Do Canto X:
Pós-Legômenos
lúcida, a procura, mas não há cura,
meus olhos cansaram desses desvairas,
em meu rosto, marcas de descaminhos,
procura não-achada e gran pesar,
na saída do poema, a saída,
mais saída que a cura procurada;
a saída não será volta ao poema,
mas retorno ao ponto de retirada.
e assim, não haverá saída até
desfazer-se este périplo terrestre,
que é um circulo estabelecido,
por que dele não haja como sair.
Do Canto III:
Onomatopéia e Cibernética; Orbitas do Homem:
Sua Aurora e Seu Ocaso
no princípio, não era o homem,
antes sonossexo, depois vigília,
o não-sono das coisas.
madrugada sono e sonho
com a descoberta de si,
fecha-se ao vir das sombras
e se despe homem vassalo
de sua mesma contextura
qual ode passada a limpo.
Memórias da Cidade
De São Sebastião do Rio de Janeiro
uma cidade aos pedaços:
um trecho aqui, outro lá,
impossíveis de mapear
na memória adventícia.
uma cidade aos pedaços:
viadutos estendidos,
curvos e bem retesados
e suspensos sobre rios
invisíveis, que desembocam
em nada, mas que vez por outra
dão com túneis que os engolem
na embocadura dos morros.
uma cidade debrum:
maritimamente orlada,
Flamengo, Botafogo etc.
imbricando-se em toda a volta.
impossível saber de cor
essa estranha geografia,
cujos pedaços só os mapas
seguramente memorizam.
Do Canto II:
A Saída do Poema:
Fuga e Despedida das Melomanias Antiórficas
essa coita que me invade,
gran coyta que damor ey,
foi a que, vivendo El-Rey,
experimentou Guilhade.
os olhos verdes damiga
me fazen ora pensar:
se azuis não eram, cantiga
só, quem dela saberá!
sei que cantiga damigo
decanta os olhos dalguém
do hoje outrora que consigo
lembrar por mal e por bem.
Hora da Morte
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a coisa:a casa,
a luta contra o casoo dobro do pensar
o ocaso:o caso:
cada coisa em seu lugara dobra do penso lar
o acasoa casa
a coisa em sua casao cobro do comprar
o quase:
o qual dobro penso ar
o caso:
o qualquer logro pendurar
o quase:
o modo loquaz a par
o caso:
o quasimodo sem modo.
Do Canto VIII:
O Cabo das Tormentas:
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó
nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.
povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.
momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.
Ciranda da Vida
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faz da forma o formão
pinta / carpe a empreita
faz da lima o limão
firma / malha / corre ponto
faz da liça a lição
logra / liga a espreita
faz do fuso a fusão
quinas / cana / fusa fuzuê
e a gana de ensinar
faz do fogo o fogão
bota / joga / faz o jogo
e o bota-tira botijão
faz da fila o filão
fila / finta / dribla o jogo
o dia crê e tenta ação.
Do Canto V:
Viagem Dentro e ao Redor de um Canteiro/
Seus Pronomes Relativos ou Passeio no Quintal:
Antilhas
tem de seu a vegetal baga,
de gente, essa servilidade
e em todas as prestanças úteis,
o querer-ser e ser o que é.
em forma de glândula e pêlo,
a angústia sai pelas folhas
e a tristeza de coisa estampa
a palidez de suas flores.
na maturidade, enrubece
a agridoce ovóide baga,
na substância de polpa aquosa;
tenção de não-servir contente.
Do Canto VII:
Viagem de Retorno e Reencontro de SI, Seu Lenitivo:
A Cilada
o mar ruge assombroso,
o marujo rege o leme
e a estória do caramujo
semelha amor desses mares,
esses mares com seus homens,
esses homens caravelas
dizem desse amor de nada
com arestas sem avenas.
amor desconhece cláusulas
e cláusulas são clausuras,
que acerbam agudas arestas
no nascente amor de tudo.
Do Canto VI:
Ao Redor do Homem:
A Ilha Busca da Síntese, Sua Dialética
diariamente o homem
caminha para a certeza,
quando eventualidades
não o tomem de surpresa.
homem que faz da vida
o seu surreal panar
não se nutre de ambrosia,
mas de carrapicho e urtiga.
o homem vive a sua viagem,
faz seu sonho desilusão,
melodia suas exéquias
na ânsia busca de pão.