Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
José Honório
Comer cu, chupar bocetatem homem que aprecia
Glosa:
No campo da sacanagem
enquanto uns dão outros comem
entre a mulher e o homem
quem mais goza tem vantagem
o prazer é uma viagem
que não precisa de guia
a mulher que não é fria
chupa, dá, toca punheta
COMER CU, CHUPAR BUCETA
TEM HOMEM QUE APRECIA.
No campo da sacanagem
enquanto uns dão outros comem
entre a mulher e o homem
quem mais goza tem vantagem
o prazer é uma viagem
que não precisa de guia
a mulher que não é fria
chupa, dá, toca punheta
COMER CU, CHUPAR BUCETA
TEM HOMEM QUE APRECIA.
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1
António Lobo de Carvalho
Soneto VIII
A uma freira que se fazia sangrar para lenitivo das comichões que sofria nos antípodas da boca
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
1 297
1
António Lobo de Carvalho
Soneto VIII
A uma freira que se fazia sangrar para lenitivo das comichões que sofria nos antípodas da boca
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
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1
Artur Ferreira
Esses hábitos que tens
Hoje acordei e ainda sonhando,
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
1 083
1
Artur Ferreira
Esses hábitos que tens
Hoje acordei e ainda sonhando,
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
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1
Bruno Kampel
Mulher
Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
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Bruno Kampel
Mulher
Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!
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Fernando Correia Pina
Esse cu que deu brado
Esse cu que deu brado e que foi musa
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
1 713
1
Fernando Correia Pina
Esse cu que deu brado
Esse cu que deu brado e que foi musa
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.
Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.
Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...
cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.
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1
Age de Carvalho
Vermelho
Tua,
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
758
1
Astrid Cabral
Bainha aberta
Crava em meu corpo essa espada crua.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.
1 858
1
Astrid Cabral
Bainha aberta
Crava em meu corpo essa espada crua.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.
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1
Fernando Correia Pina
Lamentação da beata
Catorze quecas me deu
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
1 421
1
Fernando Correia Pina
Lamentação da beata
Catorze quecas me deu
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.
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1
Chico Buarque
O que será (à flor da pele)
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
2 306
1
Chico Buarque
O que será (à flor da pele)
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
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Chico Buarque
O que será (à flor da pele)
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
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José Honório
Meu caralho hoje namora dois pelancudos culhões
Glosa:
Perguntei a meu avô
que anda meio caduco
como estava seu trabuco
ele então me confessou:
- A mão do tempo roubou
prazeres e sensações
não tem mais aptidões
para foder como outrora
MEU CARALHO HOJE NAMORA
DOIS PELANCUDOS CULHÕES.
Perguntei a meu avô
que anda meio caduco
como estava seu trabuco
ele então me confessou:
- A mão do tempo roubou
prazeres e sensações
não tem mais aptidões
para foder como outrora
MEU CARALHO HOJE NAMORA
DOIS PELANCUDOS CULHÕES.
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1
Helga Holtz
Uma tarde
Banho os pés em águas derramadas
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
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Helga Holtz
Uma tarde
Banho os pés em águas derramadas
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
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António Botto
Ouve, meu anjo
Ouve, meu anjo:
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?
Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assasssino
É como a do virtuoso.
Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.
Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...
Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar!
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?
Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assasssino
É como a do virtuoso.
Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.
Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...
Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar!
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