Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Mauro Mota
Se ela viesse
Se ela viesse aqui, como eu desejo,
e me encontrasse triste, a pensar nela…
E si quebrasse, com o rumor dum beijo,
o silêncio claustral de minha cela…
Se ela viesse ouvir tudo o que eu digo
neste momento de saudade e dor…
E se ficasse a conversar comigo
e me lançasse o olhar cheio de amor…
Se ela viesse…
Ai! se ela pudesse
Sorver o pranto que minh’alma chora…
Eu não sei que faria! Até parece
que nem a amava tanto como agora!…
e me encontrasse triste, a pensar nela…
E si quebrasse, com o rumor dum beijo,
o silêncio claustral de minha cela…
Se ela viesse ouvir tudo o que eu digo
neste momento de saudade e dor…
E se ficasse a conversar comigo
e me lançasse o olhar cheio de amor…
Se ela viesse…
Ai! se ela pudesse
Sorver o pranto que minh’alma chora…
Eu não sei que faria! Até parece
que nem a amava tanto como agora!…
749
Mário Chamie
O TOLO E O SÁBIO
O sábio que há em você
não sabe o que sabe
o tolo que não se vê.
Sabe que não se vê
o tolo que não sabe
o que há de sábio em você.
Mas do tolo que há em você
não sabe o sábio que você vê.
não sabe o que sabe
o tolo que não se vê.
Sabe que não se vê
o tolo que não sabe
o que há de sábio em você.
Mas do tolo que há em você
não sabe o sábio que você vê.
1 030
Mauro Mota
A divina mentira
Eu dizia:
“Quando ela partir eu hei de chorar tanto…
Serei a imagem da melancolia
toda cheia de pranto…”
No entanto,
uma lágrima, sequer, dos meus olhos caiu…
Eu não senti saudade — a mais leve emoção! —
— Quando ela partiu
levou meu coração!…
“Quando ela partir eu hei de chorar tanto…
Serei a imagem da melancolia
toda cheia de pranto…”
No entanto,
uma lágrima, sequer, dos meus olhos caiu…
Eu não senti saudade — a mais leve emoção! —
— Quando ela partiu
levou meu coração!…
732
Mauro Mota
SÓROR FELICIDADE
Sob o outono sem luz, nesta tarde amarela,
Uma rosa de Deus lentamente fenece
e se estorce de dor e agoniza na cela…
Lusco-fusco. Tristeza. O sol morre. Anoitece…
Tem quinze anos somente! é tão moça! é tão bela!
Com seus lábios sem cor balbucia uma prece.
Atira o último olhar através da janela:
vê a Vida lá fora e a lua que aparece.
Eis meus olhos ciriais velando-lhe a agonia,
Lentamente fenece e, assim, lívida e calma,
é uma santa do céu! Santa Melancolia!
Mas, súbito, na cela, um frêmito de ânsia corre,
E, no Claustro da Dor Imensa de Minh’alma,
Sóror Felicidade abre os braços e morre.
Uma rosa de Deus lentamente fenece
e se estorce de dor e agoniza na cela…
Lusco-fusco. Tristeza. O sol morre. Anoitece…
Tem quinze anos somente! é tão moça! é tão bela!
Com seus lábios sem cor balbucia uma prece.
Atira o último olhar através da janela:
vê a Vida lá fora e a lua que aparece.
Eis meus olhos ciriais velando-lhe a agonia,
Lentamente fenece e, assim, lívida e calma,
é uma santa do céu! Santa Melancolia!
Mas, súbito, na cela, um frêmito de ânsia corre,
E, no Claustro da Dor Imensa de Minh’alma,
Sóror Felicidade abre os braços e morre.
722
Tomas Tranströmer
CARA A CARA
Em Fevereiro a vida parou.
Os pássaros não gostavam de voar e a alma
esfregava-se na paisagem como um barco
que se esfrega ao passadiço, onde está amarrado.
As árvores estavam de costas viradas para aqui.
Talos mortos mediam a profundidade da neve.
Pegadas envelheciam na neve áspera.
Sob um toldo a linguagem definhava.
Um dia apareceu uma coisa à janela.
O trabalho parou e eu ergui os olhos.
