Citações
Citações para inspirar e refletir
Mover-se com a máxima amplitude dentro dos próprios limites.
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Ontem, quando procurava recordar qual a sequência dos Dez Mandamentos, não consegui ao menos lembrar-me de todos eles. O Diabo sorriu amarelo. Estava garantido o meu lugar no Céu.
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Não há que exagerar, nem na beleza. Há mulheres que, de tão belas, parecem que têm cara postiça. Serão robôs? Ou talvez visitantes de outro mundo? A sua perfeição lhes tira a humanidade. Jelena Trubova, mulher aliás nada difícil e que morreu no bombardeio do Hotel Shangai pelos anos 30, queixava-se de que a sua beleza afugentava os homens. Os quais preferiam sair tranquilamente com as outras, cujo encanto não ultrapassava o trivial.
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Sempre que o homem conquista a certeza de alguma coisa: redondeza da terra, heliocentrismo, etc., ele acaba por se chatear soberanamente e, passando por cima das esfinges mortas, parte em busca de novos enigmas, de novas dúvidas, ante a indiferença das pedras, das velhas comadres e das estrelas.
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Un sonnet sans défaut, c’est le crime parfait. [Boileau — Art Poétique
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Com essa leitura dinâmica, decerto nem chegarão a me enxergar... Que sobrará de mim eu que só escrevo para os que gostam de ler nas entrelinhas? Que escrevo, como bem sabem os meus fregueses, apenas para os gulosos, e jamais para os glutões.
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Mas felizes, felizes esses peixinhos de aquário: pensam que o seu universo é infinito.
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E chegará um tempo em que os militares inventarão um projétil tão perfeito, mas tão perfeito mesmo, que dará volta ao mundo e os pegará por trás.
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Fui ver o Satiricon , de Fellini. Uma coisa espantosa! Aqueles antigos romanos estavam quase como nós...
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Nada tão fácil como assassinar hoje em dia uma mulher. Pode ela gritar que nem uma heroína de telenovela. Os vizinhos pensarão que é isso mesmo.
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Ah, nem queiras saber... A vida é preciosa como um pão roubado!
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Naquele tempo não sabíamos, mas se a gente se sentia tão bem lá dentro do circo era porque o seu amplo toldo formava um universo fechado — só para nós.
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Não pode haver a menor dúvida a respeito. O ovo é a mais perfeita forma da Criação. Mas como dói!
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Havia na minha terra um orador popular que terminava assim os seus discursos: “Pois, como disse Ruy Barbosa...” — e lá vinha para cima da gente com uma frase que ele tirava do próprio bestunto. É claro que todo o mundo aplaudia.
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Nós vivemos a temer o futuro; mas é o passado quem nos atropela e mata.
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Dizem que a época das vedetes já passou... Será? Mas quando nos livraremos desses filmes que estão sempre levando em todos os cinemas e cuja personagem principal é a cama?
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Estranho animal, o escriba, que lhe não basta ver, sentir... mas é-lhe preciso escrever isso tudo e outras coisas, para só então mais intensamente viver. Daí, o seu ar de sobrevivente. De quem ao mesmo tempo está e não está aqui. E, ao encontrar-te, ele sempre te estende a mão como em despedida, já com saudades de agora.
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Ah! essas eternas rosas de Malherbe.
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Clair de lune , chiaro de luna , claro de luna ... mas os franceses, os italianos e os espanhóis saberão mesmo o que seja o luar, que nós bebemos de um trago numa palavra só?
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Será do tempo? Será do quê? Os meus sapatos rincham, os meus sapatos cantam de alegria. E eu vou andando e aguardando cá de cima — que o seu oculto motivo chegue afinal até meu coração.
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A vida? Pode ser que seja um sonho. A poesia, não. A “possessão poética” não tem sentido passivo. É o mesmo que no palco: um ator, para bem desempenhar o papel de ébrio, deve estar inteiramente sóbrio.
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... um anjo depenado...
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— Mas que quer dizer “interlocutor”? Eu só conheço os locutores...
