Citações

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Citações para inspirar e refletir

Karl Kraus
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O austríaco por certo tem a sensação de que nada lhe pode acontecer porque a consciência de ter nascido num lugar condenado o protege de surpresas.
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Karl Kraus
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Uma aparência de profundidade surge com frequência pelo facto de uma cabeça rasa ser ao mesmo tempo uma cabeça confusa.
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Karl Kraus
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O escritor está aí para as pessoas? Para quando as noites se tornam longas? Vamos encurtá-las de outro modo! Contar-lhes mais alguma coisa? Algo empolgante antes que anoiteça completamente? Algo em fascículos? Estricnina e tortura! A noite é longa demais.
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Karl Kraus
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A cultura chega ao fim com a evasão dos bárbaros.
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Karl Kraus
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A carreira é um cavalo que chega sem cavaleiro diante dos portões da eternidade.
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Karl Kraus
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O que distingue Berlim de Viena ao primeiro olhar é a observação de que lá se consegue um efeito ilusório com o material mais desprovido de valor, enquanto aqui, na produção do kitsch, se emprega apenas material autêntico.
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Karl Kraus
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Na poesia épica há algo de superfluidade congelada.
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Karl Kraus
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Conheci um Don Juan da castidade cujo Leporello nem sequer era capaz de compor uma lista das mulheres inacessíveis.
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Karl Kraus
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Um lobo em pele de lobo. Um patife sob o pretexto de sê-lo.
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Karl Kraus
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A política engana-nos com valores germano-austríacos de simpatia. Mas, exceto por brindes e libretos, nada há que prove uma comunidade de espírito entre esses dois povos. Diplomatas e agentes teatrais empenham-se na aproximação. Os de fora ficam a saber então que há um reino misterioso em que Itzig e Janosch dão o tom, e estimam-nos pela subvenção de sangue hussardo e amor cigano que o dia de trabalho berlinense recebe. Um teatro chamado judaísmo, que flutua entre a Ringstrasse e a Unter den Linden, atesta e representa a nossa vida intelectual perante a Alemanha. Que diz a política sobre o facto de não haver livro que provenha da Áustria que não seja posto em música? A proveniência vienense é tão odiosa que só lhe são perdoados os produtos da imbecilidade e da patifaria. Por estes, pelo menos, reconhece-se a origem e admite-se a autenticidade. Mas que esforço sobre-humano custa impingir a literatura austríaca como presente a um vendedor ambulante! Que diz a política sobre o facto de Die Fackel, que há tempos luta por não ser mais notória na Áustria, depois de apenas dez anos começar a tornar-se o que é: um facto alemão?
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Karl Kraus
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Num retrato de verdade, precisamos reconhecer qual pintor representa.
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Karl Kraus
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As épocas morrem da gordura ou da magreza. A atual quer zombar da morte por meio de uma pobreza superalimentada.
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Karl Kraus
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O Diabo é um otimista se acredita que pode tornar os seres humanos piores.
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Karl Kraus
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O ódio deve tornar produtivo. Caso contrário, é mais sensato amar logo de uma vez.
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Karl Kraus
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Um original cujos imitadores são melhores não é um original.
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Karl Kraus
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Uma das doenças mais disseminadas é o diagnóstico.
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Karl Kraus
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Muitos têm a megalomania de ser loucos e são apenas cabeças-tontas.
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Karl Kraus
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Muitos negociantes de cavalos agora alimentam esperanças em relação a Pégaso.
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Karl Kraus
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Em Viena, os zeros se colocam à frente do um.
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Karl Kraus
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O imortal experimenta a calamidade de todas as épocas.
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Karl Kraus
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Uma pessoa que começou a contar-me as suas lembranças tinha uma voz que rangia como o portão do passado.
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Karl Kraus
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O sujeito gostava muito de citar um dito de Jean Paul: “Todo especialista é um asno na sua especialidade”. É que ele se sentia em casa em todas as especialidades.
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Karl Kraus
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Kokoschka fez um retrato meu. É possível que aqueles que me conhecem não me reconheçam. Mas aqueles que não me conhecem certamente me reconhecerão.