As cores ardiam. Tudo se transformara.
O solo e eu demos um salto em direcção um ao outro.
Os pássaros não gostavam de voar e a alma
esfregava-se na paisagem como um barco
que se esfrega ao passadiço, onde está amarrado.
As árvores estavam de costas viradas para aqui.
Talos mortos mediam a profundidade da neve.
Pegadas envelheciam na neve áspera.
Sob um toldo a linguagem definhava.
Um dia apareceu uma coisa à janela.
O trabalho parou e eu ergui os olhos.
As cores ardiam. Tudo se transformara.
O solo e eu demos um salto em direcção um ao outro.
840
Rose Marie Muraro
Tu vieste como um pássaro
Tu vieste como um pássaro
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.
Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.
Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.
Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.
Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273067 © Luso-Poemas
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.
Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.
Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.
Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.
Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273067 © Luso-Poemas
762
Rose Marie Muraro
Tu vieste como um pássaro
Tu vieste como um pássaro
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.
Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.
Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.
Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.
Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273067 © Luso-Poemas
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.
Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.
Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.
Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.
Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.
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762
Tomas Tranströmer
PAUSA RESPIRATÓRIA EM JULHO
Quem está deitado de costas debaixo das árvores altas
está também lá em cima. Ele flui por milhares de ramos,
balança para cá e para lá,
está sentado num assento ejector que voa em câmara lenta.
Quem está lá em baixo no passadiço, pisca os olhos à água.
Os passadiços envelhecem mais rápido que as pessoas.
Eles têm madeira acinzentada e pedras no estômago
A luz ofuscante bate no fundo.
Quem durante todo o dia navega no barco aberto
por cima das baías cintilantes,
acabará por adormecer numa lâmpada azul,
enquanto as ilhas rastejam pelo vidro como grandes mariposas.
está também lá em cima. Ele flui por milhares de ramos,
balança para cá e para lá,
está sentado num assento ejector que voa em câmara lenta.
Quem está lá em baixo no passadiço, pisca os olhos à água.
Os passadiços envelhecem mais rápido que as pessoas.
Eles têm madeira acinzentada e pedras no estômago
A luz ofuscante bate no fundo.
Quem durante todo o dia navega no barco aberto
por cima das baías cintilantes,
acabará por adormecer numa lâmpada azul,
enquanto as ilhas rastejam pelo vidro como grandes mariposas.
638
Tomas Tranströmer
DESDE A MONTANHA
Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
748
Mário Chamie
A língua
Os lábios se gastam.
O escuro os prende
enquanto a língua
revira a esponja
do verbo prenhe
que diz a longa
missão de légua
por entre a vária
paixão sem leme.
A língua espanta.
Contém saliva
hidrato e fera.
Contém a festa
do bicho em viva
espécie de meta
que se diz salva
na hora avessa.
Vão susto rude
que nos desperta
da baba espessa
de sermos queda.
A língua queima.
A língua enxuga.
Mário a externa
na risca e ruga
do rosto, emblema
lançado à área
da só angústia,
já quente areia
que a chuva mansa
caída amena
amaina e suja.
Sempre a temos.
Cio depois véu
excita os remos
das vozes naves.
Em vão, Orfeu,
na voz dos ventos
(a nau das bodas)
soprou na lira
as águas leves
do mar Egeu,
falando a língua
das noves penas
do seu inferno,
das nove cordas
do seu mistério
que excita as aves.
O escuro a chama.
A língua despe.
A língua lambe
pelos morenos,
monte de vênus.
A língua fere
no som, na carne
que me reflete
homem sem norte.
Pois uso o termo
que já expresso,
rasgada a veste
que fecha o corpo
que fecha a fonte,
fechado esquema
da podre frase
que nos condena.
Língua, vírus, légua
esponja e régua.
Eu Mário, a fala.
Ela, a nossa carta
com o jogo inverso
de me ser forte
se me dispersa,
se me concentra
se me constata
a força exata
de não ser trôpego
nesta palavra
de fogo e fôlego
sem breu nem treva.
Acesa flecha,
liberta fera.
O escuro os prende
enquanto a língua
revira a esponja
do verbo prenhe
que diz a longa
missão de légua
por entre a vária
paixão sem leme.
