Poemas neste tema
Relações e Família
Nelson Motta
Cara
Para Cora
Você é uma mulher cara,
minha cara,
caríssima:
o coração endividado até a alma
pede concordata, quebra e
fale,
diga:
prisioneiros do desejo
teu desejo é cadeia que enleia
elo que soma nosso ele e ela,
o meu desejo é sempre ir e vir
para teu corpo como planta à terra.
enterra esses teus fundos olhos dentros meus
e dá-te a mim, mata-me, possui-me
para que seja eu as asas do teu vôo
que sou eu, teu, o tanto quanto és tua.
Você é uma mulher cara,
minha cara,
caríssima:
o coração endividado até a alma
pede concordata, quebra e
fale,
diga:
prisioneiros do desejo
teu desejo é cadeia que enleia
elo que soma nosso ele e ela,
o meu desejo é sempre ir e vir
para teu corpo como planta à terra.
enterra esses teus fundos olhos dentros meus
e dá-te a mim, mata-me, possui-me
para que seja eu as asas do teu vôo
que sou eu, teu, o tanto quanto és tua.
1 152
Madi
Mais que um Passeio
Mais que um Passeio
Amar você não é um passeio
É um parque de diversão inteiro
Amar você não é um passeio
É um parque de diversão inteiro
764
Nelson Motta
Dados Sobre um Lance
um lance do acaso
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
849
Nelson Motta
Dados Sobre um Lance
um lance do acaso
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
849
Nelson Motta
Dados Sobre um Lance
um lance do acaso
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
não abolirá jamais
o amor dado,
dizia o mallarmado.
4 de 8
mar morto
sol posto
teu rosto
meu porto
identidade perigosa
por ser eu a sua
e você(no fundo e dentro)
a minha cara,
o nosso drama
e nossa irônica aventura rara:
o tanto que nos une
é o mesmo que nos separa.
849
Madi
Se eu pudesse
Se eu pudesse
Ah! se eu pudesse...
Se eu pudesse,
eu faria das nossas vidas uma festa
Arrumaria um tempo para cuidar de flores
As flores eu mesma colhia
só para te presentear todo dia
Se eu pudesse,
eu seria a primeira a abrir a porta
Só para te ver chegar,
entrar,
sentar,
me olhar
e sorrir
Ah! se eu pudesse...
Se eu pudesse,
eu faria das nossas vidas uma festa
Arrumaria um tempo para cuidar de flores
As flores eu mesma colhia
só para te presentear todo dia
Se eu pudesse,
eu seria a primeira a abrir a porta
Só para te ver chegar,
entrar,
sentar,
me olhar
e sorrir
1 047
Madi
Cacto e Violeta
Cacto e Violeta
Ele se parece com as violetas, pela delicadeza
E eu com os cactos, mais pelos espinhos do que pela resistência
Não sabia que cactos pudessem amar tanto as violetas
Mas cacto, por amor, também muda a natureza
Aprende a podar seus espinhos
para encurtar o caminho entre ele e as violetas
Ele se parece com as violetas, pela delicadeza
E eu com os cactos, mais pelos espinhos do que pela resistência
Não sabia que cactos pudessem amar tanto as violetas
Mas cacto, por amor, também muda a natureza
Aprende a podar seus espinhos
para encurtar o caminho entre ele e as violetas
1 212
Madi
Vai Embora
Vai Embora
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
920
Madi
Vai Embora
Vai Embora
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
920
Paulo Véras
Marujo
Dentro da minha casa
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
1 136
Paulo Véras
Marujo
Dentro da minha casa
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
1 136
Nana Corrêa de Lima
Medo
Medo
Amo, mas sem certeza.
E é com dor nas entranhas
que assumo meus medos todos.
Vagarosamente,
Sem anestésico algum .....
Amo, mas sem certeza.
E é com dor nas entranhas
que assumo meus medos todos.
Vagarosamente,
Sem anestésico algum .....
888
Nelson Motta
Amare, Há Mares
te amar suave e silenciosamente
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
1 038
Rogério Bessa
Soneto da Amada
vou perdido e achado em ti
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
964
Mário da Silveira
Coroa de Rosas e de Espinhos
Sedenta de ódio, cega de despeito,
Nesta penosa e transitória lida,
A alma dos homens, pérfida e atrevida,
Perde às cousas mais nobres o respeito.
Dizem: "Tudo o que sentes no teu peito
Há de um dia passar, — porque na vida
Tudo é incenso sutil, poeira diluída,
O que é terreno é efêmero e imperfeito.
Um grande amor é corno o resto... A gente
Quando menos espera, logo sente
Apagar-se o clarão da ignota chama."
Eu sei que tudo é como o fumo leve:
Foge: mas, porque a vida seja breve,
Há sempre um dia mais para quem ama.
Nesta penosa e transitória lida,
A alma dos homens, pérfida e atrevida,
Perde às cousas mais nobres o respeito.
Dizem: "Tudo o que sentes no teu peito
Há de um dia passar, — porque na vida
Tudo é incenso sutil, poeira diluída,
O que é terreno é efêmero e imperfeito.
Um grande amor é corno o resto... A gente
Quando menos espera, logo sente
Apagar-se o clarão da ignota chama."
Eu sei que tudo é como o fumo leve:
Foge: mas, porque a vida seja breve,
Há sempre um dia mais para quem ama.
