Citações
Citações para inspirar e refletir
Acautele-se o coração humano e nenhum se fie de si.
28
É verdade que muitas vezes tem maiores dificuldades o conservar que o fazer, mas quem se gloria da feitura não deve recusar o peso da conservação.
44
O certo é que sem dinheiro se não há-de fazer coisa alguma; se com ele se há-de fazer ou não, é contingente.
19
Antigamente era coisa mui prezada ter um conselheiro de Estado para saber um segredo, agora se compra tudo isto com um vintém.
41
Quem fez o que devia devia o que fez; e ninguém espera paga de pagar o que deve.
49
O que desigualou o poder pode-o suprir a arte; o que errou a mesma arte pode-o emendar a fortuna; mas o que se intentou sem conselho, ainda que o favoreça o caso, nunca é vitória.
49
Só no que sobeja se segura o que basta.
51
Tanto mais fácil é unir distâncias e vontades que casar opiniões e entendimentos.
39
Quem tem muito dinheiro, por mais inepto que seja, tem talentos e préstimo para tudo; quem o não tem, por mais talentos que tenha, não presta para nada.
48
A todos é coisa muito doce o receber, mas tanto que se fala em dar, grandes amarguras!
40
Na dúvida de dois corações, eu antes quisera homens sem coração que com dois; porque quem não tem coração não tem afecto; e quem tem dois corações pode ter afectos encontrados. Quem não tem afecto nem obriga, nem ofende; quem tem os afectos encontrados ofende e desfaz com um o que obriga com o outro.
51
Debalde se endireita o tronco depois de torcido, e mal se pode abrandar depois de duro.
43
Nem todos os preceitos ou conselhos são para todos os tempos e para todas as ocasiões, ainda que os homens que os hão-de seguir e executar sejam os mesmos.
41
Tanta é a conexão que tem a infâmia com a culpa. Ainda no mais inocente ou a supõe, ou a causa, porque a calúnia, antes de infamar, é testemunho do que não foi, mas depois de ter infamado é profecia do que há-de ser.
45
Porque importa pouco o ter tomado, se se não conservar o que se tomou.
43
A curiosidade é um apetite da natureza humana, um apetite desmedidamente ávido de conhecer, mais que tudo, o que há-de ser e quando há-de ser.
55
A maior miséria da vida humana (outros dirão outra) eu digo que é não haver neste mundo de quem fiar.
55
A mesma causa quando é moderada e quando é excessiva produz efeitos contrários; a luz moderada faz ver; a excessiva faz cegar; a dor que não é excessiva rompe em vozes, a excessiva emudece.
56
Enquanto os conselhos se não dão à execução, por mais conselhos e por mais decretos que haja ainda se não tem dado princípio a nada.
39
Quem busca o desengano tarde não se desengana.
27
Mais dificultoso é ganhar pouco com pouco que muito com muito.
40
Onde há diferença de pessoas há diferença e distinção de bens; onde há diferença e distinção de bens há também diferentes fins e diferentes interesses; e estes são os que perturbam a luz e corrompem a pureza dos verdadeiros conselhos.
49
Sem conselho nenhuma cousa façamos; porque nenhum homem é tão sábio que não esteja sujeito a errar.
48
A dignidade não se introduziu no mundo senão para abrigo daqueles que a não logram.
39
O verdadeiro e desinteressado amor entre os que se partem, ou ficam, mais atende às felicidades de quem se parte, para alegrar, que às saudades de quem fica, para enternecer.
59
É costume nesta terra matarem os homens nas gazetas e avisos públicos ou secretos, quando não querem ou não podem vingar-se de outra maneira.
48
Muitos neste mundo alcançam os cargos só pelo merecimento do seu vestido.
31
Só se sabe querer bem quem se sabe livrar de si.
64
Não há inocência que esteja segura de um falso testemunho.
50
Quando os bens voltam as costas, quando fogem, quando se vão, quando nos deixam, quando finalmente passaram e se perderam, então se conhecem.
43
Vencer é avantajar-se, competir é medir-se.
47
Todos os bens de que é capaz o homem enquanto vive neste mundo ou são bens da natureza, ou bens da graça; mas nenhum deles é tão sólido, inteiro e puro bem que o goze sem tributo de misérias a vida, nem a possa livrar deste tributo senão a morte.
40
Sabeis porque vos querem mal vossos inimigos? Ordinariamente é porque vêem em vós algum bem que eles quiseram ter, e lhes falta. A quem não tem bens ninguém lhe quer mal.
42
O ver e o chorar são os dois ofícios dos olhos, mas são ofícios incompatíveis no mesmo tempo: enquanto vêem não podem chorar; e se querem chorar hão-de deixar de ver.
50
Não devemos condenar os amigos pela informação dos inimigos.
49
A calúnia e o falso testemunho fazem endoudecer o sábio.
38
Como o que há basta para a ambição dos presentes, não querem aventurar nada com a esperança, porque possuem o que nunca esperaram.
45
Sucederá à saúde a enfermidade e vós conhecereis o bem que tendes na saúde; sucederá à riqueza a pobreza e necessidade e vós conhecereis o bem que não soubestes estimar na riqueza.
45
Porque assim o furto, como o adultério, tem por objecto o alheio: o adultério, a mulher alheia; o furto, a fazenda alheia; e assim como o tomar a mulher alheia é adultério de torpeza, assim o tomar a fazenda alheia é o adultério da cobiça.
48
Quem ri atenua e alivia os males; quem chora os crescenta e faz mais sensíveis e pesados; quem ri mostra que são dignos de zombaria; quem chora prova que são dignos de lástima; quem ri por exemplo e por simpatia move a rir; quem chora por exemplo e com razão ensina a chorar; porque, se os meus males são tais que movem a contínuas lágrimas aos outros, quanto mais os devo eu chorar, pois os padeço?
53
A cegueira que cega cerrando os olhos não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa, é a mais cega de todas.
52
Não sei qual é a maior tentação, se a necessidade, se a cobiça.
10
É tal a força e poder da infâmia que, sendo a calúnia testemunho falso, a mesma infâmia fará que a inocência infamada o faça verdadeiro.
48
Quando julgamos os outros, condenamo-nos a nós.
54
A quem dá a cobiça as dignidades e a quem as tira? Dá-as a quem vê que tem mais, porque recebe, ou espera mais: tira-as a quem vê que tem menos, porque ou não recebe, ou espera menos.
51
A caridade bem ordenada começa de si mesmo; e em tudo quanto pedimos ninguém pede para si, senão para todos.
47
Ordinariamente vemos grandes resplendores onde não há luz, e grandes luzes sem nenhum resplendor.
41
Entre o conhecimento do bem e o conhecimento do mal há uma grande diferença: o mal conhece-se quanto se tem e o bem quando se teve; o mal, quando se padece, o bem, quando se perde.
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