A língua espanta.
Contém saliva
hidrato e fera.
Contém a festa
do bicho em viva
espécie de meta
que se diz salva
na hora avessa.
Vão susto rude
que nos desperta
da baba espessa
de sermos queda.
A língua queima.
A língua enxuga.
Mário a externa
na risca e ruga
do rosto, emblema
lançado à área
da só angústia,
já quente areia
que a chuva mansa
caída amena
amaina e suja.
Sempre a temos.
Cio depois véu
excita os remos
das vozes naves.
Em vão, Orfeu,
na voz dos ventos
(a nau das bodas)
soprou na lira
as águas leves
do mar Egeu,
falando a língua
das noves penas
do seu inferno,
das nove cordas
do seu mistério
que excita as aves.
O escuro a chama.
A língua despe.
A língua lambe
pelos morenos,
monte de vênus.
A língua fere
no som, na carne
que me reflete
homem sem norte.
Pois uso o termo
que já expresso,
rasgada a veste
que fecha o corpo
que fecha a fonte,
fechado esquema
da podre frase
que nos condena.
Língua, vírus, légua
esponja e régua.
Eu Mário, a fala.
Ela, a nossa carta
com o jogo inverso
de me ser forte
se me dispersa,
se me concentra
se me constata
a força exata
de não ser trôpego
nesta palavra
de fogo e fôlego
sem breu nem treva.
Acesa flecha,
liberta fera.
842
Mauro Mota
Grito de angústia
Minh’alma! Árvore! Vem de tua fronde
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
755
Mauro Mota
Grito de angústia
Minh’alma! Árvore! Vem de tua fronde
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
755
Mauro Mota
Grito de angústia
Minh’alma! Árvore! Vem de tua fronde
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
a encarnação da dor num grande grito!
abres os braços, gritas ao infinito,
mas a voz do silêncio é quem responde!
Tão moça és! No entanto, não sei onde
possa encontrar o bálsamo bendito
que cure a imensa chaga que se esconde
pelas entranhas do teu ventre aflito!
E a maior dor das tuas grandes dores
é a de viver aos sóis das Primaveras
sem a fecundação que, ansiosa, esperas.
Tua verdura simboliza o luto!
— Talvez fosse melhor nunca dar flores
Do que florir, somente, e não dar fruto!
755
Mauro Mota
Eu gosto muito de você
Talvez você saiba, talvez,
talvez não
saiba bem
desta muito espiritual
e romântica paixão,
que vive em meu coração,
desde a hora sonâmbula, na qual,
linda como ninguém,
você me apareceu pela primeira vez !
Eu, um fino galanteador,
─ nem precisa dizer ! como todo rapaz,
doidinho por você, que é, como ninguém, linda,
não consegui ainda
dizer-lhe uma palavra lírica de amor
ou uns versos sentimentais.
As inúmeras mulheres,
que, sempre, namorei por distração,
sabiam, logo, do meu pensamento !
No meio
esplêndido dum salão,
às vezes, muito cheio
de gente, ou em outra qualquer parte,
com um engano sutil e muita arte,
eu desfolhava os malmequeres
de suas mãos e lhes dizia, num momento,
mil frases de galanteio!
Mas você vê
que
quando me animo para
fazer-lhe uma levíssima declaração
sinto um aperto no coração!
O amor puro e sincero nunca se declara:
eu gosto muito de você!
talvez não
saiba bem
desta muito espiritual
e romântica paixão,
que vive em meu coração,
desde a hora sonâmbula, na qual,
linda como ninguém,
você me apareceu pela primeira vez !
Eu, um fino galanteador,
─ nem precisa dizer ! como todo rapaz,
doidinho por você, que é, como ninguém, linda,
não consegui ainda
dizer-lhe uma palavra lírica de amor
ou uns versos sentimentais.
As inúmeras mulheres,
que, sempre, namorei por distração,
sabiam, logo, do meu pensamento !
No meio
esplêndido dum salão,
às vezes, muito cheio
de gente, ou em outra qualquer parte,
com um engano sutil e muita arte,
eu desfolhava os malmequeres
de suas mãos e lhes dizia, num momento,
mil frases de galanteio!
