Citações
Citações para inspirar e refletir
Amor, quantos crimes se cometem em teu nome!
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Na mala que nem o Anjo da Guarda, nem o Delegado do Distrito, nem eu mesmo consigo encontrar, está a minha imagem única, fechada a chave — e a chave caída no fundo do mar! Não adianta chamar escafandro, nem homens-rãs, nem a sereia mais querida, nem os atenciosos hipocampos, nada adianta. E, por falar em querida, jamais se viu um crime tão perfeito: — Não existem vestígios de mim.
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Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.
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Esse tic-tac dos relógios é a máquina de costura do Tempo a fabricar mortalhas.
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As dentaduras expostas nas montras de artigos protéticos parecem dentaduras de antropófagos.
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Confesso que até hoje só conheci dois sinônimos perfeitos: “nunca” e “sempre”.
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— Manuela é nome de mulher de sapo — sentencia Lili. E não adianta perguntar por quê. — Todo o mundo sabe...
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Palavra! Não sei qual a vantagem daquele guri que descobriu que o rei estava nu. Faltava-lhe imaginação — dom exclusivo da criatura humana e signo da sua realeza. Os animais não progridem por falta de imaginação. E eu só perdi minha indiferença congênita às ciências exatas no dia em que ouvi falar nas geometrias não euclidianas.
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Há enredo e enredo. O enredo puramente anedótico e um outro mais sutil, feito de não sabemos o que, mas que nos prende com uma rede invisível. Nos contos de Tchekov, às vezes parece que não aconteceu nada... Aconteceu apenas a vida!
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“negras flores que se abrem sob a chuva...”
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Cinco minutos depois que todas as nações do mundo decretaram mobilização geral, houve a imobilização geral.
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O que há de mais tocante nesses infindáveis carreiros de formigas é que elas parecem umas formiguinhas...
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A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
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O público ledor é tímido: confunde altissonância com gênio: a imensa voga que teve na América um Vargas Villa e, na Europa, um D’Annunzio... Ninguém mais escuta esses megafones. E por aquela mesma época, pelo menos no Brasil, o público adorava quem escrevia difícil. Ninguém mais lê Coelho Netto, é verdade. Mas para quê? Surgiram outros...
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A presunção — tão desculpável e divertida nos moços — é o mais certo sinal de burrice nos velhos. O verdadeiro fruto da árvore do conhecimento é a simplicidade.
45
Os eremitas deixavam apenas as más companhias pela má companhia.
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A admirável arte poética de Paul Geraldy e Guilherme de Almeida... Mas, pelo visto, a arte da poesia para eles era uma arte de cantar mulher.
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Adeus, ó gentes da comunicação em quadrinhos! Adeus... eu voltarei ao mundo quando vocês tiverem redescoberto a escrita.
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A Art poétique de Boileau, sim... mas que extraordinária Arte da Prosa.
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— Os monstros têm olhos azuis...
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Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópoles, existe — quem é que não viu? — aquele cartaz... De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio — até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos — estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra. E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!
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É uma borboleta amarela? Ou uma folha que se desprendeu e que não quer tombar?
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Venezianas que não sejam verdes são um revoltante crime contra a natureza.
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Esses que se debruçam no parapeito de uma ponte têm vocação suicida. Apenas vocação. São uns suicidas crônicos.
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E eis que, de todo aquele espantoso terremoto de Nicarágua, sobrou, como sempre, o poeta Rubén Darío.
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Inexplicavelmente, uma lagartixa na parede do banheiro. Deixá-la! Como não poupar aquele bicharoco que, ao nos pressentirmos um ao outro, ali ficou subitamente imóvel, com a elegância decorativa de um broche?
41
Empapuçado, balofo, os olhos fixos de preocupação, ele mais parece um velho burguês que passou a noite na farra.
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No meu quebra-cabeça de hoje acabo de descobrir este admirável conceito: “Intervalo quadrado entre os triglifos de um friso dórico.” Paciência!, não te direi o que seja... E é melhor assim. O mistério faz parte da beleza.
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A noite dorme um sono entrecortado, alfinetado de grilos.
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Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
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O que eu mais adoro, depois da precisão, são os expletivos.
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Para as nossas cidades metálicas, que melhor ornamentação que os cactos? Se não por outros motivos, já bastava o seu próprio nome — cacto — tão adequadamente cacofônico.
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Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco por aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.
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“Ah! que la vie est quotidienne!” — ainda se queixa às vezes, debaixo da minha cama, o poeta Jules Laforgue. Digo debaixo da minha cama porque ele já foi outrora meu poeta de cabeceira... e é ali mesmo que ele está morando com outros fantasmas — agora que as casas não têm mais porões. Nem queiras, velho poeta esquecido, vir dar uma olhada a este nosso mundo. Como sempre, novidades, mesmo, não existem: só existem modas.
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Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão somente dos espelhos. A coisa em si, nunca: a coisa em ti. Um pintor, por exemplo, não pinta uma árvore: ele pinta-se uma árvore. E um grande poeta — espécie de rei Midas à sua maneira —, um grande poeta, bem que ele poderia dizer: — Tudo o que eu toco se transforma em mim.
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Não, não foi por humor negro que pus no que leste acima o título de Conto Azul. Costumamos pintar sempre de azul tudo o que se passou nos nossos quinze anos — talvez por um instinto de compensação. Mas a infância, ó poetas, não é mesmo azul? Quanto a mim, eu venho há muito desconfiando de que a infância é uma invenção do adulto. E o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima... A memória tem uma bela caixa de lápis de cor.
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E o que mais me encantava em Gabriela é que ela usava o meu nome como ponto e vírgula.
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Senhor! Que buscas Tu pescar com a rede das estrelas?
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Primavera?! A primavera, entre nós, é uma licença poética.
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Pobre se engasga com cuspe.
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Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo... Sim, ele poderá convencer alguém da sua angelitude — mas que trabalheira!
15
Seremos fatalistas? Não sei, há uma coisa no entanto que dá para desconfiar... Tenho lido notícias, e até verbetes de dicionários biográficos, impregnados do mais puro fatalismo. Com frases assim: “no dia 31 de julho, tomou um avião para morrer em...” Talvez não passe de mero cacoete de estilo. E quero crer que o próprio S. F., se acaso se desse a esse trabalho, emendaria abespinhado: — Eu não tomei o avião para morrer; eu tomei o avião e morri!
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Certa vez, tinha eu quinze anos, inventei uma história que principiava assim: “A primeira coisa que fazem os defuntos, depois de enterrados, é abrirem novamente os olhos.” Mas fiquei tão horrorizado com essa espantosa revelação que não me animei a seguir avante e a história gorou no berço, isto é, no túmulo.
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E um dia os homens descobriram que esses discos voadores estavam observando apenas a vida dos insetos.
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A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
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A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.
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No fim a gente acaba descobrindo que até a imaginação tem um teto. E muito baixo até. Agora, só me contentaria um livro de ficção científica escrito por um habitante de Sírius.
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Uma associação de rimas é tão legítima como uma associação de ideias. E mais imprevista, sim. Nem me venham com essa de que não há nada mais previsível do que uma rima. Deem-se as mesmas rimas a diferentes poetas e de cada poeta brotará um poema diferente. Agora, se o rio do poeta não for lá muito piscoso — que culpa tem o anzol?
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