Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Manoel Elias Filho
Restos
Do amor intensoNa calada da noiteDo fogo do sexoSobraram restosVestígios, marcas.Do encontroSobrou a fuga.Da sociedadeRestou a insegurançaDo ser humanoRestou pedaçosTrapos de um serDivisão, confusão.Que da verdadeRestou a mentira.Que da razãoRestou a loucura.E da realidadeRestou a fantasiaPedaços de mimRestos de vocêSobras de todosRestos do mundo.
950
Manoel Elias Filho
Restos
Do amor intensoNa calada da noiteDo fogo do sexoSobraram restosVestígios, marcas.Do encontroSobrou a fuga.Da sociedadeRestou a insegurançaDo ser humanoRestou pedaçosTrapos de um serDivisão, confusão.Que da verdadeRestou a mentira.Que da razãoRestou a loucura.E da realidadeRestou a fantasiaPedaços de mimRestos de vocêSobras de todosRestos do mundo.
950
Elielson Rodrigues
Pobre Infeliz
As estrelas me espionam,
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
844
Elielson Rodrigues
Pobre Infeliz
As estrelas me espionam,
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
844
Eunice Arruda
Hora Poética
Para esquecer esta
dor
— transformá-la em poesia
Para eternizar esta
dor
— transformá-la em poesia
dor
— transformá-la em poesia
Para eternizar esta
dor
— transformá-la em poesia
1 022
Edmundo de Bettencourt
A Máquina Prisioneira
A máquina acabava o dia a mastigar
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
997
Edmir Domingues
Poema para Velhos
onde se fala da emoção imperdoável — e vergonhosa
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
1 476
Edmir Domingues
Poema para Velhos
onde se fala da emoção imperdoável — e vergonhosa
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
1 476
Edmir Domingues
Poema para Velhos
onde se fala da emoção imperdoável — e vergonhosa
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
— das lembranças do País chamado Infância.
Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Cantava o sabiá sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.
Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.
São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.
(Capineiro
do meu Pai, por que me cortas o cabelo?
Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,
pelo figo da figueira que o pássaro picou... )
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.
A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.
— Menos os bestasséleres que vendem
como vende o pão-quente em padaria.
Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.
É muito tarde, Amor, é muito tarde.
1 476
Egito Gonçalves
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
1 731
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
A Escola
Estudar, Estourar, Esfregar na nossa cara que somos burros
Na escola a gente
Aprende a ser gente
E sente na pele
A semente da desgraça
Posta a coçar
Cogitar, Armar, Amedrontar
Fulminar o seu eu interior.
Tão somente quando tudo acabar
Você vai ver, e se defrontar
Com quem você realmente é
E vai jogar fora sua máscara,
E se porá a correr.
Na escola a gente
Aprende a ser gente
E sente na pele
A semente da desgraça
Posta a coçar
Cogitar, Armar, Amedrontar
Fulminar o seu eu interior.
Tão somente quando tudo acabar
Você vai ver, e se defrontar
Com quem você realmente é
E vai jogar fora sua máscara,
E se porá a correr.
964
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
O Poeta
No deserto de minha mente
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
1 183
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
O Poeta
No deserto de minha mente
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
1 183
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
O Poeta
No deserto de minha mente
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
Vivo;
Posto a andar para sempre
Estou me tornando um demente.
Preso a minha própria solidão
Nao consigo mais enxergar,
A barreira de meu crânio não poso vencer,
Nem parar para respirar
Vagando pelo mundo afora
Não encontro a paz
nesse mundo ela não se encontra
Na eternidade ela jaz
Deixo para traz uma vida.
Perplexo com minha própria situação
Nao consigo encontrar,
Para mim, Solução....
1 183
Eduardo Bacelar
Noites em Claro
Meia noite e o telefone não tocou,
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
582
Eduardo Bacelar
Noites em Claro
Meia noite e o telefone não tocou,
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
582
Emílio Burlamaqui
Angico
Fogão de lenha, carvão de angico.
Bastava abanar e logo saía um café quente
Servido em bule de ágata, em chícara de ágata.
O cigarro era forte, o pigarro também.
Minha meninice na casa do meu avô
Durou uma eternidade.
Naquele tempo eu não tomava café,
Não fumava e não tinha pigarro.
Não sabia sequer que mulher
Rimava com sofrer. Rima?
Mulher rima com quê?
Mas já então eu pressentia:
Naquelas menininhas que me compulsavam
Ao Jogo do Anel havia algo diferente.
Eu era muito pequeno mas já sentia
Que aquelas mãozinhas quentes e fugidias
Tinham um toque muito diferente.
E se uma delas, ela, demorava um pouquinho mais
Suas mãos entre as minhas e me passava o anel,
Para mim era o sinal certo de que entre nós havia
Aquilo que um dia chamar-se-ia
Uma grande paixão.
Porém se nada disso sucedia,
Naquela noite eu acho que ia dormir triste,
Como hoje.
Depois, a mulher deixou de ser inatingível
Para ser apenas inalcançável.
E eu vim a conhecer a mulher
E a saber que nesses seres movediços,
Sedosos, sediços,
Havia um sumidouro.
Afinal, há rima para mulher?
Para homem tem. Serve lobisomem?
Bastava abanar e logo saía um café quente
Servido em bule de ágata, em chícara de ágata.
O cigarro era forte, o pigarro também.
Minha meninice na casa do meu avô
Durou uma eternidade.