Mas você vê
que
quando me animo para
fazer-lhe uma levíssima declaração
sinto um aperto no coração!
O amor puro e sincero nunca se declara:
eu gosto muito de você!
753
Mauro Mota
O ROMANCE BANAL DE COLOMBINA E PIERRÔ
Para você…
Entre seda, confeti e serpentina,
desse mundo no imenso carnaval,
tu surjiste, ─ visão de Colombina! ─
para a alma de Pierrô sentimental…
Ante a musica, ante o éter que alucina,
nós tecemos do amor o madrigal…
A essa luz dos teus olhos de menina
Pierrô sonhou um sonho emocional!…
O que foste afinal em minha vida?!
Dize! retira a mascara divina!
─ Quarta-feira de cinzas dolorida!
Mas somente depois que ela passou,
pude ver a chorar que Colombina
era a Felicidade de Pierrô!
Entre seda, confeti e serpentina,
desse mundo no imenso carnaval,
tu surjiste, ─ visão de Colombina! ─
para a alma de Pierrô sentimental…
Ante a musica, ante o éter que alucina,
nós tecemos do amor o madrigal…
A essa luz dos teus olhos de menina
Pierrô sonhou um sonho emocional!…
O que foste afinal em minha vida?!
Dize! retira a mascara divina!
─ Quarta-feira de cinzas dolorida!
Mas somente depois que ela passou,
pude ver a chorar que Colombina
era a Felicidade de Pierrô!
708
Afonso Lopes de Baião
Fui eu, fremosa
Fui eu, fremosa, fazer oraçom,
nom por mia alma, mas que viss'eu aí
o meu amigo, e, poilo nom vi,
vedes, amigas, se Deus mi perdom,
gram dereit'é de lazerar por en, (é muito justo que sofra por isso)
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
porque fui eu chorar dos olhos meus,
mias amigas, e candeas queimar,
nom por mia alma, mais polo achar,
e, pois nom vẽo nen'o trouxe Deus,
gram dereit'é de lazerar por en,
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
Fui eu rogar muit'a Nostro Senhor,
nom por mia alma, e candeas queimei,
mais por veer o que eu muit'amei
sempr', e nom vẽo, o meu traedor:
gram dereit'é de lazerar por en,
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
nom por mia alma, mas que viss'eu aí
o meu amigo, e, poilo nom vi,
vedes, amigas, se Deus mi perdom,
gram dereit'é de lazerar por en, (é muito justo que sofra por isso)
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
porque fui eu chorar dos olhos meus,
mias amigas, e candeas queimar,
nom por mia alma, mais polo achar,
e, pois nom vẽo nen'o trouxe Deus,
gram dereit'é de lazerar por en,
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
Fui eu rogar muit'a Nostro Senhor,
nom por mia alma, e candeas queimei,
mais por veer o que eu muit'amei
sempr', e nom vẽo, o meu traedor:
gram dereit'é de lazerar por en,
pois el nom vẽo, nem haver meu bem.
714
António Borges Coelho
Até logo
à Isaura
Há oito meses dissemos:
– Até logo!
Era uma tarde fria de Novembro
uma tarde como qualquer outra
gente regressando a casa do trabalho
lancheiras malas rugas profundas no rosto.
Se houvesse malas de mão
para a saudade a desventura
não havia malas no mundo que chegassem…
Era uma tarde fria de Novembro.
Não sei se alguém sorriu
do beijo que trocámos.
– Até logo – disseste.
Depois passaram oito meses
os meses mais compridos que tenho encontrado.
Que pensamentos levava comigo?
Sei que disseste «até logo»
E era como se levasse as tuas mãos
Abertas sobre o meu peito.
Pensava
que só nas despedidas breves
por horas
se dizia «até logo»
como a alguém que parte
«boa viagem»
ou ao nosso companheiro
«bom trabalho».
Mas já passaram oito meses
duzentos e quarenta dias
cinco mil e setecentas horas.
Porque disseste
«Até logo»?
Se eu não soubesse
aprenderia que na minha pátria
os namorados dizem «até logo»
e estão meses anos
por vezes não voltam mais.
