Citações
Citações para inspirar e refletir
Homens criativos podem fechar-se à impressão das criações alheias. Por isso, muitas vezes assumem uma atitude de rejeição ao mundo, embora não raras vezes sintam a sua imperfeição.
90
O humanitarismo é uma lavadeira que torce as roupas sujas da sociedade enquanto se desfaz em lágrimas.
74
Eles têm a imprensa, eles têm a bolsa de valores — e agora também o subconsciente!
78
Os filhos de pais psicanalistas definham precocemente. Quando crianças de peito, precisam admitir que têm sensações voluptuosas ao evacuar. Mais tarde lhes perguntam que ideias lhes vieram à mente quando viram um cavalo defecando no caminho para a escola. Podemos falar de sorte quando uma criança dessas atinge a idade em que o jovem pode confessar um sonho em que violou a sua mãe.
82
Boas opiniões não têm valor. O que importa é quem as tem.
89
O mundo está surdo das cadências. Tenho a convicção de que os acontecimentos absolutamente não acontecem mais, mas de que os clichés continuam a trabalhar automaticamente. Se, ainda assim, os acontecimentos devessem acontecer, sem serem intimidados pelos clichés, eles cessariam quando os clichés fossem destruídos. A coisa começa a apodrecer da língua. O tempo já cheira mal dos clichés.
78
Muitas vezes, a filosofia não é mais do que a coragem de entrar num labirinto. E quem se esquecer do portão de entrada, pode facilmente adquirir a reputação de pensador independente.
83
Mais de um já provou pelos seus imitadores que não é um original.
78
O imbecil que não pode passar diante de nenhum enigma do universo sem observar, desculpando-se, que se trata da sua humilde opinião, embolsa o elogio da modéstia. O artista que se deleita com os seus pensamentos junto a um bueiro, ufana-se.
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Porque tomo o pensamento pela palavra, ele vem.
73
Qualquer criança vê o progresso que vai do Taigeto à incubadora.
73
Há uma dúvida produtiva que vai além de um ultimato morto. Eu poderia encher cadernos inteiros com os pensamentos que pensei até chegar a um pensamento, e volumes inteiros com aqueles que pensei depois.
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Quanto maior o material associativo, tanto menor a capacidade de associação. Não se precisa mais material do que aquele oferecido pelo ginásio. Quem, por exemplo, procura a citação “Ninguém caminha impunemente sob as palmeiras” em Natã, o sábio , foi mais longe do que aquele que a encontra, com acerto, em As afinidades eletivas .
78
Uma certa psicanálise é a ocupação de racionalistas lúbricos que atribuem tudo no mundo a causas sexuais, exceto a sua ocupação.
102
Formação é aquilo que a maioria recebe, muitos passam adiante e poucos possuem.
76
Os psicólogos são perscrutadores do vazio e embusteiros da profundidade.
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Quando chegará o tempo em que se precisará informar no recenseamento o número de abortos feitos em cada casa?
71
Pessoas que beberam para além da conta para saciar a sua sede de conhecimento são uma praga social.
83
A arte do escritor não o deixa balançar sobre a corda bamba de um período bem esticado, mas transforma-lhe um ponto final num problema. Ele pode atrever-se ao insólito; cada regra, porém, dissolve-se para ele num caos de dúvidas.
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Há imitadores de originais. Quando dois têm um pensamento, ele não pertence àquele que o teve antes, mas àquele que o tem melhor.
85
O que vive do tema morre antes do tema. O que vive na língua vive com a língua.
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Que para o artista e para o pensamento valham o dito de Nestroy: “Fiz um prisioneiro e ele não me larga mais”.
75
O clichê é o peitilho engomado sobre uma mentalidade normal que nunca é trocada.
79
O senhor v. H. foi criticado por causa de uma frase ruim. Com razão. Pois descobriu-se que a frase era de Jean Paul e era boa.
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Comparada ao sabe-tudo, a enciclopédia tem uma vantagem: o orgulho. Ela comporta-se com reserva, fica à espera e nunca dá mais do que se quer. Ela contenta-se em responder quando Amenófis nasceu. O sabe-tudo folheia a si mesmo e logo informa também sobre as amebas, sobre o amperímetro, os anfictiões, a anfoterodiplopia, a amrita, que é a bebida dos deuses da doutrina hindu, os amschaspands, que são os sete espíritos de luz supremos da religião persa, o amschir, que como se sabe é o sexto mês do calendário turco, sobre o amuleto (do árabe hamala), sobre a amigdalina, a peculiar substância encontrada nas amêndoas amargas, que, misturada em solução aquosa com a emulsina (cf.), fornece ácido cianídrico, essência de amêndoas amargas e açúcar, e sobre a conhecida vela de acetato de amila, e é capaz de se interromper quando chega a Anaxágoras, justamente onde as coisas se tornam mais interessantes. E então ficamos insatisfeitos.
64
Opiniões são contagiosas; o pensamento é um miasma.
89
Um empregado de mesa é uma pessoa que usa um fraque sem que o percebamos. Em contrapartida, há pessoas que tomamos por empregados de mesa assim que vestem um fraque. Logo, o fraque não tem valor em nenhum dos casos.
93
Não ter pensamentos e ser capaz de os expressar — eis um jornalista.
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Por que a eternidade não abortou esta época aberrante? Sua marca de nascença é um carimbo de jornal, seu mecónio, tinta de impressão, e nas suas veias corre tinta de escrever.
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Propostas para que esta cidade volte a conquistar a minha simpatia: mudança do dialeto e proibição de reprodução.
