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Poemas neste tema

Emoções e Sentimentos

Allen Ginsberg

Allen Ginsberg

Ahm-Bum!

I
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!

Maio de 1971


II
Para Dom Cherry

Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!

III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era

Fevereiro–Junho de 1991
1 056
Allen Ginsberg

Allen Ginsberg

Peço-lhe que volte

Esta noite fiquei ligado na janela do meu apartamento
sentado às 3 da manhã
olhando incandescentes tochas azuis
embaixo a rua amplamente iluminada
densas sombras assomando no asfalto recém-colocado
—assim como os rabinos medievais da semana passada
andando penosamente no escuro
lixo cruamente virado —bastões
& latas
e senhoras cansadas sentadas nos latões
de lixo espanhol —no calor mortal
- faz um mês
os hidrantes de incêndio tiveram um vazamento
hoje às 3 da tarde o sol numa neblina —
agora tudo escuro lá fora, um gato silencioso
atravessa a rua —eu mio
e ele olha para cima e passa por
uma pilha de entulho no caminho
até o brilhante latão dourado de lixo
(fósforo na noite
e fedor do beco)
( ou então do lixo nas portas)
—Acho que a América é um caos
A polícia atravanca as ruas com sua ansiedade
A viatura guincha & pára
Hoje uma mulher, 20 anos, bateu no irmão
que brincava com seus tijolos infantis
brincava com um enorme rochedo —
“Não faça isso agora! a polícia! a polícia!”
E não havia polícia lá —
Olho por cima do meu ombro —
Um monte de lixo do outro lado.

Gás lacrimogêneo! Dinamite! Bigodes!
Deixarei crescer a barba e carregarei adoráveis
bombas,
destruirei o mundo, me infiltrarei entre
as fendas da morte
E transformarei o universo —Ha!Tenho o segredo, carrego
salames subversivos na
minha pasta amarrotada
“Alho, pobreza, um testamento para o céu,”
um estranho sonho na minha carne:
Nuvens radiantes, eu ouvi a voz de Deus no
meu sono, ou de Blake acordado, ou minha
própria ou
o sonho de uma rotisseria de vacas mugindo
e porcos grunhindo —
O golpe de uma facada
um dedo decepado no meu cérebro —
umas poucas mortes que eu conheço —
Oh, irmãos na Láurea
Será o mundo real?
Será a Coroa de Louros
uma piada ou uma coroa de espinhos? —
Depressa, passa
pelo cu
Lá vou eu
Vem Pavor
—a rua lá fora,
eu espreitando Nova York
O caminhão negro passa roncando &
vibrando fundo —
Que
tai
se
os
mundos
fossem
uma
série
de degraus
Que
tal
se
os
degraus
se encontrassem
de novo
na
Margem
—Deixando-nos voar como pássaros para dentro do Tempo
—olhos e faróis de carros —
A retração do vazio
dentro da Nebulosa
Essas Galáxias cruzam-se como roldanas & elas passam
como gás
Que florestas nascem.

15 de setembro, 1959
928
Allen Ginsberg

Allen Ginsberg

A resposta

Deus responde com minha condenação!
esta poesia apagada do lenho ardente
minhas mentiras respondidas pelo verme no meu ouvido
minha visão pela mão que cai sobre meus olhos para cobri-los
diante da visão do meu esqueleto
—meu anseio de ser Deus pela trêmula carne barbada do maxilar
que cobre meu crânio como a pele de um monstro
Estômago vomitando a videira da alma, cadáver no
assoalho de uma cabana de bambu, carne do corpo rastejando
rumo a seu pesadelo do destino que cresce no meu cérebro
0 barulho do estrondo da criação adorando seu Carrasco, o salto
dos pássaros para o Infinito, latidos como o som
do vômito no ar, sapos coaxando Morte nas árvores
eu sou um Serafim e não sei se vou para dentro do Vazio
eu sou um homem e não sei se vou para dentro da Morte —
Cristo Cristo pobre desesperançado
alçado à Cruz entre as Dimensões —
para ver o Sempre-Incognoscível!
um som de gongo morto treme por toda a minha carne e um
imenso Ser entra no meu
cérebro vindo do longe que vive para sempre
Nada mais além da Presença poderosa demais para registrar!
a Presença
na Morte, diante da qual estou indefeso
transforma-me de Alien em uma caveira
Velho Caolho dos sonhos dos quais não acordo a não ser morto
mãos puxadas para a escuridão por uma horrenda Mão
—cego contorcer-se do verme, cortado —o arado
é o próprio Deus
Que monstruoso baile da escuridão anterior ao universo
volta para visitar-me como um comando cego!
e possa eu apagar esta consciência, fugir de volta
para o amor de Nova York e o farei
Pobre lamentável Cristo com medo da predita Cruz, Imortal —
Fugir, mas não para sempre —a Presença virá, a hora
chegará, uma estranha verdade penetra o universo, a morte
mostra seu Ser como antes
e eu me desesperarei por ter esquecido! esquecido a volta ao meu destino,
para morrer disso —
O que é sagrado quando a Coisa é todo o universo?
rasteja em cada alma como um órgão de vampiro cantando
atrás das nuvens iluminadas pela lua —
pobre criatura vem agachada
sob as estrelas barbudas num campo negro no Peru
para depositar minha carga —morrerei de horror de morrer!
Nem diques nem pirâmides, mas a morte, e devemos nos preparar para essa
nudez, pobres ossos sugados até ressecarem por Sua longa boca
de formigas e vento, & nossas almas assassinadaspara preparar Sua Perfeição!
O momento chegou, Ele fez Sua vontade ser revelada para sempre
e nenhuma fuga para o velho Ser além das estrelas não irá
chegar ao mesmo escuro porto oscilante
de insuportável música
Nenhum refúgio no Eu, que está em chamas
nem no Mundo que também é Seu para ser
bombardeado & Devorado!
Reconhece Seu poder! Larga
minhas mãos —minha atemorizada caveira
— pois eu havia escolhido a auto-estima —
meus olhos, meu nariz, minha cara, meu caralho,
minha alma —e agora
o Destruidor sem cara!
Um bilhão de portas para o mesmo novo ser!
O universo vira-se pelo avesso para devorar-me!
e a poderosa irrupção de música sai para fora da porta desumana —

