Citações
Citações para inspirar e refletir
O que nos torna tão inconstantes nas nossas amizades é que é difícil conhecer as qualidades da alma, e fácil conhecer as do espírito.
48
O desprezo pelas riquezas era para os filósofos um desejo oculto de vingar o seu mérito perante a injustiça do destino pelo desprezo dos próprios bens de que os privava; era um segredo para se garantirem contra o aviltamento da pobreza; era um caminho tortuoso para chegarem à consideração que não podiam obter pelas riquezas.
80
Os velhos gostam de dar bons conselhos para se consolar de já não terem condições de dar maus exemplos.
46
Se há um amor puro e isento da mistura das nossas outras paixões, é o que está oculto no fundo do coração, e que nós mesmos ignoramos.
61
A felicidade está no gosto e não nas coisas; é por ter o que amamos que somos felizes, e não por ter o que os outros acham amável.
53
Embora os homens se vangloriem de suas grandes ações, elas não costumam resultar de um grande desígnio, mas do acaso.
49
No trato da vida, agradamos mais comumente por nossos defeitos que por nossas boas qualidades.
50
Só há uma espécie de amor, mas dela há mil cópias diferentes.
18
O amor-próprio aumenta ou diminui as boas qualidades de nossos amigos na medida de nossa satisfação com eles; e julgamos seus méritos pelo modo como se portam conosco.
44
Ocorre com o verdadeiro amor o mesmo que com o aparecimento dos espíritos: todos falam deles, mas poucos os viram.
51
Não temos força suficiente para seguir toda a nossa razão.
22
É possível encontrar mulheres que nunca tiveram aventuras; mas é raro encontrar as que só tiveram uma.
64
Para nos estabelecermos no mundo, fazemos todo o possível para parecer estabelecidos.
23
Parece que as nossas ações têm estrelas felizes ou infelizes às quais devem grande parte do elogio ou da crítica que lhes fazemos.
51
Não faz tanto bem ao mundo a verdade como fazem mal suas aparências.
17
Por mais diferentes que pareçam os destinos, há porém certa compensação entre bens e males que os iguala.
75
Todos se queixam de sua memória e ninguém se queixa de seu julgamento.
19
Não há os que se envergonham de se terem amado quando já não se amam.
54
Mais vergonhoso é desconfiar dos amigos que ser enganado por eles.
45
Nada deve diminuir mais a satisfação que temos de nós mesmos do que ver que desaprovamos num tempo o que aprovávamos em outro.
64
Quaisquer que sejam as grandes vantagens dadas pela natureza, não é só ela, mas também o destino que faz os heróis.
28
Costumamos convencer-nos de que gostamos dos mais poderosos que nós; e no entanto é só o interesse que produz a nossa amizade. Não nos damos a eles pelo bem que lhes queremos fazer, mas pelo que deles queremos receber.
57
Nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto imaginamos.
63
Se julgamos o amor pela maioria dos seus efeitos, ele mais se parece com o ódio do que com a amizade.
47
Nada podemos amar senão com relação a nós, e apenas seguimos nosso gosto e nosso prazer quando preferimos nossos amigos a nós mesmos; no entanto, só quando há essa preferência é que a amizade pode ser verdadeira e perfeita.
52
A sinceridade é uma abertura do coração. Encontramo-la em muito poucos; e a que vemos habitualmente não passa de uma fina dissimulação para atrair a confiança dos outros.
54
Os homens não viveriam tanto tempo em sociedade se uns não fossem ludibriados pelos outros.
24
A força e a fraqueza do espírito estão mal denominadas; na verdade não são outra coisa além da boa ou má disposição dos órgãos do corpo.
33
O silêncio é o partido mais seguro de quem desconfia de si mesmo.
60
A nossa desconfiança justifica a impostura do outro.
60
O interesse que cega a uns dá luz a outros.
48
A sua coroa é o amor. Só através do amor é que podemos aproximar-nos dela. Ela escava abismos entre todas as coisas, e todas as coisas se esforçam por se entrelaçar. Ela isola tudo, para que possa juntar tudo. Com alguns goles do cálice do amor, ela reembolsa uma vida cheia de problemas.
41
Temos mais força que vontade; e muitas vezes é para nos desculparmos conosco que imaginamos serem as coisas impossíveis.
19
As paixões são os únicos oradores que sempre convencem. São uma arte da natureza de regras infalíveis; e o homem mais simples que tem paixão convence melhor do que o mais eloquente que não a tem.
44
Costumamos envaidecer-nos das paixões, mesmo das mais criminosas; mas a inveja é uma paixão tímida e vergonhosa que jamais ousamos confessar.
50
Quando os grandes homens se deixam abater pela extensão dos seus infortúnios, fazem ver que só os suportavam pela força da sua ambição, e não pela da sua alma, e que, exceto por uma grande vaidade, os heróis são como os outros homens.
47
A paixão faz muitas vezes do homem mais hábil um louco, e hábeis os mais tolos.
46
A moderação é o temor de cair na inveja e no desprezo que merecem os que se inebriam com sua felicidade; é uma vã ostentação da força de nosso espírito; enfim, a moderação dos homens em sua maior elevação é um desejo de parecerem maiores que seu destino.
46
O homem obedece às suas leis mesmo quando se opõe a elas: trabalha com ela mesmo quando quer trabalhar contra ela.
55
Por mais descobertas que se haja feito no país do amor-próprio, ainda restam nele muitas terras incógnitas.
53
O orgulho é igual em todos os homens, e só se diferencia no modo e nos meios de se manifestar.
40
Os que condenamos ao suplício fingem às vezes uma constância e um desprezo pela morte que na verdade é apenas o medo de encará-la. De modo que se pode dizer que essa constância e esse desprezo são para seu espírito o que a venda é para seus olhos.
44
Essas grandes e deslumbrantes ações que ofuscam os olhos são julgadas pelos políticos como efeitos de grandes propósitos, sendo em geral do temperamento e das paixões. Assim, a guerra de Augusto e de António, que se atribui à ambição que tinham de se tornar senhores do mundo, talvez fosse apenas consequência do ciúme.
13
Língua ou discurso ela não tem; mas cria línguas e corações pelos quais sente e fala.
52
As paixões costumam gerar outras que lhes são contrárias. A avareza produz às vezes a prodigalidade, e a prodigalidade a avareza; em geral somos firmes por fraqueza e audaciosos por timidez.
47
Se não tivéssemos defeitos, não teríamos tanto prazer em notá-los nos outros.
42
Se não tivéssemos orgulho, não nos queixaríamos do orgulho dos outros.
57
Ela é todas as coisas. Ela recompensa-se e castiga-se; e em si se regozija e angustia. Ela é rude e gentil, amorosa e terrível, impotente e todo-poderosa. No seu todo, está sempre presente. Passado ou futuro, ela não os conhece. O presente é a sua eternidade. Ela é bondosa. Louvo-a em todas as suas obras. Ela é sábia e imóvel. Ninguém a pode forçar a explicar-se, ou assustá-la num presente que ela não dá de bom grado. Ela é astuta, mas tem bons objetivos; e é melhor não reparar na sua astúcia.
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