Citações
Citações para inspirar e refletir
Como pode ser lícito nos grandes o que nos pequenos é delito? Bem mais depressa se mancha o puro do cristal que o grosseiro do barro.
68
A esperança promete bens, o temor ameaça males, e entre promessas e ameaças tanto vem a se padecer o que se espera, como o que se teme.
78
Três mais há neste mundo pelos quais suspiram, pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais se matam os homens: mais fazenda, mais honra, mais vida.
65
Crescer a grandeza que se não pode sustentar é enfraquecer.
60
A natureza a todos os homens fez iguais; a fortuna é que fez os altos, os baixos e os baixíssimos.
61
Os que nasceram grandes, se se vêem abatidos, rebentam; e os que nasceram humildes, se se vêem levantados, estouram.
50
Enfim, que neste jogo que o mundo chama da fortuna não consta o ser má ou boa, senão no bom ou mau uso dela.
16
Assim como há esperanças que tardam, há esperanças que vêm. (...) As esperanças que tardam tiram a vida; as esperanças que vêm não só não tiram a vida, mas acrescentam os dias e os alentos dela.
46
As feridas são a gala e glória dos soldados como dos mártires: quanto mais feridos, mais retalhados e mais espedaçados, tanto mais valentes, mais honrados, mais famosos.
47
A esperança satisfaz-se com a medida do que se espera.
55
Os que têm padrinhos em palácio escaparão, e os que os não têm morrerão.
56
A inclinação mais natural, mais viva e que mais fortes e profundas raízes tem lançado na natureza humana é o desejo ou apetite da glória.
50
A enfermidade mais geral de que adoecem as cortes, e a dor ou o achaque de que todos comummente se queixam, é de mal despachados. Em alguns se queixa o merecimento, em outros a necessidade, em muitos a própria estimação e em todos o costume. O benemérito chama-lhe sem-razão, o necessitado diz que é crueldade, o presumido toma-o por agravo e o mais modesto dá-lhe o nome de desgraça e pouca ventura.
35
Dizem que os que governam são espelho da república: não é assim, senão ao contrário. A república é o espelho dos que a governam. Porque assim como o espelho não tem acção própria, e não é mais que uma indiferença de vidro, que está sempre exposta a retratar em si os movimentos de quem tem diante, assim o povo, ou república sujeita, se se move, ou não se move, é pelo movimento ou sossego de quem a governa.
39
Os estados não tratam de reputação, senão da utilidade.
50
Nenhum homem há que falando de glória diga o que ela é, senão o que não é; enfim, que falando de glória todo o homem mente.
51
É a esperança um composto de desejo e confiança: com a vontade, deseja e com o entendimento, confia.
57
Não há maior tormento no mundo que o esperar: nem pode haver maior empenho no mundo que o ser esperado. Quem se sujeitou a esperar sacrificou-se à maior pena; quem se sujeitou a ser esperado arriscou-se à maior empresa.
64
Mais dá quem despreza o que espera que quem dá o que possui.
53
Os governos são para fazer bem com o pão próprio, e não para acrescentar os bens com o pão alheio.
36
Nos pecados de ministros, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana nem divina que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há incapacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.
59
Tanto são maiores finezas quanto mais ocultas, porque fazer o benefício e esconder a mão, assim como é maior generosidade, assim é maior fineza.
51
A fortuna nunca iguala os desejos dos homens.
44
Não basta ver para ver, é necessário olhar para o que se vê.
57
Por onde começa a natureza, há-de começar a graça, a qual não é segura na idade varonil, se não trouxe as disposições desde a infância. Naquela idade tenra e branda se imprime fácil e solidamente o que na robusta e dura mais fortemente se resiste do que se recebe.
65
Vemos que todo este mundo é vaidade, que a vida é um sonho, que tudo passa, que tudo acaba, e que nós havemos de acabar primeiro que tudo, e vivemos como se fôramos imortais, ou não houvera eternidade.
39
Não é de maravilhar que se vejam tantas coisas feitas sem entendimento e contra todo o entendimento, pois os que se ocupam, ou são ocupados nelas, não meditam no que devem.
56
Fazer mais ostentosa a dignidade do que ela é em si é afectar fortunas; e, se lográ-las é motivo para a inveja, afectá-las é estímulo para o ódio.
48
Quando as dores são iguais, sentem-se todas; quando uma é maior, suspende as outras.
57
Ainda que seja muito segura, muito firme e muito bem fundada a esperança é um tormento esperar.
53
Quem fez o que devia devia o que fez; e ninguém espera paga de pagar o que deve.
61
O bem ou é presente, ou passado, ou futuro: se é presente, causa gosto; se é passado, causa saudade; se é futuro, causa desejo.
50
Quem busca o desengano tarde não se desengana.
33
Se o fundamento dos erros humanos é o efeito natural de serem os homens, bem se segue que nenhum homem se pode livrar desta pensão da humanidade, por douto e sapientíssimo que seja.
49
Ou indo ou estando, ou caminhando ou parados, todos sempre com igual velocidade passamos.
45
Debalde se endireita o tronco depois de torcido, e mal se pode abrandar depois de duro.
48
De um erro nascem muitos, e sobre fundamento tão errado nunca houve edifício certo.
58
A razão por que não achamos o descanso é porque o buscamos onde não está.
55
O verdadeiro e desinteressado amor entre os que se partem, ou ficam, mais atende às felicidades de quem se parte, para alegrar, que às saudades de quem fica, para enternecer.
67
As cidades com ferro se defendem e não com ouro.
56
Não ver nada é privação; ver uma coisa por outra é erro.
20
Tanta é a conexão que tem a infâmia com a culpa. Ainda no mais inocente ou a supõe, ou a causa, porque a calúnia, antes de infamar, é testemunho do que não foi, mas depois de ter infamado é profecia do que há-de ser.
51
O certo é que sem dinheiro se não há-de fazer coisa alguma; se com ele se há-de fazer ou não, é contingente.
26
Quem tem muito dinheiro, por mais inepto que seja, tem talentos e préstimo para tudo; quem o não tem, por mais talentos que tenha, não presta para nada.
57
Isto é o que fazem todos os escritores, severíssimos com os defeitos alheios e benigníssimos com os próprios, como pais, enfim.
68
Nenhuma coisa deste mundo pára ou permanece, todas passam.
46
A ciência dos erros alheios é fácil, se se examinam sem ódio nem interesse; a dos erros próprios é muito difícil, porque sempre os julgamos subornados do próprio amor.
65
Quem pede justiça a quem tem por ofício fazê-la pede requerendo, e quem pede a dívida a quem está obrigado a pagá-la, pede demandando.
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