Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Paulo Augusto Rodrigues
Vida
Vem vida,
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
992
Paulo Augusto Rodrigues
Vida
Vem vida,
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
992
Paulo Augusto Rodrigues
Vida
Vem vida,
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
Porque eu não posso parar.
Vem noite,
Porque eu não posso parar.
Vem gente,
Venham todos,
Não me deixem pensar.
Não durmam,
Não me deixem lembrar...
Me salvem da tal solidão.
Que solidão mais sofrida,
É a solidão do amor,
É a solidão da saudade.
Um simples vacilo,
Ela vem, entra, para,
Estanca os músculos,
Embota a mente,
Turva a visão.
Esmaga,
Entristece,
Arranca,
Rasga,
Dói,
Mata.
Vem Vida,
Porque eu não posso...
992
Rodrigo Guidi Peplau
Poêmio
Poêmio
sou eu
um poêmio
que foge se o sol nasceu
que tem várias paixões
mas nenhuma namorada
que é amigo das ilusões
e dorme com a tristeza
agarrada.
Poêmio
e toda sua papelada
o poêmio
que sem ela não é nada
que trata cada emoção
como sua afilhada
e cria seu coração
com as dores que tomou
das pancadas
sou eu
um poêmio
que foge se o sol nasceu
que tem várias paixões
mas nenhuma namorada
que é amigo das ilusões
e dorme com a tristeza
agarrada.
Poêmio
e toda sua papelada
o poêmio
que sem ela não é nada
que trata cada emoção
como sua afilhada
e cria seu coração
com as dores que tomou
das pancadas
1 145
Rodrigo Guidi Peplau
Poêmio
Poêmio
sou eu
um poêmio
que foge se o sol nasceu
que tem várias paixões
mas nenhuma namorada
que é amigo das ilusões
e dorme com a tristeza
agarrada.
Poêmio
e toda sua papelada
o poêmio
que sem ela não é nada
que trata cada emoção
como sua afilhada
e cria seu coração
com as dores que tomou
das pancadas
sou eu
um poêmio
que foge se o sol nasceu
que tem várias paixões
mas nenhuma namorada
que é amigo das ilusões
e dorme com a tristeza
agarrada.
Poêmio
e toda sua papelada
o poêmio
que sem ela não é nada
que trata cada emoção
como sua afilhada
e cria seu coração
com as dores que tomou
das pancadas
1 145
Paulo Augusto Rodrigues
Dor
As cinzas queimando sozinhas
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
883
Paulo Augusto Rodrigues
Dor
As cinzas queimando sozinhas
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
883
Paulo Augusto Rodrigues
Dor
As cinzas queimando sozinhas
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
883
Ricardo Silvestrin
Haicai
fiapos de sol
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
2 312
Paulo Augusto Rodrigues
Chave
Existe um lugar.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
928
Paulo Augusto Rodrigues
Chave
Existe um lugar.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
928
Paulo Augusto Rodrigues
Chave
Existe um lugar.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
Além...
Muito além do alcance da visão,
Muito aquém de qualquer percepção.
Oculto,
Difuso as especulações.
Sob sombras fulgurantes,
Ruço úmido,
Impenetrante...
Esconde,
Os vultos das paixões.
A sede,
O desejo,
As vontades,
As hesitações.
A fagulha da explosão,
Guardada,
Fechada.
As portas da ternura,
Mantêm-se seguras,
Bloqueando.
Os vários ódios dos dilemas,
Insultando.
Sobre a mesa posta,
Com doçuras e carinhos,
Expõem-se gloriosa
A chave,
Do caminho.
928
Rozania Moraes
Amor de Mar
Noite de luzes.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
432
Paulo Augusto Rodrigues
Secos
Sentimentos secos.
Áridos,
Nevrálgicos,
Rachados.
Torretes óbvios de terra bruta,
Endurecida.
E freáticos,
São os desejos passando imunes ao fundo.
Onde a umidade e o frescor,
Não afloram.
Às vezes,
O impermeável senso desvia lençóis.
E em crus colchões
Expõe.
A água da fonte.
Áridos,
Nevrálgicos,
Rachados.
Torretes óbvios de terra bruta,
Endurecida.
E freáticos,
São os desejos passando imunes ao fundo.
Onde a umidade e o frescor,
Não afloram.
Às vezes,
O impermeável senso desvia lençóis.
E em crus colchões
Expõe.
A água da fonte.
938
Antero de Quental
Beatrice
Nem visao, nem real: amor! amor somente!...
Pois quem sabe o que diz esta palavra - amor - ?
Quando deixa cair no peito esta semente,
Diz o que ha-de brotar, acaso, o Deus-Senhor
Somente amor... Somente?! e pouco esta palavra? Duas silabas
so - em pouco um mundo esta -
Loucos! mas, quando o amor se expande, e cresce, e lavra,
Bem como incendio a arder, tao pouco inda sera?
Gota, que alaga o mundo! atomo, e apos, colosso!
Mas este nada ou mundo, a mim quem mo aqui pos!
Foi Deus! de Deus me vem... e a Deus medir nao posso:
E imenso o que vem dele... os nadas somos nos.
E o nada, que me abriu no peito e, feito imenso,
O encheu, bem como um vaso, abrindo, encheu a flor,
Ha-de alagar teu peito e ser do templo incenso...
Mulher! has-de escutar, que eu vou falar damor!
Falar damor?!... se ele e como uma essencia,
Que nos perfuma, sem se ver de donde...
Se ele e como o sorriso da inocencia,
Que inda se ignora e, pra sorrir, se esconde...
Se e o sonho das noites vaporoso,
Que anda no ar, sem que possamos ve-lo...