Fecham-nos
atrás de grades de ferro
espancam-nos
matam-nos devagar
e não permitem que apareçam
«logo».
Amiga
o ódio que trago armazenado
destas noite de insónia e abandono
dou-o à luta.
Mas temos que sofrer
sofrer deveras.
Até que um dia
Os homens cantarão livres como os pássaros
os namorados beijarão sem pressa
e as palavras «até logo»
quererão dizer simplesmente
«até logo»
Há oito meses dissemos:
– Até logo!
Era uma tarde fria de Novembro
uma tarde como qualquer outra
gente regressando a casa do trabalho
lancheiras malas rugas profundas no rosto.
Se houvesse malas de mão
para a saudade a desventura
não havia malas no mundo que chegassem…
Era uma tarde fria de Novembro.
Não sei se alguém sorriu
do beijo que trocámos.
– Até logo – disseste.
Depois passaram oito meses
os meses mais compridos que tenho encontrado.
Que pensamentos levava comigo?
Sei que disseste «até logo»
E era como se levasse as tuas mãos
Abertas sobre o meu peito.
Pensava
que só nas despedidas breves
por horas
se dizia «até logo»
como a alguém que parte
«boa viagem»
ou ao nosso companheiro
«bom trabalho».
Mas já passaram oito meses
duzentos e quarenta dias
cinco mil e setecentas horas.
Porque disseste
«Até logo»?
Se eu não soubesse
aprenderia que na minha pátria
os namorados dizem «até logo»
e estão meses anos
por vezes não voltam mais.
Fecham-nos
atrás de grades de ferro
espancam-nos
matam-nos devagar
e não permitem que apareçam
«logo».
Amiga
o ódio que trago armazenado
destas noite de insónia e abandono
dou-o à luta.
Mas temos que sofrer
sofrer deveras.
Até que um dia
Os homens cantarão livres como os pássaros
os namorados beijarão sem pressa
e as palavras «até logo»
quererão dizer simplesmente
«até logo»
956
António Borges Coelho
Até logo
à Isaura
Há oito meses dissemos:
– Até logo!
Era uma tarde fria de Novembro
uma tarde como qualquer outra
gente regressando a casa do trabalho
lancheiras malas rugas profundas no rosto.
Se houvesse malas de mão
para a saudade a desventura
não havia malas no mundo que chegassem…
Era uma tarde fria de Novembro.
Não sei se alguém sorriu
do beijo que trocámos.
– Até logo – disseste.
Depois passaram oito meses
os meses mais compridos que tenho encontrado.
Que pensamentos levava comigo?
Sei que disseste «até logo»
E era como se levasse as tuas mãos
Abertas sobre o meu peito.
Pensava
que só nas despedidas breves
por horas
se dizia «até logo»
como a alguém que parte
«boa viagem»
ou ao nosso companheiro
«bom trabalho».
Mas já passaram oito meses
duzentos e quarenta dias
cinco mil e setecentas horas.
Porque disseste
«Até logo»?
Se eu não soubesse
aprenderia que na minha pátria
os namorados dizem «até logo»
e estão meses anos
por vezes não voltam mais.
Fecham-nos
atrás de grades de ferro
espancam-nos
matam-nos devagar
e não permitem que apareçam
«logo».
Amiga
o ódio que trago armazenado
destas noite de insónia e abandono
dou-o à luta.
Mas temos que sofrer
sofrer deveras.
Até que um dia
Os homens cantarão livres como os pássaros
os namorados beijarão sem pressa
e as palavras «até logo»
quererão dizer simplesmente
«até logo»
Há oito meses dissemos:
– Até logo!
Era uma tarde fria de Novembro
uma tarde como qualquer outra
gente regressando a casa do trabalho
lancheiras malas rugas profundas no rosto.
Se houvesse malas de mão
para a saudade a desventura
não havia malas no mundo que chegassem…
Era uma tarde fria de Novembro.
Não sei se alguém sorriu
do beijo que trocámos.
– Até logo – disseste.
Depois passaram oito meses
os meses mais compridos que tenho encontrado.
Que pensamentos levava comigo?
Sei que disseste «até logo»
E era como se levasse as tuas mãos
Abertas sobre o meu peito.