1960
989
Allen Ginsberg

Allen Ginsberg

A resposta

Deus responde com minha condenação!
esta poesia apagada do lenho ardente
minhas mentiras respondidas pelo verme no meu ouvido
minha visão pela mão que cai sobre meus olhos para cobri-los
diante da visão do meu esqueleto
—meu anseio de ser Deus pela trêmula carne barbada do maxilar
que cobre meu crânio como a pele de um monstro
Estômago vomitando a videira da alma, cadáver no
assoalho de uma cabana de bambu, carne do corpo rastejando
rumo a seu pesadelo do destino que cresce no meu cérebro
0 barulho do estrondo da criação adorando seu Carrasco, o salto
dos pássaros para o Infinito, latidos como o som
do vômito no ar, sapos coaxando Morte nas árvores
eu sou um Serafim e não sei se vou para dentro do Vazio
eu sou um homem e não sei se vou para dentro da Morte —
Cristo Cristo pobre desesperançado
alçado à Cruz entre as Dimensões —
para ver o Sempre-Incognoscível!
um som de gongo morto treme por toda a minha carne e um
imenso Ser entra no meu
cérebro vindo do longe que vive para sempre
Nada mais além da Presença poderosa demais para registrar!
a Presença
na Morte, diante da qual estou indefeso
transforma-me de Alien em uma caveira
Velho Caolho dos sonhos dos quais não acordo a não ser morto
mãos puxadas para a escuridão por uma horrenda Mão
—cego contorcer-se do verme, cortado —o arado
é o próprio Deus
Que monstruoso baile da escuridão anterior ao universo
volta para visitar-me como um comando cego!
e possa eu apagar esta consciência, fugir de volta
para o amor de Nova York e o farei
Pobre lamentável Cristo com medo da predita Cruz, Imortal —
Fugir, mas não para sempre —a Presença virá, a hora
chegará, uma estranha verdade penetra o universo, a morte
mostra seu Ser como antes
e eu me desesperarei por ter esquecido! esquecido a volta ao meu destino,
para morrer disso —
O que é sagrado quando a Coisa é todo o universo?
rasteja em cada alma como um órgão de vampiro cantando
atrás das nuvens iluminadas pela lua —
pobre criatura vem agachada
sob as estrelas barbudas num campo negro no Peru
para depositar minha carga —morrerei de horror de morrer!
Nem diques nem pirâmides, mas a morte, e devemos nos preparar para essa
nudez, pobres ossos sugados até ressecarem por Sua longa boca
de formigas e vento, & nossas almas assassinadaspara preparar Sua Perfeição!
O momento chegou, Ele fez Sua vontade ser revelada para sempre
e nenhuma fuga para o velho Ser além das estrelas não irá
chegar ao mesmo escuro porto oscilante
de insuportável música
Nenhum refúgio no Eu, que está em chamas
nem no Mundo que também é Seu para ser
bombardeado & Devorado!
Reconhece Seu poder! Larga
minhas mãos —minha atemorizada caveira
— pois eu havia escolhido a auto-estima —
meus olhos, meu nariz, minha cara, meu caralho,
minha alma —e agora
o Destruidor sem cara!
Um bilhão de portas para o mesmo novo ser!
O universo vira-se pelo avesso para devorar-me!
e a poderosa irrupção de música sai para fora da porta desumana —

1960
989