Lista de Poemas
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Obrigado, Violinos
Obrigado, violinos, por este dia
de quatro cordas.
É puro o som do céu,
a voz azul do ar.
LXIV
Por que minha roupa desbotada
se agita como uma bandeira?
Sou um malvado alguma vez
ou todas as vezes sou bom?
É a bondade que se aprende
ou…
Noite - XCV
Os que se amaram como nós? Busquemos
as antigas cinzas do coração queimado
e ali que tombem um por um nossos beijos
até que ressuscite a flor desabitada.
LXXII
Se todos os rios são doces
de onde tira sal o mar?
Como sabem as estações
que devem mudar de camisa?
Por que tão lentas no inverno
e tão pal…
As Estrelas
Dali, dali, assinalou o sineiro,
a multidão viu para esse lado
o de sempre, o noturno azul do Chile,
uma palpitação de estrelas pálidas.
Vieram mais, o…
Epitalâmio
Lembras-te de quando
no inverno
chegámos à ilha?
O mar erguia em nossa direcção
uma taça de frio.
Nas paredes as vides
sussurravam deixando
ca…
O Porto Porto
O porto porto de Valparaiso
mal vestido de terra
Contou-me: — não sabe navegar —
suporta a investida,
vendaval, terremoto,
onda marinha,
todas as f…
XVII - A ilha
Oh torre da luz, triste formosura
que dilatou no mar estátuas e colares,
olho calcário, insígnia da água extensa, grito
de albatroz enlutado, dente do mar, esposa…
LXI
A gota viva do mercúrio
corre para baixo ou para sempre?
Minha poesia infeliz
olhará com os olhos meus?
Terei meu cheiro e minhas dores
quan…
Canto VI - América, não invoco o teu nome em vão
I
De cima (1942)
O percorrido, o ar
indefinível, a lua das crateras,
a seca lua derramada
sobre as cicatrizes,
o calcário buraco da túnica ro…
Noite - LXXXVII
As três aves do mar, três raios, três tesouras,
cruzaram pelo céu frio para Antofagasta,
por isso ficou o ar tremuloso,
tudo tremeu como bandeira ferida.
A nostalgia
Daquelas aldeias que cruzam o inverno e as ferrovias
invicto saía apesar dos anos meu escuro relâmpago
que ainda ilumina as ruas adversas onde se uniram o frio
e …
A doce pátria
A terra, minha terra, meu barro, a luz sanguinária do orto vulcânico
a paz claudicante do dia e a noite dos terremotos,
o boldo, o loureiro, a araucária ocupando o per…
XXXII
Há algo mais tolo na vida
que chamar-se Pablo Neruda?
Há no céu da Colômbia
um colecionador de nuvens?
Por que sempre se fazem em Londres
os…
V
Que guardas sob tua corcova?
disse um camelo a uma tartaruga.
E a tartaruga perguntou:
Que conversas com as laranjas?
Tem mais folhas uma pereira…
LXIII
Como conciliar com os pássaros
a tradução de seus idiomas?
Como digo à tartaruga
que eu a ganho em lentidão?
Como pergunto à pulga
as cifras…
Noite - XCIV
Se morro sobrevive-me com tanta força pura
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de Sul a Sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boca de…
Tarde - LIX
Pobres poetas a quem a vida e a morte
perseguiram com a mesma tenacidade sombria
e logo são cobertos por impassível pompa,
entregues ao rito e ao dente funerário.…
Tarde - LV
Espinhos, vidros rotos, enfermidades, pranto
assediam dia e noite o mel dos felizes
e não serve a torre, nem a viagem nem os muros:
a desventura atravessa a paz d…
Os versos do Capitão
Oh dor que envolveram relâmpagos e foram guardando-se
naqueles versos, fugazes e duros, floridos e amargos,
em que um Capitão cujos olhos esconde uma máscara negra
XI
Até quando falam os outros
se nós temos falado?
Que diria José Martí
do pedagogo Marinello?
Quantos anos tem novembro?
Que segue pagan…
LII
Quanto media o polvo negro
que obscureceu a paz do dia?
Eram de ferro seus ramais
e de fogo morto seus olhos?
E a baleia tricolor
por que me…
VI
Por que o chapéu da noite
voa com tantos furos?
O que diz a velha cinza
quando caminha junto ao fogo?
Por que choram tanto as nuvens
e cada …
LX
E que importância tenho eu
no tribunal do olvido?
Qual é a representação
do resultado vindouro?
É a semente cereal
com sua multidão amarela?…