Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Madi
Um Dia
Um Dia
Eu pedi um dia
E um dia é tanto tempo que não da nem pra contar
Um dia pode demorar horas, meses, anos...
Custa a passar
Um dia, por si só, soa o distante, o quase inatingível
Um dia é tão indefinido que tanto pode estar muito perto
como pode estar muito longe
Demore ou não a chegar, não importa
Um dia é o fim da espera derradeira
E se é para esperar por esse beijo eu espero
a minha vida inteira
Eu pedi um dia
E um dia é tanto tempo que não da nem pra contar
Um dia pode demorar horas, meses, anos...
Custa a passar
Um dia, por si só, soa o distante, o quase inatingível
Um dia é tão indefinido que tanto pode estar muito perto
como pode estar muito longe
Demore ou não a chegar, não importa
Um dia é o fim da espera derradeira
E se é para esperar por esse beijo eu espero
a minha vida inteira
872
Madi
Um Dia
Um Dia
Eu pedi um dia
E um dia é tanto tempo que não da nem pra contar
Um dia pode demorar horas, meses, anos...
Custa a passar
Um dia, por si só, soa o distante, o quase inatingível
Um dia é tão indefinido que tanto pode estar muito perto
como pode estar muito longe
Demore ou não a chegar, não importa
Um dia é o fim da espera derradeira
E se é para esperar por esse beijo eu espero
a minha vida inteira
Eu pedi um dia
E um dia é tanto tempo que não da nem pra contar
Um dia pode demorar horas, meses, anos...
Custa a passar
Um dia, por si só, soa o distante, o quase inatingível
Um dia é tão indefinido que tanto pode estar muito perto
como pode estar muito longe
Demore ou não a chegar, não importa
Um dia é o fim da espera derradeira
E se é para esperar por esse beijo eu espero
a minha vida inteira
872
Madi
Tempo de Umidade
Tempo de Umidade
Há um leite que transborda morno,
suficiente e consistente em mim
Meu leite é farto
Não seco e nem disfarço
o tempo de umidade
Todo dia, em tempo integral,
meu leite escorre
E de umas manhãs para cá
a fonte deu para doer
Há um leite que transborda morno,
suficiente e consistente em mim
Meu leite é farto
Não seco e nem disfarço
o tempo de umidade
Todo dia, em tempo integral,
meu leite escorre
E de umas manhãs para cá
a fonte deu para doer
915
Madi
Eu sei
Eu sei
Toda mulher sabe os limites do seu amor
O meu é daqueles que parece não ter fim
Sobrevive a mares, tempestades, invernadas
e a longos períodos de estiagem
Toda mulher sabe os limites do seu amor
E o meu é daqueles que resiste à luz ou à escuridão,
à paz ou à guerra
Não é um amor resignado
É daqueles que a gente carrega anos e anos a fio e nem sente o fardo
Toda mulher sabe os limites do seu amor
O meu é daqueles que parece não ter fim
Sobrevive a mares, tempestades, invernadas
e a longos períodos de estiagem
Toda mulher sabe os limites do seu amor
E o meu é daqueles que resiste à luz ou à escuridão,
à paz ou à guerra
Não é um amor resignado
É daqueles que a gente carrega anos e anos a fio e nem sente o fardo
681
Madi
Vai Embora
Vai Embora
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
913
Madi
Vai Embora
Vai Embora
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
Quando o amor vai embora
o coração aperta e fica de luto
Fica partido
Fica estreito
e dói
Na hora, os olhos quedam
E mesmo assim nada adianta,
nada impede, nada segura o amor
quando quer ir embora
O amor vai
e nunca mais volta
Foi cedo
Passada a dor,
olhos e coração ficam secos
Depois disso,
aprende-se a amar que é uma beleza
913
Madi
Vitrines
Vitrines
Tudo que vejo nas vitrines
se parece com você
Prendas simples ou sofisticadas
ambas têm a sua cara
Tudo é mais do que perfeito
e sob medida parece que foi feito
Namoro as vitrines,
mas não encontro nelas o que mais quero
Você e o seu amor não estão à venda
Tudo que vejo nas vitrines
se parece com você
Prendas simples ou sofisticadas
ambas têm a sua cara
Tudo é mais do que perfeito
e sob medida parece que foi feito
Namoro as vitrines,
mas não encontro nelas o que mais quero
Você e o seu amor não estão à venda
718
Leão Vasconcelos
In Solitudine
Quando o jardim se ensombra e a noite desce,
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
873
Leão Vasconcelos
In Solitudine
Quando o jardim se ensombra e a noite desce,
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
873
Leopoldo Brígido
Dona Inês de Castro
Cai a tarde. Na quieta soledade
Do prado em flor, a sombra lentamente
Se espalha, e Dona Inês de Castro sente
Na alma subir-lhe uma onda de saudade.
