Citações
Citações para inspirar e refletir
O que é familiar não é conhecido simplesmente porque é familiar.
78
O destino usual das novas verdades é começar como heresias e terminar como superstições.
61
Se Deus segurasse na Sua mão direita toda a verdade, e na Sua mão esquerda a perene busca pela verdade, embora com a condição de que eu devesse para sempre errar, e me dissesse: “Escolha”, humildemente escolheria a mão esquerda e diria: “Dai-me, Senhor! A verdade pura é para Vós somente!”.
78
Um carpinteiro e um geómetra investigam o ângulo reto de diferentes modos; o primeiro fá-lo na medida em que o ângulo reto é útil para o seu ofício; ao passo que o segundo busca saber no que consiste ou que tipo de coisa ele é; ele [o geómetra] é um espectador da verdade.
65
Outra alternativa seria apresentar-vos o que se denomina uma conferência de divulgação científica, ou seja, uma conferência que pretendesse fazê-los acreditar que entendem algo que realmente não entendem, e, desse modo, satisfazer aquilo que considero ser um dos desejos mais baixos dos homens modernos, isto é, a curiosidade superficial acerca das mais recentes descobertas da ciência.
65
A marca de uma pessoa educada é procurar tanta precisão em cada classe de coisas quanto a natureza do assunto permite. Exigir uma demonstração lógica de um orador seria tão absurdo quanto permitir a um matemático servir-se das artes da persuasão. [...] Não se pode exigir o mesmo grau de precisão em todas as discussões.
55
Tudo o que pode ser dito pode ser dito claramente.
88
É necessária uma mente deturpada pelo estudo para levar tão longe o processo de fazer o natural parecer estranho ao ponto de perguntar o “porquê” de um ato instintivo humano.
32
Existem verdades triviais e grandes verdades. O contrário de uma verdade trivial é claramente falso. O contrário de uma grande verdade é também verdadeiro. […] Uma grande verdade é uma afirmação cujo contrário é também uma grande verdade.
71
Nenhum fenómeno é particularmente misterioso em si mesmo, mas qualquer um deles pode tornar-se misterioso para nós. O traço característico do despertar do espírito humano é precisamente o facto de um fenómeno adquirir significado para ele.
39
Quais são, afinal, as verdades do homem? — São os erros irrefutáveis do homem.
71
Natura simplicitatem amat [A natureza ama a simplicidade].
55
Não, não, isso não! Tudo menos saber o que é o Mistério! Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas, não vos ergais nunca! O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se! Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada! A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo, deve trazer uma loucura maior que os espaços entre as almas e entre as estrelas. Não, não, a verdade não!
75
O valor de praticar com rigor, por algum tempo, uma ciência rigorosa não está propriamente nos seus resultados: pois eles serão sempre uma gota ínfima, ante o mar das coisas dignas de saber. Mas isso produz um aumento de energia, de capacidade dedutiva, de tenacidade; aprende-se a alcançar um fim de modo pertinente. Neste sentido é valioso, em vista de tudo o que se fará depois, ter sido um homem de ciência.
31
Ele é um pensador: isto é, ele sabe como tornar as coisas mais simples do que elas são.
76
“Toda verdade é simples.” — Não será essa uma mentira composta? —
66
Não existe nada tão sutil e abstruso que, tendo sido alguma vez tornado simples, inteligível e comum, não possa ser assimilado pela mais vagarosa inteligência.
61
O preceito religioso de que um homem deve mostrar a sua fé por meio das suas obras vale também na filosofia natural. Também a ciência deve ser conhecida pelas obras. É pelo testemunho das obras, e não pela lógica ou mesmo pela observação, que a verdade é revelada e estabelecida. Decorre disso que o melhoramento da mente de um homem e o melhoramento da sua condição são a mesma coisa.
54
Os economistas têm um modo singular de proceder. Para eles, existem só dois tipos de instituições, as artificiais e as naturais. As instituições do feudalismo são instituições artificiais, aquelas da burguesia são instituições naturais. Nisso assemelham-se aos teólogos, que do mesmo modo estabelecem dois tipos de religião. Toda religião que não é a deles é uma invenção dos homens, ao passo que a deles é uma emanação de Deus. [...] Assim, houve história no passado, mas já não há mais.
71
Os tolos fazem pesquisa, e os homens sábios os exploram.
57
As pessoas atualmente pensam que os cientistas existem para as instruir, e os poetas, músicos etc., para lhes dar prazer. A ideia de que estes últimos têm alguma coisa para lhes ensinar — isso não lhes ocorre.
63
A verdade na vida em sociedade é como a estricnina no organismo de um indivíduo: terapêutica em pequenas doses e condições especiais, mas de outro modo, e no geral, um veneno letal.
70
Nada é menos “inteligível”, em qualquer outro sentido [que não o de “familiar à imaginação”], do que a conexão existente entre um ato de vontade e a sua realização.
51
Se um jovem cientista que trabalha comigo me procurasse depois de dois anos de trabalho [em pesquisa] e perguntasse qual deveria ser o passo seguinte, eu o aconselharia a abandonar a ciência. Se depois de dois anos de trabalho uma pessoa não sabe o que fazer em seguida, então ela jamais se tornará um verdadeiro cientista.