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Posso imaginar que uma mulher feia se veja ao espelho e se convença de que a imagem refletida é feia, e não ela própria. É dessa forma que a sociedade vê a sua baixeza num espelho e acredita, por idiotice, que sou eu o sujeito baixo.
90
Toda espécie de educação tem o propósito de tornar a vida insípida, quer dizendo como ela é, quer dizendo que ela não é nada. Somos confundidos por uma alternância constante, esclarecem-nos para cá e acalmam-nos para lá.
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Quando alguém se comportou como um animal, ele diz: “Ora, eu sou só um ser humano!”. Mas quando é tratado como animal, ele diz: “Ora, eu também sou um ser humano!”.
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O que é um historiador? Alguém que escreve muito mal para poder colaborar num jornal.
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Já passei tantas vezes pela experiência de alguém partilhar a minha opinião e ficar com a metade maior para si que agora estou escaldado e só ofereço pensamentos às pessoas.
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Não acredito que uma avalanche de atos infames alguma vez tenha causado no mundo tanta indignação moral quanto a insubornabilidade do meu pensamento causou na cidade em que moro. Vi pessoas às quais nunca fiz mal algum explodirem ao me ver e se desintegrarem nos átomos da banalidade universal. Numa estação ferroviária, a mulher de um redator embarcou num compartimento particular de primeira classe, me viu e morreu com uma maldição nos lábios. E isso porque não faço uso de passagens gratuitas nos comboios, o que provavelmente é o menor dos meus defeitos. Pessoas cujo sangue é mais lerdo cospem quando me enxergam e seguem o seu caminho. Todas são mártires; defendem a causa comum, sabem que o meu ataque não se dirige às suas pessoas, mas à coletividade de que fazem parte. É o primeiro caso em que essa sociedade aleijada, que leva as lascas dos seus ossos envoltas em ataduras, cobra ânimo para fazer um gesto. Há séculos não se cospe mais quando passa um escritor. A humanidade acorre a Messina, e a estupidez sente-se solidária perante Die Fackel. Não há antagonismos de classe, a questão nacional cala-se e a Associação de Defesa do Antissemitismo pode descansar as mãos no colo ao falar. Estou sentado no restaurante: à direita, uma mesa de gente mal vestida que mete os dedos no nariz, ou seja, evidentemente deputados alemães; à esquerda, selvagens com barbas pretas que dão a impressão de que a crença na morte ritual, no fim de contas, tem algum traço de legitimidade, mas que certamente são apenas adeptos da política social que passam a faca pela boca à maneira dos carniceiros judaicos. Dois mundos, entre os quais aparentemente não há conciliação. Wotan e Jeová dirigem olhares hostis um ao outro — mas os raios do ódio unem-se sobre a minha humilde pessoa. O facto de ainda não ter ocorrido a um governo austríaco a ideia de me reclamar para o seu programa somente pode ser explicado pela desorientação fundamental dos governos deste país.
48
Que tormento é esta vida em sociedade! Muitas vezes alguém é tão amável em me oferecer fogo que preciso procurar um cigarro no bolso para ser amável com ele.
79
Talvez as coisas andassem melhor se os homens recebessem focinheiras e os cães, leis; se os homens fossem conduzidos pela coleira e os cães pela religião. A hidrofobia poderia diminuir na mesma proporção da política.
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Quando um pensador erige um ideal, todos gostam de se sentir tocados. Eu descrevi o sub-homem — quem deveria me seguir?
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Quando se teme a ordem de batalha da vida burguesa não se deveria agarrar a oportunidade e desertar para a guerra?
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Na arte, pode ser custoso distinguir a autenticidade do embuste. Reconhecemos o embuste, quando muito, pelo facto de exagerar a autenticidade. A autenticidade, quando muito, pelo facto de o público não se deixar enganar por ela.
89
O amor entre os sexos é um pecado na teologia, um acordo ilícito na jurisprudência e um insulto mecânico na medicina; quanto à filosofia, absolutamente não se ocupa de coisas desse gênero.
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Se o sexo tomasse parte apenas na reprodução, o esclarecimento sexual seria sensato. Mas o sexo também toma parte noutras funções; por exemplo, no esclarecimento sexual.
76
Antes alguém te perdoar pela baixeza que cometeu contra ti do que pelo favor que de ti recebeu.
54
O pintor tem em comum com o pintor de paredes o facto de sujar as mãos. Precisamente isso distingue o escritor do jornalista.
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Se causa deleite ao esteta o gesto com que alguém rouba cinco milhões do Tesouro Público, e ele afirma publicamente que a diversão que o escândalo traz aos “poucos apreciadores” tem mais valor do que o prejuízo total, então se deve dizer-lhe: Se o gesto dessa diversão é uma obra de arte, vamos ser generosos, e um milhão a mais ou a menos que o Estado perde não nos importa. Mas se isso se transforma num editorial, então a nossa sensibilidade social desperta e não damos nem cinco cêntimos pelo divertimento. Pois se a bancarrota do Estado se transforma numa obra de arte, o mundo faz um negócio com isso. Caso contrário, vamos perceber os efeitos no orçamento e condenar a estética popular que desculpa os ladrões sem indemnizar as vítimas do roubo.
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Ver o trabalho individual ser suplantado em toda parte pelo maquinal é algo que nos toca de maneira melancólica. Apenas os defloradores ainda andam por aí, de cabeça erguida, convencidos de serem insubstituíveis. Os cocheiros falavam exatamente assim há vinte anos.
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“Democrático” significa poder ser escravo de toda a gente.
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