Vai sozinha a cismar. Do Infante ausente
Doce lembrança o coração lhe invade:
Suspira, e suas mãos com suavidade
Colhem cecéns e rosas juntamente.
Senta-se à beira do Mondego. Mira
O rosto na água, e pétalas atira
À água, que manso e manso se renova...
E vê-se, imagem na água mergulhada,
De cecéns e de rosas coroada,
Já Rainha, no fundo de uma cova!
Do prado em flor, a sombra lentamente
Se espalha, e Dona Inês de Castro sente
Na alma subir-lhe uma onda de saudade.
Vai sozinha a cismar. Do Infante ausente
Doce lembrança o coração lhe invade:
Suspira, e suas mãos com suavidade
Colhem cecéns e rosas juntamente.
Senta-se à beira do Mondego. Mira
O rosto na água, e pétalas atira
À água, que manso e manso se renova...
E vê-se, imagem na água mergulhada,
De cecéns e de rosas coroada,
Já Rainha, no fundo de uma cova!
976
Nana Corrêa de Lima
Yanomani
Yanomani
Hoje é dia de índio.
Deixo aqui pequena lágrima,
rolando na agonia
que antecede o final de tudo.
Anoitece o sangue na tribo....
Hoje é dia de índio.
Deixo aqui pequena lágrima,
rolando na agonia
que antecede o final de tudo.
Anoitece o sangue na tribo....
947
Nelson Motta
Amare, Há Mares
te amar suave e silenciosamente
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
1 030
Nelson Motta
Amare, Há Mares
te amar suave e silenciosamente
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
1 030
Mário Linhares
Festim Romano
Festim romano. Nero assiste, repoltreado
Lassamente no toro ebúrneo em que se inclina,
Ao deboche brutal das heteras e, a um lado,
Canta uma escrava ao som de uma gusla em surdina.
Aos acentos febris de uma ária fescenina,
Requebrando os quadris em lúbrico bailado,
As cortesãs, em coro, a taça cristalina
Erguem, em brinde à Carne e apoteose ao Pecado.
Referve a orgia... E Nero, às vibrações da lira,
Canta obscena canção e, no esto em que delira,
O vinho, em fogo, inflama o seu rosto sangüíneo.
E Popéia, saudando o imperador de Roma,
Entre as aclamações dos convivas, assoma,
Ébria e nua, a tombar de triclínio em triclínio.
Lassamente no toro ebúrneo em que se inclina,
Ao deboche brutal das heteras e, a um lado,
Canta uma escrava ao som de uma gusla em surdina.
Aos acentos febris de uma ária fescenina,
Requebrando os quadris em lúbrico bailado,
As cortesãs, em coro, a taça cristalina
Erguem, em brinde à Carne e apoteose ao Pecado.
Referve a orgia... E Nero, às vibrações da lira,
Canta obscena canção e, no esto em que delira,
O vinho, em fogo, inflama o seu rosto sangüíneo.
E Popéia, saudando o imperador de Roma,
Entre as aclamações dos convivas, assoma,
Ébria e nua, a tombar de triclínio em triclínio.
836
Madi
Príncipe
Príncipe
Eu sou uma mulher moderna, mas que ainda acredita em príncipes
Não sou nenhuma princesa, mas tenho um príncipe
O meu gosta de bebidas amargas,
não tem cavalo branco, tem mais de meio século
e os meus olhos o enxergam na flor da idade
Ele gosta de vinho. Eu gosto do príncipe
e tudo nele vale o meu carinho
Meu príncipe é o homem menos moderno que eu conheço
Sua pressão é alta, sua alegria é contida,
mas ao lado dele eu me sinto solta
como quando soltos ficam os laços de fita
Ele não tem alma de artista
Veste a cara do Poder mais sizudo da República
mas é meigo como todo príncipe deve ser
e tem voz doce como todos devem ter
Vejo meu príncipe, assim, com os olhos da paixão
Dele sou tão dependente e carente
que, ao meu coração, até o seu silêncio é eloqüente
Eu sou uma mulher moderna, mas que ainda acredita em príncipes
Não sou nenhuma princesa, mas tenho um príncipe
O meu gosta de bebidas amargas,
não tem cavalo branco, tem mais de meio século
e os meus olhos o enxergam na flor da idade
Ele gosta de vinho. Eu gosto do príncipe
e tudo nele vale o meu carinho
Meu príncipe é o homem menos moderno que eu conheço
Sua pressão é alta, sua alegria é contida,
mas ao lado dele eu me sinto solta
como quando soltos ficam os laços de fita
Ele não tem alma de artista
Veste a cara do Poder mais sizudo da República
mas é meigo como todo príncipe deve ser
e tem voz doce como todos devem ter
Vejo meu príncipe, assim, com os olhos da paixão
Dele sou tão dependente e carente
que, ao meu coração, até o seu silêncio é eloqüente
946
Luis Fernando Verissimo
Declaração de Amor
Declaração de Amor
Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber
falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela
professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e dpois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de resaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma
almofada.
Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palapitações:
No mal-me-quer, bem-me quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
Mata! Mata! por conservacionistas, ecólogos e afins.
Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
Se não me segurarem faço um soneto
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o
asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado: era PC
Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber
falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela
professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e dpois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de resaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma
almofada.
Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palapitações:
No mal-me-quer, bem-me quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
Mata! Mata! por conservacionistas, ecólogos e afins.
Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
Se não me segurarem faço um soneto
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o
asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado: era PC
2 894
Leal de Souza
Noturno
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina ?
Fria a vontade e o peito ardente,
De bens e males sob os rastros,
O homem aos sonhos ergue a mente
E não levanta o olhar aos astros.
Por essas luzes atraídos,
Filhos do vale e da planura,
De longe vieram, atrevidos,
Bater às portas da ventura ...
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina?...
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina ?
Fria a vontade e o peito ardente,
De bens e males sob os rastros,
O homem aos sonhos ergue a mente
E não levanta o olhar aos astros.
Por essas luzes atraídos,
Filhos do vale e da planura,
De longe vieram, atrevidos,
Bater às portas da ventura ...
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina?...
963
Leal de Souza
Noturno
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina ?
Fria a vontade e o peito ardente,
De bens e males sob os rastros,
O homem aos sonhos ergue a mente
E não levanta o olhar aos astros.
Por essas luzes atraídos,
Filhos do vale e da planura,
De longe vieram, atrevidos,
Bater às portas da ventura ...
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina?...
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina ?
Fria a vontade e o peito ardente,
De bens e males sob os rastros,
O homem aos sonhos ergue a mente
E não levanta o olhar aos astros.
Por essas luzes atraídos,
Filhos do vale e da planura,
De longe vieram, atrevidos,
Bater às portas da ventura ...
As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina?...
963
Madi
Procuro
Procuro
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
898
Madi
Procuro
Procuro
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
898
Leão Vasconcelos
Canto do Peregrino
Para louvar-te
Em versos de arte
A estreme beleza,
Vim de longe — ó Princesa!
Chegou no meu tugúrio a fama de teu nome!
E eu parti, lira às mãos, ardendo em sede e fome,
Para ver-te e contar a todos os mortais
A beleza sem par de teus olhos fatais,
Do teu perfil sereno de medalha,
Do teu sorriso trêmulo e divino...
Acolhe a prece, pois, do peregrino...
Vim de longe e parei ante a forte muralha
Do teu castelo, o rosto exangue...
Em sangue da jornada os pés, as mãos em sangue
E exposto ao vento e à chuva espero que apareça
O sol para esfolhar sobre a tua cabeça
As rosas que colhi rio meu triste caminho,
Deixando algo de mim em cada espinho
Por onde, só, passei, deslumbrado a cantar
Atrás de uma quimera...
E, ó Princesa! já choram, a tua espera
os meus olhos cansados de sonhar...
Em versos de arte
A estreme beleza,
Vim de longe — ó Princesa!
Chegou no meu tugúrio a fama de teu nome!
E eu parti, lira às mãos, ardendo em sede e fome,
Para ver-te e contar a todos os mortais
A beleza sem par de teus olhos fatais,
Do teu perfil sereno de medalha,
Do teu sorriso trêmulo e divino...
Acolhe a prece, pois, do peregrino...
Vim de longe e parei ante a forte muralha
Do teu castelo, o rosto exangue...
Em sangue da jornada os pés, as mãos em sangue
E exposto ao vento e à chuva espero que apareça
O sol para esfolhar sobre a tua cabeça
As rosas que colhi rio meu triste caminho,
Deixando algo de mim em cada espinho
Por onde, só, passei, deslumbrado a cantar
Atrás de uma quimera...
E, ó Princesa! já choram, a tua espera
os meus olhos cansados de sonhar...
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