Pensava
que só nas despedidas breves
por horas
se dizia «até logo»
como a alguém que parte
«boa viagem»
ou ao nosso companheiro
«bom trabalho».
Mas já passaram oito meses
duzentos e quarenta dias
cinco mil e setecentas horas.
Porque disseste
«Até logo»?
Se eu não soubesse
aprenderia que na minha pátria
os namorados dizem «até logo»
e estão meses anos
por vezes não voltam mais.
Fecham-nos
atrás de grades de ferro
espancam-nos
matam-nos devagar
e não permitem que apareçam
«logo».
Amiga
o ódio que trago armazenado
destas noite de insónia e abandono
dou-o à luta.
Mas temos que sofrer
sofrer deveras.
Até que um dia
Os homens cantarão livres como os pássaros
os namorados beijarão sem pressa
e as palavras «até logo»
quererão dizer simplesmente
«até logo»
956
Olga Tokarczuk
Gratidão
Não pense que não sou grata por tuas pequenas
gentilezas.
Gosto de pequenas gentilezas.
De fato as prefiro à gentileza mais
substancial, que está sempre a te cravar os olhos,
feito um grande animal sobre o tapete
até que tua vida inteira se reduza
a nada além de levantar manhã após manhã
embotada, e o sol luminoso rebrilhando em seus caninos.
gentilezas.
Gosto de pequenas gentilezas.
De fato as prefiro à gentileza mais
substancial, que está sempre a te cravar os olhos,
feito um grande animal sobre o tapete
até que tua vida inteira se reduza
a nada além de levantar manhã após manhã
embotada, e o sol luminoso rebrilhando em seus caninos.
926
Mauro Mota
DOMINGO NO RECIFE
O número encarnado no calendário,
retalho do vestido esvoaçante
na tarde de regata, derradeira
mancha de sangue,
o corpo recomposto nessa mancha
deslizando na superfície do domingo.
Domingo urbano colorido de acácias,
que acharam nesta floração apenas
as sombras dos antigos namorados
(Ó pedra tumular do banco do jardim público).
Dia nítido lavado pelo Capibaribe,
o rio ninando o Recife,
o Recife criança em seus braços maternos.
Domingos de várias ressurreições,
da mãe levando o menino para a missa,
do primeiro cinema impróprio pra menores,
do circo, do clarinete de “seu” Miguel.
Domingo colonial imutável no bairro de São José.
Vêm da igreja a música do órgão e as vozes femininas
de dois séculos.
Um voo de pomba acaricia o espaço quieto.
O Espírito Santo baixará no pátio de São Pedro.
Domingo feito de silêncio e sombras descendo a escada,
perturbas somente a paz dos arquivos,
libertas o tempo prisioneiro nas gavetas.
As palavras das cartas soam como vozes,
as dedicatórias saem do mutismo
da caligrafia para os lábios úmidos dos retratos.
Exuma-se o baralho
na mesa de jantar (as primas em dezembro)
os valetes dormindo para sempre,
as damas louras consumidas.
Vejo, do cais da Rua da Aurora, o domingo fugindo nas ioles,
na cor da tarde, no voo dos passarinhos,
na bicicleta de Suzana.
Assisto ao suicídio do domingo no Recife,
o domingo jogando-se da torre do Diario
na música do carrilhão batendo meia-noite.
Receio de entrar na madrugada fria.
Recolho na praça as horas despedaçadas.
Quero que este domingo seja a antecipação da eternidade.
retalho do vestido esvoaçante
na tarde de regata, derradeira
mancha de sangue,
o corpo recomposto nessa mancha
deslizando na superfície do domingo.
Domingo urbano colorido de acácias,
que acharam nesta floração apenas
as sombras dos antigos namorados
(Ó pedra tumular do banco do jardim público).
Dia nítido lavado pelo Capibaribe,
o rio ninando o Recife,
o Recife criança em seus braços maternos.
Domingos de várias ressurreições,
da mãe levando o menino para a missa,
do primeiro cinema impróprio pra menores,
do circo, do clarinete de “seu” Miguel.
Domingo colonial imutável no bairro de São José.
Vêm da igreja a música do órgão e as vozes femininas
de dois séculos.