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Karl Kraus
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Eis uma coisa que eu gostaria muito de saber: o que tantas pessoas fazem com o seu horizonte ampliado?
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Karl Kraus
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Quando Deus viu que era bom, a crença humana sem dúvida lhe atribuiu a vaidade, mas não a insegurança do criador.
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Karl Kraus
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Comprometo-me a levar um homem ao patíbulo se exclamar na rua com uma entonação bastante resoluta: “Vejam só! E ainda por cima ele usa uma camisa colorida!”. Um grito indignado percorreria a multidão. A mesma multidão que agora procuram impressionar com sinfonias.
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Karl Kraus
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O monista deveria sacrificar-se pela sua verdade. Só então veríamos que a realidade nada perde e a imortalidade nada ganha, e a identidade estaria completamente demonstrada.
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Karl Kraus
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Não devemos aprender mais do que o absolutamente necessário contra a vida.
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Karl Kraus
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Se o conhecimento fosse um assunto do espírito, como poderia ele atravessar tantos espaços ocos para, sem deixar um traço da sua permanência, passar a tantos outros espaços ocos?
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Karl Kraus
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As sátiras que o censor compreende são proibidas com razão.
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Karl Kraus
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Por que o público é tão insolente em relação à literatura? Porque ele domina a língua. As pessoas se atreveriam exatamente da mesma maneira em relação às outras artes caso se dirigir cantando aos demais, lambuzar-se com tinta ou atirar gesso fossem meios de comunicação. A desgraça está justamente no facto de a arte da palavra trabalhar a partir de um material que passa todo dia pelas mãos da ralé. É por isso que a literatura não tem mais salvação. Quanto mais ela se afasta da compreensibilidade, tanto maior é a impertinência com que o público reclama o seu material. O melhor seria esconder a literatura do público até entrar em vigor uma lei que proíba as pessoas de usarem a linguagem coloquial e apenas lhes permita fazer uso de uma linguagem de sinais em casos de urgência. Mas até que essa lei entre em vigor, elas poderiam ter aprendido a responder à ária “Como vão os negócios?” com uma natureza morta.
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Karl Kraus
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O sentido tomou a forma, ela resistiu e entregou-se. Nasceu o pensamento, que leva os traços de ambos.
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Karl Kraus
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O pensamento é algo que se encontra, que se reencontra. E quem o procura é um encontrador honesto; ele é seu, mesmo que outro também já o tenha encontrado antes dele.
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Karl Kraus
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A ciência é análise espectral. A arte é síntese luminosa.
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Karl Kraus
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O original sempre volta a absorver o que lhe foi retirado. Mesmo que venha ao mundo mais tarde.
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Karl Kraus
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O jornalismo, que conduz os espíritos para dentro do seu curral, conquista a sua pastagem entretanto. Jornalistas querem ser autores. Publicam-se antologias de folhetim nas quais nada causa mais espanto do que o trabalho não se ter desintegrado nas mãos do encadernador. Assa-se pão a partir de migalhas. O que lhes dá a esperança da permanência? O interesse permanente no material que eles “escolhem”. Alguém que tagarela sobre a eternidade não deveria ser ouvido enquanto a eternidade durar? Desta falácia vive o jornalismo. Ele tem sempre os maiores temas, e nas suas mãos a eternidade pode tornar-se atual; mas ela acaba envelhecendo com a mesma facilidade. O artista dá forma ao dia, à hora, ao minuto. Por mais limitado e condicionado temporal e espacialmente que seja o seu motivo, a sua obra cresce mais ilimitada e livremente quanto mais dele se afasta. Que ela envelheça serenamente no instante: ela rejuvenesce com o passar das décadas.
