Citações
Citações para inspirar e refletir
Mais dificultoso é ganhar pouco com pouco que muito com muito.
47
Não crer é ter o entendimento cego e obstinado; crer uma coisa e obrar outra é totalmente não ter entendimento.
53
Onde há muito em que eleger não pode haver pouco sobre que duvidar.
49
O maior bem, ou o único bem, que têm as supremas dignidades do mundo é serem um degrau sobre o qual se levanta mais a virtude.
65
Não pode haver modo melhor de conhecer a desigualdade das forças que medindo-as.
56
Deixem todos de ser o que eram, para se fazerem o que devem; desfaçam-se todos como devem, tornarão a ser o que eram.
91
A maior miséria da vida humana (outros dirão outra) eu digo que é não haver neste mundo de quem fiar.
63
A dor moderada solta as lágrimas, a grande as congela e as seca. Dor que pode sair pelos olhos não é grande dor.
66
Se as dores inconsoláveis podem ter alguma consolação e alívio, é a semelhança ou companhia de outrem que as padeça iguais.
59
A eternidade e o desejo são duas cousas tão parecidas que ambas se retratam com a mesma figura. Os Egípcios nos seus hieróglifos, e antes deles os Caldeus, para representar a eternidade pintaram um O: porque a figura circular não tem princípio, nem fim; e isto é ser eterno. O desejo ainda teve melhor pintor, que é a natureza. Todos os que desejam, se o afecto rompeu o silêncio e do coração passou à boca, o que pronunciam naturalmente é O.
57
No erro secreto em que se não perde a honra, facilmente se sujeita a própria opinião à verdade, mas no público e censurado, em que a honra se perde, ou ela defende o erro, ou o erro a defende a ela contra a mesma verdade conhecida.
49
Luz é o entendimento, porque aclara a sua verdade; e, se com a cegueira da vontade o consultarmos, embaraçadas se vêem sempre as primeiras resoluções, e sempre das segundas instâncias experimentamos melhorados os acertos.
54
Que paga maior para o coração honrado que ter feito o que devia? Quanto fizestes o que devíeis, então vos pagaste.
65
A mesma causa quando é moderada e quando é excessiva produz efeitos contrários; a luz moderada faz ver; a excessiva faz cegar; a dor que não é excessiva rompe em vozes, a excessiva emudece.
79
Quaisquer meios são mortos se não forem activamente postos em acção por vivos e fortes instrumentos aptos para operar.
63
Quem não dá todos os dias do ano não dá o ano, dá partes dele somente.
47
Quanto o bem desejado está mais vizinho, tanto é maior o desejo.
54
A dignidade não se introduziu no mundo senão para abrigo daqueles que a não logram.
47
Nenhuma coisa desengana a quem quer enganar-se.
64
As batalhas mais invencíveis são as do entendimento, porque onde as feridas não tiram sangue, nem a fraqueza se vê pela cor, nenhum sábio se confessa vencido.
48
O merecimento da esmola não consiste em que a comam aqueles para quem a dais, senão em que vós a deis para que eles a comam.
50
Nenhum segue mais leis que as da conveniência própria. Imaginar o contrário é querer emendar o mundo, negar a experiência e esperar impossíveis.
24
Tanto mais fácil é unir distâncias e vontades que casar opiniões e entendimentos.
45
Mais facilmente se passa de um extremo ao outro que do meio ao extremo. É o meio nas matérias da perfeição, como nas da política, em que as resoluções meias são as piores, porque não atam nem desatam. Também a neutralidade é meio; e pior é a profissão de neutral que a de inimigo declarado.
81
É costume nesta terra matarem os homens nas gazetas e avisos públicos ou secretos, quando não querem ou não podem vingar-se de outra maneira.
54
Como em todas as matérias controversas, dizer o já dito é supérfluo, assim (...) dizer o que ainda não esteja dito é dificultoso.
66
Quando é verdadeiro benefício a obra boa? Quando quem a faz sabe que a perde e, contudo, a faz.
41
Sem conselho nenhuma cousa façamos; porque nenhum homem é tão sábio que não esteja sujeito a errar.
55
Quem ri atenua e alivia os males; quem chora os crescenta e faz mais sensíveis e pesados; quem ri mostra que são dignos de zombaria; quem chora prova que são dignos de lástima; quem ri por exemplo e por simpatia move a rir; quem chora por exemplo e com razão ensina a chorar; porque, se os meus males são tais que movem a contínuas lágrimas aos outros, quanto mais os devo eu chorar, pois os padeço?
62
Não pode haver maior cegueira, nem mais cega, que ser um homem cego e cuidar que o não é.
53
Uns se conservam pelo que foram, outros pelo que são.
56
O que se não pode calar com boa consciência, ainda que seja com repugnância, é força que se diga.
45
É de direito natural que ninguém seja condenado sem ser ouvido.
52
É muito mais dificultoso o contentar que o remir.
63
Vencer é avantajar-se, competir é medir-se.
50
Tal como disse Santo Agostinho, a consciência é necessária para nós, e a fama para os outros; mas não só para os outros, senão também para nós, porque, se perdermos a fama, também perderemos a consciência.
56
Oh! Quanta diferença há entre as apreciações do mais sapientíssimo, filosofando de longe sobre coisas distantes, e as de outro menos douto que, de perto, na sua presença, vê as coisas como elas são.
74
Sabeis porque vos querem mal vossos inimigos? Ordinariamente é porque vêem em vós algum bem que eles quiseram ter, e lhes falta. A quem não tem bens ninguém lhe quer mal.
50
O que desigualou o poder pode-o suprir a arte; o que errou a mesma arte pode-o emendar a fortuna; mas o que se intentou sem conselho, ainda que o favoreça o caso, nunca é vitória.
57
Onde há diferença de pessoas há diferença e distinção de bens; onde há diferença e distinção de bens há também diferentes fins e diferentes interesses; e estes são os que perturbam a luz e corrompem a pureza dos verdadeiros conselhos.
59
Porque assim o furto, como o adultério, tem por objecto o alheio: o adultério, a mulher alheia; o furto, a fazenda alheia; e assim como o tomar a mulher alheia é adultério de torpeza, assim o tomar a fazenda alheia é o adultério da cobiça.
56
Se todos os bens do mundo são vaidade, como podem ser verdadeiros bens? E, já que lhes concedemos o nome de bens, se todos causam aflição do ânimo, como podem ser bens sem mistura de males?
48
Enquanto os conselhos se não dão à execução, por mais conselhos e por mais decretos que haja ainda se não tem dado princípio a nada.
50
Muito mais custa o requerimento que o merecimento. Para o merecimento basta batalhar com um inimigo; para o requerimento é necessário batalhar com um cento de ministros, que as mais das vezes não são amigos.
53
A união que ao princípio do matrimónio eram cadeias de ouro, continuadas as faz o tempo de ferro.
51
Nem todos os preceitos ou conselhos são para todos os tempos e para todas as ocasiões, ainda que os homens que os hão-de seguir e executar sejam os mesmos.
50
Quem tem bens, assim como é certo que há-de ter inimigos, assim é certo que pode fazer bem.
60
Antigamente era coisa mui prezada ter um conselheiro de Estado para saber um segredo, agora se compra tudo isto com um vintém.
49