Naquele tempo eu não tomava café,
Não fumava e não tinha pigarro.
Não sabia sequer que mulher
Rimava com sofrer. Rima?
Mulher rima com quê?
Mas já então eu pressentia:
Naquelas menininhas que me compulsavam
Ao Jogo do Anel havia algo diferente.
Eu era muito pequeno mas já sentia
Que aquelas mãozinhas quentes e fugidias
Tinham um toque muito diferente.
E se uma delas, ela, demorava um pouquinho mais
Suas mãos entre as minhas e me passava o anel,
Para mim era o sinal certo de que entre nós havia
Aquilo que um dia chamar-se-ia
Uma grande paixão.
Porém se nada disso sucedia,
Naquela noite eu acho que ia dormir triste,
Como hoje.
Depois, a mulher deixou de ser inatingível
Para ser apenas inalcançável.
E eu vim a conhecer a mulher
E a saber que nesses seres movediços,
Sedosos, sediços,
Havia um sumidouro.
Afinal, há rima para mulher?
Para homem tem. Serve lobisomem?
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Emílio Burlamaqui
Angico
Fogão de lenha, carvão de angico.
Bastava abanar e logo saía um café quente
Servido em bule de ágata, em chícara de ágata.
O cigarro era forte, o pigarro também.
Minha meninice na casa do meu avô
Durou uma eternidade.
Naquele tempo eu não tomava café,
Não fumava e não tinha pigarro.
Não sabia sequer que mulher
Rimava com sofrer. Rima?
Mulher rima com quê?
Mas já então eu pressentia:
Naquelas menininhas que me compulsavam
Ao Jogo do Anel havia algo diferente.
Eu era muito pequeno mas já sentia
Que aquelas mãozinhas quentes e fugidias
Tinham um toque muito diferente.
E se uma delas, ela, demorava um pouquinho mais
Suas mãos entre as minhas e me passava o anel,
Para mim era o sinal certo de que entre nós havia
Aquilo que um dia chamar-se-ia
Uma grande paixão.
Porém se nada disso sucedia,
Naquela noite eu acho que ia dormir triste,
Como hoje.
Depois, a mulher deixou de ser inatingível
Para ser apenas inalcançável.
E eu vim a conhecer a mulher
E a saber que nesses seres movediços,
Sedosos, sediços,
Havia um sumidouro.
Afinal, há rima para mulher?
Para homem tem. Serve lobisomem?
Bastava abanar e logo saía um café quente
Servido em bule de ágata, em chícara de ágata.
O cigarro era forte, o pigarro também.
Minha meninice na casa do meu avô
Durou uma eternidade.
Naquele tempo eu não tomava café,
Não fumava e não tinha pigarro.
Não sabia sequer que mulher
Rimava com sofrer. Rima?
Mulher rima com quê?
Mas já então eu pressentia:
Naquelas menininhas que me compulsavam
Ao Jogo do Anel havia algo diferente.
Eu era muito pequeno mas já sentia
Que aquelas mãozinhas quentes e fugidias
Tinham um toque muito diferente.
E se uma delas, ela, demorava um pouquinho mais
Suas mãos entre as minhas e me passava o anel,
Para mim era o sinal certo de que entre nós havia
Aquilo que um dia chamar-se-ia
Uma grande paixão.
Porém se nada disso sucedia,
Naquela noite eu acho que ia dormir triste,
Como hoje.
Depois, a mulher deixou de ser inatingível
Para ser apenas inalcançável.
E eu vim a conhecer a mulher
E a saber que nesses seres movediços,
Sedosos, sediços,
Havia um sumidouro.
Afinal, há rima para mulher?
Para homem tem. Serve lobisomem?
1 100
Edimilson de Almeida Pereira
Magnificat
Porque não há ofício
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
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Edimilson de Almeida Pereira
Magnificat
Porque não há ofício
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
1 082
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
Para os Amigos
Se eu pudese dizer o que sinto,
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
951
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
Para os Amigos
Se eu pudese dizer o que sinto,
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
951
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
Para os Amigos
Se eu pudese dizer o que sinto,
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
E, eu juro que não minto,
Não teria mais amigos
E não estaria mais vivo
Longe daqui,
Me poria a olhar, a observar
E quando a saudade intensa chegar,
Me poria a chorar.
Por isso prefiro não ver,
Ver que não tenho amigos.
Graças a Deus; que me deu o dom,
O dom de não ver.
951
Elielson Rodrigues
Putrefação
Quando a putrefação
ultrapassa tua pele,
quando deixa teu coração
e toma conta de tudo.
Quando teu corpo apodrece
e todos olham sem fazer nada,
E você descobre que merece
tudo que acontece na tua vida.
Não há Mártir que aguente,
contemplar sua propria morte,
Ver seu corpo em correntes,
e esperar a sua sorte.
Sua vida acaba antes do meio,
e começa no seu fim,
Morte, vivo no teu seio,
me diz... o que farás de mim?
ultrapassa tua pele,
quando deixa teu coração
e toma conta de tudo.
Quando teu corpo apodrece
e todos olham sem fazer nada,
E você descobre que merece
tudo que acontece na tua vida.
Não há Mártir que aguente,
contemplar sua propria morte,
Ver seu corpo em correntes,
e esperar a sua sorte.
Sua vida acaba antes do meio,
e começa no seu fim,
Morte, vivo no teu seio,
me diz... o que farás de mim?
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