Citações
Citações para inspirar e refletir
Os extrovertidos são julgados normais. Quanto aos introvertidos, chegam a submetê-los a tratamento. Mas para curá-los de quê? De não poderem ser chatos, como os outros?
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A memória é um sótão atravancado de objetos inúteis, onde tanto desejaríamos encontrar aquelas coisas perdidas que — de tão perdidas — já nem sabemos mais. O que sejam...
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Um poema que, ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.
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A maior conquista do pensamento ocidental foi o emprego das reticências...
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Costumava-se distinguir entre creação e criação. Exemplo: a creação de um poema, a criação de galinhas. Era limpo e nítido. Nada de confusões. Mas agora que tudo é um, como diziam os clássicos, ficou irremediavelmente perdido o que escrevi, um dia: “Deus creou o mundo e o diabo criou o mundo.” E agora? Para explicar tudo isso em mais palavras o que seria um verdadeiro crime — imaginem os circunlóquios que eu teria de fazer... Não faço!
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Uma definição apenas define os definidores.
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... esse gosto ao mesmo tempo resignado e desesperado que tem o vinho com rolha afundada.
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As pulgas saltam tanto porque também têm pulgas.
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Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir — até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.
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Pílulas das mais variadas cores, cada uma para as diversas horas do dia. Isso não quer dizer que os curasse, não. Mas sempre dava algum colorido às vidas desses pobres velhotes.
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As que ocultam o rosto quando choram é para disfarçarem que estão rindo.
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Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necrópsia.
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A vista de um veleiro em alto-mar remoça a gente no mínimo uns cento e cinquenta anos.
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O estilo muito ornado lembra aqueles antigos altares barrocos, tão cheios de anjinhos que a gente mal conseguia enxergar o santo.
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Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus, que eu me sentia perdoado para sempre não sei de quê.
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Um dos motivos que me fazem acreditar em nossa origem extraterrestre é que o homem é o único animal que aprecia olhar os incêndios.
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Não era a maçã que estava a cair de madura, mas a lei da gravitação.
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Não sei pensar a máquina. Escrevo, isto é, faço o meu trabalho criativo primeiramente a lápis. Depois, com o queixo apoiado na mão esquerda, repasso tudo a máquina com um dedo só. — Mas isto não custa muito? — Custar custa, mas dura mais.
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Ó céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o Céu?
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Mas esses letreiros luminosos não seriam muito mais belos se fossem escritos em chinês?
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Falam muito no Sono Eterno. Sempre falaram, aliás... E daí? Daí, só uma coisa me impressiona, e muito: a ameaça de uma Insônia Eterna.
52
Um cachorro serve para a gente falar sozinho. Que o digam esses errantes vagabundos, a quem pode faltar tudo, menos um cachorro. E essas velhinhas que ficaram sem família. E os meninos que nunca tiveram infância.
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Oh! todo o sossego e lucidez das madrugadas, quando o último grilo já parou seu canto e ainda não se ouviu o canto do primeiro pássaro.
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O mais triste nas praias de verão é que nos assemelhamos a um bando de focas tropicais.
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São muitos os que morrem antes, outros depois; o difícil é acertar a hora.
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Um ruído assusta o cheiro do jasmineiro.
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A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.
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Não, esta luz não me engana. É como se houvessem acendido de repente um fósforo no escuro: a chama arde, bruxuleia, morre... Chama que pode durar uns poucos anos, como nós. Ou milhões e milhões de anos, como o mundo. Mas sempre chama, sempre uma pobre chama efêmera.
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E esses que evitam cuidadosamente os “quês” (parece que o toque de caixa foi dado pelo velho Castilho) o que estão, afinal, é desossando este nosso rude e doloroso idioma... Um idioma durão!
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Os clássicos escreviam tão bem porque não tinham os clássicos para atrapalhar.
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Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.
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Nas cidades de puro cimento, onde a palavra “folha” é menos que um fantasma, só o vento nos resta... Meu Deus! e se tu fizesses agora mais uma das tuas mágicas — ao menos para colorir o vento!
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Cuidado! deves tocar a campainha tão suavemente como se tocasses o umbigo da dona da casa.
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O gato é preguiçoso como uma segunda-feira.
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Conviver toda a existência com alguém sem nunca lhe dar a entender que ele perdeu há anos uma perna ou que perdeu um dia a cabeça.
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— Mas por que falar em poesia concretista? Diga-se “concretismo”, apenas, e estará ressalvada a poesia.
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A curva é o caminho mais agradável entre dois pontos.
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No verão dá cupim na cabeça da gente. Cupim ou caruncho? Será a mesma coisa? Não sei. Nem vou saber agora. Verão é isso mesmo: preguiça de procurar palavras no dicionário.
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O mais espantoso nos velhos é a sua falta de pressa, como se eles dispusessem de todo o tempo que teriam os moços se não tivessem tanta pressa.
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Não é por me gabar, mas nunca pude rir das situações ridículas. Nem há nada mais triste neste mundo. Porque o ridículo é a tragédia sem grandeza. Esses maridos que saem a passear os lulus das patroas.
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Certo dia me disse um chinês: — Há gente que procura fazer as coisas da maneira mais complicada possível. Cristóvão Colombo, por exemplo. Até hoje não atino por que seria que ele pôs um ovo de pé.
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A indiferença é a mais refinada forma da polidez.
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Le Penseur de Rodin... coitado... nunca se viu ninguém fazendo tanta força para pensar!
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Todas as amadas chamam-se Maria.
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A saudade que dói mais fundo — e irremediavelmente — é a saudade que temos de nós.
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Boates, toaletes, quitinetes, ateliês, e assim por diante... E como essas palavras, universalmente usadas, ficam difíceis de reconhecer... E trotoar, como é possível fazer trotoar? Ah, trottoir... agora sim! E depois, se vamos aportuguesar desse modo todas as palavras estrangeiras, a gente acaba perdendo o pouco de cultura que ainda tem.
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O que há de irritante numa goteira é que ela parece sempre estar dizendo: me conta, me conta... assim como quem diz como uma louca: me penteia, me penteia, me penteia os meus cabelos.
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Às vezes, nos dias calmos, apenas se nota uma leve ondulação na relva: são os cavalos do vento que estão pastando.
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