Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Nicanor Parra
MANCHAS NA PAREDE
Antes que caia a noite total
havemos de estudar as manchas na parede:
umas parecem plantas
outras assemelham-se a animais mitológicos.
Hipogrifos,
dragões,
salamandras.
Mas as mais misteriosas de todas
são as que parecem explosões atómicas.
No cinema da parede
a alma vê o que o corpo não vê:
homens ajoelhados
mães com criaturas nos braços
monumentos equestres
sacerdotes erguendo a hóstia:
órgãos genitais que se ajuntam.
Mas as mais extraordinárias de todas
são
sem dúvida alguma
as que parecem explosões atómicas.
havemos de estudar as manchas na parede:
umas parecem plantas
outras assemelham-se a animais mitológicos.
Hipogrifos,
dragões,
salamandras.
Mas as mais misteriosas de todas
são as que parecem explosões atómicas.
No cinema da parede
a alma vê o que o corpo não vê:
homens ajoelhados
mães com criaturas nos braços
monumentos equestres
sacerdotes erguendo a hóstia:
órgãos genitais que se ajuntam.
Mas as mais extraordinárias de todas
são
sem dúvida alguma
as que parecem explosões atómicas.
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1
Álvares de Azevedo
Perdoa-me, Visão dos meus Amores
Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
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1
Álvares de Azevedo
Perdoa-me, Visão dos meus Amores
Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
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1
Arlete Nogueira da Cruz
Oração
Apresento-Te,
bem sabes como,
minhas misérias em formas de oferendas:
considera este arrependimento
e estas mãos vazias
que se estendem ansiosas de Teu bem.
Leva em conta a solidão deste corpo maltratado
que se oferece ao resgate.
Avalia a fraca força que passo
às vezes
contra meu mal.
bem sabes como,
minhas misérias em formas de oferendas:
considera este arrependimento
e estas mãos vazias
que se estendem ansiosas de Teu bem.
Leva em conta a solidão deste corpo maltratado
que se oferece ao resgate.
Avalia a fraca força que passo
às vezes
contra meu mal.
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1
Arlete Nogueira da Cruz
Oração
Apresento-Te,
bem sabes como,
minhas misérias em formas de oferendas:
considera este arrependimento
e estas mãos vazias
que se estendem ansiosas de Teu bem.
Leva em conta a solidão deste corpo maltratado
que se oferece ao resgate.
Avalia a fraca força que passo
às vezes
contra meu mal.
bem sabes como,
minhas misérias em formas de oferendas:
considera este arrependimento
e estas mãos vazias
que se estendem ansiosas de Teu bem.
Leva em conta a solidão deste corpo maltratado
que se oferece ao resgate.
Avalia a fraca força que passo
às vezes
contra meu mal.
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Amândio César
Caminhada
Irmãos!
Não estive nas câmaras de gás,
Nem vi o arame dos campos de concentração.
Fui talvez o último que cheguei,
Mas cheguei.
Não vim para banquetes,
Pois nesta hora desfraldada
Só há choros e lutos,
E esperanças, ainda esperanças,
Numa futura caminhada.
Irmãos!
Nós somos talvez dum mundo novo
E teremos de construir o mundo novo.
Eu sou talvez o último que cheguei
Para os dias do futuro.
Não estive nas câmaras de gás,
Nem vi o arame dos campos de concentração.
Fui talvez o último que cheguei,
Mas cheguei.
Não vim para banquetes,
Pois nesta hora desfraldada
Só há choros e lutos,
E esperanças, ainda esperanças,
Numa futura caminhada.
Irmãos!
Nós somos talvez dum mundo novo
E teremos de construir o mundo novo.
Eu sou talvez o último que cheguei
Para os dias do futuro.
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Alexandre Marino
Represa
Meu coração
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
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1
Alexandre Marino
Represa
Meu coração
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
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1
Alexandre Marino
Represa
Meu coração
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
é duro e forte como a represa
que segura as águas da correnteza
como eu seguro esta ferida
se vem a sede
e o amor quer inundar o meu deserto
a represa explode linda e dolorida
sem saber se é errado ou certo
minha barragem
abre-se às águas do meu canto
e a violência do amor que espuma
mata a sede e também me afoga
e a paisagem
assustada com a enchente que ressoa
não consegue vedar meu coração
por mais que a ferida doa.
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Fernando Correia Pina
Depois de amar tão loucamente
Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,
achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?
E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos
e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,
achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?
E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos
e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.
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Fernando Correia Pina
Depois de amar tão loucamente
Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,
achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?
E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos
e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,
achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?
E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos
e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.
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Letícia Luccheze
Tulipa vermelha
A livraria, perfumaria, supermercado, floricultura.
O cinema.
A loja de roupas, acessórios, cremes.
Ao cair da tarde.
O decote em meios as pernas e nos seios transpirarem.
No olhar um convite ao deleito do prazer.
Flutuava no caminhar,
levando os homens à perdição.
Pessoas vinham e iam.
O maço de flores.
Desejada!
Chamava atenções.
A negra noite cobriu o gramado umedecido;
juntamente com as estrelas que o céu acolhia.
Do alto da janela a fragrância.
Doce, quente, sagaz, ardente.
Libertava os instintos selvagens.
...sussurros de gemidos...
...gemidos de sussurros...
...sussurros de gemidos...
Flores ao ar foram ao chão.
Suadas, embranquecidas.
846
1
Ademir Antônio Bacca
Insensatez
eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
1 215
1
Ademir Antônio Bacca
Insensatez
eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
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1
Ivaldo Gomes
Ao norte de mim
E o mundo gira em círculos,
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
909
1
Ivaldo Gomes
Ao norte de mim
E o mundo gira em círculos,
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
909
1
Ivaldo Gomes
Ao norte de mim
E o mundo gira em círculos,
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.
E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.
E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.
E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.
E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.
E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...
E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.
Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.
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1
Maurício de Lima
Quando um homem ama uma mulher
Depois de um dia de labuta,
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
990
1
Maurício de Lima
Quando um homem ama uma mulher
Depois de um dia de labuta,
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
990
1
Maurício de Lima
Quando um homem ama uma mulher
Depois de um dia de labuta,
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
990
1
Maurício de Lima
Quando um homem ama uma mulher
Depois de um dia de labuta,
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...
E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...
E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...
Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...
Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...
"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...
Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...
Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"
"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"
Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...
Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...
Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...
Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...
Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...
E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...
Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...
Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...
Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...
Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...
Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...
Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...
Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas...
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Li Po
AS BRANCAS NUVENS
As brancas nuvens pairam sobre Chiu e Chu,
As brancas nuvens vão contigo sempre.
Estão contigo em Chiu, e estão contigo em Chu,
As brancas nuvens vão para onde fores.
Cruzam aflantes sobre o rio Hsiang.
Dormindo, as brancas nuvens são teu leito.
Se acordas, brancas nuvens são teu lar.
As brancas nuvens vão contigo sempre.
Estão contigo em Chiu, e estão contigo em Chu,
As brancas nuvens vão para onde fores.
Cruzam aflantes sobre o rio Hsiang.
Dormindo, as brancas nuvens são teu leito.
Se acordas, brancas nuvens são teu lar.
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