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Poemas neste tema

Emoções e Sentimentos

Vicente Franz Cecim

Vicente Franz Cecim

Música com sombras

Porque te vestes de Sombra

é que eu te espero onde os dias morrem para sempre

Escuta É a voz humana

essa areia sufocada em tua garganta: isso, a areia

soprada por um vento,

é a coisa que os homens chamam a Voz humana

A Nossa voz,

ah

Dela, nada dizer Calar na bruma

Porque tu vestes de sombras

a criança que trazes pela mão,

torturada como um vício, branca como uma virtude

triste

como uma flor presa em sua Raiz

Onde está o colar dos desesperos, ali

puseste os pulsos das manhãs nascentes Nenhum Anjo, nenhum Anjo

Estamos presos no Centro,

ou livres caindo no escuro

E eu não sei qual das duas portas, assim abertas, são mais terríveis são

mais belas

Se

só sei

que te espera

a que virá coberta pela Sombra

trazendo pela mão essa criança sem Face, sem rugas também

sem ter nascido

Se assim escurecesse em silêncio esta paisagem

onde pousamos ausentes para os olhos

dos cegos,

toda Serpente seria caridosa, todo encanto teria nervos azuis de pedras de fontes

de lamentos não-nascidos do fundo da garganta

nem a tua nem a da menor que tu, a tua criança

que devolves à claridade

com um gesto de amargura

e recuperas

para o negro dia dos meus olhos

com um gesto de ternura

Ela, a fonte em nossas frontes, pensativamente está

pousada,

observa

Paisagem de deserto, e mão cheia de pó:

um sonho para olhos de vidros sonharem

com torturas

Ela: é a Paisagem: é o Lugar, e é o Pranto

do lugar onde os dias morrem

para sempre

Nenhum anjo, nenhum anjo

Não é a Voz humana, nem ao menos murmurando

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Vicente Franz Cecim

Vicente Franz Cecim

Música com sombras

Porque te vestes de Sombra

é que eu te espero onde os dias morrem para sempre

Escuta É a voz humana

essa areia sufocada em tua garganta: isso, a areia

soprada por um vento,

é a coisa que os homens chamam a Voz humana

A Nossa voz,

ah

Dela, nada dizer Calar na bruma

Porque tu vestes de sombras

a criança que trazes pela mão,

torturada como um vício, branca como uma virtude

triste

como uma flor presa em sua Raiz

Onde está o colar dos desesperos, ali

puseste os pulsos das manhãs nascentes Nenhum Anjo, nenhum Anjo

Estamos presos no Centro,

ou livres caindo no escuro

E eu não sei qual das duas portas, assim abertas, são mais terríveis são

mais belas

Se

só sei

que te espera

a que virá coberta pela Sombra

trazendo pela mão essa criança sem Face, sem rugas também

sem ter nascido

Se assim escurecesse em silêncio esta paisagem

onde pousamos ausentes para os olhos

dos cegos,

toda Serpente seria caridosa, todo encanto teria nervos azuis de pedras de fontes

de lamentos não-nascidos do fundo da garganta

nem a tua nem a da menor que tu, a tua criança

que devolves à claridade

com um gesto de amargura

e recuperas

para o negro dia dos meus olhos

com um gesto de ternura

Ela, a fonte em nossas frontes, pensativamente está

pousada,

observa

Paisagem de deserto, e mão cheia de pó:

um sonho para olhos de vidros sonharem

com torturas

Ela: é a Paisagem: é o Lugar, e é o Pranto

do lugar onde os dias morrem

para sempre

Nenhum anjo, nenhum anjo

Não é a Voz humana, nem ao menos murmurando

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Bruno Kampel

Bruno Kampel

Mulher

Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.

Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.

Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.

Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.

Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.

E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.

Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.

Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.

Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.

Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.

E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.

Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.

Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.

Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!

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Bruno Kampel

Bruno Kampel

Mulher

Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.

Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.

Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.

Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.

Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.

E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.

Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.

Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.

Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.

Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.

E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.

Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.

Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.

Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!

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