Citações
Citações para inspirar e refletir
A gente deve atravessar a vida como quem está gazeando a escola e não como quem vai para a escola.
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Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.
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Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.
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Basta havermos lido Dostoiévski e Tolstoi (como fizeram todos os da minha geração) para não duvidar de que o povo russo é profundamente religioso. Nós, não. E por isso mesmo jamais poderíamos cair, como eles, por transferência, na implacável mística do ateísmo. Eles são fanaticamente ateus. Nós não somos fanaticamente religiosos. Moral da História: o trunfo é nosso.
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Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor da sua idade.
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Famoso precursor da Thalidomida.
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Os verdadeiros crimes passionais são os sonetos de amor.
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E eis que, depois de longos, longos anos, encontrei o Amigo. E vi que ele, com esse mesmo material dos anos, havia construído a sua vida... No entanto, através daquele muro caiado e sólido, como descobrir agora a voz antiga, o sorriso bom do Emparedado? Dele, só restava o nome como numa lápide.
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O estilo é uma dificuldade de expressão.
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Bombom rançoso.
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Numa destas minhas tábuas, falei há tempos de como nos assemelhávamos, os robôs e nós. Eles, com as suas inevitáveis conexões de sinais; nós com as nossas (inevitáveis) associações de ideias. Exemplo: sempre tive horror a lentilhas. Pelo seu gosto? Qual! Só por causa daquele malfadado texto bíblico...
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“Mas, meu caro, isso de partir para o Rio é que é provincianismo!”
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Esses que vivem religiosamente se embasbacando ante o espetáculo das inatingíveis estrelas — nunca lhes terá ocorrido acaso que também fazem parte da Via Láctea?
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Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
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Toda a noite os grilos fritam não sei quê. A madrugada chega, destampa o panelão... a coisa esfria.
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O velho mendigo que neste momento acaba de encontrar num monte de sucata a lâmpada de Aladino — tão amassada, tão enferrujada e de feitio tão esquisito — eis que ele a abandona e leva em vez dela uma útil chaleira. Uma chaleira sem tampa, digo eu, para os que gostam de pormenores. E não é esta a primeira vez que o acaso, inocentemente, assim estraga uma bela história.
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Os espíritos verdadeiramente religiosos são os que andam e desandam pelas encruzilhadas da Dúvida. Os que atingem a certeza param, satisfeitos. E a certeza, como lá diz o mestre Augusto Meyer no seu Tratado de Metapatafísica, a certeza faz engordar. Exemplo: Santo Tomás de Aquino.
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Vício solitário.
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Não sou desses que um dia pensam uma coisa e no outro dia pensam outra coisa muito diferente. Eu penso as duas coisas ao mesmo tempo. Duas ou mais. Não tenho culpa de ser ecumênico.
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A teologia é o caminho mais longo para chegar a Deus.
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Mas você ainda não pensou como seriam esplêndidos os filmes de Chaplin se interpretados por outro?
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Repara como o poeta humaniza as coisas: dá hesitações às folhas, anseios ao vento. Talvez seja assim que Deus dá alma aos homens.
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Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem ambas na casa do Presente, quando deviam estar, é lógico, uma na casa do Passado e a outra na do Futuro. Quanto ao Presente — ah! — esse nunca está em casa.
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— What is a name? — já indagava o Poeta. Um nome serve, em última instância, para uma lápide. Ou para uma estátua, geralmente equestre. E a melhor fase da vida — a mais natural — é quando os pais ainda não escolheram um nome para a gente.
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Livrar o povo dos demagogos, sim... Mas como livrar Deus dos teogogos?
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Nosso Senhor não tem o mínimo senso de humor: leva tudo a sério... Com ele não se brinca.
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Quando, enfim, apareceu o Abominável Homem das Neves montado no Monstro de Lochness, já era tarde para eles. Bem feito! Quem lhes mandou serem tão misteriosos assim? Eles pensavam que ainda eram notícia. Nem isso: eram apenas famosos.
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É tal a sua pressa de comunicação que eles se esquecem de aprender primeiro a expressar-se.
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E quando um acidentado acorda, perplexo, no Outro Mundo, e indaga dos Anjos que horas são, muito mais perplexos ficam os Anjos.
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A recordação é uma cadeira de balanço embalando sozinha.
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Se dependesse das mães, não haveria guerras! Mas as filhas preferem os soldados.
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Há leitores que acham bom tudo o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
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Os “burgueses” desprezam o pobre e o pária social, sentimento esse que Chaplin levou longe demais ao transformá-lo num palhaço — o Carlitos.
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Essa pancada que bate isolada em plena insônia e que interrogativamente alonga a sua sílaba única — ahn — é como se o próprio relógio, no escuro, estivesse indagando que horas são...
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Filosofia forçada.
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Um dueto de Ópera não te dá a impressão de namoro de gato?...
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Prefiro ser alvo de um atentado a ser alvo de uma homenagem: um atentado é mais expedito e não tem discurso.
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Sempre achei que a semente de onde germina todo verdadeiro poema é uma interjeição. Isto é, um sentimento muito elementar, instintivo. Mas um sentimento, sempre. O eterno romantismo! E depois disto, minha filha, hás de sair dizendo por aí que o nome feio é a forma mais espontânea da poesia.
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O trabalho é a farra dos velhos.
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Os quadros são janelas abertas para o outro mundo deste mundo.
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Assim devia ser a relação de autor para leitor: uma face nua num espelho límpido. Mas é tão difícil... Ou a face está mascarada ou o espelho embaciado.
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Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.
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O bom dessas grandes civilizações é que um dia elas se acabam e tudo começa novamente.
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Essa mania de ler sobre autores fez com que, no último centenário de Shakespeare, se travasse entre uma professorinha do interior e este escriba o seguinte diálogo: Que devo ler para conhecer Shakespeare? — Shakespeare.
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Atenção! O luar está filmando.
58
Maneira exagerada de apreciar o seu semelhante.
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E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: “A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância.”
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Li apenas duas vezes a obra de Cesário Verde. Dele me ficaram dois versos, duas suaves assombrações que, de longe em longe, atravessam, por um momento, minha memória distraída: “os querubins do lar flutuam nas varandas...” “enleva-me a quimera azul de transmigrar...” Dois versos, direis que é pouco para uma obra inteira, de toda uma vida! Há poetas que se contentam com um busto em praça pública.
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