Poemas neste tema
Relações e Família
Eduardo Bacelar
Noites em Claro
Meia noite e o telefone não tocou,
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
585
Edielson Pereira
Sertão
Por acaso nunca viste
Uma seca no sertão?
O sol indo dormir triste
Por ter queimado o chão.
Num córrego, lama rachando,
Galinhas cacarejando,
E um velho de enxada na mão;
Um fogareiro, uma panela
Um pote d’água, uma tigela
À luz do lampião.
O nascimento da lua
Prateando a terra cinzenta;
Amarrada numa estaca
Uma magricela vaca
E a fome que a arrebenta;
Sem chuvas um inverno indo
Mais um dia quente findo
Uma forte fé nos sustenta.
À mesa uma família triste
Faz sua lamentação;
Por acaso nunca viste
Uma seca no sertão?
812
António Diniz da Cruz e Silva
Soneto
Da bela mãe perdido Amor errava
Pelos campos que corta o Tejo brando,
E a todos quantos via suspirando
Sem descanso por ela procurava.
Os farpões lhe caíam da áurea aljava;
Mas ele de arco e setas não curando,
Mil glórias prometia, soluçando,
A quem à deusa o leve, que buscava.
Quando Jônia que ali seu gado pasce,
Enxugando-lhe as lágrimas que chora,
A Vênus lhe mostrar, leda, se oferece:
Mas Amor dando um vôo à linda face
Beijando-a lhe tornou: "Gentil pastora,
Quem os teus olhos vê, Vênus esquece".
Pelos campos que corta o Tejo brando,
E a todos quantos via suspirando
Sem descanso por ela procurava.
Os farpões lhe caíam da áurea aljava;
Mas ele de arco e setas não curando,
Mil glórias prometia, soluçando,
A quem à deusa o leve, que buscava.
Quando Jônia que ali seu gado pasce,
Enxugando-lhe as lágrimas que chora,
A Vênus lhe mostrar, leda, se oferece:
Mas Amor dando um vôo à linda face
Beijando-a lhe tornou: "Gentil pastora,
Quem os teus olhos vê, Vênus esquece".
1 181
Dora Ferreira da Silva
Pássaro e Mulher
Quem me prende
mais do que a terra?
Impossível o vôo
agora.
Quente fremente
a intenção de alguém.
Desfez-se a palidez
perdi meu vôo
nas grades de seu peito.
Aprísiona-me - grilhão -
o seio suave e
no calor do instante
a união.
mais do que a terra?
Impossível o vôo
agora.
Quente fremente
a intenção de alguém.
Desfez-se a palidez
perdi meu vôo
nas grades de seu peito.
Aprísiona-me - grilhão -
o seio suave e
no calor do instante
a união.
1 708
Diamond
Gorda! Eu?
Hoje, lá na praia
Nesse domingo blue
A vi com um carrinho de bebe
Tão lindo seu filhinho
Não quis me aproximar, baby
Mas de longe observei que
Continuas a mais linda mulher
Que eu conheci, three years ago
O cabelo, outra cor, melhor
Um pouco mais gorda, talvez
O busto um pouco maior
O mesmo lindo sorriso
Os mesmos olhos azuis
Nenhuma saudade de mim
Nesse domingo blue
A vi com um carrinho de bebe
Tão lindo seu filhinho
Não quis me aproximar, baby
Mas de longe observei que
Continuas a mais linda mulher
Que eu conheci, three years ago
O cabelo, outra cor, melhor
Um pouco mais gorda, talvez
O busto um pouco maior
O mesmo lindo sorriso
Os mesmos olhos azuis
Nenhuma saudade de mim
968
Diamond
Gorda! Eu?
Hoje, lá na praia
Nesse domingo blue
A vi com um carrinho de bebe
Tão lindo seu filhinho
Não quis me aproximar, baby
Mas de longe observei que
Continuas a mais linda mulher
Que eu conheci, three years ago
O cabelo, outra cor, melhor
Um pouco mais gorda, talvez
O busto um pouco maior
O mesmo lindo sorriso
Os mesmos olhos azuis
Nenhuma saudade de mim
Nesse domingo blue
A vi com um carrinho de bebe
Tão lindo seu filhinho
Não quis me aproximar, baby
Mas de longe observei que
Continuas a mais linda mulher
Que eu conheci, three years ago
O cabelo, outra cor, melhor
Um pouco mais gorda, talvez
O busto um pouco maior
O mesmo lindo sorriso
Os mesmos olhos azuis
Nenhuma saudade de mim
968
Diamond
Celular
Muito estranho esse amor virtual !