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Karl Kraus
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Contra isso, a tendência deslocadora de valores do jornalismo nada pode fazer. Ele pode dar certificados de garantia válidos por um século para os relógios aos quais dá corda: eles já estão parados quando o comprador saiu da loja. O relojoeiro diz que a culpa é do tempo, e não do relógio, e gostaria de fazer aquele parar a fim de salvar a reputação do relógio. Ele fala mal da hora ou a condena a um silêncio de morte. Mas o génio da hora segue em frente e faz amanhecer e anoitecer, embora o mostrador queira outra coisa. Quando ele bate dez horas e mostra onze, podemos contar que é meio-dia, e o sol dá risada dos relojoeiros ofendidos.
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Karl Kraus
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Um pensamento só é legítimo quando temos a sensação de que nos surpreendemos plagiando a nós mesmos.
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Karl Kraus
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Se lhe roubarem alguma coisa, não vá à polícia, à qual isso não interessa, e também não vá ao psicólogo, a quem só interessa, no fundo, o facto de ter sido você que roubou alguma coisa.
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Karl Kraus
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Os psicólogos modernos que ampliam os limites da irresponsabilidade ocupam um vasto lugar nela.
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Karl Kraus
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O que os professores digerem, os alunos comem.
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Karl Kraus
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A língua é a mãe, e não a criada do pensamento.
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Karl Kraus
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Uma das mais surpreendentes descobertas que o novo século nos trouxe é sem dúvida o facto de que em Die Fackel falo muitas vezes de mim mesmo, e ela é esfregada no meu nariz com um dos conhecimentos mais profundos que a sabedoria das almas contemplativas alguma vez alcançou, a saber, que o homem deve ser modesto. Alguns afirmam inclusive ter descoberto que publiquei o ensaio de S. sobre os dez anos de Die Fackel “no meu próprio jornal”. Tendo sido chamada a minha atenção, preciso confessar que é verdade. Não há dúvida de que jamais um escritor tornou a descoberta da vaidade mais fácil ao seu leitor. Pois se ele não percebeu por conta própria que sou vaidoso, ficou sabendo disso pelas minhas repetidas confissões de vaidade e pelas glorificações que fiz desse vício. O ridículo estar-por-dentro que descobre um calcanhar de Aquiles é, portanto, frustrado por uma intencionalidade que ele desnudou voluntariamente antes. Mas eu capitulo. Se a mais estéril objeção contra mim é levantada mesmo durante o décimo ano da minha incorrigibilidade, então réplicas não adiantam. Não posso infundir em corações de pergaminho a sensibilidade para a situação de legítima defesa em que vivo, para o privilégio de uma nova forma jornalística e para a coincidência desse aparente interesse próprio com os fins universais da minha atuação. Eles não são capazes de compreender que se alguém se confunde com uma causa sempre falará dela, sobretudo quando falar de si. Eles não são capazes de compreender que aquilo que chamam de vaidade é aquela modéstia que nunca se tranquiliza, que se mede segundo a sua própria medida e a possui em si, aquela vontade humilde de ascensão que se submete ao julgamento mais implacável, que é sempre o seu próprio. Vaidoso é o contentamento que jamais retorna à obra. Vaidosa é a mulher que nunca se olha no espelho. Ver-se no espelho é imprescindível à beleza e ao espírito. O mundo, porém, possui uma só norma psicológica para os dois sexos e confunde a vaidade de uma cabeça que se excita e se satisfaz na criação artística com o cuidado presunçoso que trabalha num penteado. Mas esse penteado não é mudo no convívio social? Ele é incapaz de enervar o próximo da maneira como faz a modéstia dos espíritos reprodutores.
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Karl Kraus
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O clichê e a coisa são uma coisa só.
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Karl Kraus
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O pensamento está no mundo, mas não o temos. Ele está decomposto em elementos linguísticos pelo prisma da experiência material: o artista os compõe num pensamento.
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Karl Kraus
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O aforismo requer o fôlego mais longo.
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O homem que não pensa, pensa que só temos um pensamento quando o temos e o vestimos com palavras. Ele não compreende que na verdade só o tem aquele que tem a palavra dentro da qual o pensamento cresce.
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Karl Kraus
Karl Kraus
Megalomania não é considerarmos-nos mais do que somos, mas considerarmos-nos aquilo que somos.
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