Citações
Citações para inspirar e refletir
O mais desconcertante da morte é quando a gente descobre que alma não tem sexo.
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A falta de imaginação, a mesmice, é uma coisa tão cômoda, afinal... Como faz bem certificarmo-nos mais uma vez de que o cachorrinho de cada velhota sempre se chama Joli e que em toda cidadezinha desconhecida em que desembarcamos há sempre um Grande Hotel.
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De cada dois gambás que a gente encontra, um é porque não tem mulher e o outro porque tem.
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O verdadeiro epicurista embriaga-se com um copo d’água. O verdadeiro poeta faz poesia com as coisas mais simples e corriqueiras deste e dos outros mundos.
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O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
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O mais triste, naqueles filmes de antigamente, era que o mocinho escapava de tudo, menos do happy end...
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O maior desmemoriado que existe é o crente. Ele jamais se cansa de ouvir a mesma história. E sempre esquece os mesmos mandamentos.
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Ter a idade da pessoa com quem se fala.
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A verdade é que os bichos, quando imitam pessoas, perdem toda a dignidade.
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Leitor ideal, mesmo, é o que, quanto menos entende, mais admira. Se não fora essa claque providencial, o que seria dos autores herméticos? Não seria... Não porque sejam uns farsantes, uns e outros. Eles são assim. Já nasceram assim. Uns para os outros.
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O mais difícil, quando se escreve em prosa, é evitar as rimas e, quando se escreve em verso, achar uma rima.
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— Não te lembras dos bons velhos tempos em que a gente lia os cardápios da esquerda para a direita? Agora, somos todos árabes, uns verdadeiros árabes, minha filha!
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Todas as antigas civilizações — por mais isoladas umas das outras, no tempo e no espaço — sempre começaram descobrindo três coisas: a poesia, a bebida e a religião.
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Mas o mais infiel dos animais domésticos é o guarda-chuva.
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Os girassóis parecem flores de retórica.
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Quem bebe por desgosto é um cretino: só se deve beber por gosto.
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Deus nos promete a vida eterna, mesmo porque, se não fôssemos nós, o que seria dele? Um Deus dos hipopótamos, das aranhas, das lagartixas?
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Eu não sou eu, sou o momento: passo.
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Toda cheia de bandeirolas e lanternas chinesas, Dona Briolanja atravessa o grupo amorfo dos transeuntes; parado na esquina, eu lhe ofereço a metade de uma laranja.
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Preocupar-se com a salvação da própria alma é indigno de um verdadeiro gentleman.
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O bom das filas é nos convencerem de que afinal esta pobre vida não é tão curta como dizem.
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O azul-celeste só fica bem no céu, e o cor-de-rosa na rosa.
48
O tempo é um ponto de vista dos relógios.
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Camarada impulsivo que morre cedo.
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Nunca me senti bem nas salas de estar, Salas de estar... Mas de estar o quê?
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— Meu Deus — disse uma vez o meu velho e querido amigo, ao ler os convites de enterro no jornal —, eu não conheço mais nem os defuntos!
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As biografias dos grandes homens são feitas de absurdos, estão cheias de acontecimentos incômodos, que atravancam tudo. A vida deles lhes acontece de fora para dentro. Muito mais interior, mais natural, mais humana é a tua vidoca, anônimo leitor, que és o herói sem história do quotidiano. Se pudesses, se soubesses contar-me a tua vida, eu tiraria dela muito mais proveito do que da vida de Napoleão.
41
Esse verso de pé quebrado que atravessa a página de um lado a outro, como um pobre cachorro estropiado...
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A vantagem das japonesas é que, quando se tornam mães, continuam a brincar com bonecas.
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No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Tudo é volúpia...
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Os ônibus anunciam dentifrícios, depilatórios, tônicos, etc. As lojas anunciam liquidações. Os muros anunciam candidatos. Os letreiros luminosos anunciam refrigerantes, pneus, o diabo... E quando, enfim, numa última tentativa de fuga, a gente ergue os olhos para o céu sereno, os Céus anunciam a Glória do Senhor.
28
A bomba abriu um belo buraco no teto, por onde o céu azul sorri para os sobreviventes.
47
Pousou agora mesmo — precisamente sobre a velha caneta que eu havia erguido um momento à cata de um adjetivo — um insetozinho verde que tem a forma exata de um escudo. Veio da noite, atraído pela luz da minha janela. Sua gentil visita me compensa não sei de quê. Fico a examiná-lo em silêncio: nada posso nem sei dizer-lhe. E assim nos quedamos por um breve instante, frementes, incomunicáveis e juntos... Dois universos dentro do mesmo mundo.
54
Antes de escrever, eu olho, assustado, para a página branca de susto.
42
Há gente que tem raiva dos clássicos, por terem sido obrigados a conhecê-los. Eu tenho pena deles, porque não nos conhecem.
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Os chinelos são um par de gêmeos obedientes, sempre juntinhos ao pé da cama, pacientemente à espera do papai, que às vezes custa tanto a chegar.
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Teus olhos são duas joias! — disse o Conde Drácula para a meninazinha. Eram mesmo duas joias: de um azul-inocência, até parecia que o céu estava olhando neles para a gente... O Conde suspirou e despediu-se da linda menina com uma palmadinha amigável. — Pois como seria possível — desculpava-se ele naquela mesma noite com o seu amigo Frankenstein —, como seria possível, com dois olhinhos só, fazer um par de abotoaduras?!
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Eva era mulher para principiantes?
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Uma rãzinha verde no gris da manhã... Um sorriso na face de um ceguinho... Uma nota aguda como uma pergunta de criança... Um cheiro agradecido de terra molhada... Um olhar que nos enche subitamente de azul...
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No princípio, era a Poesia. No cérebro do homem só havia imagens... Depois, vieram os pensamentos... E, por fim, a Filosofia, que é, em última análise, a triste arte de ficar do lado de fora das coisas.
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Ah, nunca vi ninguém esconder-se tanto, como os bichinhos-de-conta, quando os roubávamos, de baixo dos vasos, à terra cheirosa e úmida: eles enrolavam-se e rolavam, nas palmas de nossas mãos — limpinhos; isentos, ilesos — até que a gente os depusesse, novamente, no chão, com um meticuloso carinho.
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É preciso escrever um poema várias vezes para que dê a impressão de que foi escrito pela primeira vez.
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Os macróbios são macróbios porque não acreditam em micróbios.
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As lagartas não podem acreditar na lenda das borboletas — tão antiga entre o seu rastejante e esforçado povo... mas sua felicidade consiste em relembrar, às vezes, o absurdo e maravilha desse velho sonho: o de se transformarem, um dia, em borboletas.
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— Como vai você aí, vizinho? — Oh! em excelente estado de putrefação.
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Pensar nos leitores — ou num determinado leitor prejudica a naturalidade, de sorte que a única maneira de um autor não fazer pose é escrever para ninguém. E muito menos para si mesmo.
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O mais difícil na morte é acomodar-se a gente aos novos hábitos.
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O mais revoltante nas touradas é que os touros não são aplaudidos quando saem vencedores.
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