Citações
Citações para inspirar e refletir
— Você ainda não leu O significado do significado ? Não? Assim você nunca fica em dia. — Mas eu estou só esperando que apareça O significado do significado do significado .
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Eis que descubro um retrato meu, aos dez anos. Escondo, súbito, o retrato. Sei lá o que estará pensando de mim aquele guri!
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Não deves acreditar nas respostas. As respostas são muitas e a tua pergunta é única e insubstituível.
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Não é só no homicídio que o problema consiste em ocultar ou sonegar o cadáver; sempre nos vemos em igual contingência diante da morte natural. Vivo a sonhar o dia em que os necrológios comecem assim: “Evaporou-se o Sr. desembargador Dioclécio Fagundes.” Ou então: “Volatilizou-se, na madrugada de hoje, a gentil senhorita Celeste Pereira Pinto.” Sim, porque um dia se hão de inventar umas pílulas por assim dizer eterizantes, que nos tornarão de súbito inteiramente solúveis no ar...
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A coisa mais solitária que existe é um solo de flauta.
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Não há quem não reconheça como a voz faz parte de uma personalidade. Imagine-se que horror a Greta Garbo falando com uma voz de falsa grã-fina carioca.
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Eu só te poderia dar uma noção do nada se não tivéssemos nascido. Agora é tarde, é muito tarde, minha filha... Ah, deliciosamente tarde!
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Como todos os indivíduos profundamente sentimentais, acontece que tenho verdadeiro horror ao sentimentalismo verbal. Daí, certos toques de “humour” nos meus poemas. Uns toques de impureza, pois. E na verdade te digo que poeta puro, mesmo, “na santidade da sua nudez”, só mesmo a Cecília Meireles. A nossa Cecília que, a 9 do mês de novembro em que escrevo estas linhas, faz exatamente cinco anos que não morreu.
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Foi no meio da rua. Uma parada. Um abraço. O outro perguntou-lhe: — Para onde vai o senhor? — Para o outro lado.
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Não, não tenhas escrúpulos: se, alta noite, meteres uma bala no ouvido, os vizinhos pensarão — polidamente — que foi apenas um pneu que estourou.
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O verão é um senhor gordo sentado na varanda e reclamando cerveja. O inverno é o vovozinho tiritante. O outono, um tio solteirão. A primavera, em compensação, é uma menina pulando na corda.
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O tema é um ponto de partida para um poema e não um ponto de chegada, da mesma forma que a bem-amada é um pretexto para o amor.
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O poema é um objeto súbito: Os outros objetos já existiam.
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Esse olhar sonhador com que as mulheres saem do cinema onde a heroína do filme sofreu uma curra.
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Havia um tempo em que o céu mirava-se nos meus olhos e não meus olhos no azul do céu, o que não é nenhuma novidade, porque todo o mundo já passou por essa fase: só tem que nem todos se lembram.
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São Tomé — que, como todo o mundo sabe, foi o precursor da dúvida cartesiana — jamais perdeu a obsessão das verdades palpáveis e por isso foi parar no Inferno. Ora, os mais infelizes dentre os infernados são os arrependidos e um destes censurou tristemente a Tomé: — Viste? Só de teimoso tu perdeste o Céu. E Tomé: — O Céu? Não sejas doido... Só existe o Inferno!
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O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.
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A verdadeira couve-flor é a hortência.
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Conheci uma moça meio biruta, que era um encanto. Dizia coisas. Certa vez saiu-me com esta: “O cristal é mais frágil porém muito mais sincero que o bisquit.” Foi assim mesmo que ela disse, sem pausa e sem pontuação: tinha uma frase cantante e ininterrupta como conversa de vento. Um encanto, repito. Seria biruta, mesmo?
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— Os Anjos existem? — Devem existir, por certo, em vista da insistência com que aparecem em meus poemas.
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Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí... Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!
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O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.
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A beleza de um verso não está no que diz, mas no poder encantatório das palavras que diz: um verso é uma fórmula mágica.
