Vinicius de Moraes
Autor do dia

Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, jornalista e compositor brasileiro, considerado um dos maiores expoentes da poesia lírica em língua portuguesa. Sua obra é marcada por um lirismo profundo, que explora temas como o amor, a beleza, a melancolia e o cotidiano, com uma linguagem acessível e musical. É também lembrado como um dos pais da Bossa Nova, tendo composto diversas canções que se tornaram clássicos da música popular brasileira.

Poema do dia

Choro!

José Gomes Ferreira
Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
as crianças violadas
nos muros da noite
úmidos de carne lívida
onde as rosas se desgrenham
para os cabelos dos charcos.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
diante desta mulher que ri
com um sol de soluços na boca
— no exílio dos Rumos Decepados.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
este seqüestro de ir buscar cadáveres
ao peso dos poços
— onde já nem sequer há lodo
para as estrelas descerem
arrependidas de céu.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
a coragem do último sorriso
para o rosto bem-amado
naquela Noite dos Muros a erguerem-se nos olhos
com as mãos ainda à procura do eterno
na carne de despir,
suada de ilusão.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica
todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias
todas as prostitutas esbofeteadas pelos esqueleto de repente dos espelhos
todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do
silêncio
todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas
de miséria...

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro...

Mas não por mim, ouviram?
Eu não preciso de lágrimas!
Eu não quero lágrimas!

Levanto-me e proíbo as estrelas de fingir que choram por mim!

Deixem-me para aqui, seco,
senhor de insônias e de cardos,
neste òdio enternecido
de chorar em segredo pelos outros
à espera daquele Dia
em que o meu coração
estoire de amor a Terra
com as lágrimas públicas de pedra incendiada
a correrem-me nas faces
— num arrepio de Primavera
e de Catástrofe!
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Nasceram neste dia

8
Rafael do Nascimento Monteiro

Rafael do Nascimento Monteiro foi um poeta cuja obra se caracterizou pela exploração de temas existenciais e pela musicalidade intrínseca dos seus versos. As suas composições poéticas refletem uma profunda sensibilidade face à condição humana, abordando com frequência a efemeridade do tempo, a busca por significado e a beleza encontrada na simplicidade do quotidiano. A sua escrita, marcada por uma linguagem acessível mas carregada de emoção, procurou estabelecer uma ligação íntima com o leitor, convidando à reflexão e à introspeção. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor através de uma poesia autêntica e sincera, que, apesar de não se filiar a movimentos literários específicos de forma ostensiva, ressoa com a tradição lírica universal. Monteiro deixou uma marca discreta mas significativa no panorama poético, privilegiando a profundidade do sentimento e a arte da palavra bem medida.

Amor proibido
Francisco Otaviano

Francisco Otaviano de Almeida Rosa foi um escritor, jornalista e político brasileiro, figura proeminente do Romantismo no Brasil, especialmente ligado à segunda geração romântica, o Ultrarromantismo. A sua obra poética, embora não vasta, é marcada por um tom melancólico, pela exaltação dos sentimentos, pela fuga à realidade e pela busca de um ideal inatingível, características distintivas do "mal do século". Além da sua produção literária, Otaviano teve uma carreira ativa na política e no jornalismo, demonstrando uma multifacetada intervenção na vida pública brasileira do século XIX. A sua poesia é um reflexo das angústias e aspirações de uma geração que buscava expressar a subjetividade e o idealismo num contexto de grandes transformações sociais e políticas.

Soneto
Gilberto Gil

Gilberto Gil é um músico, cantor, compositor e ativista cultural brasileiro, figura proeminente na música popular brasileira e um dos criadores do movimento tropicalista. A sua obra é reconhecida pela fusão de ritmos brasileiros com influências internacionais, abordando temas sociais, políticos e existenciais com uma linguagem poética vibrante e inovadora. É um artista multifacetado, com uma carreira extensa e um impacto significativo na cultura do Brasil e do mundo.

Oriente
Antoine de Rivarol

Antoine Gombaud, Chevalier de Rivarol foi um escritor e erudito francês, conhecido por sua sagacidade e aforismos. Ele foi uma figura proeminente durante a Era do Iluminismo, conhecido por suas críticas à Revolução Francesa.