Cujo o rosto eu não conheço, profano e temporal.
Parece adoçante sintético. Do qual só sinto o doce,
Não a vejo onde vou. Nem imagino você
Mas, o dia que a encontrar, mesmo que eu
Não saiba quem você é, o meu coração saberá
E feito um louco celular, no bolso do meu peito,
Tremendo aflito, me comunicará a sua mágica presença.
Trimmmm
Cujo o rosto eu não conheço, profano e temporal.
Parece adoçante sintético. Do qual só sinto o doce,
Não a vejo onde vou. Nem imagino você
Mas, o dia que a encontrar, mesmo que eu
Não saiba quem você é, o meu coração saberá
E feito um louco celular, no bolso do meu peito,
Tremendo aflito, me comunicará a sua mágica presença.
Trimmmm
1 043
Diamond
Celular
Muito estranho esse amor virtual !
Cujo o rosto eu não conheço, profano e temporal.
Parece adoçante sintético. Do qual só sinto o doce,
Não a vejo onde vou. Nem imagino você
Mas, o dia que a encontrar, mesmo que eu
Não saiba quem você é, o meu coração saberá
E feito um louco celular, no bolso do meu peito,
Tremendo aflito, me comunicará a sua mágica presença.
Trimmmm
Cujo o rosto eu não conheço, profano e temporal.
Parece adoçante sintético. Do qual só sinto o doce,
Não a vejo onde vou. Nem imagino você
Mas, o dia que a encontrar, mesmo que eu
Não saiba quem você é, o meu coração saberá
E feito um louco celular, no bolso do meu peito,
Tremendo aflito, me comunicará a sua mágica presença.
Trimmmm
1 043
Carla Dias
Figuras
O teu rosto entre minhas mãos ...
eu carrego teu rosto,
teus lábios secos.
Carrego teus olhares e teu medo.
O teu corpo se encolhe,
como se quisesse contar uma estória.
Já vi um tudo inigualável,
o meu tudo ... teu ...
Tenho tuas mãos sobre meus ombros,
como se fizessem parte
da arquitetura imperfeita
da minha existência.
O teu espaço cabe no tempo
que levo a atingir
tuas vozes ameaçadoras ...
de si para si ... o que resta?
O teu rosto entre minhas mãos,
como se eu pudesse ler
teu poema concreto ...
sobre ser humano.
eu carrego teu rosto,
teus lábios secos.
Carrego teus olhares e teu medo.
O teu corpo se encolhe,
como se quisesse contar uma estória.
Já vi um tudo inigualável,
o meu tudo ... teu ...
Tenho tuas mãos sobre meus ombros,
como se fizessem parte
da arquitetura imperfeita
da minha existência.
O teu espaço cabe no tempo
que levo a atingir
tuas vozes ameaçadoras ...
de si para si ... o que resta?
O teu rosto entre minhas mãos,
como se eu pudesse ler
teu poema concreto ...
sobre ser humano.
1 297
Diamond
O Mar
Lambendo com gosto a areia,
Nesse amor de vai e vem,
Num gozo de muita espuma,
Molha o meu amor, também.
Nesse amor de vai e vem,
Num gozo de muita espuma,
Molha o meu amor, também.
961
Dílson Catarino
Sina Sem Fim
minha sina é ser feliz
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
939
Diamond
Casca de ovo
Lembro bem lá da fazenda
Inaugurava a manha, no retiro
A canção dos latões ávidos de leite
Bezerrada apartada, um mugido de saudade
Cheiro forte de café, assando broa de milho
Queijo de coalho Estrela do Sul, estrela dalva já se foi
A dança das cozinheira, os psiu, psiu...silencio
Crianças ainda dormem, mas devem estudar
Mamãe toda zelosa comanda um pelotão
Chinelo não faz barulho, sete horas acordar
Arde no nariz, a fumaça do carro que nos vai levar
Os meninos para a escola, preparando seu futuro
E o boi vai pra degola, nem pensar em chorar
O cachorro preguiçoso se estica na varanda
Se ajeita pra esperar a gurizada voltar
Ai que saudade eu tenho, deste cantinho celeste
Do amor do meu cachorro, da varanda de chão frio
Da curva da estradinha, por onde eu via chegar
Meu Pai levantando poeira, na guia do Chevrolet
Bolso cheio de balas para a molecada agradar
O café, o cavalo e o boi, personagens do lugar
Pena que o tempo passou, que ausências tão doidas
Dos chinelos da mamãe, da canção do luar
Da cozinheira assustada, os quitutes e empadinhas
Que só o forno de lenha sabia formar. As mangueiras do pomar
Para doer e maltratar, por vezes esqueço como o rosto do Pai
Das fogueiras de São João, do domingo lá na missa.
