Søren Kierkegaard
Autor do dia

Søren Kierkegaard

Søren Kierkegaard foi um filósofo, teólogo, poeta, crítico social e pensador religioso dinamarquês. Ele é frequentemente considerado o primeiro filósofo existencialista. Kierkegaard criticou o hegelianismo e a igreja estatal dinamarquesa, enfatizando a subjetividade, a liberdade individual e a importância da fé.

Poema do dia

Os Estatutos do Homem

Thiago de Mello
(Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony


Artigo I.
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV.
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V.
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII.
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Santiago do Chile, abril de 1964

Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar (1965).

In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
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Nasceram neste dia

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Luís Filipe Castro Mendes

Luís Filipe Castro Mendes é um poeta e ensaísta cuja obra se caracteriza pela inteligência, pela erudição e por uma profunda reflexão sobre a condição humana, a arte e a sociedade. Sua poesia, que transita entre o lirismo e o ensaísmo, aborda temas como o tempo, a memória, a identidade, a cultura e a intervenção cívica, com uma linguagem cuidada e um rigor formal notável. Com uma carreira multifacetada, que inclui também a atividade política e diplomática, Castro Mendes constrói uma obra coerente e consistente, marcada por um olhar atento sobre o mundo e as suas contradições. A sua poesia é um convite à contemplação e ao pensamento crítico, dialogando com a tradição literária e, ao mesmo tempo, propondo um olhar inovador sobre as questões contemporâneas, afirmando-se como uma das vozes mais significativas da literatura portuguesa.

Era o último amor
Eduardo White

Eduardo White é um poeta reconhecido pela sua obra que transita entre o lirismo e a reflexão sobre a existência. A sua poesia, frequentemente marcada por uma linguagem evocativa e imagética, explora temas universais como o tempo, a memória e a busca por sentido. A sua escrita demonstra uma profunda sensibilidade para com as complexidades da condição humana, abordando-as com uma voz poética singular.

País de mim
Carvalho Nogueira

Carvalho Nogueira foi um poeta cuja obra se destacou pela profunda exploração da condição humana, abordando temas universais como o amor, a morte e o tempo com uma linguagem rica e imagética. A sua poesia, embora por vezes melancólica, revela uma busca constante pela beleza e pelo sentido da existência, refletindo um espírito introspectivo e uma sensibilidade apurada para as nuances da vida. O seu percurso literário foi marcado por uma dedicação à forma poética, aliada a uma capacidade ímpar de transpor para o verso as mais complexas emoções e reflexões. Carvalho Nogueira deixou um legado poético que continua a ressoar pela sua força expressiva e pela sua universalidade, convidando os leitores a uma viagem interior e a uma contemplação profunda do mundo.

Oração da Noite
Pinto de Monteiro

Pinto de Monteiro é uma figura literária cujo trabalho se insere numa tradição de reflexão sobre a identidade e a sociedade. A sua poesia explora as complexidades das relações humanas, a passagem do tempo e a busca por um sentido em meio às transformações do mundo contemporâneo. Com uma linguagem que transita entre o coloquial e o lírico, a sua obra convida a um mergulho nas inquietações do ser.

Peleja de Pinto com Milanês
Antonio Risério

Antonio Risério é um poeta, ensaísta, jornalista e crítico literário brasileiro. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a identidade, a memória e a cultura, com um estilo que transita entre o lirismo e a erudição. É reconhecido por sua vasta produção intelectual e seu engajamento na discussão sobre a diversidade cultural e a história do Brasil.

Um Poema é um poema é um poema?
Voltaire

Voltaire foi um prolífico escritor, historiador e filósofo francês, figura central do Iluminismo. Conhecido pelo seu agudo intelecto, senso de humor e defesa da liberdade de expressão, criticou veementemente a intolerância religiosa e a tirania da aristocracia e do clero de sua época. Sua vasta obra abrange poesia, ensaios, peças de teatro, correspondência e textos filosóficos, exercendo profunda influência no pensamento ocidental.

Vamos ler e dançar; esses dois divertimentos nunca
Pedro Lemebel

Pedro Lemebel foi um escritor, jornalista, cronista e ativista cultural chileno, conhecido por sua obra que mescla humor, crítica social e uma linguagem transgressora, frequentemente explorando a identidade, a marginalidade e a cultura queer. Sua escrita vibrante e irreverente o tornou uma figura icônica na literatura latino-americana, desafiando normas sociais e celebrando as vozes dissidentes.