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O dia passa, a vida continua. E os que pensam que a vida muda com o gosto devem pensar também que o corpo se transforma com as modas.
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As rimas ricas acabaram morrendo por falta de recursos. Havia algumas que só eram quatro, o estritamente necessário para os dois quartetos do sonetista. Outras, nem isso... pobre do Emílio de Menezes! Creio que foi a mesma rimatite que esfrangalhou irremediavelmente os nervos de Edmond Rostand. Mas esse, ao menos, conseguiu executar soberbamente os seus números. E — acreditem — não morreu de entorse. Veio a morrer de tanto tour-de-force. Sob o aplauso entusiástico das arquibancadas.
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As múmias são indigestas, mas em compensação os recém-nascidos não têm o mínimo teor alimentício.
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A gente adoece, mesmo, é de nome feio recolhido.
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Um orador deveria limitar-se ao essencial. Especialmente nesses discursos de banquete — os quais teriam, todos eles, o texto seguinte: “Minhas senhoras e meus senhores. Tenho dito.”
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Nada se perde; tudo muda de dono.
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Sempre que o convidavam a uma casa, perguntava-lhes se podia ir com outra pessoa. Combinado! Deixava então os outros conversarem à vontade, enquanto ele fingia que estava escutando.
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Teus silêncios são pausas musicais.
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O que há de mais espantoso na moda é que até os filósofos ela faz desfilarem pela sua oscilante passarela. Primeiro foi o Sartre, depois o Marcuse — lembram-se? — e agora — quem é que não sabe? — é o MacLuhan. Pobres filósofos... Qual será a próxima vítima? Até parece que cair nas garras da moda é o primeiro passo para o esquecimento. Mas não exageremos: às vezes essa velha entremetteuse engana-se e acerta por acaso.
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A “boa ação do dia” predileta dos Anjos da Guarda é fazer os gambás atravessarem o tráfego maluco: quando estes se dão conta, já estão do outro lado...
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Depois que fez a máquina dos mundos, Nosso Senhor espantou-se muito: “Ué! Será que eu consegui descobrir o moto contínuo?”
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Creio que foi Nietzsche que disse que o homem foi feito para guerrear e a mulher para dançar para o guerreiro. Ora! É muito mais humano este meu, este nosso ideal burguês: o homem foi feito para comer e a mulher para servi-lo à mesa.
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Cineastas, romancistas, psicólogos e outros psis — como se preocupam eles com o problema da solidão! Por quê? O único problema da solidão consiste em como preservá-la.
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Chocante, o caso da minha geração: é, em geral, a história de um menino que nasceu e foi criado numa casa de intolerância.
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O que estraga as viagens, agora, é o seu rápido destino: de repente já estás em Pequim... Benditos, mil vezes benditos aqueles carrosséis que ensinaram aos meninos de meu tempo a pura alegria de viajar!
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Somente nunca sai da moda quem está nu.
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As damas gordas não devem usar vestidos estampados, para não se repetir o que aconteceu certa vez, quando um senhor sentou no colo de uma delas, pensando que fosse uma poltrona.
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Os homens que se dedicam ao golfe são os que não jogaram bolita quando meninos.
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Com a intensificação incessante da poluição sonora — revelou-me a Sibila de Delfos — não está longe o dia em que aparecerão nos jornais anúncios como este: “Dr. Praxedes, especialista em surdificação, compromete-se dentro em seis meses a deixá-lo imune às descargas automobilísticas, aos ruídos infernais do doce lar, à música pop, a determinados programas de TV.”
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Ultrapassar-se? Mas como?! A gente só se ultrapassa, mesmo, quando vai para o outro mundo.
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... mas por que também não são multados esses motociclos policiais que, nas rodovias, perseguem os motoristas por excesso de velocidade?
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Digam o que disserem, mas a Lua continua sendo o LSD dos poetas.
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O que têm de bom as nossas mais caras recordações é que elas geralmente são falsas.
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Um elefante caiu do teto.
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Contra o céu de chumbo, aquelas árvores desesperadamente verdes!
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