Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Maurício Batarce
Sonhos de Um Poeta
Palavras soltas surgem ao vento.
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
734
Maurício Batarce
Um Rumar
Com pés descalços, olhos de luz
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
748
Maurício Batarce
Um Rumar
Com pés descalços, olhos de luz
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
748
Sérgio Mattos
Quando Sinto
Quando sinto o desencanto, procuro tuas mãos
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
942
Sérgio Mattos
Palavra Animada
Um dia animarei
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
1 062
Maurício Uzêda
Domínio
Domínio
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
951
Maurício Uzêda
Domínio
Domínio
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
951
Masako Akeho
Haicai
Casa de vespas
zunindo em círculos
palavras picantes
O morro iluminado
do barracão sem luz
choro de criança
zunindo em círculos
palavras picantes
O morro iluminado
do barracão sem luz
choro de criança
942
Sérgio Mattos
Meu Amor
Meu amor não seque normas
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
864
Sérgio Mattos
Meu Amor
Meu amor não seque normas
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
864
Sérgio Mattos
Asas para Amar
Um dia colocarei asas
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
964
Maria Braga Horta
A Moça da Praça Mauá
I
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
1 224
Maria Braga Horta
A Moça da Praça Mauá
I
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
1 224
Mário António
Poema
Quando li Jubiabá
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
1 486
Manuel Botelho de Oliveira
Vendo a Anarda Depõe o Sentimento
A serpe, que adornando várias cores,
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
1 989
Sérgio Mattos
A Ilusão Pertenceu-m
A ilusão pertenceu-me em sonhos
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
771
Sérgio Mattos
A Ilusão Pertenceu-m
A ilusão pertenceu-me em sonhos
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
771
Sérgio Mattos
Caminho da Esperança
No simétrico caminho da esperança
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
931
Maurício Batarce
Desventuras
Ao longe meus olhos encerram,
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
830
Maurício Batarce
Homenagem ao Poeta
Nos dias em que o pensamento inexiste
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
770
Marta Gonçalves
Noite
Tenho nos olhos suas mãos
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
1 013
Maurício Batarce
Lição de Vida
Nasceu sem caminhos.
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
979
Maurício Uzêda
Torrente
E quando ao turbulento rio desse meu desejo
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
756
Maurício Uzêda
Torrente
E quando ao turbulento rio desse meu desejo
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
756