Rogério Bessa

Rogério Bessa

Rogério Bessa foi um poeta, professor e crítico literário português, cuja obra se insere predominantemente no contexto do Modernismo português. A sua poesia é caracterizada por uma forte musicalidade, pela exploração de temas urbanos e existenciais, e por uma linguagem inovadora e expressiva. Bessa destacou-se também pela sua atividade crítica, contribuindo para a análise e divulgação da literatura contemporânea. Como professor e investigador, teve um papel importante na disseminação do conhecimento literário, e a sua obra poética, embora não extensíssima, é valorizada pela sua originalidade e pela sua capacidade de captar o pulso da vida moderna, deixando uma marca significativa na poesia portuguesa do século XX.

n. , Rio de Janeiro

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Do Canto X:

Pós-Legômenos

lúcida, a procura, mas não há cura,
meus olhos cansaram desses desvairas,
em meu rosto, marcas de descaminhos,
procura não-achada e gran pesar,

na saída do poema, a saída,
mais saída que a cura procurada;
a saída não será volta ao poema,
mas retorno ao ponto de retirada.

e assim, não haverá saída até
desfazer-se este périplo terrestre,
que é um circulo estabelecido,
por que dele não haja como sair.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Rogério de Almeida Bessa foi um poeta, professor e crítico literário português. Pseudónimo: "Albuquerque"

Infância e formação

Nasceu em Lisboa. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Germânica e, posteriormente, em Filologia Românica.

Percurso literário

Rogério Bessa iniciou a sua atividade literária no contexto do Modernismo português. Foi uma figura ativa na vida cultural e literária, colaborando em diversas publicações e antologias. A sua obra poética é conhecida pela sua musicalidade e pela exploração de temas do quotidiano e da condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A poesia de Rogério Bessa é marcada por uma forte influência do Modernismo, com ênfase na musicalidade, no ritmo e na exploração de uma linguagem coloquial, mas ao mesmo tempo elaborada e expressiva. Os temas centrais da sua obra incluem a cidade, a solidão, o amor, a passagem do tempo e a reflexão sobre a condição humana, muitas vezes abordados com um tom lírico, por vezes melancólico, mas também com momentos de ironia. A forma poética em Bessa tende a privilegiar o verso livre, mas com uma estrutura interna bem definida e uma sonoridade cuidada. A sua linguagem é muitas vezes densa em imagens e procura captar a experiência moderna. Foi associado ao movimento neo-realista, embora a sua obra apresente particularidades que a distinguem.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rogério Bessa viveu e produziu a sua obra durante um período de efervescência cultural em Portugal, especialmente ligado ao Modernismo. Como professor e crítico, esteve envolvido com o meio intelectual e literário da sua época.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Foi professor de Português e de Francês no ensino secundário. Dedicou-se também à crítica literária, publicando estudos sobre autores contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Rogério Bessa, embora por vezes menos visível que a de outros contemporâneos, é reconhecida pela sua qualidade e originalidade. A sua poesia é valorizada pela sua musicalidade e pela sua capacidade de expressar a complexidade da vida moderna.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado pelas correntes modernistas, Bessa desenvolveu um estilo próprio que marcou a poesia portuguesa. O seu legado reside na sua contribuição para a renovação da linguagem poética e na sua sensibilidade para os temas da vida contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Rogério Bessa tem sido analisada sob a perspetiva da sua ligação ao Modernismo e ao Neo-realismo, destacando-se a sua capacidade de conciliar a experimentação formal com a profundidade temática.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Colaborou com o pseudónimo "Albuquerque".

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rogério Bessa faleceu, mas a sua obra continua a ser lembrada e estudada como parte importante da poesia portuguesa do século XX.

Poemas

20

Do Canto X:

Pós-Legômenos

lúcida, a procura, mas não há cura,
meus olhos cansaram desses desvairas,
em meu rosto, marcas de descaminhos,
procura não-achada e gran pesar,

na saída do poema, a saída,
mais saída que a cura procurada;
a saída não será volta ao poema,
mas retorno ao ponto de retirada.

e assim, não haverá saída até
desfazer-se este périplo terrestre,
que é um circulo estabelecido,
por que dele não haja como sair.

