Poemas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 4

Eu podia abrir um mapa: “o corpo” com relevos crepitantes
e depressões e veias hidrográficas e tudo o mais
morosas linhas e gravações um pouco obscuras
quando …

663
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii I

Músculo, tendão, nervo, e o peso da veia que leva,
entre caos e mecânica,
o sangue da memória ao aparelho de mármore
fechado, contínuo, poderoso,
brilhand…

992
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii A

Guelras por onde respira toda a luz desabrochada,
rosa,
a primeira.

1 233
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 7

Tenho uma pequena coisa africana para dizer aos senhores
“um velho negro num mercado indígena
a entrançar tabaco” o odor húmido e palpitante sobe dos dedos
a subt…

1 139
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 2

Não se vai entregar aos vários “motores” a fabricação do estio
o sussurro da noite apresentada pormenores
para um “estilo de silêncio” ou inclinações graves
expec…

603
Herberto Helder
Herberto Helder

I F

Olha a minha sombra natural exactamente amarela, diz,
a areia em cima da água como se fosse luz
entra, calcina-a,
espáduas,
as ancas na fornalha,
a c…

1 093
Herberto Helder
Herberto Helder

I I

Água sombria fechada num lugar luminoso, noite,
e depois tu,
criança orvalhada.
De que é feito o centro do nome diamante,
a pedra diamante com água rasand…

1 180
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii H

Uma colher a transbordar de mel:
a mão treme quando
se transpõe o fio que divide o mundo:
colheres do fogo:
o seu clarão calcina pálpebras e pupilas

1 106
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 11

“Estudara” muito pouco o comportamento das paisagens
“do tempo” pergunto “que sabia ele?”
bruscamente voltara-se para uma explosão de álcool
algures na “biogra…

645
Herberto Helder
Herberto Helder

I G

Se te inclinas nos dias inteligentes — entende-se
como neles se forma a seda, como
no corpo se forma o vestido.
Seda e carne fundidas pelo sangue uma na outra. …

1 087
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 3

Afinal a ideia é sempre a mesma o bailarino a pôr o pé
no sítio uma coisa muito forte
na cabeça no coração nos intestinos no nosso próprio pé
pode imaginar-se a…

814
Herberto Helder
Herberto Helder

28

a última bilha de gás durou dois meses e três dias,
com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado,
mas eis que se foram os três dias e estou aqui
e só tenh…

1 270
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 12

Sei de um poeta que passou os anos mais próximos do seu
“suicídio”
a bater com os nós dos dedos pelas paredes a abrir e fechar
as mãos para que o ar saltasse

575
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii C

Ferro em brasa no flanco de um só dia, um buraco
de perfume: a rosa florescendo
o seu lugar interior.

1 087
Herberto Helder
Herberto Helder

I H

Beleza ou ciência: uma nova maneira súbita
— os frutos unidos à sua árvore,
precipícios,
as mãos embriagadas.
E os animais aprofundam-se, encurvam-se os d…

1 096
Herberto Helder
Herberto Helder

Iii A

Ninguém sabe de onde pode soprar.
De onde a prata abrasada sopra,
a lua contra o lado frio da água.
Quem do ar movido com mão baixa
faz
de si mesmo um…

1 039
Herberto Helder
Herberto Helder

Canção Em Quatro Sonetos

A maçã precipitada, os incêndios da noite, a neve forte

e a rude beleza da cabeça.
— Quem ouvirá em que planetas esta imagem
da minha morte, quando eu abri…

1 187
Herberto Helder
Herberto Helder

Iii D

(Vd. suplemento ‘Artefactos’’ do jornal Expresso de/f,.6.1994)
Abre o buraco à força de homem,
faz um segredo:
o tema é: bater a massa enxuta, batê-la a pulso at…

1 028
Herberto Helder
Herberto Helder

I K

Porque ela vai morrer.
Cai no sono a água fria, e ferve, no sono de cal a água
fria: ah, a brusca temperatura, a insensatez
das imagens.
O pêlo negro das m…

1 007
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii N

Ríspido, zoológico,
olho de constelação vendo o quê na rapina celeste?
— mas o cego buraco negro
é que devora constelações inteiras.

595
Herberto Helder
Herberto Helder

Ii B

Se perguntarem: das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos recantos,

1 216
Herberto Helder
Herberto Helder

27

folhas soltas, cadernos, livros, montões inexplicáveis, e cada vez
que lhes toco fica tudo mais caótico e não descubro nada,
às vezes procuro apenas uma palavra que …

623
Herberto Helder
Herberto Helder

Os Mortos Perigosos, Fim.

Os jardins contorcem-se entre o estio e as trevas.
Avança o ar a correr com as patas
sobre a camisa branca. Então o espaço
é surpreendido pelos mortos que trans…

1 058
Herberto Helder
Herberto Helder

Texto 5

“Uma devassidão aracnídea” se se quiser
põe aqui uma descontente atenção e é quanto basta “aqui”
o único problema é encontrar essa se possível dizer
como que “cla…

574