Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Augusto dos Anjos
Caput Immortale
Na dinâmica aziaga das descidas,
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
1 775
Antero de Quental
Consolai
Se eu pudesse, diria eternamente
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
1 702
Antero de Quental
Consolai
Se eu pudesse, diria eternamente
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
1 702
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
608
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
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Antero de Quental
Sonho Oriental
Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da mongólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com umas finas ondas de escumilha...
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da mongólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com umas finas ondas de escumilha...
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
3 099
Felipe Larson
NÃO LEMBRE DO TEMPO
Perco a estrada, perco a viajem,
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
927
Felipe Larson
NÃO LEMBRE DO TEMPO
Perco a estrada, perco a viajem,
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
927
Felipe Larson
DESLIGADO!
Eu andava tão desligado e desatento
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
786
Felipe Larson
NA ESPERA DA SUA VOLTA
A solidão está presente
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
614
Felipe Larson
NA ESPERA DA SUA VOLTA
A solidão está presente
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
614
Felipe Larson
NA ESPERA DA SUA VOLTA
A solidão está presente
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
Meus amigos onde estão?
E fico aqui sozinho em casa
Escrevendo cartas
Só me telefone, na hora exata,
Na hora marcada.
Mas a canção só é cantada
Quando há uma razão
O coração não sabe nada
Do que é sentir saudades
Eu não entendo mais nada
Não sei porque você se foi
Mas espero sua volta
A nossa casa agora tão vazia
O que a sua falta me faz
Não durmo mais tranqüilo
Sem seu carinho
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Arthur Rimbaud
FOME
Meu gosto, agora se encerra
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
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Álvares de Azevedo
MINHA AMANTE
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
2 582
Álvares de Azevedo
MINHA AMANTE
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
2 582
Felipe Larson
FICÇÃO DE AURORA
Que sentimento estranho veio bater em mim
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
639
Felipe Larson
FICÇÃO DE AURORA
Que sentimento estranho veio bater em mim
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
639
Álvares de Azevedo
DESALENTO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
2 106
Álvares de Azevedo
DESALENTO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
2 106
Álvares de Azevedo
DESALENTO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
Primeira Parte
Por que havíeis passar tão doces dias?
A. F. DE SERPA PIMENTEL
Feliz daquele que no livro d'alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Feliz daquele que de um anjo as tranças
Não respirou sequer
E nem bebeu eflúvios descorando
Numa voz de mulher...
E não sentiu-lhe a mão cheirosa e branca
Perdida em seus cabelos,
Nem resvalou do sonho deleitoso
A reais pesadelos...
Quem nunca te beijou, flor dos amores,
Flor do meu coração,
E não pediu frescor, febril e insano
Da noite à viração!
Ah! feliz quem dormiu no colo ardente
Da huri dos amores,
Que sôfrego bebeu o orvalho santo
Das perfumadas flores...
E pôde vê-la morta ou esquecida
Dos longos beijos seus,
Sem blasfemar das ilusões mais puras
E sem rir-se de Deus!
Mas, nesse doloroso sofrimento
Do pobre peito meu,
Sentir no coração que à dor da vida
A esperança morreu!...
Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros
Nem geme a viração...
E dentro, no deserto do meu peito,
Não dorme o coração!
2 106
Álvares de Azevedo
TARDE DE VERÃO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
1 726
Felipe Larson
UMA IMAGEM EM DUAS CORES
Noites de insônia só penso em você
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
845
Felipe Larson
UMA IMAGEM EM DUAS CORES
Noites de insônia só penso em você
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
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Augusto dos Anjos
Canto de Onipotência
Cloto, Átropos, Tifon, Laquesis, Siva...
E acima deles, como um astro, a arder,
Na hiperculminação definitiva
O meu supremo e extraordinário Ser!
Em minha sobre-humana retentiva
Brilhavam, como a luz do amanhecer,
A perfeição virtual tornada viva
E o embrião do que podia acontecer!
Por antecipação divinatória,
Eu, projetado muito além da História,
Sentia dos fenômenos o fim...
A coisa em si movia-se aos meus brados
E os acontecimentos subjugados
Olhavam como escravos para mim!
E acima deles, como um astro, a arder,
Na hiperculminação definitiva
O meu supremo e extraordinário Ser!
Em minha sobre-humana retentiva
Brilhavam, como a luz do amanhecer,
A perfeição virtual tornada viva
E o embrião do que podia acontecer!
Por antecipação divinatória,
Eu, projetado muito além da História,
Sentia dos fenômenos o fim...
A coisa em si movia-se aos meus brados
E os acontecimentos subjugados
Olhavam como escravos para mim!
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