Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Fernanda Botelho
Amnésia
Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas:
penas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).
E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.
penas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).
E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.
1 760
Fábio Afonso de Almeida
Espere
Espere, que na noite mais profunda,
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
868
Fábio Afonso de Almeida
Espere
Espere, que na noite mais profunda,
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
868
Fábio Afonso de Almeida
Espere
Espere, que na noite mais profunda,
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
868
Fernando Braga
Longe Noturno
Meus olhos emigraram para São Luís
minha cidade pavorosamente triste,
onde um meio de céu esconde o rosto
de Deus das vidraças da planície.
Vim aqui tornar-me em arbusto
onde sou o argonauta deste verde.
Morto pão esquecido sobre a mesa
foi minha ceia incrivelmente tarda.
Noturno vinho em resto abandonado
ferve-me o corpo hipertencialmente
reto, nesta noite sem data dalguma
safra onde me disponho não mais sentir-me.
minha cidade pavorosamente triste,
onde um meio de céu esconde o rosto
de Deus das vidraças da planície.
Vim aqui tornar-me em arbusto
onde sou o argonauta deste verde.
Morto pão esquecido sobre a mesa
foi minha ceia incrivelmente tarda.
Noturno vinho em resto abandonado
ferve-me o corpo hipertencialmente
reto, nesta noite sem data dalguma
safra onde me disponho não mais sentir-me.
278
Fernando Braga
Longe Noturno
Meus olhos emigraram para São Luís
minha cidade pavorosamente triste,
onde um meio de céu esconde o rosto
de Deus das vidraças da planície.
Vim aqui tornar-me em arbusto
onde sou o argonauta deste verde.
Morto pão esquecido sobre a mesa
foi minha ceia incrivelmente tarda.
Noturno vinho em resto abandonado
ferve-me o corpo hipertencialmente
reto, nesta noite sem data dalguma
safra onde me disponho não mais sentir-me.
minha cidade pavorosamente triste,
onde um meio de céu esconde o rosto
de Deus das vidraças da planície.
Vim aqui tornar-me em arbusto
onde sou o argonauta deste verde.
Morto pão esquecido sobre a mesa
foi minha ceia incrivelmente tarda.
Noturno vinho em resto abandonado
ferve-me o corpo hipertencialmente
reto, nesta noite sem data dalguma
safra onde me disponho não mais sentir-me.
278
Everaldo Ygor
Pensar o Próprio Pensamento
Pensar o próprio pensamento
Manejar a intuição
Comum é nossa fome
Complexa é nossa liberdade
Estão fixando a vista entre si
Mas não fitaram-se com ternura
Estão apenas
Fingindo sentimentos que não possuem
Já estamos em tempo
De discursar o pensamento
De resgatar a Coragem
Oculta na imaginação
Vamos transformar
O que chama de utopia
Na verdadeira força do sonho
Manejar a intuição
Comum é nossa fome
Complexa é nossa liberdade
Estão fixando a vista entre si
Mas não fitaram-se com ternura
Estão apenas
Fingindo sentimentos que não possuem
Já estamos em tempo
De discursar o pensamento
De resgatar a Coragem
Oculta na imaginação
Vamos transformar
O que chama de utopia
Na verdadeira força do sonho
836
Everaldo Ygor
Pensar o Próprio Pensamento
Pensar o próprio pensamento
Manejar a intuição
Comum é nossa fome
Complexa é nossa liberdade
Estão fixando a vista entre si
Mas não fitaram-se com ternura
Estão apenas
Fingindo sentimentos que não possuem
Já estamos em tempo
De discursar o pensamento
De resgatar a Coragem
Oculta na imaginação
Vamos transformar
O que chama de utopia
Na verdadeira força do sonho
Manejar a intuição
Comum é nossa fome
Complexa é nossa liberdade
Estão fixando a vista entre si
Mas não fitaram-se com ternura
Estão apenas
Fingindo sentimentos que não possuem
Já estamos em tempo
De discursar o pensamento
De resgatar a Coragem
Oculta na imaginação
Vamos transformar
O que chama de utopia
Na verdadeira força do sonho
836
Fernanda Benevides
Afagando Sonhos
Meu coração afaga sonhos.
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
831
Fernanda Benevides
Afagando Sonhos
Meu coração afaga sonhos.
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
831
Fábio Afonso de Almeida
Noite
Que noite, minha cara!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
754
Fábio Afonso de Almeida
Noite
Que noite, minha cara!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
754
Fábio Afonso de Almeida
Noite
Que noite, minha cara!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
754
Fábio Afonso de Almeida
Queda
Então fui; sabia de meu fIm,
Apenas, em recônditos de minha alma
Um atavismo indefinido agia sem cessar
Na busca incessante do que estaVa escrito.
E fui. Ninguém viu a luta formidável
Que destroçou todas as fibras do meu ser
Quando, patético, segui como um morto vivo
A estrada longa e árida do deserto
Na solidão absoluta vi-me, então,
Como uma pálida sombra do que fui,
A descer mais e mais a senda do abandono.
E já sem reação alguma, chorei
Como uma criança desprotegida,
E implorei, titubante: Pai, me ajude!
Apenas, em recônditos de minha alma
Um atavismo indefinido agia sem cessar
Na busca incessante do que estaVa escrito.
E fui. Ninguém viu a luta formidável
Que destroçou todas as fibras do meu ser
Quando, patético, segui como um morto vivo
A estrada longa e árida do deserto
Na solidão absoluta vi-me, então,
Como uma pálida sombra do que fui,
A descer mais e mais a senda do abandono.
E já sem reação alguma, chorei
Como uma criança desprotegida,
E implorei, titubante: Pai, me ajude!
934
Fábio Afonso de Almeida
Queda
Então fui; sabia de meu fIm,
Apenas, em recônditos de minha alma
Um atavismo indefinido agia sem cessar
Na busca incessante do que estaVa escrito.
E fui. Ninguém viu a luta formidável
Que destroçou todas as fibras do meu ser
Quando, patético, segui como um morto vivo
A estrada longa e árida do deserto
Na solidão absoluta vi-me, então,
Como uma pálida sombra do que fui,
A descer mais e mais a senda do abandono.
E já sem reação alguma, chorei
Como uma criança desprotegida,
E implorei, titubante: Pai, me ajude!
Apenas, em recônditos de minha alma
Um atavismo indefinido agia sem cessar
Na busca incessante do que estaVa escrito.
E fui. Ninguém viu a luta formidável
Que destroçou todas as fibras do meu ser
Quando, patético, segui como um morto vivo
A estrada longa e árida do deserto
Na solidão absoluta vi-me, então,
Como uma pálida sombra do que fui,
A descer mais e mais a senda do abandono.
E já sem reação alguma, chorei
Como uma criança desprotegida,
E implorei, titubante: Pai, me ajude!
934
Urhacy Faustino
Inventário de safras
Ceifar o trigo;
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
835
Fernanda Benevides
Flagrante
Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
952
Fernanda Benevides
Flagrante
Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
952
Fernanda Benevides
Flagrante
Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
952
Fernanda Benevides
O Plantador de Sonhos
O lavrador prepara a terra, lentamente.
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
1 101
Fernanda Benevides
O Plantador de Sonhos
O lavrador prepara a terra, lentamente.
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
1 101
Fahed Daher
Acróstico
Bandos passaram, de ilusões variadas,
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
887
Fahed Daher
Acróstico
Bandos passaram, de ilusões variadas,
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
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