Lista de Poemas
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III. A morte na Nicarágua
Desfalece em León o leão e o acodem e o solicitam,
os álbuns carregam as rosas do imperador desfolhado
e assim passeiam-no no seu levita de tristeza
longe do amor…
IX
É o mesmo o sol de ontem
ou é outro o seu fogo?
Como agradecer às nuvens
essa abundância fugitiva?
De onde vem a nuvem densa?
com seus negro…
Tarde - LXXIII
Recordarás talvez aquele homem afilado
que da escuridão saiu como uma faca
e, antes de que soubéssemos, sabia:
viu a fumaça e decidiu que vinha do fogo.
Tarde - LXVIII
A menina de madeira não chegou caminhando:
ali esteve de súbito sentada nos ladrilhos,
velhas flores do mar cobriam sua cabeça,
seu olhar tinha tristeza de raízes…
Final
Matilde, anos ou dias
dormidos, febris,
aqui ou ali,
cravando,
rompendo a espinha dorsal,
sangrando sangue verdadeiro,
despertando talvez
o pe…
Descrição de Capri
A vinha na rocha, as gretas do musgo, os muros que enredam
as trepadeiras, os plintos de flor e de pedra:
a ilha é a cítara que foi colocada na altura sonora
e co…
II - o Rio
Eu entrei em Florença. Era
de noite. Tremi escutando
quase adormecido o que o doce rio
me contava. Eu não sei
o que dizem os quadros nem os livros
(não …
As feridas
Foi talvez a ofensa do amor escondido e talvez a incerteza, a dor vacilante,
o temer à ferida que não somente tua pele e minha pele transpassasse,
mas que chegasse a i…
Trinou o Zorzal
Trinou o Zorzal, pássaro puro
dos campos do Chile:
chamava, celebrava,
escrevia no vento.
Era cedo,
aqui, no inverno, na costa.
Ficava um arr…
LXXIII
Quem trabalha mais na terra,
o homem ou o sol ceresino?
Entre o abeto e a papoula
a quem a terra quer mais?
Entre as orquídeas e o trigo
par…
Viii - Os Materiais
O mundo se encheu de entretantos,
de infundados temores e dor,
mas tem-se de reconhecer que sobre o pão salobro
ou junto de tal ou qual iniquidade
os vegetai…
XXXI
A quem posso perguntar
o que fazer neste mundo?
Por que me movo sem querer,
por que não posso estar imóvel?
Por que vou rodando sem rodas,
v…
LXV
Brilha a gota de metal
como uma sílaba em meu canto?
E não se arrasta uma palavra
às vezes como uma serpente?
Não crepitou em teu coração
um…
VII
É paz a paz da pomba?
Faz a guerra o leopardo?
Por que ensina o professor
a geografia da morte?
Que ocorre com as andorinhas
que chega…
X
Que pensarão de meu chapéu
daqui a cem anos os polacos?
Que dirão de minha poesia
os que não tocaram meu sangue?
Como se mede a espuma
que r…
Noite - LXXXI
Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como o â…
Meio-Dia - XXXV
Tua mão foi voando de meus olhos ao dia.
Entrou a luz como uma roseira aberta.
Areia e céu palpitavam como uma
culminante colmeia cortada nas turquesas.
XVI - Os homens
O fatigado, o órfão
das multidões, o eu,
o triturado, o do asfalto,
o apátrida dos restaurantes repletos,
o que queria ir mais longe, sempre,
não sabia …
Tarde - LXIV
De tanto amor minha vida se tingiu de violeta
e fui de rumo em rumo como as aves cegas
até chegar a tua janela, amiga minha:
tu sentiste um rumor de coração quebr…
X - Os homens
Sim, próximos desenganados, antes de regressar
ao curral, à colmeia das tristes abelhas,
turistas convencidos de voltar, companheiros
de rua negra com casas de an…
Combate da Itália
Europa vestida de velhas violetas e torres de estirpe angustiada
nos fez voar na sua onda de ilustres paixões
e em Roma as flores, as vozes, a noite iracunda,
os …
Nas Ruas de Praga
Recordas as ruas de Praga que duras sonhavam
como se tambores de pedra sonhassem na solidão
daquele que através dos mares buscou tua lembrança:
tua imagem em cima…
XLVI
E como se chama esse mês
que está entre dezembro e janeiro?
Com que direito numeraram
as doces uvas do racimo?
Por que não nos deram extensos
XLI
Quanto dura um rinoceronte
depois de ser enternecido?
Que contam de novo as folhas
da recente primavera?
As folhas vivem no inverno
em segre…