Incenso, sol e sininho da capela branquinha
Restou-me a saudade, num prédio em frente ao mar
Daqueles a quem mais amei, daquele singelo lugar
Bem perto da porteira que ainda vai pro cafezal,
três cruzes resumem tudo
Guardam estórias, amores e cuidados. Não perdi tudo porem
Divina Generosidade, entendendo a minha dor
Me restaram três porta retratos e o direito de sonhar
Inaugurava a manha, no retiro
A canção dos latões ávidos de leite
Bezerrada apartada, um mugido de saudade
Cheiro forte de café, assando broa de milho
Queijo de coalho Estrela do Sul, estrela dalva já se foi
A dança das cozinheira, os psiu, psiu...silencio
Crianças ainda dormem, mas devem estudar
Mamãe toda zelosa comanda um pelotão
Chinelo não faz barulho, sete horas acordar
Arde no nariz, a fumaça do carro que nos vai levar
Os meninos para a escola, preparando seu futuro
E o boi vai pra degola, nem pensar em chorar
O cachorro preguiçoso se estica na varanda
Se ajeita pra esperar a gurizada voltar
Ai que saudade eu tenho, deste cantinho celeste
Do amor do meu cachorro, da varanda de chão frio
Da curva da estradinha, por onde eu via chegar
Meu Pai levantando poeira, na guia do Chevrolet
Bolso cheio de balas para a molecada agradar
O café, o cavalo e o boi, personagens do lugar
Pena que o tempo passou, que ausências tão doidas
Dos chinelos da mamãe, da canção do luar
Da cozinheira assustada, os quitutes e empadinhas
Que só o forno de lenha sabia formar. As mangueiras do pomar
Para doer e maltratar, por vezes esqueço como o rosto do Pai
Das fogueiras de São João, do domingo lá na missa.
Incenso, sol e sininho da capela branquinha
Restou-me a saudade, num prédio em frente ao mar
Daqueles a quem mais amei, daquele singelo lugar
Bem perto da porteira que ainda vai pro cafezal,
três cruzes resumem tudo
Guardam estórias, amores e cuidados. Não perdi tudo porem
Divina Generosidade, entendendo a minha dor
Me restaram três porta retratos e o direito de sonhar
944
Dílson Catarino
Quero-Quero
A carga d’água nas costas feridas
quero-quero que tudo role
que tudo rode,
tudo mole,
tudo pode.
posso?
POSTE
POST.
MORTEM.
Tudo aquilo que eu sempre quis
nada
As gueixas pintadas
as ameixas murchas
as queixas infundadas
suas saias justas
SAIA! - SAIA!
não quero mais ficar aqui...
Não quero mais encargos
nem mesmo um cargo quero
Eu quero um beijo
embaixo da cachoeira
no vale das águas.
quero-quero que tudo role
que tudo rode,
tudo mole,
tudo pode.
posso?
POSTE
POST.
MORTEM.
Tudo aquilo que eu sempre quis
nada
As gueixas pintadas
as ameixas murchas
as queixas infundadas
suas saias justas
SAIA! - SAIA!
não quero mais ficar aqui...
Não quero mais encargos
nem mesmo um cargo quero
Eu quero um beijo
embaixo da cachoeira
no vale das águas.
870
Diamond
Mosaico
Cada uma em seu lugar
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
1 156
Dieter Roos
Talvez
talvez
não exista o amor
talvez
exista somente
o ódio
e aquilo
que chamamos de amor
é somente odiar
não exista o amor
talvez
exista somente
o ódio
e aquilo
que chamamos de amor
é somente odiar
875
Dílson Catarino
Eu Você
quero por que quero querer
seu cheiro em minha vida
não me importa se é já
ou se é muito depois
o que me importa é
ter um filme a assistir
ou cervejas a tomar
o que quero é estar
no seu sonho ou pesadelo
e por acaso penetrar
em sua fome ou janela
não gosto de não ter
vontade de ter fome
você sem minha fome
gosto de você mesmo sem fome
você é a minha madrugada
é meu carinho em um cão sem dono
é meu sonho em uma estrada de madrugada
é meu cheiro de lenha molhada
é minha ópera de madrugada
é a minha própria madrugada
você sem mim
é meio sem fim
eu sem você
sou todo sem quê.