Um voo de pomba acaricia o espaço quieto.
O Espírito Santo baixará no pátio de São Pedro.
Domingo feito de silêncio e sombras descendo a escada,
perturbas somente a paz dos arquivos,
libertas o tempo prisioneiro nas gavetas.
As palavras das cartas soam como vozes,
as dedicatórias saem do mutismo
da caligrafia para os lábios úmidos dos retratos.
Exuma-se o baralho
na mesa de jantar (as primas em dezembro)
os valetes dormindo para sempre,
as damas louras consumidas.
Vejo, do cais da Rua da Aurora, o domingo fugindo nas ioles,
na cor da tarde, no voo dos passarinhos,
na bicicleta de Suzana.
Assisto ao suicídio do domingo no Recife,
o domingo jogando-se da torre do Diario
na música do carrilhão batendo meia-noite.
Receio de entrar na madrugada fria.
Recolho na praça as horas despedaçadas.
Quero que este domingo seja a antecipação da eternidade.
770
Yi Sáng
Poema n. 1
13criançascorrempelaestrada.
(Quantoàruaéapropriadaumasemsaída.)
A 1acriançadizqueestácommedo.
A 2acriançadizqueestácommedo.
A 3acriançadizqueestácommedo.
A 4acriançadizqueestácommedo.
A 5acriançadizqueestácommedo.
A 6acriançadizqueestácommedo.
A 7acriançadizqueestácommedo.
A 8acriançadizqueestácommedo.
A 9acriançadizqueestácommedo.
A10acriançadizqueestácommedo.
A11acriançadizqueestácommedo.
A12acriançadizqueestácommedo.
A13acriançadizqueestácommedo.
As13criançassãoumasomasódecriançasmedonhasecriançascommedo.
(Eraatépreferívelquenãohouvesseoutrosfatores.)
Tudobemse1destascriançasforumacriançamedonha.
Tudobemse2destascriançasforemcriançasmedonhas.
Tudobemse2destascriançasforemcriançascommedo.
Tudobemse1destascriançasforumacriançacommedo.
(Mesmoumaruaabertaseriatambémapropriada.)
Tudobemtambémseas13criançasnãocorrerempelaestrada.
(Quantoàruaéapropriadaumasemsaída.)
A 1acriançadizqueestácommedo.
A 2acriançadizqueestácommedo.
A 3acriançadizqueestácommedo.
A 4acriançadizqueestácommedo.
A 5acriançadizqueestácommedo.
A 6acriançadizqueestácommedo.
A 7acriançadizqueestácommedo.
A 8acriançadizqueestácommedo.
A 9acriançadizqueestácommedo.
A10acriançadizqueestácommedo.
A11acriançadizqueestácommedo.
A12acriançadizqueestácommedo.
A13acriançadizqueestácommedo.
As13criançassãoumasomasódecriançasmedonhasecriançascommedo.
(Eraatépreferívelquenãohouvesseoutrosfatores.)
Tudobemse1destascriançasforumacriançamedonha.
Tudobemse2destascriançasforemcriançasmedonhas.
Tudobemse2destascriançasforemcriançascommedo.
Tudobemse1destascriançasforumacriançacommedo.
(Mesmoumaruaabertaseriatambémapropriada.)
Tudobemtambémseas13criançasnãocorrerempelaestrada.
576
Tomas Tranströmer
O PALÁCIO
Entrámos. Uma única sala gigante
silenciosa e vazia onde a superfície do soalho jazia
como uma pista de patinagem abandonada.
Todas as portas fechadas. O ar cinzento.
Quadros nas paredes. Vimos imagens
mortas que formigavam: placas, pratos de
balança, peixes, figuras lutando num
mundo surdo - mudo no outro lado.
Uma escultura foi exibida no vazio:
sozinho , no meio da sala, estava um cavalo
mas só nos apercebemos disso
depois de todo o vazio nos ter capturado.
os ruídos e as vozes da cidade ouviam-se,
mais fracos do que os rumores numa concha,
circulando neste espaço estéril,
murmurantes , à procura de um poder.
Também outra coisa. Alguma coisa obscura
que ficou nos limiares dos nossos cinco
sentidos, sem os atravessar.