Manifesto (Falo por minha diferença)
António Torrado

António Torrado foi um escritor português, especialmente conhecido pela sua obra destinada ao público infantil e juvenil. A sua escrita é caracterizada pela imaginação, pelo humor, pela irreverência e pela capacidade de abordar temas complexos de forma acessível e lúdica. Para além da literatura infantil, escreveu também para teatro e abordou outros géneros literários.

Morreram neste dia

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Leonardo Fróes

Leonardo Fróes foi um poeta brasileiro cuja obra se distingue pela sua originalidade e profundidade, explorando a complexidade da existência humana com uma linguagem rica e imagética. A sua poesia navega entre o eu lírico e o universo, abordando temas como a solidão, o amor, a passagem do tempo e a busca por sentido. Com um estilo que transita entre o lírico e o filosófico, Fróes cativa o leitor pela sua capacidade de articular reflexões existenciais com uma sensibilidade estética apurada. A sua contribuição para a poesia brasileira contemporânea reside na forma como reinventa a tradição, infundindo-a com uma visão pessoal e inovadora, consolidando-o como um nome relevante no cenário literário.

O apanhador no campo
Raul de Leoni

Raul de Leoni foi um poeta e diplomata brasileiro, conhecido pela sua poesia que mescla influências parnasianas e simbolistas, com um toque de modernidade. A sua obra explora temas como a beleza, a arte, a efemeridade e a busca pela perfeição formal. É uma figura importante na transição entre a poesia do século XIX e o modernismo brasileiro.

Crepuscular
Silvestre de Oliveira Serpa

Silvestre de Oliveira Serpa foi um poeta cuja obra se distingue pela sua profunda ligação à terra, às tradições e à alma do povo português. Em seus versos, a paisagem rural, os costumes, as crenças e as aspirações das gentes do campo ganham vida, tecendo uma tapeçaria rica em cor, som e sentimento. Sua poesia é um espelho da identidade lusitana, capturando a essência de um Portugal autêntico, marcado pela simplicidade, pela resiliência e por um profundo amor à sua terra. A obra de Serpa é um convite a redescobrir as raízes, a valorizar a simplicidade e a reconhecer a beleza intrínseca das tradições. Seus poemas celebram a vida em suas manifestações mais genuínas, oferecendo ao leitor um refúgio de autenticidade e emoção em um mundo em constante mudança. É um legado de afeto e respeito pela cultura popular e pelo património imaterial de Portugal.

A El-Rei Nosso Senhor e Protetor
Heinrich von Kleist

Heinrich von Kleist foi um influente dramaturgo, romancista e poeta alemão, considerado uma das figuras mais importantes do Romantismo alemão. Sua obra é marcada por personagens complexos, conflitos intensos e uma exploração profunda da condição humana, da justiça e da percepção da realidade. Kleist é conhecido por suas peças dramáticas, como "A Marquesa de O..." e "Michael Kohlhaas", que abordam temas como vingança, honra e a dificuldade de discernir a verdade. Sua escrita é caracterizada por uma intensidade emocional e uma visão muitas vezes sombria da existência, refletindo suas próprias lutas pessoais.

António Marques Lésbio

António Marques Lésbio foi um poeta português cuja obra se insere no contexto do modernismo e do surrealismo em Portugal. A sua escrita é marcada por uma forte veia lírica, explorando temas como o amor, a sensualidade, a morte e a dimensão social, muitas vezes com um tom irreverente e uma linguagem inovadora. Foi uma figura ativa na vida cultural e política do seu tempo.

Robert Bly

Robert Bly foi um poeta, ativista e tradutor americano, conhecido por sua poesia lírica e meditativa, frequentemente explorando temas da natureza, espiritualidade e a psique humana. Ele foi uma figura proeminente no movimento da poesia moderna, particularmente associado ao "Deep Image", e foi um crítico vocal da Guerra do Vietnã. Bly também ganhou reconhecimento por suas traduções de poesia escandinava e espanhola para o inglês, tornando obras de autores como Neruda e Tranströmer acessíveis a um público mais amplo.

Luis Felipe Vivanco

Luis Felipe Vivanco foi um poeta e crítico literário espanhol, associado à geração de 36 e ao movimento chamado "Poesía Racionalista". Sua obra poética, embora menos numerosa que a de alguns contemporâneos, é reconhecida pela sua força expressiva, reflexão existencial e rigor formal. Ele explorou temas como a angústia, a solidão, a busca por sentido e a realidade social, com uma linguagem clara e objetiva. Como crítico, Vivanco contribuiu para a análise e a divulgação da obra de outros poetas, desempenhando um papel importante na compreensão e valorização da poesia de sua época. Sua trajetória literária representa um testemunho da complexidade e das preocupações que marcaram a literatura espanhola em meados do século XX.

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