sou inteiro sem porquê
sou montante sem sem
sou eu sem ser você
sou você sem ser você
minha vida é sem Drummond
o duro é estar Byron
querendo estar você
e meio sem saber
sempre sou você
EU EM VOCÊ
VOCÊ E EU
seu cheiro em minha vida
não me importa se é já
ou se é muito depois
o que me importa é
ter um filme a assistir
ou cervejas a tomar
o que quero é estar
no seu sonho ou pesadelo
e por acaso penetrar
em sua fome ou janela
não gosto de não ter
vontade de ter fome
você sem minha fome
gosto de você mesmo sem fome
você é a minha madrugada
é meu carinho em um cão sem dono
é meu sonho em uma estrada de madrugada
é meu cheiro de lenha molhada
é minha ópera de madrugada
é a minha própria madrugada
você sem mim
é meio sem fim
eu sem você
sou todo sem quê.
sou inteiro sem porquê
sou montante sem sem
sou eu sem ser você
sou você sem ser você
minha vida é sem Drummond
o duro é estar Byron
querendo estar você
e meio sem saber
sempre sou você
EU EM VOCÊ
VOCÊ E EU
1 000
Di Souto
Busca
Há momentos
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
417
Fernanda Teixeira
Não Pedirei Adeus
Reflito minha vida,
a compartilho contigo.
De uma luz preciso,
de um caminho para seguir;
A saudade
que
como nunca me atingiu
Ao pensar nos bons momentos
que só você...
Volta,
preciso,
volta, volta pra mim!
Nem esses campos infinitos me consolam
da tristeza de assim...
Não me faça pedir adeus
pois nesses campos me afogaria,
ao me lembrar de teus beijos molhados,
que ainda tocam os meus lábios,
e vagam por mim;
Não, não foste embora,
continuaste aqui,
em minha memória,
mas ainda preciso de ti;
te clamo:
volta,
volta pra mim !
a compartilho contigo.
De uma luz preciso,
de um caminho para seguir;
A saudade
que
como nunca me atingiu
Ao pensar nos bons momentos
que só você...
Volta,
preciso,
volta, volta pra mim!
Nem esses campos infinitos me consolam
da tristeza de assim...
Não me faça pedir adeus
pois nesses campos me afogaria,
ao me lembrar de teus beijos molhados,
que ainda tocam os meus lábios,
e vagam por mim;
Não, não foste embora,
continuaste aqui,
em minha memória,
mas ainda preciso de ti;
te clamo:
volta,
volta pra mim !
800
Debora Bottcher
Momentos
Quase a Vida me foge dos sentidos quando te vejo.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
946
Carolina Vigna Prado
Angústias de uma espera
Deixei o telefone no máximo na esperança de você ligar.
Percorri bares, restaurantes, esquinas, lares.
Te escrevi dezenas de cartas que nunca entreguei.
Arrumei a casa.
Comprei roupa.
Fui aos lugares que você freqüenta.
Tentei largar o cigarro.
Me perfumei.
Me tornei feminina.
Mudei meu horário.
Emagreci.
Amei os teus.
Te liguei, disseram que tinha saído.
Te pedi, você não respondeu.
Fiz planos.
Comprei espartilho, cinta-liga e lingerie.
Te fiz cafuné.
Me fiz disponível.
Consertei a cama.
Comprei lençóis.
Fiz cópia da chave para o caso de você ficar.
Tomo pílulas para o caso de você querer.
Carrego sua foto na minha carteira.
Aprendi a andar no seu bairro.
Chorei por você.
Ri com você.
Ri de você.
Não me importei com seu atraso.
Inventei você ao meu lado.
Te convidei para entrar.
Te convidei para ficar.
Te contei tanto.
Te dei a chave.
Te desejei.
Te atrapalhei.
Te sufoquei.
Te matei.
E você nem percebeu.
Percorri bares, restaurantes, esquinas, lares.
Te escrevi dezenas de cartas que nunca entreguei.
Arrumei a casa.
Comprei roupa.
Fui aos lugares que você freqüenta.
Tentei largar o cigarro.
Me perfumei.
Me tornei feminina.
Mudei meu horário.
Emagreci.
Amei os teus.
Te liguei, disseram que tinha saído.
Te pedi, você não respondeu.
Fiz planos.
Comprei espartilho, cinta-liga e lingerie.
Te fiz cafuné.
Me fiz disponível.
Consertei a cama.
