Citações
Citações para inspirar e refletir
Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura: — Ah! sim, um lepidóptero.
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O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferente deles. Cultivemo-los pois, com o maior carinho — esses nossos benditos defeitos.
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— Mas há as compreensivas. — Ah! essas são muito piores!
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... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira. E por isso é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, com toda a sinceridade, as coisas mais opostas. Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
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“Ah, os egípcios! Ah, os etruscos! Ah, os gregos!” Mas essa nossa atitude ante os que nos precederam de milênios é, no fundo, um tanto protetora, não acham? É como se disséssemos: “Meu Deus, como eles eram precoces!”
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Dentro das atuais coordenadas do espaço e do tempo, aqui nos vamos equilibrando sobre este fio de vida... Que rede de segurança, pensamos nós, cheios de esperança e medo, que rede de segurança nos aparará?
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Mas só Deus — que é único, que não tem par — poderia dizer o que é a solidão.
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A vida brota. E é toda olhos. Cada gota contém a luz do mundo. E cada cálice é uma boca ávida. A tua mão — fechada em maldição — abre-se em concha, agora...
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Tenho pena da morte — cadela faminta — a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável.
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Se eu amo a meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?
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Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.
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Amigo é a criatura que escuta todas as nossas coisas sem aquela cara que parece estar dizendo: — E eu com isso?
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Ah, meu pobre Coronel Emerenciano, quem sois vós? Quem sois vós, Dona Maurília, Fernando Ivo? Altamirando Barbosa da Silva? Quem sois vós, com todos esses inúteis cartões de visita deixados teimosamente em cada esquina? Que vergonha, velhinhos... Essa coisa de a gente virar rua é uma forma pública de anonimato.
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Desconfio que essas frases históricas foram inventadas pelos historiadores, pois como poderiam os grandes homens ter tido, todos eles, aquele mesmo estilo de dramalhão?
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Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.
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O leão é um animal tão belo que ser devorado por ele é melhor do que ser devorado por um crocodilo... Diante da sua arremetida, bem sei que se pode morrer de puro medo... porém nunca de horror.
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O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
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O fantasma é um exibicionista póstumo.
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Se eu fosse um iluminado, com que habilitações poderia eu distribuir a minha carne e o meu sangue? Apenas diria aos discípulos famintos: — Eis aqui os meus ossos.
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Já se queixava São Paulo de que os atenienses só queriam razões. Bem sabia ele que as almas são ávidas de alimento muito menos dessangrado que um simples raciocínio. Mas nós, os gregos, continuamos em jejum...
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A esperança é um urubu pintado de verde.
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Competiria aos pais dessas crianças, não a nós, incutir-lhes o hábito das boas leituras. Ora essa! Mas se eles também não leem... Vivem eternamente barbinirizados pelas novelas da Televisão.
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Na verdade, a coisa mais pornográfica que existe é a palavra “pornografia”.
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A nossa própria alma apanha-nos em flagrante nos espelhos que olhamos sem querer.
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O progresso é a insidiosa substituição da harmonia pela cacofonia.
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Apenas, aqui e ali, uma janelinha de arranha-céu... Perdida... Enquanto, do fundo do único terreno baldio, um grilo insiste em transmitir, na sua frágil Morse de vidro, não se sabe que misteriosa mensagem às estrelas ausentes.
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Para algo existir mesmo — um deus, um bicho, um universo, um anjo... — é preciso que alguém tenha consciência dele. Ou simplesmente que o tenha inventado.
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O relógio de parede numa velha fotografia — está parado?
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As persianas, entrefechadas, deixam passar uma réstia de sol, onde zumbe uma mosca. Silêncio. Somente, na última prateleira, há um velho boião que diz: “Viva Dom Pedro Segundo!” — única nota exclamativa neste silêncio tecido (e não interrompido) pelo zum-zum da mosca em seu vaivém. Tudo é definitivo, tudo é tão agora que até o relógio, o velho bruxo, está parado.
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Decifrar palavras cruzadas é uma forma tranquila de desespero.
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Na volta da esquina encontrei um dragão. — Que belas escamas, senhor dragão! Que luminoso laquê! E as chamas que deitais por vossa goela têm o colorido e o movimento de um balé! E que padrão heráldico, Excelência, que... O dragão saiu se reboleando.
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Há anos venho procurando esta raridade bibliográfica: uma edição da Divina Comédia sem comentários. Raridade? Creio que nem existe maravilha assim.
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As ilusões perdidas é o título de um romance de Balzac. Um belo título. Luciano, o herói da história, as foi perdendo pouco a pouco. Por quê? Ele queria a glória... E, no fim de muitas páginas, não lhe sobrou coisa alguma. Bem feito! Quem pretende apenas a glória não a merece.
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Os cisnes, de tão elegantes, de tão heráldicos e serenos e decorativos, a gente acaba achando-os chatos como patos...
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Há certas coisas que não haveria mesmo ocasião de as colocarmos sensatamente numa conversa — e que só num poema estão no seu lugar. Deve ser por esse motivo que alguns de nós começaram, um dia, a fazer versos. Um modo muito curioso de falar sozinho, como se vê, mas o único modo de certas coisas caírem no ouvido certo.
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Sempre fui metafísico. Só penso na morte, em Deus e em como passar uma velhice confortável.
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Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.
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E há também esses lugares-comuns do paradoxo, que fazem a gente suspirar por uma honesta, uma repousante banalidade...
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Datilografia: escrita por batuque.
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Na volta da esquina encontrei a Esfinge. Petrifiquei-me. Ela me disse então, olhando-me nos olhos: — Devora-me ou decifro-te!
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Não há maior euforia, numa orquestra, como a dos pratos — tlin! tlin! tlan!!! — quando se vingam, enfim, do seu longo, do seu forçado silêncio.
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Os velhos espelhos adoram ficar no escuro das salas desertas. Porque todo o seu problema, que até parece humano, é apenas o seguinte: — reflexos? ou reflexões?
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No princípio era o Verbo. O verbo Ser. Conjugava-se apenas no infinito. Ser, e nada mais. Intransitivo absoluto. Isto foi no princípio. Depois transigiu, e muito. Em vários modos, tempos e pessoas. Ah, nem queiras saber o que são as pessoas: eu, tu, ele, nós, vós, eles. Principalmente eles! E, ante essa dispersão lamentável, essa verdadeira explosão do SER em seres, até hoje os anjos ingenuamente se interrogam por que motivo as referidas pessoas chamam a isso de CRIAÇÃO ...
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Mas que haverá com a Lua, que, sempre que a gente a olha, é com um novo espanto?
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O conforto, a higiene, sim... No entanto, um ranchinho de barro e sapé vai muito melhor com a paisagem. Um ranchinho de barro e sapé parece brotado da terra, faz parte da natureza, não contradiz as árvores e o céu. E é, também, tão humano...
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A linha casimiriana da poesia brasileira começou antes, em Tomás Antônio Gonzaga. É um regato límpido, por vezes interrompido aparentemente, mas que reponta sempre, quando tudo parecia perdido.
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Aquele astronauta americano que anunciou ter encontrado Deus na lua é no fim de contas menos simplório do que os primeiros astronautas russos, os quais declararam, ao voltar, não terem visto Deus no céu. Porque, se Deus é paz e paz é silêncio afinal, deve Ele estar mesmo muito mais na lua do que nas metrópoles terrenas. E, pelo que me toca, a verdade é que nunca pude esquecer estas palavras de um personagem de Balzac: “O deserto é Deus sem os homens.”
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As árvores podadas parecem mãos de enterrados vivos.
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