1 328
Madi
Sóis
Sóis
São três estrelas, ímpares
Singulares
São lindas: de longe e de perto
Uma é por demais sedutora
Encanta, mas pouco oferece
A outra tem brilho certo
e virou meu livro aberto
A última tem senso de humor
e diz que ainda me tem amor
Gosto das três, desigualmente
Ímpares, singulares e lindas,
elas não são estrelas,
são sóis
São três estrelas, ímpares
Singulares
São lindas: de longe e de perto
Uma é por demais sedutora
Encanta, mas pouco oferece
A outra tem brilho certo
e virou meu livro aberto
A última tem senso de humor
e diz que ainda me tem amor
Gosto das três, desigualmente
Ímpares, singulares e lindas,
elas não são estrelas,
são sóis
969
Madi
Ficar
Ficar
Pra ficar com você, pensei numa tarde. É pouco
Pensei numa noite. Também é pouco
Pensei num dia inteiro. Não é suficiente
O meu amor não é amor de uma tarde,
de uma noite e nem de um dia
É amor para todas as tardes, todas as noites
e todos os dias de uma vida inteira
Pra ficar com você, pensei numa tarde. É pouco
Pensei numa noite. Também é pouco
Pensei num dia inteiro. Não é suficiente
O meu amor não é amor de uma tarde,
de uma noite e nem de um dia
É amor para todas as tardes, todas as noites
e todos os dias de uma vida inteira
915
Madi
Procuro
Procuro
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
906
Leão Vasconcelos
In Solitudine
Quando o jardim se ensombra e a noite desce,
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
878
Hermes Vieira
Trovador da Roça
Eu sou fio do alto do sertão
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
1 088
Hermes Vieira
Trovador da Roça
Eu sou fio do alto do sertão
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
1 088
Leão Vasconcelos
Canto do Peregrino
Para louvar-te
Em versos de arte
A estreme beleza,
Vim de longe — ó Princesa!
Chegou no meu tugúrio a fama de teu nome!
E eu parti, lira às mãos, ardendo em sede e fome,
Para ver-te e contar a todos os mortais
A beleza sem par de teus olhos fatais,
Do teu perfil sereno de medalha,
Do teu sorriso trêmulo e divino...
Acolhe a prece, pois, do peregrino...
Vim de longe e parei ante a forte muralha
Do teu castelo, o rosto exangue...
Em sangue da jornada os pés, as mãos em sangue
E exposto ao vento e à chuva espero que apareça
O sol para esfolhar sobre a tua cabeça
As rosas que colhi rio meu triste caminho,
Deixando algo de mim em cada espinho
Por onde, só, passei, deslumbrado a cantar
Atrás de uma quimera...
E, ó Princesa! já choram, a tua espera
os meus olhos cansados de sonhar...
Em versos de arte
A estreme beleza,
Vim de longe — ó Princesa!
Chegou no meu tugúrio a fama de teu nome!
E eu parti, lira às mãos, ardendo em sede e fome,
Para ver-te e contar a todos os mortais
A beleza sem par de teus olhos fatais,
Do teu perfil sereno de medalha,
Do teu sorriso trêmulo e divino...
Acolhe a prece, pois, do peregrino...
Vim de longe e parei ante a forte muralha
Do teu castelo, o rosto exangue...
Em sangue da jornada os pés, as mãos em sangue
E exposto ao vento e à chuva espero que apareça
O sol para esfolhar sobre a tua cabeça
As rosas que colhi rio meu triste caminho,
Deixando algo de mim em cada espinho
Por onde, só, passei, deslumbrado a cantar
Atrás de uma quimera...
E, ó Princesa! já choram, a tua espera
os meus olhos cansados de sonhar...
1 068
Luis Fernando Verissimo
Declaração de Amor
Declaração de Amor
Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber
falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela
professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e dpois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de resaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma
almofada.
Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palapitações:
No mal-me-quer, bem-me quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
Mata! Mata! por conservacionistas, ecólogos e afins.
Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
Se não me segurarem faço um soneto
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o
asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado: era PC
Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber
falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela
professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e dpois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de resaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma
almofada.
Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palapitações:
No mal-me-quer, bem-me quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
Mata! Mata! por conservacionistas, ecólogos e afins.
Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
Se não me segurarem faço um soneto
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o
asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado: era PC
2 974
José Lannes
Canção do Juramento
Fiz um dia um juramento
de nunca mais te querer;
de nem sequer um momento
outra vez teu pensamento
no coração acolher...
Era firme o juramento
de nunca mais te querer.
Mas apenas o fizera
mal de meus olhos! — te vi;
e como se nada houvera,
nem ainda te esquecera
o juramento esqueci ...
E mesmo do que fizera
duvidei, quando te vi.
O resultado estou vendo,
estou vendo, mas... em vão:
que sem remédio sofrendo
e sangue e fel escorrendo
tenho agora o coração.
Mas quem, amor, em te vendo
também não jurara em vão?
de nunca mais te querer;
de nem sequer um momento
outra vez teu pensamento
no coração acolher...
Era firme o juramento
de nunca mais te querer.
Mas apenas o fizera
mal de meus olhos! — te vi;
e como se nada houvera,
nem ainda te esquecera
o juramento esqueci ...
E mesmo do que fizera
duvidei, quando te vi.
O resultado estou vendo,
estou vendo, mas... em vão:
que sem remédio sofrendo
e sangue e fel escorrendo
tenho agora o coração.
Mas quem, amor, em te vendo
também não jurara em vão?
1 083