Comprei lençóis.
Fiz cópia da chave para o caso de você ficar.
Tomo pílulas para o caso de você querer.
Carrego sua foto na minha carteira.
Aprendi a andar no seu bairro.
Chorei por você.
Ri com você.
Ri de você.
Não me importei com seu atraso.
Inventei você ao meu lado.
Te convidei para entrar.
Te convidei para ficar.
Te contei tanto.
Te dei a chave.
Te desejei.
Te atrapalhei.
Te sufoquei.
Te matei.
E você nem percebeu.
860
Carolina Vigna Prado
Angústias de uma espera
Deixei o telefone no máximo na esperança de você ligar.
Percorri bares, restaurantes, esquinas, lares.
Te escrevi dezenas de cartas que nunca entreguei.
Arrumei a casa.
Comprei roupa.
Fui aos lugares que você freqüenta.
Tentei largar o cigarro.
Me perfumei.
Me tornei feminina.
Mudei meu horário.
Emagreci.
Amei os teus.
Te liguei, disseram que tinha saído.
Te pedi, você não respondeu.
Fiz planos.
Comprei espartilho, cinta-liga e lingerie.
Te fiz cafuné.
Me fiz disponível.
Consertei a cama.
Comprei lençóis.
Fiz cópia da chave para o caso de você ficar.
Tomo pílulas para o caso de você querer.
Carrego sua foto na minha carteira.
Aprendi a andar no seu bairro.
Chorei por você.
Ri com você.
Ri de você.
Não me importei com seu atraso.
Inventei você ao meu lado.
Te convidei para entrar.
Te convidei para ficar.
Te contei tanto.
Te dei a chave.
Te desejei.
Te atrapalhei.
Te sufoquei.
Te matei.
E você nem percebeu.
Percorri bares, restaurantes, esquinas, lares.
Te escrevi dezenas de cartas que nunca entreguei.
Arrumei a casa.
Comprei roupa.
Fui aos lugares que você freqüenta.
Tentei largar o cigarro.
Me perfumei.
Me tornei feminina.
Mudei meu horário.
Emagreci.
Amei os teus.
Te liguei, disseram que tinha saído.
Te pedi, você não respondeu.
Fiz planos.
Comprei espartilho, cinta-liga e lingerie.
Te fiz cafuné.
Me fiz disponível.
Consertei a cama.
Comprei lençóis.
Fiz cópia da chave para o caso de você ficar.
Tomo pílulas para o caso de você querer.
Carrego sua foto na minha carteira.
Aprendi a andar no seu bairro.
Chorei por você.
Ri com você.
Ri de você.
Não me importei com seu atraso.
Inventei você ao meu lado.
Te convidei para entrar.
Te convidei para ficar.
Te contei tanto.
Te dei a chave.
Te desejei.
Te atrapalhei.
Te sufoquei.
Te matei.
E você nem percebeu.
860
Domingos Caldas Barbosa
A Ternura Brasileira
Não posso negar, não posso,
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
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Cynara Novaes
Meu barquinho
Meu barquinho
saiu para o mar
vela ao vento
vento a levar
verde a água
Meu barquinho
um pingo
no alto mar
Vento vinha
Vento ia
Meu barquinho
sorridente
se atracou
com o porto
Coitadinho...
não sabia nadar.
saiu para o mar
vela ao vento
vento a levar
verde a água
Meu barquinho
um pingo
no alto mar
Vento vinha
Vento ia
Meu barquinho
sorridente
se atracou
com o porto
Coitadinho...
não sabia nadar.
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Deborah Brennand
Só Alguns Cravos
Nada sei de tílias e carvalhos
agapantos, tulipas, jasmins do Cairo.
Conheço bem urtiga, as locas, o mato
algemas de cipós, liana em laços.
Por sorte, só por sorte ainda guardo,
naquele pote a colônia macerada
— dói a alma, dói e não passa —
lembrando a timidez dos bredos
selvagens.
E, agora para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousado, varanda em asas
eu escolhi, só alguns cravos.
Cravos sem sangue, mas... encarnados.
agapantos, tulipas, jasmins do Cairo.
Conheço bem urtiga, as locas, o mato
algemas de cipós, liana em laços.
Por sorte, só por sorte ainda guardo,
naquele pote a colônia macerada
— dói a alma, dói e não passa —
lembrando a timidez dos bredos
selvagens.
E, agora para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousado, varanda em asas
eu escolhi, só alguns cravos.
Cravos sem sangue, mas... encarnados.
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