Citações
Citações para inspirar e refletir
Uma das ignorâncias que tira o merecimento ao amor é não conhecer quem ama a quem ama. Quantas cousas há no mundo muito amadas que, se as conhecera quem as ama, haviam de ser muito aborrecidas!
69
O amor tem a satisfação no coração próprio e não nos olhos alheios.
31
O espelho primeiro foi instrumento do conhecimento próprio, e depois do amor-próprio, que é a raiz de todos os vícios.
42
Perdi amigos por não querer ser inimigo. Mas pouco se perde em perder tais amizades quando se ganha o conhecê-las.
41
O querer parecer muito e intentar subir mais só topará consigo mesmo.
43
Em todas as outras coisas, o deixar de ser é sinal de que já foram; no amor, o deixar de ser é sinal de nunca ter sido.
45
O amor fino não busca causa nem fruto.
44
Se a ausência, com efeito tão contrário a si mesma, em vez de dividir uniu as pessoas, também, em vez de esfriar, acendeu o amor.
25
O amor pesa-se na balança da paciência: padecer menos é amar menos; padecer mais é amar mais.
58
Todos fora felicidade antever: os felizes para a esperança e os infelizes para a cautela.
52
O amor sempre é amoroso, mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes amoroso e forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta os extremos mais distantes; enquanto amoroso e forte, divide os extremos mais unidos.
48
O amor não é união de lugares, senão de vontades; se fora união de lugares, pudera-o desfazer a distância, mas como é união de vontades não o pode esfriar a ausência.
43
O amor e o ódio ambos sentenceiam sem vista, um porque a não tem e outro porque a não dá.
19
Se o diminuir no amor é descrédito, também é descrédito o crescer. Quem diz que ama mais desacredita o seu amor, porque, ainda que o crescer seja aumento, é aumento que supõe imperfeição. Amor que pode crescer não é amor perfeito.
39
O amor essencialmente é união, e quanto mais une ou procura unir os que se amam, tanto maiores efeitos tem, e tanto maiores afectos mostra de amor.
54
É a ingratidão com o amor como o vento com o fogo; se o fogo é pequeno, apaga-o o vento; se é grande, acende-o ainda mais.
49
Em todos os parentes o amor é acidente que se pode mudar; no amigo fiel é essência, e por isso imutável.
50
Oh!, que perfeito, Oh!, que divino, Oh!, que ditoso modo de amar! Amar com igualdade no amor, porque o mesmo coração é o que ama: e amar sem dúvida na correspondência, porque o mesmo coração é o que corresponde: antes o mesmo amor em unidade recíproca é amor e correspondência juntamente; porque não podiam os amores ser dois quando os amantes se tinham transformado em um.
39
No amor dos homens, em que o ciúme se reputa por fineza, um amor leva sempre por condição dois aborrecimentos; porque quando amam é com condição que nem vós haveis de amar a outrem, nem outrem vos há-de amar a vós.
52
Quem hoje se atreveu ao criado amanhã se atreverá ao senhor.
26
A propriedade da quantidade é poder-se sempre dividir e a propriedade do amor é querer-se sempre dar todo.
59
Quem quiser apurar os quilates do amor toque o amor do que se ama com o amor do que se deixa, e logo conhecerá quão fino é.
43
O amor acredita-se no supérfluo: quem ama pouco contenta-se com o que basta: quem ama muito contenta-se com o que sobeja; e quem ama mais que muito nem com o que basta nem com o que sobeja se contenta, ainda sobe mais, ainda passa mais adiante.
47
De muitos contam as histórias que morreram porque amaram; mas porque o amor foi só a ocasião, e a ignorância a causa, falsamente lhe deu a morte o epitáfio de amantes. Não é amante, quem morreu porque amou, senão quem amou para morrer.
52
O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunicação, a ingratidão tira-lhe o motivo.
40
Não há dúvida de que, assim como da parte da ingratidão foi o maior excesso a que podia chegar a fereza humana, assim da parte do amor foi o maior extremo com que a podia corresponder a benignidade divina.
54
Tantos trabalhos, tantos cuidados, tantos desvelos, tantas diligências, tantas negociações, tantos subornos, tantas lisonjas, tantas adorações, tantas indignidades, tanto atropelar a razão, a justiça, a verdade, a consciência, a honra e a vida! E porquê? Por alcançar a vaidade de um posto, de um lugar, de um título, de um nome, de uma aparência.
42
O tempo e a ausência combatem o amor pela memória, a ingratidão pelo entendimento e pela vontade.
55
Quem padece muito pelo que muito ama, a sua cruz é a sua glória.
45
Amar e não ser amado é o maior tormento; ser amado e não amar é a maior injustiça.
54
Assim como o amor só com amor se conquista, assim não há amor tão forte, ou tão fortificado, que se não renda a outro amor.
53
Amor mais fino que o amor dos bem-aventurados é abrir o coração e fechar os olhos. (...) Os outros bem-aventurados amam com o coração aberto e com os olhos abertos: mas os serafins que os vencem no amor amam com o coração aberto e com os olhos fechados.
52
As coisas não começam do princípio, como se cuida, senão do fim. O fim porque as empreendemos, começamos e prosseguimos, esse é o seu primeiro princípio, por isso, ainda que sejam indiferentes, o fim, segundo é bom ou mau, as faz boas ou más.
41
O alheio é uma pírula do Inferno: ouro por fora, mas inferno por dentro, porque ninguém come o alheio que não trague o inferno juntamente.
51
Amai-vos uns aos outros é muito forte para nós: o mais que podemos fazer, dentro da imperfeição humana, é suportarmo-nos uns aos outros.
52
Os outros lugares, quanto mais altos, tanto menos segurança têm, e a sua mesma altura é o prognóstico certo da sua ruína.
48
Os fantasmas também sofrem de visões: somos nós...
55
A poesia não se entrega a quem a define.
52
As acções generosas, e não os pais ilustres, são as que fazem fidalgos.
17
Não consiste a destreza do cavaleiro só em saber correr, senão em saber parar.
61
Quem quer mais do que lhe convém perde o que quer e o que tem.
52
As acções de cada um são a sua essência.
12
Os afectos da nossa alma, se são extremamente intensos, ateiam-se pela vizinhança ao corpo, chegando o corpo a padecer por enfermidade o que a alma padece por sentimento.
46
Mais aptos e capazes são dos grandes lugares os que pretendidos os recusam que os que ambiciosos os pretendem.
52
É tão grande o sabor do alheio, é tal a doçura e suavidade do que se furta, que até pão e água, se é furtado, é manjar muito saboroso.
43
A vista dos bens alheios cresce o sentimento dos males próprios.
47
O Sol pode fazer dias longos: dias grandes só os fazem e podem fazer as acções.
63
Não há altura neste mundo que não seja precipício. Todo o lugar mais alto que os outros está sempre ameaçando a própria ruína, sem outra causa ou culpa que o ser mais alto.
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