Citações
Citações para inspirar e refletir
Nasci no ano da descoberta do gás neon. Alguns leitores, diante disto, compreenderão a inocuidade de mais esclarecimentos.
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O mais revoltante nas touradas é que os touros não são aplaudidos quando saem vencedores.
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Conhecer o mundo não adianta nada: as viagens apenas complicam a ignorância.
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Os macróbios são macróbios porque não acreditam em micróbios.
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Não se devia permitir nos relógios de parede esses ponteiros que marcam os segundos: eles nos envelhecem muito mais que o ponteiro das horas.
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Quando a gente aperta o umbigo das crianças mortas, suas alminhas se espremem de riso lá no Céu.
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Pensar nos leitores — ou num determinado leitor prejudica a naturalidade, de sorte que a única maneira de um autor não fazer pose é escrever para ninguém. E muito menos para si mesmo.
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As lagartas não podem acreditar na lenda das borboletas — tão antiga entre o seu rastejante e esforçado povo... mas sua felicidade consiste em relembrar, às vezes, o absurdo e maravilha desse velho sonho: o de se transformarem, um dia, em borboletas.
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As velhinhas bonitas são passas de uva.
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A única estátua equestre admissível seria a de Lady Godiva.
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Viajar é mudar o cenário da solidão.
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Dizem eles, os pintores, que o assunto não passa de uma falta de assunto: tudo é apenas um jogo de cores e volumes. Mas eu, humanamente, continuo desconfiando que deve haver alguma diferença entre uma mulher nua e uma abóbora.
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Ah, essas pequenas coisas, tão quotidianas, tão prosaicas às vezes, de que se compõe meticulosamente a tecitura de um poema... talvez a poesia não passe de um gênero de crônica, apenas: uma espécie de crônica da eternidade.
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Um santo homem que, na sua humildade, se fez pecador, porque achava que não merecia o Céu.
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O poemaessa estranha máscaramais verdadeira do que a própria face...
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Falam em decadência da arte de escrever. Mas isso que por aí se vê, essa imprecisão, essa desconexão, é tudo um simples gráfico do espírito do autor. Não me venham, porém, dizer que ele não tem estilo. Tem-no, e muito seu. O estilo continua sendo o homem. Crise de estilo não existe. O que existe é crise de pensamento.
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Shakespeare. Nunca lhe passou pela cabeça o receio do ridículo. Em contrapartida, Racine, com a sua infalível mésure é que nos parece às vezes afetado. O que jamais acontece com Shakespeare, apesar de todos os pesares.Como os grandes homens da História estão acima do bem e do mal, os grandes poetas estão acima do bom e do mau gosto.
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Eles consideram a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade e o Cristo do Corcovado entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno — sem a mínima desconfiança de que poderia ser o contrário.
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Sento-me à mesa. Quem sabe? Quem se senta, se tenta... 60, 70, escrevo, arredondando caprichosamente os zeros. E o burro do papel me fica incompreensivelmente olhando, na espera inútil dos 80. O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação. Continua, apenas, olhando-me: vazio, mais quadrado do que nunca. Porque o papel é uma janela que, em vez de a gente espiar por ela, ela é que espia para a gente.
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Como seriam belas as estátuas equestres se constassem apenas dos cavalos!
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Ah, nunca vi ninguém esconder-se tanto, como os bichinhos-de-conta, quando os roubávamos, de baixo dos vasos, à terra cheirosa e úmida: eles enrolavam-se e rolavam, nas palmas de nossas mãos — limpinhos; isentos, ilesos — até que a gente os depusesse, novamente, no chão, com um meticuloso carinho.
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O hipopótamo é um bruto sapatão afogado.
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Os versos, em geral, são versos de embalar, como eu às vezes os tenho feito, não sei se por simples complacência... ou pura piedade.Contudo, os verdadeiros versos não são para embalar — mas para abalar.Mesmo a mais simples canção, quando a canta um Garcia Lorca, desperta-te a alma para um mundo de espanto.
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As águas riem como raparigasà sombra verde-azul das samambaias.
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— Mas aquelas mocinhas lá embaixo, naquela sala grande, não estão rezando?— Não, meu santo, estão mastigando chiclete.
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“O curioso é que, nessa mesma época, desapareceram, súbita e misteriosamente, os vestidos de cauda, os iguanodontes e as sobrecasacas.”
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Quem bebe por desgosto é um cretino: só se deve beber por gosto.
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Acabaram-se os bondes amarelos... A frase me saiu em decassílabo, viste? E o metro clássico já faz adivinhar um soneto. Ficou neste verso único.E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental. Aqui. Parado. Sonhando.Quem sabe se um dia...
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Os lugares-comuns são cômodos como sapatos velhos. Facilitam a vida, estreitam relações, evitam desconfianças e desentendimentos. E depois, se não fossem os lugares-comuns, o que seria dos oradores de banquetes, dos oradores de palanques comemorativos?
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Sonhar é acordar-se para dentro.
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No Tempo da Era usava-se esta gostosa expressão pra cima do interlocutor: “Diz isso cantando!” Quando alguém resolve musicar alguma coisa que a gente escreveu, não será mais ou menos isso o que acontece?
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O fato é um aspecto secundário da realidade.
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A bomba abriu um belo buraco no teto, por onde o céu azul sorri para os sobreviventes.
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Não deveria caber a um poeta o extrovertido e saltitante encargo de Relações-Públicas. E sim de Relações íntimas. Isto é, comunicação... a sós.
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O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
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É preciso escrever um poema várias vezes para que dê a impressão de que foi escrito pela primeira vez.
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Cansado da sua beleza angélica, o Anjo vivia ensaiando caretas diante do espelho, Até que conseguiu a obra-prima do horror. Veio, assim, dar uma volta pela Terra. E Lili, a primeira meninazinha que o avistou, põe-se a gritar da porta para dentro de casa: “Mamãe! Mamãe! Vem ver como o Frankenstein está bonito hoje!”
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Herodes ordenou a matança dos inocentes e no entanto o único culpado escapou.
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Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco... Não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.
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Não sabias? As nossas mortes são noticiadas como nascimentos pela imprensa do Outro Mundo.
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— Como vai você aí, vizinho?— Oh! em excelente estado de putrefação.
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Copio e assino esta frase encontrada no velho Schopenhauer: “A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa da sua capacidade mental.”
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O Doutor Dogmático ajeitou os nasóculos. E decretou: “Meus senhores e minhas senhoras, ilustrados agentes da Censura e demais entidades aqui representadas — como acabei de vos provar, a fantasia está morta.”E fez um gesto definitivo.Porém com tamanha infelicidade o fez que, da ponta de cada dedo espetado no silêncio do ar poluído, brotaram-lhe inesperadamente flores súbitas. E nenhuma parecia deste mundo.(Faltam pormenores.)
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Da influência do estilo Cantinflas em nossa crítica doutrinária.
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Naquele tempo não sabíamos, mas se a gente se sentia tão bem lá dentro do circo era porque o seu amplo toldo formava um universo fechado — só para nós.
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O dia passa, a vida continua. E os que pensam que a vida muda com o gosto devem pensar também que o corpo se transforma com as modas.
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Estranho animal, o escriba, que lhe não basta ver, sentir... mas é-lhe preciso escrever isso tudo e outras coisas, para só então mais intensamente viver. Daí, o seu ar de sobrevivente. De quem ao mesmo tempo está e não está aqui. E, ao encontrar-te, ele sempre te estende a mão como em despedida, já com saudades de agora.
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A incessante inauguração do mundo era sempre aos sábados, à tarde — quando se abria o pesado portão dos internatos antigos.
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