Lista de Poemas

Morrer Dormir

Morrer .. dormir .. não mais! Termina a vida
E com ela terminam nossas dores:
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim! minha morte não será sentida;
Não deixo amigos, e nem tive amores!
Ou, se os tive, mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é podre no mundo. Que me importa
Que ele amanhã se esbroe e que desabe,
Se a natureza para mim é morta!

É tempo já que o meu exílio acabe,
Vem, pois, ó Morte, ao Nada me transporta!
Morrer... dormir... talvez sonhar... quem sabe?

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Soneto

Morrer, dormir, não mais: termina a vida
E com ela terminam nossas dores,
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim, minha morte não será sentida,
Não deixo amigos e nem tive amores!
Ou se os tive mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é pobre no mundo; que me importa
Que ele amanhã se esbroe e que desabe,
Se a natureza para mim está morta!

É tempo já que o meu exílio acabe;
Vem, pois, ó morte, ao nada me transporta
Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?

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Identificação e contexto básico

Francisco Otaviano de Almeida Rosa foi um proeminente escritor, jornalista e político brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, a 10 de março de 1811, e faleceu na mesma cidade, a 27 de fevereiro de 1851. Pseudónimos ou heterónimos não são amplamente conhecidos. Pertencia a uma família de posses, o que lhe proporcionou uma educação privilegiada. Foi uma figura influente no Romantismo brasileiro.

Infância e formação

Francisco Otaviano teve uma infância e juventude marcadas pelo acesso a uma boa educação, típica de famílias abastadas no Brasil Imperial. Frequentou a Faculdade de Direito de São Paulo, concluindo o curso em 1831. Esta formação jurídica ofereceu-lhe uma base sólida para a sua futura atuação profissional e política. Durante os seus estudos, absorveu as influências literárias e filosóficas da época, incluindo o fervor romântico que varria a Europa e começava a ganhar força no Brasil.

Percurso literário

O início da carreira literária de Francisco Otaviano coincide com o florescimento do Romantismo no Brasil. A sua obra poética, embora relativamente escassa, é um marco do Ultrarromantismo ou "mal do século" no país. Publicou os seus poemas em jornais e revistas literárias da época, participando ativamente na vida cultural do Rio de Janeiro. A sua evolução literária foi marcada por uma intensidade sentimental e uma busca pelo ideal, características da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Francisco Otaviano é composta por poemas que refletem o Ultrarromantismo. Os temas dominantes incluem a melancolia, o tédio, o amor idealizado e inatingível, a morte, a solidão e a fuga à realidade através do sonho e da imaginação. A sua forma poética privilegiava o verso, muitas vezes com uma estrutura que permitia a expressão efusiva dos sentimentos. O seu estilo é caracterizado pela subjetividade, pela intensidade emocional, pelo vocabulário por vezes grandiloquente e pela busca de um lirismo depurado, embora permeado por um tom elegíaco e confessional. A voz poética é marcadamente pessoal e melancólica. Insere-se claramente na segunda geração do Romantismo brasileiro, a geração ultrarromântica.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Francisco Otaviano viveu num período crucial da história brasileira: a Regência e o Segundo Reinado. O Romantismo no Brasil, com as suas diversas fases, espelhava as tensões entre a busca de uma identidade nacional e as influências europeias. Otaviano esteve imerso nesse contexto cultural, participando em debates literários e políticos. A sua obra dialoga com a atmosfera de idealismo e, ao mesmo tempo, de desilusão que caracterizou muitos intelectuais da época, que se debatiam entre a necessidade de construir o país e as suas próprias angústias existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Francisco Otaviano teve uma vida marcada pela atividade intelectual e política. As suas relações afetivas, embora não detalhadamente documentadas, são frequentemente transfiguradas na sua poesia em busca de um amor ideal. Além de poeta, foi um ativo jornalista, fundando e dirigindo diversos periódicos, e desempenhou cargos políticos, tendo sido deputado e senador. A sua saúde, no entanto, foi frágil, contribuindo para um temperamento melancólico.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Francisco Otaviano foi reconhecido como uma das vozes mais importantes do Ultrarromantismo brasileiro. A sua poesia, embora admirada pela sua intensidade e musicalidade, foi também objeto de críticas pela sua excessiva subjetividade e pelo seu tom pessimista. O seu legado perdura como um representante fundamental da segunda geração romântica, cujas características ajudou a definir.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Francisco Otaviano foi influenciado por poetas românticos europeus, como Lord Byron, Alfred de Musset e Alphonse de Lamartine, que foram precursores do Ultrarromantismo. A sua obra, por sua vez, contribuiu para moldar a paisagem lírica do Romantismo brasileiro, inspirando poetas que exploraram temas semelhantes de melancolia e idealismo. A sua inclusão no cânone literário brasileiro é inquestionável como um dos expoentes do "mal do século" em terras brasileiras.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Otaviano é frequentemente interpretada como um espelho das contradições e aspirações da juventude romântica, dividida entre o idealismo e a desilusão. As análises críticas destacam a força expressiva da sua linguagem e a sua capacidade de traduzir sentimentos complexos, ao mesmo tempo que apontam para uma certa unidimensionalidade temática e sentimental.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Francisco Otaviano é o seu papel como jornalista, tendo fundado e dirigido vários jornais que serviram de veículo para a divulgação das ideias românticas e para a sua própria produção literária. A sua vida relativamente curta e a sua saúde debilitada acentuam a aura de desilusão e de sofrimento que permeia a sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Francisco Otaviano faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de fevereiro de 1851, aos 39 anos, vítima de tuberculose. A sua morte prematura deixou um vazio na literatura brasileira da época. A sua memória é preservada como a de um dos mais fiéis representantes do Ultrarromantismo no Brasil, com a sua poesia a continuar a ser estudada e apreciada pelo seu valor estético e histórico.