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Ainda há gente que, por preço nenhum, se animaria a entrar num cemitério à noite. Bobagem. Somente no Dia de Finados é que exsurge dentre aqueles mármores um que outro fantasma. E mesmo esses poucos não prestam a mínima atenção a qualquer vivente — tão ocupados se acham eles em limpar do limo suas próprias lápides, em roubar de outros defuntos algumas flores para as dispor artisticamente ao pé de seus túmulos esquecidos.
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Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.
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O meu amor é belo como um barco!
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Essa fúria de limpeza que ataca periodicamente as donas de casa não será por acaso uma lavagem de consciência culpada?
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As épocas de transição nunca foram idades de ouro, séculos de ouro. São apenas épocas de arame. Que a gente tem de atravessar como o bamboleante fio estendido de um lado a outro do circo. E isto, note-se bem, sem rede de segurança. (Lá embaixo, na arena, estão rugindo as feras.)
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Cruzeiros, Carros, até a Ursa, a maior e a menor, a Cabeleira de Berenice, a Lira, a Balança, o Cão... quanta bobagem descobriram no Céu esses astrônomos birutas! Eu, de ignorante, quando olho o Céu, não vejo nada disso. Apenas vou traçando o teu nome com as estrelas.
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Ah! esses vizinhos habilidosos que estão sempre consertando coisas, martelando coisas, nas horas mais insólitas, enquanto eu me acho entregue apenas a este silencioso vício: a leitura.
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O verdadeiro inventor da leitura dinâmica é esse numeroso público acostumado a ler os letreiros nas telas cinematográficas. Eis um dos motivos por que sou contra a dublagem dos filmes. Tirar aos aficionados do cinema a sua costumeira leitura relâmpago é fazer sabotagem à campanha do Mobral — pois abriríamos as salas de projeção exatamente a esses a quem se deveria convencer, antes de tudo, de que o analfabetismo é uma porta fechada.
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A primeira esquina, encontro uma cara oca, uma cara sem cara... O melhor, o melhor é voltar, o quanto antes, para o quarto. Com o máximo cuidado de não olhar, acaso, para o espelho.
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Vi uma guriazinha vindo pela calçada, de pé no chão, e arrastando, preso a uns cordéis, o seu par de sapatos. Eles a seguiam que nem dois cachorrinhos. Uma verdadeira “hippie” — mas ainda em estado de puro lirismo.
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A vida está cheia de interferências indébitas, de acasos estúpidos, de personagens errados que travam conosco desencontrados diálogos de surdos, a vida está atravancada de pormenores inúteis, a vida parece um romance malfeito!
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“O que se há de fazer com um país onde mãe é nome feio?” Creio que foi Rubem Braga que disse isso um dia. Não disse tudo. Se ele fosse eu, com certeza diria: “O que se há de fazer com um país onde mãe é nome feio e poeta é apelido?”
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Desconfio muito que, nos dias de nevoeiro, os fantasmas aproveitam para passear incógnitos pelas ruas...
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Bem que eu desejaria entender tanto de poesia como certos críticos, mas aí, então, não conseguiria fazer um único verso...
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Com a adição de mais um dia nos anos bissextos — esse indesejado 29 de fevereiro — a gente sempre desconfia que na verdade foi vítima de uma subtração.
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Qual a essência do cômico? Um homem de perna de pau nos deixa indiferentes, polidamente indiferentes. Mas três homens de perna de pau andando juntos na rua... Essa não! Por que estás rindo?
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A dor de ver esses pobres Cristos tão maltratados. Principalmente pelos escultores!
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Também me lembro que quando eu era gurizote e briguei mais uma vez para sempre com a Gabriela, deixei-a ali na praça (era domingo, depois da missa) e fui passar pela sua casa, pela sua calçada, pela sua rua.
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A sensação póstuma com que folheamos essas revistas atrasadas na sala de espera dos consultórios médicos.
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Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
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Os cirurgiões têm olhos de odaliscas...
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As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho.
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Uma das coisas que não consigo absolutamente compreender são os que se convertem a outras religiões. Para que mudar de dúvidas?
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Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.
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Dizeis que tudo é amor e eu vos direi que a fome é tudo; tanto assim que o verbo comer, na insondável sabedoria do povo, também significa possuir carnalmente.
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