57
A verdade é o que é, e segue sendo verdade, ainda que se pense o revés.
99
Quem quer que tenha algo verdadeiro a dizer expressa-se de modo simples. A simplicidade é o selo da verdade.
54
A ciência é a tentativa de fazer com que a diversidade caótica da nossa experiência sensível corresponda a um sistema lógico uniforme de pensamento.
36
Eu sei = Eu estou familiarizado com isso como algo certo.
37
A meta da ciência é buscar a explicação mais simples de factos complexos. Tendemos a incorrer no erro de pensar que os factos são simples porque a simplicidade é o alvo da nossa busca. A máxima diretiva na vida de todo filósofo natural deveria ser: “Busque a simplicidade e desconfie dela”.
73
Tudo deve ser feito tão simples quanto possível, mas não mais simples que isso.
71
A verdade jamais pode ser dita de tal modo que, sendo ela entendida, nela não se acredite.
87
O assombro, portanto, e não qualquer expectativa dos benefícios derivados das suas descobertas, é o primeiro princípio que impeliu a humanidade ao estudo da filosofia, ou seja, daquelas ciências que pretendem desvendar as conexões secretas que ligam os diversos fenómenos da natureza; e eles [os homens] dedicam-se a esse estudo como um fim em si mesmo, como um prazer original ou bem em si, sem considerar a sua tendência para lhes fornecer os meios de muitos outros prazeres.
36
sócrates: Aquele que jamais procura por números em nada não será ele próprio encontrado no rol dos homens famosos. [...] Se alguém separasse a arte de contar, medir e pesar de todas as outras artes, o que restaria de cada uma delas seria, por assim dizer, insignificante.
79
Proposições matemáticas não expressam pensamentos. Na vida, elas nunca são aquilo de que precisamos. As proposições matemáticas são usadas apenas para inferir, de proposições que não pertencem à matemática, outras que igualmente não pertencem à matemática.
61
Ajustamos para nós um mundo em que podemos viver — supondo corpos, linhas, superfícies, causas e efeitos, movimento e repouso, forma e conteúdo: sem estes artigos de fé, ninguém suportaria hoje viver! Mas isto não significa que eles estejam provados. A vida não é argumento; entre as condições para a vida poderia estar o erro.
75
A verdade sai do poço, sem indagar quem se acha à borda.
48
A distinção entre ilusão e verdade está na diferença das suas funções vitais. A ilusão vive da verdade — a verdade tem a sua vida em si.
85
Vamos introduzir o refinamento e o rigor da matemática em todas as ciências, até onde seja possível, não na crença de que por essa via conheceremos as coisas, mas para assim constatar a nossa relação humana com as coisas. A matemática é apenas o meio para o conhecimento geral e derradeiro do homem.
70
Sentimos que, mesmo que todas as questões científicas possíveis tenham obtido resposta, os nossos problemas de vida não terão sido sequer tocados.
61
Quem sabe que é profundo busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro. Pois a multidão toma por profundo aquilo cujo fundo não vê: ela é medrosa, hesita em entrar na água.
81
A visão científica da vida é uma visão limitada e parcial; a vida é no fundo uma prospecção no terreno dos valores, uma tentativa de descobrir valores, em vez de, com base no conhecimento deles, produzi-los e desfrutá-los ao máximo. Esforçamo-nos por “nos conhecermos a nós mesmos”, por descobrir os nossos reais desejos, mais do que por obter o que queremos. Este facto define uma primeira limitação de amplo alcance a uma conceção da economia como ciência.
61
Não há consolo mais refinado na velhice do que a sensação de ter concentrado toda a força da nossa juventude em obras que jamais envelhecerão.
43
O anseio de continuar existindo é a mais antiga e a mais grandiosa de todas as formas de eros.
62
mefistófeles: Some-se, entusiasta da “originalidade”! Como este lampejo o irritaria? — Tudo o que um ser humano pensar, não importa se esperto ou pasmado, já foi pensado antes dele no passado.
54
O pensador ou artista que guardou o melhor de si nas suas obras sente uma alegria quase maldosa ao olhar o seu corpo e o seu espírito a serem alquebrados e destruídos pelo tempo, como se de um canto observasse um ladrão a arrombar o seu cofre, sabendo que ele está vazio e que os tesouros estão salvos.
67
Devo ensinar-lhe, Tzu-lu, no que consiste o saber? Quando se sabe alguma coisa, reconhecer que se sabe; e, quando se não sabe alguma coisa, reconhecer que se não sabe. Isto é saber.
42
Ensinaram-me, porém, mesmo nos meus tempos de faculdade, que não existe nada concebível que seja tão estranho ou tão pouco merecedor de crédito que não tenha sido sustentado por um ou outro filósofo.
57
A opinião pública não passa de um anémico tirano se comparada à nossa própria opinião privada. Aquilo que um homem pensa de si mesmo — é isso que determina, ou antes indica, o seu destino.
75