A areia escorria nos copos silenciosos.
Chegou a hora de nos movimentarmos.
Caminhamos na direcção do cavalo. Ele era enorme,
negro como o ferro. Uma imagem do poder
que restou depois dos príncipes terem partido.
O cavalo disse: “ eu sou o único.
O vazio, que me montava, deitei-o fora.
Este é o meu estábulo. Eu cresço devagar.
E aqui dentro, devoro o silêncio. “
silenciosa e vazia onde a superfície do soalho jazia
como uma pista de patinagem abandonada.
Todas as portas fechadas. O ar cinzento.
Quadros nas paredes. Vimos imagens
mortas que formigavam: placas, pratos de
balança, peixes, figuras lutando num
mundo surdo - mudo no outro lado.
Uma escultura foi exibida no vazio:
sozinho , no meio da sala, estava um cavalo
mas só nos apercebemos disso
depois de todo o vazio nos ter capturado.
os ruídos e as vozes da cidade ouviam-se,
mais fracos do que os rumores numa concha,
circulando neste espaço estéril,
murmurantes , à procura de um poder.
Também outra coisa. Alguma coisa obscura
que ficou nos limiares dos nossos cinco
sentidos, sem os atravessar.
A areia escorria nos copos silenciosos.
Chegou a hora de nos movimentarmos.
Caminhamos na direcção do cavalo. Ele era enorme,
negro como o ferro. Uma imagem do poder
que restou depois dos príncipes terem partido.
O cavalo disse: “ eu sou o único.
O vazio, que me montava, deitei-o fora.
Este é o meu estábulo. Eu cresço devagar.
E aqui dentro, devoro o silêncio. “
430
Mauro Mota
MINHA N. S. DA ESPERANÇA
Eu corri, todo ansioso, a recebê-la
numa manhã sem sol, de cerração,
e ela entrou, como o brilho duma estrela
do céu, para alumiar meu coração.
Tornou-se muito minha amiga então,
Era tão linda! ai quem me dera tê-la
junto a mim! mas já foi, já partiu pela
tarde do meu jardim — rosa em botão! —
É debalde, minh’alma, que lhe gritas.
Neste mundo não há quem a defina
com seu vestido branco e verdes fitas.
Teu brado, na distância, não a alcança.
Pois fiquei a pensar que essa menina
era Nossa Senhora da Esperança…
numa manhã sem sol, de cerração,
e ela entrou, como o brilho duma estrela
do céu, para alumiar meu coração.
Tornou-se muito minha amiga então,
Era tão linda! ai quem me dera tê-la
junto a mim! mas já foi, já partiu pela
tarde do meu jardim — rosa em botão! —
É debalde, minh’alma, que lhe gritas.
Neste mundo não há quem a defina
com seu vestido branco e verdes fitas.
Teu brado, na distância, não a alcança.
Pois fiquei a pensar que essa menina
era Nossa Senhora da Esperança…
600
Mauro Mota
MINHA N. S. DA ESPERANÇA
Eu corri, todo ansioso, a recebê-la
numa manhã sem sol, de cerração,
e ela entrou, como o brilho duma estrela
do céu, para alumiar meu coração.
Tornou-se muito minha amiga então,
Era tão linda! ai quem me dera tê-la
junto a mim! mas já foi, já partiu pela
tarde do meu jardim — rosa em botão! —
É debalde, minh’alma, que lhe gritas.
Neste mundo não há quem a defina
com seu vestido branco e verdes fitas.
Teu brado, na distância, não a alcança.
Pois fiquei a pensar que essa menina
era Nossa Senhora da Esperança…
numa manhã sem sol, de cerração,
e ela entrou, como o brilho duma estrela
do céu, para alumiar meu coração.
Tornou-se muito minha amiga então,
Era tão linda! ai quem me dera tê-la
junto a mim! mas já foi, já partiu pela
tarde do meu jardim — rosa em botão! —
É debalde, minh’alma, que lhe gritas.
Neste mundo não há quem a defina
com seu vestido branco e verdes fitas.
Teu brado, na distância, não a alcança.
Pois fiquei a pensar que essa menina
era Nossa Senhora da Esperança…
600