a paz, caem as monarquias. São os mui atentos em suas fortunas perigosos em os grandes postos.
35
Três mais há neste mundo pelos quais suspiram, pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais se matam os homens: mais fazenda, mais honra, mais vida.
53
Se as dores inconsoláveis podem ter alguma consolação e alívio, é a semelhança ou companhia de outrem que as padeça iguais.
54
De um erro nascem muitos, e sobre fundamento tão errado nunca houve edifício certo.
50
No erro secreto em que se não perde a honra, facilmente se sujeita a própria opinião à verdade, mas no público e censurado, em que a honra se perde, ou ela defende o erro, ou o erro a defende a ela contra a mesma verdade conhecida.
40
Vemos que todo este mundo é vaidade, que a vida é um sonho, que tudo passa, que tudo acaba, e que nós havemos de acabar primeiro que tudo, e vivemos como se fôramos imortais, ou não houvera eternidade.
34
Não há coisa que mais sintam os pais do que os castigos e penas dos filhos e descendentes.
46
Quem não dá todos os dias do ano não dá o ano, dá partes dele somente.
43
Nenhuma coisa deste mundo pára ou permanece, todas passam.
39
Os que têm padrinhos em palácio escaparão, e os que os não têm morrerão.
48
Ainda que seja muito segura, muito firme e muito bem fundada a esperança é um tormento esperar.
46
Foram muito menos os danos em que caíram os homens por lhes faltar a notícia do passado que aqueles que cegamente se precipitaram pela ignorância do futuro.
52
A pintura tem cores e sombras, claros e escuros; e tanto se descobre a soberania do seu espírito no claro do que diz, como no escuro do que cala.
46
Os estados não tratam de reputação, senão da utilidade.
43
A ciência dos erros alheios é fácil, se se examinam sem ódio nem interesse; a dos erros próprios é muito difícil, porque sempre os julgamos subornados do próprio amor.
57
Tudo aquilo que se faz para os olhos dos homens, ainda que se faça, não se faz.
43
Quanto é mais eficaz e poderosa para mover os ânimos dos homens a esperança das coisas próprias que a memória das alheias?
46