Do Canto X:
Pós-Legômenos
lúcida, a procura, mas não há cura,
meus olhos cansaram desses desvairas,
em meu rosto, marcas de descaminhos,
procura não-achada e gran pesar,
na saída do poema, a saída,
mais saída que a cura procurada;
a saída não será volta ao poema,
mas retorno ao ponto de retirada.
e assim, não haverá saída até
desfazer-se este périplo terrestre,
que é um circulo estabelecido,
por que dele não haja como sair.
Artimanha Calendária
4
quanto mais terno o mês
mais terno o coração do freguês
quanto mais terno o freguês
mais materno é o mês
mais mês menos mês mais materna a vez
e o freguês ao olhar do credor mais temo.
5
o cliente nefelibata:
o crer ente do ter sem ser
a cliência ônus-ciente
e o CRER/SER
da onisciência credora
o conceituário menstrual
e a cada mês
o ovo de Colombo
no lombo do otário
o ovo sobre o biombo
e o vôo de Colombo.
Do Canto II:
A Saída do Poema:
Fuga e Despedida das Melomanias Antiórficas
essa coita que me invade,
gran coyta que damor ey,
foi a que, vivendo El-Rey,
experimentou Guilhade.
os olhos verdes damiga
me fazen ora pensar:
se azuis não eram, cantiga
só, quem dela saberá!
sei que cantiga damigo
decanta os olhos dalguém
do hoje outrora que consigo
lembrar por mal e por bem.
Do Canto VIII:
O Cabo das Tormentas:
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó
nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.
povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.
momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.
Do Canto IX:
O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
Praxiscópio
práxis ópionão vãocontraópioprocopopráxis copacabanhapráxis copoeoencorpadocopodebanda
Do Canto VII:
Viagem de Retorno e Reencontro de SI, Seu Lenitivo:
A Cilada
o mar ruge assombroso,
o marujo rege o leme
e a estória do caramujo
semelha amor desses mares,
esses mares com seus homens,
esses homens caravelas
dizem desse amor de nada
com arestas sem avenas.
amor desconhece cláusulas
e cláusulas são clausuras,
que acerbam agudas arestas
no nascente amor de tudo.
Soneto da Amada
vou perdido e achado em ti
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
Do Canto VI:
Ao Redor do Homem:
A Ilha Busca da Síntese, Sua Dialética
diariamente o homem
caminha para a certeza,
quando eventualidades
não o tomem de surpresa.
homem que faz da vida
o seu surreal panar
não se nutre de ambrosia,
mas de carrapicho e urtiga.
o homem vive a sua viagem,
faz seu sonho desilusão,
melodia suas exéquias
na ânsia busca de pão.
Hora da Morte
7
a coisa:a casa,
a luta contra o casoo dobro do pensar
o ocaso:o caso:
cada coisa em seu lugara dobra do penso lar
o acasoa casa
a coisa em sua casao cobro do comprar
o quase:
o qual dobro penso ar
o caso:
o qualquer logro pendurar
o quase:
o modo loquaz a par
o caso:
o quasimodo sem modo.