Se e a concha no oceano caprichoso,
Se e das ondas do mar ligeiro velo...
Se e suspiro, que oculto se descerra,
Se escuta, mas se ignora de que banda...
Se e estrela, que manda a luz a terra,
Sem se ver de que paramos a manda...
Se e sonho, que sonhamos acordado...
Suspiro, que soltamos sem senti-lo...
Sopro que vai dum lado a outro lado...
Sopro ou sonho, quem pode repeti-lo?
Falar do amor... do amor! o sempre-mudo!
Se e segredo entre dois, como dize-lo,
Sem divulga-lo, sem que o ouca tudo?
Se e misterio encoberto, como ve-lo?...
Pois quem sabe o que diz esta palavra - amor - ?
Quando deixa cair no peito esta semente,
Diz o que ha-de brotar, acaso, o Deus-Senhor
Somente amor... Somente?! e pouco esta palavra? Duas silabas
so - em pouco um mundo esta -
Loucos! mas, quando o amor se expande, e cresce, e lavra,
Bem como incendio a arder, tao pouco inda sera?
Gota, que alaga o mundo! atomo, e apos, colosso!
Mas este nada ou mundo, a mim quem mo aqui pos!
Foi Deus! de Deus me vem... e a Deus medir nao posso:
E imenso o que vem dele... os nadas somos nos.
E o nada, que me abriu no peito e, feito imenso,
O encheu, bem como um vaso, abrindo, encheu a flor,
Ha-de alagar teu peito e ser do templo incenso...
Mulher! has-de escutar, que eu vou falar damor!
Falar damor?!... se ele e como uma essencia,
Que nos perfuma, sem se ver de donde...
Se ele e como o sorriso da inocencia,
Que inda se ignora e, pra sorrir, se esconde...
Se e o sonho das noites vaporoso,
Que anda no ar, sem que possamos ve-lo...
Se e a concha no oceano caprichoso,
Se e das ondas do mar ligeiro velo...
Se e suspiro, que oculto se descerra,
Se escuta, mas se ignora de que banda...
Se e estrela, que manda a luz a terra,
Sem se ver de que paramos a manda...
Se e sonho, que sonhamos acordado...
Suspiro, que soltamos sem senti-lo...
Sopro que vai dum lado a outro lado...
Sopro ou sonho, quem pode repeti-lo?
Falar do amor... do amor! o sempre-mudo!
Se e segredo entre dois, como dize-lo,
Sem divulga-lo, sem que o ouca tudo?
Se e misterio encoberto, como ve-lo?...
3 593
Raul de Leoni
Platônico
As idéias são seres superiores,
— Almas recônditas de sensitivas —
Cheias de intimidades fugitivas,
De crepúsculos, melindres e pudores.
Por onde andares e por onde fores,
Cuidado com essas flores pensativas,
Que tem pólen, perfumes, órgãos e cores
E sofrem mais que as outras cousas vivas.
Colhe-as na solidão... são obras-primas
Que vieram de outros tempos e outros climas
Para os jardins de tua alma que transponho,
Para com ela teceres, na subida,
A coroa votiva do teu Sonho
E a legenda imperial da tua Vida.
— Almas recônditas de sensitivas —
Cheias de intimidades fugitivas,
De crepúsculos, melindres e pudores.
Por onde andares e por onde fores,
Cuidado com essas flores pensativas,
Que tem pólen, perfumes, órgãos e cores
E sofrem mais que as outras cousas vivas.
Colhe-as na solidão... são obras-primas
Que vieram de outros tempos e outros climas
Para os jardins de tua alma que transponho,
Para com ela teceres, na subida,
A coroa votiva do teu Sonho
E a legenda imperial da tua Vida.
1 653
Rosani Abou Adal
Madrugada
Na placidez da noite,
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
1 112
Raquel Naveira
Cabelo
Estou triste,
Cortei o cabelo.
Näo sou mais adolescente
De tranças
E olhos lânguidos.
Näo sou mais moça,
Balançando a crina,
Como égua musculosa
Na colina.
Näo sou mais princesa,
Usando tiaras,
Arrastando a coma
Como se tivesse na cabeça
A cauda de um cometa.
Adeus, cabelame !
Derrame de seiva sobre meus ombros,
Véu natural
Com que penetrava câmaras ardentes.
Por que cortei o cabelo ?
Por que näo o mantive longo,
Mesmo branco e seco,
Preso na nuca
Por marfim e pentes ?
(1995)
Cortei o cabelo.
Näo sou mais adolescente
De tranças
E olhos lânguidos.
Näo sou mais moça,
Balançando a crina,
Como égua musculosa
Na colina.
Näo sou mais princesa,
Usando tiaras,
Arrastando a coma
Como se tivesse na cabeça
A cauda de um cometa.
Adeus, cabelame !
Derrame de seiva sobre meus ombros,
Véu natural
Com que penetrava câmaras ardentes.
Por que cortei o cabelo ?
Por que näo o mantive longo,
Mesmo branco e seco,
Preso na nuca
Por marfim e pentes ?
(1995)
1 224
Rosani Abou Adal
Código Morse
Bolhas de espuma boiam sobre a água,
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
1 049
Rosani Abou Adal
Código Morse
Bolhas de espuma boiam sobre a água,
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
1 049
Rosani Abou Adal
Código Morse
Bolhas de espuma boiam sobre a água,
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
1 049
Rosani Abou Adal
Brahma
O piano tocava notas melodiosas
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
864
Rosani Abou Adal
Passáro-Concorde
Trilhar caminhos e sentir teu cheiro
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
915
Rosani Abou Adal
Contemplação
Presa no meu dormitório
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
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