983

Ciranda da Vida

10

faz da forma o formão
pinta / carpe a empreita

faz da lima o limão
firma / malha / corre ponto

faz da liça a lição
logra / liga a espreita

faz do fuso a fusão
quinas / cana / fusa fuzuê
e a gana de ensinar

faz do fogo o fogão
bota / joga / faz o jogo
e o bota-tira botijão

faz da fila o filão
fila / finta / dribla o jogo
o dia crê e tenta ação.

850

Artimanha Calendária

4

quanto mais terno o mês
mais terno o coração do freguês

quanto mais terno o freguês
mais materno é o mês

mais mês menos mês mais materna a vez
e o freguês ao olhar do credor mais temo.

5

o cliente nefelibata:
o crer ente do ter sem ser
a cliência ônus-ciente
e o CRER/SER
da onisciência credora
o conceituário menstrual
e a cada mês
o ovo de Colombo

no lombo do otário
o ovo sobre o biombo
e o vôo de Colombo.

1 008

Hora da Morte

7

a coisa:a casa,
a luta contra o casoo dobro do pensar
o ocaso:o caso:

cada coisa em seu lugara dobra do penso lar
o acasoa casa
a coisa em sua casao cobro do comprar

o quase:
o qual dobro penso ar
o caso:
o qualquer logro pendurar
o quase:
o modo loquaz a par
o caso:
o quasimodo sem modo.

785

Do Canto IX:

O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol

no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;

no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.

no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.

949

Do Canto II:

A Saída do Poema:
Fuga e Despedida das Melomanias Antiórficas

essa coita que me invade,
gran coyta que damor ey,
foi a que, vivendo El-Rey,
experimentou Guilhade.

os olhos verdes damiga
me fazen ora pensar:
se azuis não eram, cantiga
só, quem dela saberá!

sei que cantiga damigo
decanta os olhos dalguém
do hoje outrora que consigo
lembrar por mal e por bem.

1 178

Do Canto VIII:

O Cabo das Tormentas:
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó

nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.

povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.

momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.

873

Do Canto VII:

Viagem de Retorno e Reencontro de SI, Seu Lenitivo:
A Cilada

o mar ruge assombroso,
o marujo rege o leme
e a estória do caramujo
semelha amor desses mares,

esses mares com seus homens,
esses homens caravelas
dizem desse amor de nada
com arestas sem avenas.

amor desconhece cláusulas
e cláusulas são clausuras,
que acerbam agudas arestas
no nascente amor de tudo.

986

Poema do Bom Pastor

cruzeiro luminoso não feito de acrílico
apagando e acendendo no céu
navegante de mil viagens
inventor ousado do esputinique
jato supereternidade
comedor de distâncias de ontem a hoje

o Bom Pastor apascenta seus rebanhos de nuvens
o Bom Pastor, chefe do setor administrativo
apascenta rebanhos de lã
seus rebanhos pastam chuva e eternidade

Bom Pastor de olhos de estrela
cravejado de estrelas em disposição de cruz
Bom Pastor capitão de fragata
Bom Pastor amansador de pirata
salvador de mil naufrágios

Bom Pastor marinheiro antigo
carpinteiro de mil barcas
pregadas nas pontinhas com as tachinhas das estrelas

Bom Pastor olhar de neve
cabelos de espiga dourados
cajado de feixe de trigo
reluzindo ao sol da graça

Bom Pastor de dedos vertendo cintilações
Bom Pastor de olhar de neve
tange essas barcas de leve
para o ancoradouro de Paz e Eternidade.

1 824

Crer Diário

Prólogo Menos:
3

o que o CRER DIÁRIO diz
o CREDIÁRIO não faz

no CRER: a cara do CREDOR
no CRÉDULO: A DO CREDULIÁRIO

no CREDIÁRIO: o perdulário
no CRER DIÁRIO: o escapulário.

1 023

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