Aimé Césaire

Aimé Césaire foi um poeta, escritor e político martinicano, figura proeminente do movimento literário e político da Négritude. Sua obra poética, marcada pela força expressiva e pela denúncia do colonialismo, explorou profundamente a identidade africana e caribenha. Foi também um influente líder político, lutando pela descolonização e pelos direitos dos povos oprimidos.

entre outros massacres
Esther Tellermann

Esther Tellermann é uma escritora e poeta contemporânea, cuja obra se destaca pela sua originalidade e pela exploração de temas ligados à identidade, ao corpo e à experiência feminina. Sua escrita é frequentemente marcada por uma linguagem inovadora e pela coragem em abordar questões sociais e existenciais de forma crua e poética. Com uma voz literária forte e distintiva, Tellermann tem contribuído para o cenário literário com textos que desafiam convenções e convidam à reflexão. Sua poesia e prosa exploram as complexidades da subjetividade e a busca por expressão em um mundo que nem sempre acolhe a diversidade.

Antony Dunn

Antony Dunn é um poeta e educador britânico, conhecido por sua poesia lírica e reflexiva. Sua obra frequentemente aborda a experiência humana, a natureza e a passagem do tempo, com uma linguagem cuidadosa e imagens evocativas. Ele é um poeta que se destaca pela sensibilidade e pela profundidade de suas observações.

Morreram neste dia

4
Tobias Barreto

Tobias Barreto foi um poeta, jurista e jornalista brasileiro, um dos principais nomes do pré-modernismo e do simbolismo no Brasil. Nascido em Sergipe, destacou-se por sua poesia de cunho social e filosófico, marcada por um estilo vigoroso e inovador. Foi um crítico ferrenho da sociedade e da política de seu tempo, defendendo reformas e um pensamento mais livre. Sua obra, embora menos conhecida em comparação com outros nomes de sua época, é fundamental para a compreensão das tendências literárias e intelectuais do final do século XIX e início do século XX no Brasil, antecipando muitas das preocupações que seriam centrais no modernismo brasileiro.

O Beija-Flor
Lalla Romano

Lalla Romano foi uma proeminente escritora e pintora italiana, conhecida pelas suas obras de ficção e poesia que exploravam a introspeção e a complexidade das relações humanas. A sua escrita é marcada por uma profunda sensibilidade, estilo lírico e uma atenção particular aos detalhes da vida quotidiana e às paisagens da memória. Explorou frequentemente a condição feminina e a dinâmica familiar, criando narrativas que ressoam pela sua autenticidade emocional e pela sua exploração da identidade.

Até o ar está morto
Leopoldo Marechal

Leopoldo Marechal foi um proeminente escritor argentino, reconhecido principalmente pela sua obra poética e novelística. A sua escrita caracteriza-se por uma profunda investigação existencial e metafísica, explorando temas como a identidade, o tempo e a busca de sentido. Marechal é autor de uma obra singular que se afasta das correntes literárias predominantes da sua época, forjando um estilo próprio e inconfundível. O seu romance "Adán Buenosayres" é considerado uma obra-prima da literatura argentina e latino-americana, marcando um marco na narrativa do século XX. A sua poesia, igualmente densa e reflexiva, aborda questões transcendentais com uma mestria formal e uma linguagem cuidada. Ao longo da sua carreira, Marechal manteve uma postura intelectual independente e uma dedicação rigorosa à sua arte, deixando um legado literário de grande profundidade e ressonância.

O homem vive entre dois “atos-limite” que não são
Nicomedes Guzmán

Nicomedes Guzmán foi um destacado narrador e poeta equatoriano, figura central da narrativa indigenista no seu país. A sua obra caracteriza-se por uma profunda empatia para com os oprimidos e uma crítica social contundente, explorando as realidades do campesinato e das comunidades indígenas. A sua escrita distingue-se por uma linguagem rica e evocadora, que muitas vezes retrata a cosmovisão dos povos originários e as injustiças que enfrentam. Guzmán tornou-se uma voz representativa das lutas sociais e da identidade cultural equatoriana, deixando um legado importante na literatura latino-americana.

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